17/09/15

em plena indignidade

Por Baptista-Bastos
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Passos Coelho não deixa de me surpreender com a insistência no embuste e no desprezo pela verdade e pela clareza de propósito. Confrontado, no mercado municipal de Braga, por uma multidão de "lesados" do BES (roubados com descaro, diríamos apropriadamente), ofereceu-se para ser o primeiro de um hipotético abaixo-assinado que levasse os prevaricadores a tribunal. Estamos em plena indignidade ou no grau mais desprezível a que a política chegou. Passos sabe que a oferta é falaciosa, impossível de cumprir pela sua própria insustentabilidade: o Governo, todo o Governo, seria acusado, e não haveria cadeiras no tribunal para sentar número tão elevado de indiciados. Mas Pedro Passos Coelho tem este grave defeito de carácter: a verdade dos factos é, para ele, de somenos. Promete; depois, logo se vê. 

Agora, arrasta consigo, para os comícios, o pobre Paulo Portas, cada vez mais desamparado e trágico. Um, expõe dois dedos abertos da direita, para significar "vitória", e agita-a para cima e para baixo; o outro, ergue o polegar, também da direita (claro!), que simboliza não se sabe bem o quê. Mas é preciso levantar qualquer coisa, e tudo se afigura muito declinante, inclusive as "sondagens", cuja manipulação chega a ser afrontosa. Estas situações seriam grotescas não assumissem elas a dimensão da desgraça que nos assolou. Estes dois cavalheiros (há outros) fazem de nós os tolos da farsa com uma desfaçatez recostada na impunidade de que presumem gozar. Estamos sitiados por mentirosos profissionais, que já não conseguem separar o universo em que vivem da realidade circundante. 

Dizer, como dizem os dois comparsas da Coligação, que Portugal foi por eles salvo da bancarrota é uma aldrabice já desmontada por economistas de renome, sociólogos credenciadas e políticos sérios. Atribuir sempre as culpas ao "outro", o anterior, também já não cola. A pátria, que somos nós, merece respeito, e nem sempre a mentira repetida mil vezes dá resultado. Claro que o problema reside no sistema e na falência das coordenadas morais e éticas afectadas pela derrota da razão prática ante a avalancha do irracionalismo mais monstruoso. Veja-se o que acontece com a repulsa e a rejeição dos refugiados por já muitos países europeus e talvez consigamos descortinar a origem de todos os males.

14/09/15

detesto mijinhas

Os outros, vocês sabem quem, aumentaram o IVA e o IRS. Criaram contribuições extraordinárias, ora de sustentabilidade, ora de solidariedade. Retiraram quase todos os benefícios fiscais. Cortaram nas indemnizações por despedimento. Cortaram feriados. Reduziram ou eliminaram subsídios. Subiram as custas judiciais, os transportes, as despesas com Educação e Saúde. Pagamos mais caro do que a maior parte dos europeus a gasolina, o gás, a água, a electricidade.

Que diz o PS a tudo isto? Promete repor um feriado aqui, reparar uma injustiça acolá, como se nos estivessem a conceder uma nova benesse a que até agora não tínhamos direito. Por outras palavras, quase tudo o que nos roubaram vai ficar onde está, nos cofres do Estado, para pagar ao FMI e ao BCE, para ajudar a banca em caso de novo "azar", para amealhar. Nunca se sabe o dia de amanhã. Nem as despesas a que é preciso fazer face, há swaps, há PPPs, há fundações, há frotas automóveis, há boys a precisar de jobs, há negócios gorados, fechados com prejuízo, há pareceres a pedir e amigos a acudir, 

Detesto mijinhas. Que me restituam o que é meu às pinguinhas. 

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13/09/15

açaçinar a língua, os refujiados, os cumunas

love is in the air

Pedrito quer uma campanha eleitoral cheiinha de amor. Foi ele mesmo que disse. Assim mesmo: amor. Não foi cheia de verdade. Nem de realismo. Nem de lealdade para com os adversários políticos. Nem de aversão à demagogia. Foi amor. Pedrito pede, exige dos seus concidadãos o mesmo amor que lhes dedicou ao longo dos últimos quatro anos, aos pensionistas, aos reformados, aos professores, aos médicos, aos enfermeiros, às forças de segurança, aos trabalhadores em geral, aos desempregados, aos emigrados, a todos nós que não estamos na lista dos VIP do País. A Pedrito, chegou-lhe agora a pieguice. Lá bem no fundo, Pedrito tem bom fundo. Tão bom que até quer promover uma vaquinha para ajudar os lesados do BES a livrarem-se dos abrolhos com que o próprio Pedrito os flagelou. Pedrito é afinal uma santa alma. Um esmoler. Um sensível. Canonize-se Pedrito. Faça-se uma outra vaquinha, esta para erguer um santuário em honra e memória de Pedrito. Em Fátima. Em Santa Comba. No Portugal reconhecido a Pedrito Coelho e aos seus amigos, os Relvas, os Macedos, os Portas, os Duarte Limas, os Cavacos Silvas, os Dias Loureiro, os Ulrich, os Mexias, os chineses, os brasileiros, os angolanos, todos os que contribuiram para salvar o País da bancarrota, do descalabro, de Sócrates, sobretudo de Sócrates. Petrus Domine, miserere nobis!