14/06/14

pois se ele há cada maduro

Gonçalo Villaverde/Global Imagens/http://www.jn.pt/

"O governo tem sido irrepreensível com o TC", disse Poiares Maduro ao DN. Maduro, definitivamente, tem andado muito pela estranja, esqueceu o significado da palavra "irrepreensível".

a peixeirinha de são bento

Pode pertencer à fina-flor lusitana, mas de fina nada tem a grossa criatura. Quer desancar nos juízes do TC, defende Passos com unhas e dentes, é mais uma estrela passageira na pulha política nacional. Mas, enquanto o pau não vem, folgam-lhe as costas. A ela, a Caeiro, à Francisquinha, a tantas damas e cavalheiros alapados nas poltronas de uma praça que já foi da liberdade, hoje é das peixeirinhas, dos apregoadores de banha-da-cobra, dos bufarinheiros, dos vendilhões da Pátria, dos vendedores de farturas em tempos de fome, de amargura.

Há excepções? Há. Mas não chegam para acabar com a peixeirada. Lá, fede a fénico e a traição. Lá, com a Dona São a comandar as postas de pescada do alto, o inconseguimento é fatal. Dos tubarões à xaputa e ao rodovalho, a caldeirada é malfazeja, a pesca é da grossa, como grossa é a criatura leal a coelho, uma tainha, uma lampreia, uma raia, o raio que os parta a todos, cães de fila, testas de ferro, vozes do dono, bocas de xarroco, coelhinhos amestrados, pobres carapaus de corrida. Sem sangue na guelra. Sem coluna vertebral. Com espinhas que se nos cravam na garganta.

triste, triste é a realidade


13/06/14

está-se bem!

Os juízes do Tribunal Constitucional, a Leal Coelho assim o apontou, passarão a ser nomeados apenas e quando jurarem fidelidade ao governo, nunca à Constituição.

À medida que os jornalistas forem sendo despedidos - e de uma assentada vão mais 160 do DN, JN, TSF e outros -, serão contratados os que se comprometerem a, por tuta-e-meia, escrever aquilo e só aquilo que os patrões e os grandes anunciantes quiserem.

As eleições são ganhas pelos que têm menos escrúpulos, os que mais mentem e mais prometem o que sabem não poder cumprir.

Os protestos serão cada vez mais rechaçados à ferro e fogo, sob o pretexto de que é preciso manter a ordem ... democrática.

Para que precisamos de uma ditadura se estamos tão bem assim?

futebol em marcha


Ontem foi dia de marchas populares e de futebol, muito futebol. Primeiro a festa de abertura que, disse-se e repetiu-se com orgulho pátrio, foi organizada por uma empresa de Leiria (não vi, não sei se esteve à altura de outros eventos do género), depois o jogo Brasil-Croácia, depois os comentadores nos canais de informação a perorar sobre os méritos e deméritos de cada equipa, cada jogador, depois os repórteres nos canais generalistas a mostrarem a cozinha da Selecção, os fãs da Selecção, a Selecção em repouso, a Selecção em treinos, tudo pela Selecção, nada contra a Selecção, o futebol é o nosso melhor narcótico, com ele esquecemos as aberrações dos abencerragens que nos tomam por tolos, por gentalha de segunda ou de terceira, canalha que se deixa enganar e gamar porque tem um olho nas marchas, o outro nos deuses do estádio, os meninos dos milhões, os astros de multidões.

Ao que parece, o governo vai anunciar novas medidas de austeridade (Que digo eu? Novos roubos é que é!) no dia em que os lusos heróis jogarão contra os patrícios de Merkel. Como quem não quer a coisa, assim de mansinho para ninguém dar por isso porque outros valores, mais altos, se levantam. E aqueles que, por nada deste mundo, marcharão pela Avenida em sinal de protesto, encherão ruas e praças em histerias e júbilos por cada golo que Portugal marcar, por cada ponto que Portugal avançar, por Marvila se Marvila ganhar, pelo Alto do Pina se for do Alto do Pina a vitória marchista que a marxista, essa, estiolou há muito.

Não nos podemos queixar. Temos pão, temos circo, marchamos alegremente para o cadafalso. Que siga a marcha! E o Carnaval.

12/06/14

vampirismo fiscal


Por Fernando Dacosta
http://www.ionline.pt/

Cresce o número de pessoas que dizem ter hoje quase tanto medo do fisco como ontem da PIDE. Os que tal afirmam sabem por experiência própria o que significa ter-se sido vítima de uma e ser-se agora de outro.

Se a António Maria Cardoso - rua da sede da extinta polícia - se desmemoriou, foi desmemoriada, os departamentos fiscais, esses, consolidam, blindados por tecnologias de pés de barro, implacabilidades e arrogâncias sem medida contra milhões de contribuintes. Os recentes protestos destes (impedidos, por exemplo, de enviar as suas declarações de impostos por deficiências electrónicas) não encontraram qualquer consideração junto dos responsáveis que se atreveram mesmo a negar os constrangimentos informáticos injustamente sofridos pelo público.

Isto da parte de um Estado que confisca todo o dinheiro que ganhamos de Janeiro a Junho! Andámos, com efeito, este ano a trabalhar metade dele para o fisco, sem sabermos se tal indignidade será agravada no futuro.

Aos aumentos dos impostos gerais há, entretanto e paralelamente, que somar a redução de vencimentos, a retirada de direitos adquiridos (como na saúde, na assistência, na educação, na cultura, no desemprego), o encerramento de serviços públicos e o acréscimo do preço de quase todos os produtos.

As monstruosidades cometidas pelo fisco (penhoras de habitações, de pensões, de veículos, de ordenados, de contas bancárias, de terrenos, de garagens, de partes de firmas, de recheios de empresas, etc.) destruíram já quase tantos portugueses como as cometidas pelo fascismo. Só no ano passado foram emitidos dois milhões de ordens de penhora (53 273 de imóveis), mas nenhuma contra as dívidas do Estado.

Guardaremos disso memória.

a ele tanto lhe faz, ora junto de deus ora de satanás


Marinho Pinto - que alguns andam agora a querer alcandorar a presidente da República, deus nos livre e guarde! -, já não vai integrar o grupo dos Verdes no Parlamento Europeu. Alegadamente, estes não terão gostado de algumas declarações homofóbicas do antigo bastonário.

Sendo assim, para onde vai Marinho Pinto e o seu coleguinha de MPT? Para o grupo dos Liberais, ao qual o PSD já pertenceu.

Ou seja, qualquer grupo vale desde que valha tribuna a Marinho Pinto, porque outras aspirações mais altas se levantam.

E o pior está para vir. A desilusão dos seus eleitores vai ser grande. As ingenuidades pagam-se caras.

11/06/14

os ricos miseráveis

Leio no DN que, desde a crise financeira de 2008, o dinheiro real ou virtual administrado por gestoras de fortunas e bancos de investimento cresceu 60%, atingindo agora os 152 biliões de dólares. Ou seja, mais 60 biliões de dólares foram desde então parar às mãos de multimilionários enquanto a pobreza cresce, o trabalho escravo aumenta, a Europa é governada por Merkeis, Coelhos e Durões, milhões de crianças morrem de fome todos os dias, as doenças alastram, o planeta sufoca, os políticos se perdem num labirinto de promessas e mentiras, de impotência, de submissão aos senhores do mundo.

O horror está cada vez mais próximo. E ninguém, rico ou pobre, escapará incólume.

10/06/14

caladinhos, faladores & as coisas por aí


João Girão/http://www.dinheirovivo.pt/

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Passos Coelho, que gosta de dizer coisas sem demonstrar grande preocupação com a verdade, afirmou, na "cimeira" com Rajoy, que deseja criar estabilidade e confiança, admitindo, de forma subjacente, o que, até agora, não conseguiu. Nada do que Passos diz me interessa, nem sequer mediocremente. Ele é um tipo sem palavra, que mantém, com o embuste e a mentira, uma relação entranhadamente doentia. E fá-lo com a amorosa cumplicidade do dr. Cavaco, certamente o pior Presidente da República que tivemos, incluindo o almirante Thomaz.

Vivemos submersos num oceano caótico e imoral. E é bom que o repitamos sem descanso. Assim o faço e farei, enquanto estes diligentes velhacos por aí andarem.

Na mesma ordem de ideias, o conflito que Passos alimenta com o Tribunal Constitucional atingiu as raias do obsceno. Ele e os seus sabem muito bem (ou, então, são burros) o que de inconstitucional apõem nos documentos orçamentais. Fazem-no porque ou jogam com a ideia de que o caso, ou os casos podem passar, ou desejam mesmo o confronto institucional, desgastante e vil. Inclino-me para esta última hipótese. Agora, ante a evidência dos factos, reafirmados por constitucionalistas respeitados, a rapaziada decidiu pedir a "aclaração" dos acórdãos. Nada disto é para ser levado a sério: mas, entretanto, Passos ganha tempo para cometer as piores prevaricações.

A base social de apoio da Coligação está notoriamente esvaziada, como as últimas eleições o provaram. E a própria natureza dos resultados exigia que o dr. Cavaco anunciasse eleições antecipadas. Mas este homem desasado e estranho pertence a outra estirpe, que não possui o timbre do cavalheirismo. Mantém-se calado e ignaro, e quando o faz, só diz disparates e tolices.

Faz lembrar, tomando as devidas distâncias e com perdão da palavra, a presidente dos bancos portugueses alimentares contra a fome, Isabel Jonet, cujo meritório trabalho (ao contrário do outro, que o não é) fica um pouco turvo de cada vez que emite uma opinião. A doce senhora proferiu, há dias, uma frase que faz arrepiar o espírito mais insensível. Disse: "Um pão custa o mesmo para quem ganha bem ou 120 euros." Não custa, no sentido exacto da palavra. 120 euros não dispõem de idêntico valor nas possibilidades de, por exemplo, Américo Amorim, e de quem tem somente o salário mínimo. Isabel Jonet é, certamente, boa pessoa, tem bom ar, deve ser excelente mãe de família - MAS, POR FAVOR, ESTEJA CALADINHA!

Caladinho, por exemplo, tem estado António José Seguro, a ver o que as modas lhe dizem. Caladinho que nem um rato esteve durante os Governos de José Sócrates. Aguardou, de tocaia e com minuciosa astúcia, o desenrolar dos acontecimentos, e soltou as pequenas garras quando lhe pareceu que a situação lhe era propícia. Organizou o "aparelho" a seu bel-prazer, declarou ao Expresso um desígnio que, na altura, fez furor ("Estou cansado da política, mas disponível para ir para o Parlamento Europeu"), e, caladinho, caladinho, praticou o mesmo de António Costa: de supetão apareceu, impante e sereno.

É a política, comentou, ligeiro, um recém-adepto do Costa. Não creio que a política seja rigorosamente isto. Mas assim tem sido: entre deslizes de amizade, manhas de oportunistas e pouca clareza nos comportamentos morais. Ouvimo-los e não acreditamos: ou, melhor, desprezamo-los com a evidência dos factos vistos e ouvidos. Se os resultados eleitorais não são de molde a fazer modificar os caracteres, então, que fazer?

"Isto dá vontade de morrer!", como confessou Alexandre Herculano ao seu amigo Bulhão Pato.

uma gaffe destas!

Publicado no Correio da Manhã. A Maria João, a finérrima comentadora Chanel, está vivinha da costa. Claro que o que diz é letra morta, pelo menos para mim, mas é falta, e da grave, liquidarem a senhora antes de ter esticado o bem torneado pernil. Não se faz. É trágico. É tétrico. É patético.

Seguramente, um caso de polícia.

o trangomango do presidente



Cavaco deu-se mal com os ares da Guarda. Muito dado a fanicos, chiliques e mutismos súbitos, Cavaco é como os coelhinhos alcalinos, dura e dura e dura, há 20 e tal anos a ocupar Portugal. Na acepção popular, e brejeira, do verbo ocupar.

Paulo Novais/Lusa/http://www.tvi24.iol.pt/
Paulo Novais/Lusa/http://www.tvi24.iol.pt/
Paulo Novais/Lusa/http://www.tvi24.iol.pt/

09/06/14

moda londrina outono-inverno

DR
Os sem-abrigo são isso mesmo, sem-abrigo, sem direito a abrigo. Muito menos junto a prédios de luxo, onde o lixo se esconde e a miséria se quer longe. Por isso mesmo, em Londres, estão a colocar-se espigões afiados nos locais onde os sem-abrigo costumam dormir. 

Resta dizer aos senhores, lá no alto nos seus penthouses onde felizardamente habitam, que, não fosse o seu egoísmo, a sua imensa cobiça, talvez existisse menos gente a viver nas ruas. 

Ai se um dia se vira o feitiço contra o feiticeiro!

08/06/14

este país é um paraíso

Por Raquel Varela
http://raquelcardeiravarela.wordpress.com/

Portugal é um país onde o investidor estrangeiro deve investir porque tem “recursos humanos flexíveis, dedicados e competentes”. Diz o Guia do Investidor em Portugal feito pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Isto quer dizer que um professor tanto dá aulas de matemática como atende os pais desempregados em divórcio explosivo; a enfermeira atende telefonemas e marca consultas; o cientista gere a página da net e a contabilidade dos projectos; os médicos atendem os doentes, marcam consultas e exames online e fazem busca dos medicamentos que os laboratórios já não vendem; os directores de escola gerem a melhor educação, o serviço social, os tempos livres, os divórcios e a fome; os jornalistas investigam, fazem reportagem, escrevem, corrigem, editam e filmam.

E fazem-no bem, são “competentes”, diz o Guia para atrair o Investidor. Mas, não é bem assim. Há uma diferença entre trabalhar bem e ganhar pouco – pode-se produzir riqueza porque se trabalha bem e pode-se dar lucro porque se ganha mal. Por exemplo, não se operam tantos doentes porque o enfermeiro está a marcar consultas; não se ensina matemática porque o professor esteve duas horas na cantina a ouvir gritos; atende-se menos 5 doentes porque a impressora do médico emperrou; o cientista não concorre a projectos porque gere a página da internet; o director de escola descobre que não tem uma escola mas um serviço social e as páginas dos jornais são uma vergonha de gralhas e desinformação.

Dóceis são os portugueses?! Perdão, a palavra do Guia é “dedicados”. Melhor que isto só na China de Mao Tse Tung, em que os médicos ao fim do dia iam lavar os hospitais. Mas isso não é necessário aqui, já sabem os investidores, porque esse trabalho é feito por mulheres, negras na sua maioria, que ganham menos de 2 euros à hora e fazem-no exclusivamente para pagar a segurança social porque o que ganham só dá para pagar o transporte. Mas, nada se perde aqui neste paraíso. A segurança social financia os títulos da dívida pública, que o Estado imprime para pagar, a quem? Aos investidores! Acertaram. No fundo, tudo em prol de um país melhor. Um paraíso para os investidores e um inferno para os 94% de força de trabalho que trabalham por conta de outrem de facto. Como conta o Rui Zink na Instalação do Medo, um romance a não perder, há um momento em que os escravos começam a gritar – os lamechas -, lá de baixo, do porão, “temos sede”, “fome”, “doenças”. Vem de lá o capitão, cansado de os ouvir e grita-lhes cá de cima: “Vocês não vêem que estamos todos no mesmo barco?”.

amuas-te


Autor: Antero/http://aventar.eu/

um primário às primárias

O secretário-geral do PS - um SG transtornado, transformado em português suave -, continua a invectivar Costa. A direita rejubila. Nas primárias, a direita votará Seguro. A direita gosta de Seguro. Seguro, por eles, morreria de velho como SG do PS. O PS desce (desce mesmo?) nas sondagens e Seguro culpa Costa. Organizemos o voto em Costa. Por uns minutos, à boca das urnas, seremos todos simpatizantes do PS, militantes do PS, votantes no PS. Seguro é o seguro de Coelho, toda a gente o sabe e toda a gente o diz. Só por isso, quanto mais não seja por isso, votemos Costa. De costas ou de barriga, engulamos sapos, rãs e centopeias. Lembremo-nos de quão fofo Seguro tem sido com Passos. As abstenções violentas. As palavras ocas. As indignações fingidas. Lembremo-nos de que Seguro é um Passos. Passos perdidos. Passinhos leves. Pezinhos de lã. Um jotinha. Uma oposiçãozinha. Uma nódoazinha. Um primata da política. Um primário.

Seguro quer primárias? Terá primárias. Não passará é no exame de admissão.

Seguem-se as melhores imagens de um SG sem filtros.