31/03/12

às vezes apetece olhar o mundo (2)

Fotografia: http://www.facebook.com/yesone.santos

que raio de partido socialista é este?

Por Baptista Bastos

O Partido Socialista teve, anteontem, na Assembleia da República, uma excelente ocasião para se redimir das evasivas políticas, das ambiguidades e dos desvios que têm caracterizado a sua trajectória. Porém, ao abster-se de combater a nova lei laboral, acentuou o retrato ideológico e moral da sua triste existência. A ideia de que António José Seguro é um "homem de Esquerda" caiu pela base. Ao claudicar perante um documento daquela natureza, o PS desacreditou-se definitivamente.

Fica por saber, mas adivinha-se, as manobras de bastidores encetadas entre as direcções socialista e social-democrata, a fim de se atingir aquele vergonhoso resultado. Aliás, a "concertação" social, tão afamada pelos trompetistas da Direita, foi subscrita por João Proença, figura de relevo do PS. Convém não esquecer, para memória futura.

Mas a história do chamado "socialismo democrático" está pejada de traições (porque de traições se trata) desta e de índole semelhante. Não é preciso ler Tony Judt, embora seja importante frequentá-lo, para sermos informados das claudicações dos partidos "socialistas" na Europa, que levaram ao total descalabro. A ameaça do comunismo serviu de pretexto para as maiores abjurações. Ao juntar-se aos partidos de Direita (caso português), o PS alterou a fisionomia do que de ele se esperava, desde o 25 de Abril. 

Claro que o sectarismo do PCP, na altura, e a existência da União Soviética, como poder omnipresente, também não ajudaram a convergência de esforços. Mas, como escreveu, na altura, o jornalista alemão Kurt Dreyer, "tudo seria o mesmo, pois os partidos socialistas procedem de ambições pequeno-burguesas."

A queda do Muro de Berlim "não salvou ninguém de coisa nenhuma" [Gunther Grass] e apenas forneceu ao capitalismo outra força e outro desiderato, porventura mais cegos e desvigiados. O resultado está à vista. No fundo, não se desejava que o PS fosse além do que dizia. Apenas se exigia que cumprisse as razões da "social-democracia."

Os portugueses ainda se recordam dos gritos e dos estribilhos dos anos da brasa. "Partido Socialista, Partido Marxista!" E o punho erguido, vertical e incisivo, depois alterado para a rosa. "Uma rosa sem cheiro", na rotunda expressão de Fernando Piteira Santos. Aliás, há uma história dessa época que se conta ainda. Parece que um diaMário Soares dirigiu-se a Piteira Santos e inquiriu: "Porque é que você não se inscreve no Partido Socialista?" Piteira, velho resistente, cujo sarcasmo nunca media distâncias, respondeu-lhe; "Porque sou socialista."

Podemos confiar no PS? Se a questão é penosa, a resposta poderá ser cruel. Há muitos anos que o PS abandonou as regras d'oiro da Esquerda. Ao menos que, nos problemas sociais, tivesse uma resposta e uma actuação que não fossem tão humilhantes. Nada disso. Não votaram em Francisco Assis, para secretário-geral, porque estava muito ligado a José Sócrates, e, também, porque Seguro oferecia mais garantias "de Esquerda." É o que se tem visto. Encostado, cada vez mais declaradamente, aos propósitos e objectivos da Direita, o PS de António José Seguro queda-se numa retórica absurda, sem direcção nem sentido, espécie de baratinha tonta com fato e gravata.

Depois da abstenção de quarta-feira que vão Seguro e os seus dizer às pessoas? O seu comportamento, a sua ubiquidade, a sua falta de carácter e de ideologia roçam a indignidade ética. Mas será que alguma vez a tiveram? Perguntar não ofende. O que ofende a consciência dos homens livres são as constantes tranquibérnias de um partido cada vez mais ligado aos interesses e aos malabarismos do rotativismo.


APOSTILA - Para governo e conceito dos meus Dilectos, e para honra da verdade, nunca fui redactor do "Diário de Notícias", apenas seu colunista, de há cinco anos a esta parte, e a convite expresso de João Marcelino, meu amigo. Acrescento que me insurgi contra os saneamentos de 1975, e que fui camarada fraterno de João Coito, grande jornalista, homem digno e honrado, fiel às suas convicções até ao remate final dos dias. Adianto que nos protegemos um ao outro, o que deixava os dele e os meus correligionários completamente fora de si. Depois, quem quiser corresponder-se comigo, sem a máscara vil do anonimato, o meu endereço electrónico está a seguir. Chega?

30/03/12

às vezes apetece olhar o mundo

os lambe-botas da nação


Com que mesuras, e delicodoces palavras, os senhores deputados da maioria se dirigem ao senhor todo poderoso sempre que este acorre, à assembleia nacional, para pregar a verdade indestrutível de quem quer, de quem pode e de quem manda, neste caso uma e a mesma pessoa. Ele é "Vossa Excelência" para aqui, "Senhor Primeiro Ministro" para acolá, são sorrisos rasgados, são vozes enternecidas, tremeliques nas mãos, fornicoques de corpo inteiro. Um happening, uma glória, uma dádiva, uma aparição, uma graça divina. 

comprei uma bomba para tirar leite

Eis a afirmação - bombástica - de Luciana Abreu ao Correio da Manhã. Tão bombástica que mereceu  destaque em título. A vedeta jornalística que engendrou tal manchete devia ser condecorada, homenageada, premiada nuns quaisquer jogos florais. Que primor. Que sensibilidade. Que faro jornalístico. Depois disto, eu, que sempre gostei de escrever, vou reduzir-me à minha mais do que modesta insignificância e arrear a lapiseira. A concorrência é feroz. Desisto.

Se se quiser dar ao trabalho de ler tão grande pérola jornalística, do maior interesse e actualidade, crucial para a sobrevivência desta pobre nação à beira-mar especada, ei-la:

não aticem a matilha, que o povo é sereno

é tempo de recuperar o slogan "o povo não quer fascistas no poder", se é que o povo ainda tem quereres


O relatório do Serviço de Informações de Segurança (SIS), a antecipar os riscos e ameaças dos “grupos antiglobalização” para a greve geral de dia 22, previa violência, caos, ruas bloqueadas e explosões. Para os espiões, as forças de segurança deveriam preparar-se para ruas bloqueadas em Lisboa e para o rebentamento de cocktails Molotov. O documento, classificado como “confidencial”, foi distribuído a PJ, GNR, PSP, SE e ministros da Administração Interna e da Justiça e deveria servir de base de planeamento para a PSP – que há um ano se prepara para uma onda de contestação social que previu ser a maior dos últimos 30 anos.

Poderá isto justificar a desproporcionada carga policial que aconteceu no Chiado (vídeo)? Será que os policias estavam assim tão alarmados e assustados que confundiram ovos com cocktails Molotov?

Espiões, câmaras, escutas, vigilância, infiltrados por tudo o que é movimento social e, no fim, o grande temporal anunciado não passou de uma bufa. É verdade que já todos sabem que telefones, mails e redes sociais são vigiados, bem como conhecem os infiltrados que por aí andam, e que a única comunicação segura é aquela feita presencialmente, mas os movimentos sociais que existem já provaram, apesar da prática de alguma desobediência civil light para conseguirem alguma visibilidade nos órgãos de informação, ser pacíficos. Fazem, também eles, parte dos movimentos internacionais que acreditam que é pela ocupação do espaço público, pela presença e pelo protesto pacífico que poderão exigir uma democracia mais participativa e uma mudança neste sistema injusto e canibalizado pelas grandes corporações. Pacifico porque acreditam que só assim todos os que se sintam indignados com o sistema podem sentir-se seguros para ocuparem as ruas e praças conquistando a mudança, não pela força da violência, mas pela força das palavras, das ideias e dos direitos.

O SIS pode fazer os seus relatórios alarmistas, a polícia pode tentar provocar o confronto por se sentirem mais à vontade a bater do que a pensar e o Ministro pode tentar esconder as suas responsabilidades, que o que realmente ressalta de tudo isto é a sua incapacidade de compreender o que se passa e de encontrar soluções não violentas para calar a indignação. O que ressalta disto é que o poder começa a temer a rua.

uma fotografia para a história

PSP preocupada com ... notícias

Por Manuel António Pina

Jornais, TVs e Net noticiaram por estes dias o espancamento por agentes da PSP, documentado com imagens que correram mundo, de pessoas que exerciam o seu direito à greve e à manifestação e de jornalistas que exerciam o seu direito de informar.

Muitas de tais notícias tão só repetiam as de há quatro meses, quando da greve geral de 24 de Novembro, dando conta, com numerosos testemunhos (e de novo imagens, malditos telemóveis!), de que a violência terá então tido origem na acção de agentes provocadores infiltrados pela PSP entre os manifestantes, actuação proibida por lei e confirmada ao "i" por um agente do Corpo de Intervenção que, prudentemente, pediu o anonimato.

O Relatório de Actividades da PSP, ontem conhecido e ainda subscrito pelo famoso director-geral que avisou o país de que "nós não andamos com bastões, nem com pistolas, nem com algemas, nem com escudos e etc. para mostrar que temos aquele equipamento...", preconiza agora a análise das notícias dos media e a adopção de "estratégias de combate às menos positivas". Não constando que o Relatório se mostre preocupado com a formação dos agentes da PSP em matéria de direitos humanos e de cidadania, quanto mais não seja para evitar "notícias menos positivas", é de recear que a PSP pense levar a cabo tal combate com "bastões", "pistolas", "algemas", "escudos" e, sobretudo (tenhamos medo, muito medo), com "etc.". Só o ministro Miguel Macedo o sabe...

bem-vindos ao estado policial

Por Nuno Ramos de Almeida

A última vez que as fontes dos serviços de informação e observatórios de segurança e quejandos fizeram previsões sobre Lisboa a ferro e fogo foi antes da cimeira da Nato marcada para Novembro de 2010. Na altura, as vozes avisadas da inteligência lusa previam a vinda de milhares de elementos do black bloc a Portugal pondo em causa a segurança nacional e quem sabe a própria existência da pátria. Feita a cimeira, o principal resultado de tão avisado esforço foi a prisão de dois ciganos junto à fronteira. Parece que um deles tinha uma navalha e que tiveram a pouca sorte de estar vestidos de preto. Toda a nação pôde respirar de alívio devido ao labor de tão heróicos defensores.

O recente relatório do SIS, divulgado pelo “Diário de Notícias, que previa uma escalada de violência na greve geral, com confrontos com piquetes, cocktails molotov e ataques a instituições e bancos vem levantar duas questões curiosas.

A primeira é por que raio de razão o contribuinte nacional paga para a existência de serviços de informações tão imaginativos que fazem de cada relatório uma espécie de filme de ficção de série B de Hollywood, para passados uns dias se verificar sempre que a montanhas pariu um rato. E a segunda questão, talvez a mais importante, é se paulatinamente todos acabaremos por considerar aceitáveis práticas típicas de um Estado policial. Com pezinhos de lã, governos e polícias de turno estão a impor a ideia de que é normal a infiltração em organizações políticas, a vigilância de militantes de esquerda, o recurso a provocadores em manifestações e a agressão a jornalistas para garantir o afastamento de testemunhas incómodas nas próximas cargas policiais.

Um dia destes acordamos sem democracia e nem demos por isso.

oh passos volta p'ra trás, trás-me tudo o que eu perdi, tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi

perante a passividade quase geral, estão a conseguir empobrecer-nos

Saramago, que tinha razão em tantas coisas, não a teve quando disse que Portugal deveria ser uma província de Espanha. Nós temos o fado, eles o flamenco. Nós temos a nostalgia, eles a alegria. Nós temos a submissão, eles a revolta. Não. Não somos espanhóis.


29/03/12

espanha ergue-se

Greve Geral de 29 de Março.












Brasil-Portugal, agora sim, irmãos na pobreza

e o povo saiu à rua num dia assim!

Greve geral em Espanha. A luta é de todos os povos. A vitória será de todos também.

se um indignado incomoda muita gente, milhões incomodarão muito mais



Vamos usar a rua, o email, as redes sociais, os blogues, as associações, clubes, movimentos, sindicatos, para erguer a voz e incomodar, incomodar, corroer, minar, até que eles caiam como laranjas podres. Vamos dizer, vezes e vezes sem conta, que estamos fartos de mentiras, de roubos, de austeridade, de cortes, de homicídios voluntários. Vamos dizer que não queremos um Estado Novo, queremos mais Estado e melhor Estado. Vamos gritar, e não andaremos muito longe da verdade, que o povo não quer fascistas no poder. Vamos ser povo. Vamos ser gente.

as palavras são armas, e é disso que muitos não gostam

vais à próxima manif?

Eu vou. E, pelo sim, pelo não, já comprei a minha t-shirt.

Imagem: http://bitaites.org

1 de abril, feriado nacional


Nem sempre recebemos más notícias por parte de Passos Coelho e da sua tropa-fandanga. Hoje, em Conselho de Ministros, foi decidido decretar feriado a 1 de Abril, dia das mentiras. Este ano não beneficiamos dessa generosa medida, 1 de Abril calha a um domingo, mas já em 2013 vamos ter  um fim-de-semana prolongado. E vamos festejar para a praia. De tanga. Graças às tangas.

sócrates não está em paris

Posso jurá-lo a pés juntos: Sócrates não está nem nunca esteve a vadiar por Paris. Segundo diz hoje o Le Monde, o maior perigo para a zona euro é, neste momento, Espanha. Portanto, pá, o gajo deve estar em Madrid a fazer das suas. E Rajoy, tal como Conejo, já pode acusá-lo de tudo o que correr mal. Olé!

ah, se houvesse justiça!

os tentáculos do polvo BPN chegam ao actual governo?

Por Sérgio Lavos

A Comissão Europeia até pode autorizar a venda do BPN ao BIC por um valor irrisório. A comissão de inquérito constituída pelos partidos do centrão até pode servir de cortina de fumo para todo o processo do banco do cavaquismo. Mas quer-me parecer que a procissão ainda vai no adro, a julgar por este post no Câmara Corporativa.

"A fazer fé no que se dizia no Jornal de Negócios (artigo reproduzido na íntegra aqui) de 26 de Janeiro de 2011, “a Finertec é detida pelo Banco Fiduciário Internacional, constituído em 2002 em Cabo Verde. Do conselho de administração da Finertec fazem parte algumas personalidades ligadas ao PSD, como António Nogueira Leite e Miguel Relvas.”

Hoje, o Jornal de Negócios relata que um dos investigadores do BPN disse em tribunal o seguinte:


Aliás, parece que as autoridades de Cabo Verde se depararam com o mesmo problema, tendo instaurado processos de contra-ordenação a administradores do Banco Insular, detido pelo BPN, e do Banco Fiduciário Internacional.

Em face do exposto, ainda que mal pergunte:• Miguel Relvas, que é agora ministro da propaganda, e Nogueira Leite, que faz parte da actual administração da CGD, continuam a integrar o conselho de administração da Finertec, grupo que é detido, segundo o Jornal de Negócios, pelo Banco Fiduciário Internacional?• No âmbito da investigação ao BPN (e, segundo o investigador ouvido em tribunal, ao Banco Fiduciário Internacional), Miguel Relvas e Nogueira Leite serão chamados a depor na comissão parlamentar de inquérito acabadinha de nascer (e, se não for muita maçada, igualmente em tribunal)?"

28/03/12

y viva españa!

Dentro de minutos, começa o dia de greve geral em Espanha. Fuerza, hermanos!



estou-me nas tintas

Por cinco minutos, cinco breves minutos, vou deixar de pensar em política e encher-me de beleza. Com estas fotografias, do italiano Alberto Seveso, mostrando o efeito da tinta debaixo de água. E, logo a seguir, volto às coisas feias. Vou andar pelos jornais online. Sempre quero ver as malfeitorias dos governantes ao longo do dia. Não devem ter sido poucas. Nunca são.


porto, destino turístico

Foi ontem. Uma associação qualquer europeia elegeu o Porto como o melhor destino de férias. Eu também, sendo de Lisboa, estou-me nas tintas para os bairrismos e adoro o Porto. Felizmente, tanto eu, como os turistas que acham que no Porto é que se está bem, não têm que olhar para outras realidades. Os bairros da lata que voltam. O património degradado. As gentes que habitam as ruas. Ao fim e ao cabo, um povo inteiro a viver acima das suas possibilidades. 





criados para todo o serviço, mesmo o mais sujo


Esta gente quer lá saber de democracia, de valores humanos, de sentimentos de amor ao próximo, por mais que se digam católicos e pratiquem a caridadezinha. Os únicos valores que os guiam são os do dinheiro, da posse, do poder. Mesmo que, afinal de contas, não passem de meros criados ao serviço do grande capital. E o povo elege-os, dá-lhes carta branca para nos atazanarem a vida, nos subirem impostos, nos empobrecerem para enriquecerem ainda mais os seus amos e senhores. O recuo civilizacional de que tanto se fala não é mera propaganda. Está a acontecer. Diante dos nossos olhos impassíveis. Passivos.

depois da repressão chegou a hora da censura?

Por Renato Teixeira

O Diário de Notícias deu ontem à estampa uma matéria que dava conta de um relatório do SIS que previa ruas bloqueadas e ocupadas, lançamento de cocktails Molotov na greve geral e, quiçá, a tomada de São Bento. Durante esta madrugada ficou provado, (mas o Expresso ainda não rectificou) que a única fonte de violência foi a polícia do governo. O Spectrum, que esteve na origem da denúncia, está em baixo há horas. Como quem sabe faz a hora, o tempo é de disseminar o vídeo que vai fazer o Miguel Macedo cair da cadeira:

um negócio surreal

Por Manuel António Pina

A história trágico-financeira-política do BPN atravessa dois governos e é assustadoramente surreal (ou talvez antes neo-abjeccionista): "nacionalizado" por um Governo PS, isto é, nacionalizadas as suas dívidas, a maior parte resultante de trafulhices, e detido o seu guru-mor, Oliveira Costa, enquanto os demais responsáveis continuam a andar por aí de cabeça despudoradamente erguida e como se não fosse nada com eles, coube a um Governo PSD/CDS "privatizá-lo" de novo.

Os jornais publicaram há dias a notícia de um grupo norte-americano que se disporia a dar 600 milhões pelo BPN. Parece que, apesar de repetidas tentativas, nunca conseguiu chegar à fala com o Governo. E o Governo, não tendo melhor oferta, acabou por vendê-lo a um banco, o BIC, de Isabel dos Santos, filha de Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, pela módica quantia de 40 milhões de euros.

Entraram, pois, 40 milhões nas contas do Estado? Não: saíram (mais) 600 milhões, pois o Governo PSD/CDS comprometeu-se, para que o BIC fizesse o favor de "comprar" o BPN por 40 milhões, a dar-lhe... 600 milhões. Parece que para o "viabilizar". E ainda a emprestar- -lhe outros 300 milhões a 0% de juros. E a ficar com o encargo de metade dos seus trabalhadores.

Não foi um negócio da China, foi um negócio de pôr os olhos em bico. E, como em negócios assim há sempre um otário, adivinhe o leitor a que bolsos irão parar os seus subsídios de férias e de Natal.

o congresso

Por Baptista Bastos

Uma sombra tenebrosa perpassou pelo Congresso do PSD: a sombra de José Sócrates. No discurso, no depoimento, na declaração, na entrevista, o nome do ex-primeiro-ministro foi presença constante. Para ser desancado, bem entendido. Até Passos Coelho não se conteve. Ele, que prometera, solene e sólido, nunca se referir, nem em breve alusão, a Sócrates e seu Governo, indica-os, a um e a outro, como causas de todos os nossos males. Luís Montenegro, chefe da bancada parlamentar daquele partido, tentou gracejar com as seguintes afirmações: "O PS tem um Governo clandestino, em Paris" ou "O PS tem uma direcção bicéfala: Seguro, cá; e Sócrates, lá." A graça era tão desajeitada que ninguém sequer sorriu.

Parece ser uma nova estratégia dos sociais-democratas, destinada a fazer esquecer os nossos sufocantes problemas, e que se transformou numa obsessão perturbadora. Apenas reavivaram a lembrança de um homem, como tema, e a transferiram para a categoria de problema. Ao que consta, Sócrates pende, neste momento, para o estudo dos estóicos. Foi visto no Café de Flore, a folhear Cartas a Lucílio, de Séneca.

De resto, o congresso foi uma irrelevância. E nem a promoção de Moreira da Silva, que me dizem ser rapaz jeitoso, em detrimento de Miguel Relvas, colocado no papel de falador sem perigo, animou a massa parda do conclave. Alberto João Jardim fez o que dele se esperava: elogiou, excessivo e congestionado, o presidente Passos, porque pressente ter de lhe pedir auxílio. Também não se coibiu de aplicar a José Sócrates umas sarrafadas. Os congressistas, de pé e muito comovidos, aplaudiram-no sem reservas

Simpático e gracioso, tão ao gosto do que gosta, Marcelo passeou a popularidade pela sala, proferiu umas frases inócuas, e escapuliu-se. Santana, que posa de leão jamais domesticado, nem humilde nem errante, foi à gostosa reunião para ser visto. Disse que não dizia e acabou por dizer o que lhe interessava. Fotografaram-no e filmaram-no em jubilosa conversa com Miguel Relvas. Nada de mal. Nada de importante. Santana é a pop-star do PSD, e anda sempre por aí.

Tudo a contento de Pedro Passos Coelho, a rodear-se de amigos que não se exaltam nem contestam, e a preparar-se para uns pequenos outros ajustes de contas. O pobre Pacheco (servindo-me de uma expressão cara a Eduardo Prado Coelho) que se cuide. As diatribes um pouco oblíquas, e notoriamente ressabiadas, com as quais pretende atingir Passos e a sua governação, vão ter, certamente, resposta adequada. Já foi corrido do Parlamento. Que mais lhe pode acontecer? Muita coisa, creio. Nem o discurso final do líder, pressionado para falar dos desempregados, possuiu a consistência das convicções. Referiu-se-lhes com uma espécie de mensagem caritativa.

é o vício de ajudar

É coisa pouca, eu sei, e fumar é coisa de párias, como eu. Mas isto não deixa de ser uma afronta. Só mais uma a juntar a tantas, que o rol vai longo e vergonhoso. Pelos vistos os fumadores de tabaco "pobre" pagam mais impostos do que os fumadores de tabaco fino, cigarrilhas e charutos. Pois é, deve ser vício de ajudar quem menos precisa. Menos impostos. Mais rendimentos. Bate certo. 

rihanna, britney spears e lady gaga em 2045

Calha a todos. E é bom que assim seja porque, como diria a Lili, a noiva de Caneças, estar vivo é o contrário de estar morto.

27/03/12

contra os vilões marchar, marchar!


Gaspar baixa custo e alarga prazos de ajuda aos bancos. O contrato de venda do BPN vai ser assinado na Sexta-Feira. Quase 300.000 desempregados não têm direito a subsídio. A electricidade vai aumentar de três em três meses. Gestores da PT mantêm salários. Estes são alguns títulos retirados ao acaso dos jornais online de hoje. A miséria é moral, não económica. Dinheiro há. Está nas mãos de padrinhos, grandes padrinhos acobertados por gangsters.

apagada e vil tristeza

Não é só a de Portugal. É a do mundo. Os milionários multiplicam-se como coelhos, salvo seja, e a pobreza alastra, a fome mata cada vez mais, as doenças curáveis exterminam milhões. Foi aqui que chegámos. Tanta civilização, tanto humanismo, tanto progresso científico, tantas e tão boas intenções e estamos reduzidos a isto: um mundo cão, sem solidariedade, sem piedade, sem soluções para os males que o minam, que nos minam a alegria de viver e a esperança. 

porque daqui a nada é páscoa

Por Rafael Fortes

De olhos vermelhos
De pelos branquinhos
De passo ligeiro
Eu sou o coelhinho

Sou muito assustado
Porém sou guloso
Por uma cenoura
Já fico manhoso

Eu pulo pra frente
Eu pulo pra trás
Dou mil cambalhotas
Sou forte demais

Comi uma cenoura
Com casca e tudo
Tão grande ela era
Que fiquei barrigudo

reviver o passado em portugal

Por João José Cardoso

É uma verdadeira euforia que atravessa o país, uma onda revivalista que nos leva até às vinícolas memórias de Salazar. Já sabíamos do regresso da fome, da impunidade das grandes fortunas e seus crimes, da boa e velha carga policial, da informação controlada pela ideologia do poder, da deterioração do acesso à saúde. Descobre-se agora que o tempo do candeeiro a petróleo também voltou.

Acho que ainda se vão arrepender de ter transformado um certo edifício da R. António Maria Cardoso em condomínio privado. Arranja-se sempre outro, mas simbolicamente aquele sempre era mais adequado.

e o óscar vai para ...

Por Manuel António Pina

"Nestes nove meses, nós no Governo temos cumprido aquilo que prometemos", garantiu Passos Coelho aos correligionários e ao país durante o Congresso do PSD do passado fim-de-semana. Podia tê-lo dito pondo pudicamente a mão à frente da boca e rindo para dentro como Muttley, mas não: conseguiu dizê-lo com o ar mais sério deste mundo.

Foi aplaudidíssimo. E mais que justificadamente: todo a gente sabe que, como Passos Coelho prometeu, nestes nove meses os portugueses não ficaram sem o 13.oº mês; nem subiu o IVA; nem aumentaram os impostos sobre o rendimento, mas apenas os impostos sobre o consumo; nem "quando [foi] preciso apertar o cinto, não [ficaram] aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"; nem foram "impostos sacrifícios aos que mais precisam" (a Comissão Europeia é que fez mal as contas ao concluir que, em Portugal, "nestes nove meses", as medidas de austeridade exigiram aos pobres o dobro (6%) do esforço financeiro pedido aos ricos (3%); além disso, amigos como Eduardo Catroga, seu braço-direito nas negociações com a "troika", Paulo Teixeira Pinto, autor da sua proposta de revisão constitucional, ou Ilídio Pinho, seu antigo patrão, colocados na EDP, para não falar dos colocados na CGD e em tudo o que é empresa pública, podem testemunhar que, como prometeu, Passos Coelho "não [deu] emprego aos amigos".

Só não se sabe se os aplausos foram para a interpretação se para o despudor.

cavaco escavacado

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

oh dr. marinho pinto, com franqueza, as barbaridades que diz do "nosso" primeiro-ministro!

eu não acredito em pias almas mas, lá que as há, há


Individualidades tão respeitáveis como António-Pedro Vasconcelos, António Vitorino d'Almeida e Carlos do Carmo vão apresentar um abaixo-assinado na Assembleia da República para que seja investigada ... a investigação do caso Casa Pia. Não faltarão agora algumas pias almas a erguer a voz contra estes senhores, que apelidarão de amigos de pedófilos ou, porque fará mais ressonância em certa imprensa, de pedófilos também. Mas, se for verdade aquilo que sempre defenderam, não deviam ter medo da investigação à investigação. Ou será que não estou a ver a coisa como ela é?

o tonto de toronto

26/03/12

ai os nossos capacetes azuis

Fotografia de José Sena Goulão
Zelam pelo nosso sossego, pela paz, pela tranquilidade, pelos bons costumes ditados pela oligarquia laranja. Mesmo com capacetes, descobrimos-lhes as carecas. 

os vírus são como a gripe A, dão jeito a alguns

Desde Sexta-Feira, vá-se lá saber porquê, aparece uma mensagem de vírus quando se abre o Quatro Almas. São almas do outro mundo. Atormentadas com o ataque cerrado que faço às alminhas que, neste, mais valia estarem mortas.
Actualização: vírus erradicado. Com sanguessugas. E pachos de água quente.

do lombo, enfeitado com gominhos de laranja

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/