28/03/15

vou vomitar!

Eu, que não sou fanático de Sócrates, nem pouco mais ou menos, já não aguento as notícias sobre o prisioneiro 44 escarrapachadas na imprensa "séria" e menos séria. Vou deixar de ler jornais e de ver telejornais durante uma semana. Nem sequer vou olhar para as parangonas dos tablóides e não tablóides. Preciso de ar, de respirar, de vomitar. O diabo ronda, o inferno esquenta-nos, estamos um cavaco, um coelho no açougue, de portas escancaradas à maledicência, ao ódio, ao ardil. Se Sócrates é culpado, a Justiça que faça o seu trabalho. A Justiça e não os justiceiros de "o tempo da impunidade acabou". Não acabou, não senhora.


expliquem-se, senhores deputados!

O BE queria a libertação de Rafael Marques, preso em Angola e conhecido pela denúncia da corrupção e crueldade das elites angolanas. O CDS e o PSD votaram contra, que isto de encher a boca com democracia fica bem em qualquer discurso mas os negócios estão primeiro, seja com Angola, com a China, com a Guiné-Equatorial, com qualquer carniceiro desde que tenha dinheiro. Do PS, a maioria dos deputados votou também contra, nada de surpreendente, de Seguro a Costa mudaram as moscas mas não a bosta. O que me espanta, e me desgosta, é que o PCP e os Verdes também tenham votado contra. 

Expliquem-se, senhores deputados. Uma razão, uma única, que seja plausível, lógica, congruente e justa. Só uma. É pedir muito?


chafurdando se vai ao longe


o livro que aquele senhor escreveu não foi ele, fui eu

Desta vez não é o Correio da Manhã, é o Sol que vem com nova e sensacionalíssima revelação sobre Sócrates: o livro que escreveu não foi escrito por ele mas por um ghost writer, um professor catedrático.

A bem dizer, e melhor escrever, Sócrates não foi só vigarista, foi tolo, tão estúpido que se deixou apanhar, com a maior das facilidades, a exportar malas de dinheiro, a publicar livros que não são dele, a comprar e vender casas em nome de outrém, a contrair empréstimos de milhões, a abrir contas off-shore, a viver luxuosamente num bairro chique de Paris.

Há fumo sem fogo tal como há fogo sem fumo. E há quem arda na fogueira dos novos Torquemada, não sem antes ser apedrejado pela populaça enlouquecida e por "jornalistas" que, de tanto vasculharem na porcaria, cheiram mal.



27/03/15

aníbal, o furioso

O senhor presidente está descontente com a classe política a que ele, aliás, nunca pertenceu. Os partidos, entenda-se os da oposição e não o dos seus nobres e queridos meninos que ele ajudou a criar, estão a portar-se mal, vão levar tautau no sítio onde as costas se dividem e cambiam de nome. É só intrigas atrás de intrigas, ignoram o fulgurante crescimento económico do País, não se preocupam nem com os desempregados nem com os esfomeados nem com os reformados, onde ele aliás se inclui, o mais alto indigente da Nação. Isto assim não pode ser. Os seus pimpolhinhos, oh miséria!, oh martírio!, são alvo constante de insultos, injúrias, desfeitas, mentiras, críticas injustificadas, eles que, a par do senhor presidente lá do assento etéreo onde subiu, salvaram a Pátria da bancarrota, do descalabro, da tragédia há muito anunciada, desde que Sócrates ganhou a Santana, não o Vasco mas o magriço da Misericórdia, do jet set, do túnel, da incubadora, conhecido também pelo Menino-Guerreiro, assim, com maiúsculas como maiúscula é a criatura, um crânio, uma cachola, uma moeda má ainda assim preferível à moeda falsa partejada no Rato.

O senhor presidente está furibundo. Já não vai lá com Xanax.

que me diz a isto, dr. mário soares?


O Dr. Soares que, confesso, fui aplaudir por duas vezes à Aula Magna porque, nestes tempos de ignomínia, não nos podemos dar ao luxo de menosprezar quem despreza a actual governança, elogiou no outro dia Angola, na pessoa de Isabel dos Santos, num dos seus artigos na Visão.

Sabe o Dr. Soares, que tanto é de causas nobres, pelo menos é o que diz, que Angola tem uma mortalidade infantil quase igual à de países muito mais pobres, como a Serra Leoa? Ou seja, que está quase no fundo da tabela dos países que, por falta de dinheiro ou, como é este o caso, corrupção ao mais alto nível, deixam morrer as suas crianças à nascença?

Sabe o Dr. Soares, que tanto luta pela democracia, que em Angola o direito de manifestação, e de expressão de uma forma geral, é muito restrito, para não dizer inexistente?

Sabe o Dr. Soares, em suma, que a cúpula do poder angolano suga toda a imensa riqueza do país em seu próprio benefício e que quase todo o povo vive na mais extrema pobreza?

O senhor não está gagá, como dizem por aí os que o querem aviltar a si e ao que diz. Mas, Dr. Soares, não defenda o que é justo para Portugal e o oposto para Angola. Faz-me lembrar os seus piores tempos do pós-25 de Abril, quando a coerência não era o seu melhor atributo.

Um pouco mais de fidelidade aos princípios, peço-lhe. E, já agora, não só a si. O PCP continua a manter relações com o MPLA. O PCP, tenho a certeza, não defende para Portugal o modelo angolano. Então, porquê e para quê esta amizade espúria?

Valha-nos ao menos uma coisa: nesta questão, o doutor e o seu grande inimigo dos idos de 70 estão no mesmo barco, rumo não se sabe muito bem onde mas ao socialismo não será. Em Angola, não só está na gaveta como é engavetado. E espancado. E morto.

em cheio!

Momentos de flagrante delírio.









26/03/15

eles a dar-lhe, a burra a fugir-lhes

afinal, parece que os VIP eram só quatro


Diz o DN: a lista VIP teria sido constituída por apenas quatro nomes, os de Passos, Portas, Cavaco e Núncio. Por que razão?

No caso de Passos, eu sei. Não gosta de fazer strip-tease, nem bancário nem fiscal. E os outros? Se nada devem, o que temem? Que têm a esconder, para além das vipíssimas carnaduras?

Aguardemos o completo esclarecimento do caso. Se é que alguma vez saberemos tudo. Como ainda nada sabemos sobre a Tecnoforma ou os submarinos ou o Swissleaks. Tal como não há condenados do BPN, como não houve no processo Portucale, como não haverá no escândalo dos Espírito Santos Emporium. Tudo se vai esfumando dos jornais e da memória.

Só a questão Sócrates continua viva e bem viva. Está preso e a "verdade" vem todos os dias parir notícias no Correio da Manhã, na Sábado, no "i" e por aí. Deste sabe-se tudo, pelo menos diz-se de tudo. Se é preciso sacrificar uma raposa para que os lobos se salvem, pois que assim seja. Os cordeiros estarão seguros.

o insulto


Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

Num conclave do PSD, Passos Coelho apareceu na defesa da ministra Maria Luís, a qual, dias antes, trémula de orgulho, afirmara, à puridade, que o Governo tinha os cofres cheios de dinheiro. E Passos, muito feliz, acrescentou: ao contrário do que sucedia com o Governo anterior. Como o têm dito economistas de todas as cores, a verdade não é esta, e a teoria da bancarrota só faz sentido para quem é mentiroso, e usa o imbróglio como lança para alcançar ou permanecer no mando. Infelizmente, este Governo, com as práticas demonstradas ao longo de quatro anos pavorosos, repletos de escândalos, de confrontos com a própria noção de república, tem sido, é, o maior aborto democrático e o mais grave insulto a todos nós. Os próprios conceitos sociais-democratas têm sido espezinhados por este grupo que trepou ao poder. Um livro indispensável, ‘Tratado sobre os nossos actuais descontentamentos’, de Tony Judt (Edições 70/2010), devia ser leitura recomendada aos jovens militantes do PSD. Porém, desconfio de que poucos o terão lido, inclusive Passos Coelho, cujos interesses culturais e curiosidades literárias são-nos completamente desconhecidos. Talvez estejamos no turbilhão de uma profunda mudança, cujas conveniências escapam ao modelo de humanismo no qual, mal ou bem, temos vivido. Inclino-me a admitir o facto. Mas também não conjecturo um grupo de serventuários tão inepto e iletrado como este a servir essa transformação. Se o faz, desobedecendo ou ignorando as leis da convivência social e da cordialidade mais rudimentares, dá como resultado a frase execranda de Maria Luís e o apoio despudorado de Pedro Passos Coelho. Portugal estrebucha na miséria, com fome, sem esperança e sem norte, e aqueles dois bolçam em nós o critério do cofre cheio, como no tempo do Salazar. Com, entre outras, uma diferença: o Salazar era um conhecedor da língua, por frequentador diurno e nocturno do Padre Vieira, e aqueles que tais nem sabem quem este foi. A pátria está dividida, mas o desvio de vida e de consciência acabará, talvez mais cedo do que se pensa, e o episódio Passos Coelho e os seus, não serão mais do que isso mesmo: um episódio. Nefasto, bem entendido, mas episódio, circunscrito a um tempo em que a mentira vicejou. 

de tão tolerantes, parecemos parvos

Vem hoje na Visão, escarrapachada logo na capa, a prova de que a lista VIP existiu mesmo. Não há que enganar, alguém anda a mentir e até consigo adivinhar quem. E tudo isto logo a seguir ao caso Tecnoforma, porque foi preciso cortar as vazas a quem tivesse a veleidade de andar a espiar a grande vida e a obra maior do primeiro-ministro em exercício.

Mas os portugueses são tolerantes. Aceitam tudo. Que lhes desçam os salários e subam os impostos. Que os tratem como párias, se desempregados, ou como um peso morto para as empresas, se ainda tiverem a sorte de estar a trabalhar. Que se paguem salários de 600 euros a licenciados. Que se menospreze o funcionalismo público. Que se reduzam pensões. Que se aumente a pobreza e as desigualdades. Que se recusem abonos de família e o RSI a quem merecia de facto recebê-los. Que se privatizem sectores primordiais a preços da uva mijona. Que morra gente nas urgências devido aos cortes na Saúde. Que se tenha um Crato na Educação e uma Teixeira da Cruz na Justiça. Que se desrespeitem os portugueses nos seus direitos mais básicos. Que se atente contra a Constituição sem que nada aconteça.  Que se minta para ganhar eleições. Que se continue a mentir todos os dias, durante quase quatro longos, penosos anos. Que nos aconselhem a emigração, que nos chamem piegas, que nos tomem por tolos. Que sejamos representados por quem humilha Portugal e se verga às ordens de Merkel com um sorriso manteigueiro de aluno bem comportado. Que nunca se tenham tocado nas PPP, antes se tenham criado novas. Que se tenha querido destruir Fundações de mérito, enquanto outras continuam, de vento em popa, a sugar dinheiro do Estado. Que se tenha afundado a economia em nome de um ajustamento que, se alguma vez existiu, nunca ninguém o viu. Que não se tenha feito uma reforma do Estado ao serviço de todos os cidadãos e não de uma "nata" privilegiada e, pelo que se vai sabendo, pouco séria. Que nos tenham feito pagar, por um preço tão elevado, os desmandos da finança de casino. Que nos tenham amedrontado com segundos resgates, a saída do euro, a bancarrota. Que nos tenham dito que andámos a viver acima das nossas possibilidades ou que Sócrates tenha sido sempre o bode expiatório, quando outros culpados houve e bem maiores do que ele. Que se tenha ido mais longe do que a troika. Que não se tenha posto a troika no seu lugar. Que tenhamos acolhido os senhores da troika não como os mangas-de-alpaca que são mas como estadistas com plenos poderes sobre Portugal e o seu povo. 

De tão tolerantes, perdemos a dignidade, empobrecemos e continuaremos, tantos de nós, a votar na mesma camarilha que nos trouxe até aqui. De tão tolerantes, não aceitamos governos à esquerda não vá expropriarem-nos a casa, o carro, o cão. De tão tolerantes, toleramos a corrupção, o roubo descarado, a trafulhice, a aldrabice, a vigarice.

Somos, tal como no passado fomos, atentos, veneradores e obrigados. A bem da Nação.

25/03/15

agora sim, de filhos da puta para cima!

Algumas reacções, no Twitter, à queda do avião nos Alpes. Há casos em que quase sou a favor da reinstauração da pena de morte. Claro que esta gente não representa Espanha nem o sentir dos espanhóis. Filhos da puta há-os em todo o lado.


o milagre da multiplicação de empregos


Os números são arrasadores. Nos últimos 3 anos, centenas de milhares de jovens foram procurar, lá fora, o trabalho e o futuro que o País lhes negou. Dos que por cá ficaram, perto de 40% não arranjam qualquer colocação. E a maioria dos outros consegue empregos vergonhosamente mal pagos e indecentemente precários.

Mas tudo isto mudou de um dia para o outro, mais um milagre daqueles em que Pedro Passos Coelho é useiro e vezeiro. Disse ele hoje que não só há agora oportunidades para os jovens portugueses como, além disso, estamos em condições de acolher jovens estrangeiros que para cá queiram vir trabalhar.

Vale tudo na propaganda? Não há uma lei que proíbe a publicidade enganosa? Os políticos, mais até do que as empresas e as agências de publicidade, não a deveriam respeitar? 

O produto que Pedro Passos Coelho quer vender foi estragado por ele próprio. Resta-nos um sucedâneo de político que há muito passou o prazo de validade. Não porque tenha atingido a idade da reforma. Mas porque é nocivo para a saúde, mental e física, de qualquer português de bem.

24/03/15

obrigado centrão!


Portugal tem mais pobres agora do que em 1974. Quem o diz é a insuspeita SIC. Quase quarenta anos perdidos. Nem a adesão à CEE nos salvou porque o dinheiro que entrou em Portugal não serviu para ajudar o País a progredir. Fomos governados por gente como o Cavaco que mandou erigir, à boa maneira dos reis de outrora, o Centro Cultural de Belém. Seguiu-se Guterres, o estadista dos estádios de futebol. A seguir foi a vez de Durão e de Santana, um que foi mordomo nos Açores e o outro que não chegou a sair da incubadora. Depois veio Sócrates, de quem não se perdoa a governação à direita, só mitigada pela perseguição odiosa que a direita sempre lhe fez. Finalmente, chegou Passos, o pior deles todos, o mais sinistro protagonista do Portugal alegadamente democrático, mansamente autocrático.

Mas que seria de Portugal sem pobres? E o very typical? E os ceguinhos a tocar pelas ruas, os aleijados, os sem-abrigo?  Até nisto Passos Coelho pensou no prestígio e na credibilidade de Portugal lá fora. Está a trabalhar para o desenvolvimento do turismo. Virão, parafraseando um jogador na reforma, paletes de charters enriquecer Portugal. Finalmente.

outro santo a querer altar

Medina Carreira apoia Henrique Neto na disputa à presidência da República. Eu não. Não acredito em Neto algum que queira fazer carreira nem que frequente a medina. E quem diz medina diz sinagoga, diz igreja ou o templo rosa de Belém. Este  esteve já demasiado ocupado com um santo de pau carunchoso. É preciso arejá-lo, ao lugar, e não voltar a cair na tentação de o ocupar com mobiliário inútil e gente estranha ao serviço. Anjinhos seremos se, mais uma vez, formos no conto dos vigários e pregadores da nossa fustigada paróquia.

a minha mercearia está de cofres cheios

Vou contar-vos, ai pois vou. Tenho uma mercearia, a Pérola de Portugal. Aqui há uns anos o negócio começou a dar para o torto, estava à beira da falência. Que fiz eu? Como sou esperto que nem um alho, isto se os alhos são espertos, resolvi pedir um empréstimo ao banco, para me ir aguentando, e aumentei os preços de todos os produtos que tinha à venda. O que nunca pensei é que os clientes desatassem a consumir menos ou até a deixar de me comprar, pelo que nada lucrei com a marosca. Resolvi, então, exigir o pagamento de dívidas atrasadas, uns ovos hoje, um ramo de nabiças amanhã, que esta gente gosta muito de levar fiado e esquecer-se que esteve cá. Ameacei que os punha em tribunal, que lhes ficava com a casa e o carro, que mandava uns capangas torcer-lhes o pescoço. Alguns, tansos, pagaram, mas não chegou, a modos que nunca chega para as minhas precisões, gosto de viajar, de ter bons carros, pequenos luxos de estabelecido. Assim sendo, pedi mais dinheiro ao banco, que me vai emprestando porque tenho lá um sobrinho da minha mulher que é um gajo bestial. Fiquei com os cofres cheios. Mas ainda vou aumentar mais os preços. A ver se, desta vez, é de vez.

ai se eu pudesse!


não lhe dêem um tiro mas ... sodomizem-no!


Um advogado da Califórnia, Matthew Gregory McLaughlin,  quer ver aprovada uma lei que ele próprio redigiu e a que chamou "Sodomite Suppression Act", qualquer coisa como "Lei de Erradicação dos Sodomitas". Entre outras medidas, propõe que os gays possam ser mortos por qualquer membro da população. Como? Com uma bala na cabeça ou qualquer outro método tido por conveniente. Propõe ainda multas de 1 milhão de dólares para quem seja apanhado a fazer propaganda à homossexualidade e que qualquer destes seres degenerados seja banido da Função Pública. Defende ainda que a lei só pode ser avaliada, e futuramente revista, por um colectivo de juízes do Supremo Tribunal da Califórnia onde nem um dos seus elementos seja dado a práticas contra natura.

Por mim,  voto num colectivo que o sodomize com um pau de vassoura embebido em ácido.


23/03/15

já criou o seu partido hoje?

É TEMPO DE AVANÇAR, eu sei, e de AGIR também, mas precisam de ir a eleições tresmalhados? Que ambicionam conseguir? Tirar votos ao BE e ao PCP, sem dúvida, mas para quê? Porque não se juntam todos e abandonam as peneiras, os protagonismos, os estrelatos, os pruridos, as teimosias, as crenças nas diferenças em vez de se empenharem no que vos é comum, a luta contra Passos, por um Portugal mais justo?

Que esperam construir tantos partidos tão partidos e repartidos por quintas e capelinhas? Já agora, porque não marcham todos, rumo às eleições, cada qual com um "arco de governação" a engalanar-vos os passos, já que o melhor que vão conseguir é favorecer o centrão ... e Passos em pessoa? Para que a peçonha não nos abandone e o martírio não acabe.


só se perdem as moedas que caírem no chão


as excursões do lixo humano

É no Camboja, podia ser noutro país da Ásia, África ou América Latina. Os turistas descobriram uma nova atracção na província de Siem Reap, para além dos templos exóticos, dos mercados coloridos, da paisagem luxuriante: as lixeiras. Hordas, de máquina fotográfica em riste, visitam-nas para captar as crianças que, entre o fedor de restos em decomposição, lutam pela sobrevivência.  Ganham, por andarem a esgaravatar no lixo, 25 cêntimos do dólar que, nos dias de muita sorte, podem ir até aos 2 dólares.

Qualquer dia, por este desandar, há visitas guiadas a hospitais para assistir ao último estertor dos moribundos, entre aplausos dos excursionistas e o choro de carpideiras contratadas "para dar mais ambiente" ao desenlace.

Já faltou mais.









Todas as imagens são de Athit Perawongmetha, fotógrafo da Reuters.

22/03/15

tal pai, tal filho


Eduardo Costa/Lusa

o salazarismo não acabou, está instalado entre nós




Por Jorge Rocha
http://ventossemeados.blogspot.pt/

Um dia, quando a distância histórica nos permitir olhar para estes últimos anos da política portuguesa com a objetividade de quem já conseguiu arrumar devidamente as emoções, será forçoso reconhecer que o mandato de passos coelho terá sido o do momentâneo retorno ao que o salazarismo teve de mais mesquinho nos valores e nas práticas.

Olha-se para aquela gente sinistra, que rodeia passos coelho e paulo portas nas fotografias e toda ela remete para o bolor fétido, que lhes habita as cabeças.

Por exemplo o secretário de estado dos assuntos fiscais, que é o paradigma já constatado em paula teixeira da cruz e em nuno crato em como os chefes nunca são culpados, porque encontram sempre subordinados em cujos ombros descarregar as culpas. Como escreve Elizabete Miranda num dos jornais económicos, «Paulo Núncio é mais um membro deste Governo a evidenciar uma extraordinária dificuldade em assumir as suas responsabilidades políticas. Quando se trata de faturar sucessos, quer o palco todo para si – faz as vezes de secretário de Estado, de diretor-geral e até de chefe de finanças de bairro. Quando é preciso dar a cara pelos fracassos não sabe, não conhece, não foi informado, foi até enganado. (…)»

Na chefe de paulo núncio há outra característica típica do salazarismo: o gáudio pelos “cofres cheios”, quando tanta gente vive no desespero de não ter com que viver.

Quem pode esquecer aquele tempo em que os portugueses, apesar de viverem miseravelmente, eram convidados a sentir “orgulho” por haver tanto ouro no Banco de Portugal?

Como comenta Nicolau Santos no «Expresso», “Maria Luís retoma assim a melhor tradição das nossas finanças públicas e segue a linhagem de um nunca esquecido ministro das Finanças que, dizem, terá sido o melhor da nossa História. É que, na verdade, houve um tempo na nossa história em que já aconteceu aquilo de que agora Maria Luís se ufana. O escudo era uma moeda forte e o país tinha das maiores reservas mundiais de ouro. O povo é que, infelizmente, não vivia lá muito bem. Mas isso eram na altura e são agora simples minudências. O que importa é os cofres cheios. E mais nada!”

Mas o pior é o que resulta desta “cultura” criptofascista destilada, não só pelos que dizem governar, mas também pelos pasquins que os apoiam e pelos magistrados e juízes, que vão consolidando o seu sinistro poder à conta desse populismo: o desprezo pelos valores fundamentais da Democracia e dos próprios Direitos Humanos (como se constata com a iniquidade com que José Sócrates é tratado!). 

Justamente inquieto, constata Miguel Sousa Tavares: “Paralisados pelo terror mediático reinante, nenhum poder institucional, incluindo a imprensa, se atreve a questionar e a pôr em causa estas novas formas de fazer política. Preferem assistir sentados à minuciosa degradação daquilo que são os valores fundamentais de um Estado de direito e de uma sociedade democrática. Alguns são novos demais para se lembrarem da alternativa, os outros são simplesmente cobardes.”