quem cabritos vende e cabras não tem ...

É natural que quem leia o que escrevo sobre Sócrates e a sua prisão desconfie que sou admirador da obra da criatura à frente do governo. Não sou, sobretudo durante os últimos anos em que nada o distinguiu de qualquer outro, mais à direita, que estivesse no seu lugar (embora tenha sido, devo acrescentar em abono da verdade, um menino de coro ao lado de Passos Coelho). É natural que assim seja, que tomem as minhas palavras por simples facciosismo. Por isso mesmo, nada melhor do que transcrever o texto de alguém que, sendo conselheiro do PSD, não pode ser acusado de parcialidade. 

Já aqui tenho escrito sobre o chocante acórdão do Tribunal da Relação acerca do pedido de libertação de Sócrates. Repito o que disse na altura: não sendo eu um homem de leis, consigo lobrigar nele o tom trauliteiro de um Alberto João ou, pior, o estilo chocarreiro de um Pinheiro de Azevedo.

Dou pois, sem mais comentários, a palavra a Rodrigo Moita de Deus que, relembro, é um destacado militante do partido de Coelho:

Só agora é que consegui ler e fiquei-me por alguns excertos. A justiça portuguesa decidiu privar um homem da sua liberdade e fundamentou a decisão com um ditado popular. Como um pastor faria na taberna. Concluem que as amizades se medem em euros e acrescentam que um empresário acumula capital. Não é bem um acordão. É um texto de opinião. Com mais adjetivos e pontos de exclamação que um editor de jornal de liceu alguma vez admitiria. Quem cabritos vende e cabras não tem...isto é um tribunal. A maldade sem arte é cretinice. A maldade sem arte num juíz de direito é perigosa. Até compreendo que o pastor remate o assunto com um português "é bem feita" mas é suposto existirem uns senhores de toga que são educados e pagos para ir além do "é bem feita". O tema não é a liberdade de José Sócrates. É a forma como tratamos a nossa liberdade. E isso estar entregue a um coletivo de pastores devia aterrorizar qualquer pessoa de bem.

O texto foi recolhido aqui:
http://31daarmada.blogs.sapo.pt/e-nao-ha-ninguem-que-diga-o-obvio-6511343

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