03/03/12

contra a barbárie capitalista


Tenho estado a ver o documentário Inside Job. Recomendo-o a todos. Para que percebam as verdadeiras causas da crise. Não, não andámos a viver acima das nossas possibilidades. O capitalismo selvagem, de casino, insaciável e criminoso, é o grande responsável por estarmos, neste momento, a ser roubados, martirizados e, como tem sido notícia nos últimos dias, condenados à morte, pelo frio, pela falta de alimentos, de medicamentos, de cuidados de saúde, de condições de vida dignas.

Culpar Sócrates, como Passos e os seus companheiros de crime insistem em fazer, com insídia, acrescente-se, é apontar o dedo a um único, e nunca o maior dos culpados porque o nosso problema é global, mais do que português. Décadas sucessivas de governação espúria, a devassidão e imoralidade dos chamados "mercados", a gestão de empresas que atiraram para o desemprego milhares e milhares de funcionários para deslocar as suas fábricas para a China e outros países de mão-de-obra mais do que barata, escrava, as guerras sucessivas nos países árabes, tantas vezes instigadas pelos Estados Unidos com o engodo do petróleo e para fortalecer a indústria de armamento, tudo isto arrastou o mundo para a actual situação de exploração extrema, de violação de direitos, de empobrecimento, de morte pela fome e pela doença, de retrocesso civilizacional.

Não, não culpem Sócrates apenas, um simples peão de brega nesta sangrenta tourada em que nos querem arrastar todos a caminho do matadouro, dos campos de extermínio. Culpem, sobretudo, as elites americanas e os seus servos por todo o globo. Culpem os especuladores financeiros, políticos,  grandes empresários. Culpem Reagan, Clinton, Bush, Merkel e, também, por cá, Sócrates, Cavaco, Durão, Guterres e o ainda mais nefasto Coelho. Culpem o Lehman Brothers, a AIG, o Goldman Sachs. Culpem a Blackwater, as grandes petrolíferas, as grandes farmacêuticas. Esses sim, esses e tantos outros é que deviam ser condenados por crimes contra a humanidade.

Vejam o filme. Com jeitinho, são capazes de encontrar uma versão legendada no You Tube.

profissionais do roubo

a europa está à venda

Grosse Kinigat (Áustria), floresta irlandesa, Praia Caprera (Itália), o pavilhão de caça real em la Muette (França), o sol grego, helicópteros MoD (Reino Unido).
Em toda a Europa, os países procuram uma maneira rápida de arranjar dinheiro. E todos eles parecem ter a mesma ideia: vender bens do Estado.

Por Tom Bawden e Charlie Cooper

o governo mata e o resto é conversa

Por Ana Cristina Leonardo

Os bois pelos nomes já que os mortos não os têm: são apenas estatística.
Morre-se de frio em Portugal porque não há dinheiro nem para aquecimento, nem para comida decente, nem para médico.

O Coelho, o Gaspar, o Álvaro, o Portas, a Cristas, a Paula, o Macedo que veio da Médis e aquele jovem ministro que se deslocava de motorizada mais a rapaziada da EDP e etc. bem podem ir a Fátima pedir perdão de joelhos. Não serão perdoados. Sabem o que fazem.


Quem não ficar suficientemente enojado, mais aqui.

02/03/12

balanço negro

Ao todo, durante os 5 meses em que duraram as manifestações, foram presos 6.500 activistas do movimento Occupy. Viva a pátria da liberdade, onde o protesto é crime. 

















os serviçais


São criados para todo o serviço. Servis, dobram a cerviz aos senhores do Universo, os que tudo querem, tudo podem, tudo mandam. Dão-lhes umas gorjetas para que mantenham a gleba, os escravos menores, reduzidos à sua insignificância. Manietados. Aquietados. Mansos como cordeiros no altar dos sacrifícios.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

quando um povo tem fome mas não de cimento

é feio!

isto sim, é d'homem!

George Clooney em entrevista à The Advocate:

O rumor [de ser] gay é algo que o tem acompanhado durante anos.
Acho que é divertido, mas a última coisa que me vão ver fazer é por-me aos saltos, dizendo "Isso são mentiras!". Seria desleal e indelicado para os meus bons amigos da comunidade gay. Não vou deixar que quem quer seja faça parecer que ser gay é uma coisa má. A minha vida privada é privada, e sinto-me muito feliz com isso. Qual é o problema se alguém pensar que eu sou gay? Hei-de estar morto há muito tempo e continuará a haver quem diga que fui gay. Estou-me nas tintas.

Fonte do texto: http://www.sound--vision.blogspot.com

01/03/12

nós, por cá, todos bem

O mundo está em polvorosa. Os grandes capitalistas, por meio de governos cúmplices e pressão dos "mercados", aprofundam a austeridade, a exploração dos povos. Os ricos ficam mais ricos, os pobres mais pobres e a classe média vai desaparecendo. Daí os protestos um pouco por todo o lado. Menos em Portugal, onde se cala e se consente.


Ilha de Reunião


Londres


Portland, Estados Unidos


Moscovo


Turim


Cairo


Hebron, Cisjordânia

menos estado, melhor estado

Por Luís M. Jorge

Em Maio de 2011 o cidadão Álvaro Santos Pereira alertava a pátria incrédula para o montante da dívida das empresas públicas, a qual já ultrapassava 25% do PIB. Um problema gravíssimo que, pouco tempo depois, o Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira enfrentou com determinação e patriotismo. Em 20 de Fevereiro de 2012 a dívida das empresas públicas corresponde a 27% do PIB. Bom trabalho, Álvaro.

dias de servidão


Por Manuel António Pina

A tese do aluno bem comportado, o que papagueia a "sebenta" do professor e vai até mais longe do que ele exige, esteve em voga nos governos de Cavaco e deu no que hoje se sabe.

O Governo PSD/CDS adoptou idêntica estratégia de submissão acrítica. Foi humilhante ver os olhos luzentes de alegria com que Vítor Gaspar deu conta ao país que os capatazes dos mercados que, por intermédio da actual maioria, nos governam, lhe deram nota positiva (um 10 interrogado mas, de qualquer maneira, uma nota positiva). E, quando Olli Rehn, depois de umas carícias ("Lindos meninos..."), anunciou ainda mais "desafios" e "sacrifícios", Gaspar há-de decerto ter murmurado: "Venham eles!".

será a isto que chamam cozinha de fusão?

passei-me. passa.

Por Isabel Lucas

Escrevo a quente. Hoje estou irritada. Acontece. E ainda não foi nada comigo. Aconteceu quando alguém me pôs a mão no ombro e disse adeus, pedindo um livro para ler na fila dos desempregados. Alguém que conheço há muitos anos. Foi o golpe de misericórdia. É que no dia anterior, ao jantar, já tinha sabido que um amigo vai ter de emigrar. Há meses sem trabalho, as economias foram-se, a família vive com o ordenado da mulher e a vida ditou-lhe: sair ou faltar comida em casa aos dois filhos. Ele, engenheiro, vai sair. Dias antes, alguém que também conheço há muito tempo, contou-me que o marido ficou sem emprego e agora vivem com o salário de 600 euros dela. Ok. É a vida. É a crise. Mudam-separa um T1 que na verdade é um T0. Apertam-se. Felizmente não há crianças.

camilos

Por Luís M. Jorge

Entre as luminárias do regime resplandecem os espíritos sempre airosos dos Camilos Lourenços. Enquanto outros encontram dificuldades, os Camilos revelam-nos em palavras simples os bons princípios da nossa salvação. Há dividas? Paguem-se. Há despesas? Cortem-se. Há défices? Ide buscar o cilício e mortificai-vos. Há desemprego? Emigrem. Há pobres? Trabalhem. Há fome? Comam brioches. Há mulheres que tentam vender os filhos nos subúrbios? Pois que baixem o preço dos mais pequenitos, a quem faltam vantagens competitivas. Há suicídios, mortes por inanição? Eis um modo elegante de reduzir as transferências sociais. Há velhos sem medicamentos? Um sério aviso para os jovens que não aderiram à Médis. Há ordenados muito baixos nas empresas? Extingam-se. Há ordenados muito altos na EDP? São as leis do mercado, nada a fazer.

O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião. Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.

guerra ao terror

e os portugueses?!

A Europa está em pé de guerra. Nós, com razões de sobra para isso, antes nos aquietamos mansamente no remanso dos nossos lares. Mesmo que a pobreza nos esteja iminente. Mesmo que o pão nos falte e o emprego seja uma miragem no horizonte de cada um de nós. Acreditamos piamente em quem nos rouba e mente. Temos o que merecemos.

oh relvas, oh relvas, badajoz à vista!


É daqueles dez réis de gente que irritam à primeira mirada. Com mais jeito para trolha do que para o alto cargo que desempenha, sem desprimor para os trolhas, vem às televisões, de dedinho em riste, dar lições aos portugueses, exigir moderação de gastos nas autarquias e nas casas de todos nós, propagandear a austeridade e as conquistas meritórias de um governo sem honra nem perdão e muito menos coração ou glória. Entretanto, enche o seu gabinete de gentalha amiga, manda imprimir programas do governo a 120 euros a unidade, passeia-se pelos corredores do poder como se Portugal fosse a sua quinta, o seu latifúndio, coutada. Coitado. Badajoz está à vista. Que emigre e leve os seus camaradas (credo!) de partido e do partido amigo na bagagem. Enquanto Portugal ainda tem uma hipótese, por ténue que seja, de não sossobrar às mãos de neofascistas que, de social-democratas, retêm o nome e nada mais. Fora! Nós damos uma ajuda. Eu contribuo, com gosto, com um corta-relvas. Que corte rente o mal pela raiz.

29/02/12

mate um coelho, patroa!

Eu sou o coelho manso
um petisco preferido
com batatas pulo e danço
e com arroz sou envolvido.
Sou refogado bem misturado
com azeitonas e salada,
e vem gente de Lisboa
que grita sem hesitar:
«mate um coelho patroa!»
E catrapuz... dá-me um ar.

não há pai p'ra mim?

as cobaias somos nós


Benza-o Deus, ou o diabo, Passos Coelho é um homem de sorte. O líder do chamado "maior partido da oposição" é tão fraquinho, tão francamente ridículo de cada vez que abre a boca, tão pouco convincente nas suas críticas ao governo, que é como se não existisse. E agora cria um laboratório de ideias de que, promete solenemente, apresentará conclusões lá para 2015. Entrementes, Passos Coelho estará à vontade para ir destruindo o País e explorando os portugueses a seu bel-prazer, fazendo experiências com as nossas vidas e as nossas economias. Nós sim, somos ratos de laboratório. Nas mãos de sádicos.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

28/02/12

uma cantora em luta



Até mesmo os jornais mais apegados ao poder e ao poder do dinheiro publicam uma pérola de vez em quando. Vale a pena ler, no Público de hoje, a entrevista da cantora Natacha Atlas. 

sudoku ou roleta russa?

Enquanto se debatia, no Parlamento Alemão, a nova "ajuda" à Grécia, o Ministro das Finanças alemão, aquele que é muito amigo do Vítor Gaspar, jogava sudoku. Estes jornalistas, que tudo captam, tudo bufam!...

hoje não se fia, amanhã sim

Por Manuel António Pina

O voto contra do PCP à adopção por casais do mesmo sexo só surpreendeu quem desconhece os problemas que causou no interior do partido o seu anterior voto favorável ao casamento homossexual.

Conservador, se não reaccionário e marialva, em matéria de "bons costumes", como descobriu Júlio Fogaça, membro do Comité Central expulso do partido por homossexualidade ("razões morais", alegou o PCP, em singular consonância com os "vícios contra a natureza" por que, na mesma altura, o Tribunal de Execução de Penas de Lisboa lhe aplicou gravosas medidas de segurança), o PCP tentou atabalhoadamente justificar o voto contra com "a necessidade de prosseguir o debate e o esclarecimento sobre a questão". Algo do género do "Hoje não se fia, amanhã sim" da "prudência construtiva" e sabidola das antigas mercearias de bairro.

Curiosamente, uns parágrafos antes de garantir que o voto contra do PCP "não significa uma posição de rejeição", o líder parlamentar comunista tinha dito: "Rejeitámos esta alteração no passado (...). É uma posição que manteremos neste debate".

A indignação que vai na Net entre militantes e simpatizantes comunistas, com acusações ao partido de ter assumido uma "postura medieval" e de o seu voto constituir "uma das formas mais abjectas de discriminação social", parece provar que será difícil ao PCP fugir a "este debate" no seu interior com a facilidade obediente e unânime com que lhe fugiu na AR.

o nobel da treta


Paul Krugman, tanto quanto dizem uma sumidade em economia, com Prémio Nobel no cadastro e tudo, disse que os salários portugueses têm que ficar 20% abaixo dos salários alemães. Ou o senhor se explicou mal ou, pior ainda, desconhece a realidade portuguesa, ao contrário do que os seus idólatras afirmam. Se não sabe, devia saber que os portugueses já ganham muito abaixo de 20% relativamente aos alemães. Mas é sempre bom baixar um bocado mais, não é? Como diria o Gaspar: Por Portugal!

em cartaz!

Há gente com paciência de santo. Neste caso, alguém andou a coleccionar cartazes de cinema e a juntá-los por semelhanças gráficas. Das duas, uma: ou os designers se andam a copiar uns aos outros sem o mais leve rebuço ou, o mais provável, os estúdios cinematográficos mandam-nos desenhar os cartazes segundo receitas comprovadas ... pelas receitas de bilheteira. Como dizem os americanos, que nestas coisas de cinema e de dinheiro sabem da poda como ninguém: creativity is great, plagiarism is faster.

Fonte das imagens: http://www.boredpanda.com




ao saque, meus piratas!

Quando um membro do partido do governo vem a terreiro condenar medidas tomadas pelo executivo, esse gesto assume ainda maior significado. O país está a saque. E não há quem páre a privataria.




quem manda? gaspar! gaspar! gaspar!


Rematando o seu discurso com um "Por Portugal" com cheiro a naftalina, o Gasparzinho das Finanças disse esta frase lapidar há pouco, na televisão:  "sabemos onde estamos e o que queremos fazer". Depois não me venham dizer que o homem não faz lembrar o Salazar. O resto foi um chorrilho de auto-elogios. A troika aprovou-nos em exame. Estamos a destruir o Estado Social, mas tudo a bem da nação e da economia. Estamos a escravizar os portugueses, mas o dinheiro está acima das vidas humanas. Por Portugal!

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/