02/11/13

eu acho, sei lá!


É bom que as figuras públicas definam a sua posição, de que lado estão da barricada. Eu, por mim, sinto repulsa pelos livros da senhora mas isso devem ser pruridos de "intelectual" de esquerda.

agora sim, portugal em estado novo!

O governo quer acordos, consensos, consentimentos por parte do PS para a destruição total do País. Proponho-lhes o seguinte: a extinção do PSD, do CDS e do PS e a criação, em sua substituição, de um novo partido de unidade nacional. O partido que garantirá 100% de lugares no parlamento, a renovação da Constituição - esta, de tão velha, cheira mal -, a ilegalização dos restantes partidos, a edificação de campos de reeducação política onde a estátua, a frigideira, a solitária não mais serão ternas lembranças de outros tempos. E, porque a miséria vai voltar e em força, é preciso estimular a caridade, que quem dá aos pobres empresta a Deus. Uma esmola aos domingos, um bodo pelo Natal e a consciência ficará tranquila, a alma abençoada. 

Em vez de Supico Pinto, uma Jonet. Em vez de Salazar, um Coelho. Em vez de Tomás, um Silva. Em vez de um país, um resort de luxo para chineses, angolanos, russos, brasileiros. Em vez de cidadãos, uma multidão de andrajosos a trabalhar de Sol a Sol por um punhado de feijão, uma malga de arroz.

Vamos nessa. O boletim já existe, basta reproduzi-lo. Pegue na caneta e preencha-o. Haverá um bónus para os primeiros 1000 inscritos, um salvo-conduto para ingressar na Direcção Geral de Segurança do Estado. Se a António Maria Cardoso foi transformada em condomínio de luxo, aproveitemos o Pavilhão de Portugal ou, melhor ainda, o Palácio das Laranjeiras onde Portas já tem o seu estado-maior.

Ainda que estrebuche entre estertores de moribundo, VIVA PORTUGAL. Em estado novo.

quanto mais facturas pedir, mais probabilidades tem de ganhar!

http://expresso.sapo.pt
É entrar, é entrar, damas e cavalheiros, meninas e meninos, é entrar no grande sorteio semanal de luxuosos, magníficos, reluzentes automóveis, promovido por Sua Excelência o Primeiro-Ministro do Casino, o Croupier-Mor da República, Dr. Pedro Mamede de Passos e Coelho, o nosso novo Miguel de Vasconcelos, o Ai-Jesus da Nação!

Peça sempre facturas! Indique o seu número de contribuinte! Todas as semanas será sorteado um automóvel entre os zelosos contribuintes e um deles pode vir a ser seu. Ou mais do que um, que a sorte protege os audazes, os bufos, os patriotas!

É entrar, senhores, é entrar! Quanto mais facturas pedir com o seu número de prestável pagador de impostos, mais possibilidades tem de ganhar não um, não dois, mas muitos automóveis topo de gama, de alto gabarito, daqueles onde os governantes sentam os seus augustos traseiros.

A partir de Janeiro anda a roda. A roda dos enjeitados, dos desesperados, dos esfomeados, dos encarcerados neste reino de podridão que, em dias que já lá vão, se chamou Portugal. Agora, é só um casino. Onde as nossas cabeças rolam como fichas de roleta. Russa.

oh ângelo, o que tu queres sei eu!...

À sorrelfa, mordendo pela calada, como quem não quer a coisa, o pai espiritual e material de Passos Coelho, Ângelo de nome mas que de angélico nada tem, afirma ao "i" que o parlamento deveria decretar o estado de emergência nacional. Já agora, decretar a extinção do Tribunal Constitucional, esse colossal incómodo, a liberdade de expressão, reunião e manifestação, o estado de sítio, a ditadura. Quanto mais não seja até ao fim da legislatura. Quando Portugal for outro, depauperado, depenado e destruído. Porque não? Pode-se fazer um golpe de Estado sem armas nem sangue. Basta-lhes a complacência de uns, a cobardia de outros, a indiferença de tantos.

01/11/13

anos de escravidão


O Passos Coelho está a rir-se de nós. Enquanto andamos, desde há dois anos, a dizer que ele não sabe o que faz, que não tem experiência de vida nem profissional, que foi a reboque de Gaspar e, agora, de Albuquerque, Passos conseguiu o que queria. Além de estar o destruir o Estado Social, o seu primeiro objectivo, está a criar um mercado de trabalho baseado em mão-de-obra barata e precária, aquela que atrairá investidores estrangeiros e fará de Portugal um paraíso do terceiro mundo.

O resultado está à vista. Gente de boa vontade, com sensibilidade e sentido de justiça, não terá deixado de ficar revoltada ao ver o programa "Sexta às 9", esta noite na RTP 1.  Oferecem-se salários de 200 euros por horários a tempo inteiro, 400 euros por trabalhos com carga horária de 80 e mais horas por semana e ... há até quem não ofereça ordenado nenhum, sob o pretexto de que "já é um prestígio para si trabalhar nesta empresa".

Definitivamente, este não é um mundo cão. É um mundo de homens e de mulheres que se comportam como feras à solta. Com a crise, sob o pretexto da crise e com o beneplácito de Passos Coelho, toda a sua bestialidade veio ao de cima.

Já não há leis, nem protecção laboral que nos valha. É a miséria. A mais vil das misérias, moral e material.

sócrates, zorrinho, o taxista e a tortura de ler quando nada mais há para fazer

Apanhei um Taxi. O Taxista estava a ler um livro. Perguntei-lhe o que lia. Era o novo livro do Sócrates! Haja confiança no mundo.

Assim mesmo, no twitter de Zorrinho. Aqui, para que não julgue que lhe estou a mentir:

são bento de porta aberta


Hoje fui ao Parlamento. Não lá dentro, mas cá fora que aí é que se abrem portas sem Portas nem travessos. E fiquei satisfeito. Senti as gentes mais aguerridas e as palavras de ordem mais agressivas do que é costume nas manifestações da CGTP. É bom sinal. 

no país das rábulas, as fábulas são do coelho

http://www.nytimes.com
Teatro Aberto, Cornucópia, Seiva Trupe, Barraca, eles vão caindo, um por um, porque o teatro é subversivo, o teatro faz pensar, o teatro é inconveniente e os actores - ah, os actores! - veja-se quantos deles estão engajados ao comunismo e a outras ideologias nefastas. É preciso exterminá-los, cortar o mal pela raiz, e fazer com que o cinema, já agora, leve o mesmo descaminho. A cultura não dá de comer a ninguém, a cultura é um luxo de intelectualóides de esquerda, o povo, o povinho, o povoléu quer-se a labutar e a cuidar dos seus, a procriar, a criar mais uns quantos seres calados, escravizados, subservientes, pagadores de impostos, pau para toda a obra, carne para todo o canhão. Actores, cantores, realizadores, escritores, pintores são dores, abcessos de uma Nação doente. Um país deve ser feito de economia, de empresas, de dinheirinho a entrar nos cofres, de mão-de-obra barata. Mas, para ser barata, não pode pensar. Não pode saber pensar. Que não vá nem um cêntimo para essa gente do teatro. O dinheiro quase não chega para os banqueiros, os empreendedores encostados ao Estado por via das PPP e de outros negócios chorudos e sem risco, as clientelas do costume, os do Partido e os amigos do Partido, os apaniguados, os apoderados, os refastelados da vida. Para Eunice Muñoz, Rui de Carvalho, Maria do Céu Guerra, Luís Miguel Cintra, Diogo Infante e tantos outros do rebotalho, do reviralho, que os há para aí aos pontapés - nada produzem e vivem à conta de subsídios, a sua contribuição para o avanço económico do País é mais do que nula -, para esses népia, raspas, nicles batatóides. Se querem sobreviver façam revistas à portuguesa, vaudeville, comédias ligeirinhas, musicais porreiros, operetas inócuas, óperas rock de fazer abanar o capacete e aquietar a cachimónia. Façam como o La Féria. Não façam peças só para os amigos. Ibsen, Tchekhov, Gil Vicente, Shakespeare, Pirandello, Molière e até Dario Fo são autores de balelas que não esquentam nem arrefentam, parolices de diletantes e, pior ainda, portadores de vírus, dos micróbios da revolta. E nós não queremos isso. Um povo tanso é um povo manso.

Deixem-se de fantochadas. Façam-se à vida!

31/10/13

o rato pariu um montículo


Quero dizer... o rato pariu uma montanha de propaganda, de mentiras, de baboseiras, aldrabices, banha da cobra, desculpas esfarrapadas para os crimes continuados que o seu bando de ratazanas governamentais cometeram e pensam ainda cometer contra os portugueses.

Guião... só se fosse de um filme “classe B”, misto de má ficção científica e estória de gangsters.
Samuel

Portas propõe a privatização de partes importantes de funções fundamentais do Estado - saúde, educação e segurança social -; defende uma lógica de contratação a privados de serviços públicos, garantindo o aumento do financiamento público a negócios privados; e quer constitucionalizar os cortes brutais no Estado. E pede, em torno disto e da profundíssima revisão constitucional que este processo revolucionário exigiria, um consenso político alargado. No fim, ainda quer que levem a sério este seu documento.
Daniel Oliveira

A embrulhar a desresponsabilização total do Estado, via entrega a privados, daquelas que são as suas funções base e essenciais, escrito em Arial 16, com 3 toques na tecla de espaço entre cada linha, para preencher 112 páginas com aquilo que cabia em 30 [elucidativa a ideia subjacente do calhamaço cheio de rococós e vazio contraponto ao minimal directo e com substância, muita parra pouca uva, vox pop], pela mão do mais oco protagonista político de que há memória que, acossado por todos os flancos, obrigado a dar, por uma vez na vida, a cara, desresponsabiliza para canto na esperança de que o ruído criado lhe permita sair de mansinho debaixo do foco dos holofotes e regressar aquilo que melhor sabe fazer: manobrar e intrigar na penumbra do backstage. O Principio de Peter em todo o seu esplendor.
José Simões

Paulo Portas acaba de apresentar o seu guião da reforma do Estado. Ficámos a saber que o Governo formado por dois dos três partidos que negociaram o memorando, o tal que faria do memorando o seu programa de Governo, afinal não negociou o memorando. Pudemos assistir a manipulações grosseiras de números e de agregados, que fizeram os serviços públicos pesar como chumbo e os juros da dívida e das parcerias com privados leves que nem meia pluma. Tivemos a oportunidade de nos rirmos com absurdos como uma "flexibilização" do princípio da confiança que ou existe ou não existe. E, quer pela insistência na necessidade de uma revisão constitucional, quer pela extensão das generalidades que saíram da boca de Paulo Portas, deu para perceber que o seu guião da reforma do Estado é um imenso "se": se PSD e CDS conseguirem entender-se com o PS no ajuste de contas constitucional com o 25 de Abril que há tanto tempo se adivinha e se o actual Governo tivesse tempo para o fazer antes de sair de cena, o Ensino público universal de qualidade, o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social seriam ou vendidos, ou concessionados, ou subsidiados ou o que fosse para os pôr a enriquecer privados. Nada de excepcionalmente novo, tirando um ou outro detalhe, como é o caso da assunção da intenção de vender escolas da rede pública. Estamos na mão de piratas, o que também não é novidade nenhuma. Se os deixarmos, e temo-los deixado, eles vão continuar a desmantelar o que ainda não desmantelaram. E quanto mais desmantelarem, mais negros serão os números que alegam como justificação mais do que óbvia para a necessidade de continuarem o que ainda não terminaram. A apresentação foi basicamente isto. Segue-se a habitual série de medidas em regime de conta-gotas e a constatação de que Paulo Portas voltou a sair-se bem na pele do mensageiro dos horrores que nunca dá más notícias. Rescisões na Administração Pública, flexibilização dos vínculos, revisão das tabelas remuneratórias, "desburocratização, seja lá o que isso for, com detalhes, é já a seguir.
Filipe Tourais

Paulo Portas quer ser o Giorgio Armani da reforma do Estado. Todos os anos o estilista apresenta os novos modelos e acaba com uma frase cintilante, um laço que embrulha o conjuntinho: "Proponho para esta estação ‘una donna moderna però rinovata’". Portas também deseja um Estado moderno (alguém deseja um Estado antigo?!) e renovado (alguém quer um Estado parado?!), mas não vai além disso. Não vai, aliás, a lado nenhum.

As "110 páginas úteis" do guião, como lhe chamou ontem, são de uma pobreza inacreditável. Não é sequer um catálogo de pronto-a-vestir político. É uma loja dos 300 onde, no meio de ideias copiadas, avulsas e superficiais, encontramos um ou outro ponto que é possível debater, mas apenas por causa do nosso desespero coletivo.

O que resulta dali é tão-só uma salganhada ignorante, uma coleção de chavões e banalidades que não são mais do que a redação pueril de um candidato a uma juventude partidária que leu a biografia de Hayek, a da Wikipédia.

O célebre guião, este guião, esta coisita, não é um ponto de partida. A ser qualquer coisa é um ponto de chegada. É o fim da linha. É o epílogo que arrasa as últimas aparências que ainda sobravam sobre este grupo de estagiários que o país teve a infelicidade de eleger. É a prova documental de que o Governo não sabe o que está fazer – cumpre metas contabilísticas impostas externamente –, e nem imagina para onde irá a partir daqui.

O texto que demorou dois anos a produzir é tão rudimentar que na verdade é apenas embaraçoso. Ontem senti vergonha alheia por Paulo Portas – o presidente do CDS-PP acabou, esgotou-se. Não compreendo, a não ser por vingança, raiva e profundo desprezo, como Pedro Passos Coelho foi capaz de o autorizar a apresentar esta manta de retalhos, este patchwork – Portas deve apreciar a palavra – que era suposto criar as bases para a mudança que o país terá um dia de enfrentar.

Não há quadros comparativos, não há estatísticas que permitam ver de onde viemos e para onde podemos ir, não há pensamento nenhum, referência alguma, não há estudo, não há trabalho, não há nada. Nada. Ao pé disto, o relatório do FMI, o de janeiro passado, é um luxo de rigor e esmero científico. Talvez por isso, porque ali cabe tudo e o seu contrário, Portas tenha conseguido enfiar lá no meio esta frase grotesca: "(...) a maioria que apoia o Governo tem uma matriz identificada com o chamado modelo social europeu". Tem, tem; e Portugal vai crescer 0,8% em 2014 e muito, muito mais em 2015...

Pior do que este declínio penoso do Governo é a situação em que ficamos todos. Ontem, em vez de sublinharem o desrespeito político que este guião simboliza cruamente, os partidos exibiram a habitual indignação -- a indignação cassete -- como se aquilo fosse trabalho sério.

Disseram: é a privatização da segurança social, da saúde e do ensino! Que horror, que medo, que sacrilégio! Algumas dessas "ideias" estão lá, sim, mas é o habitual bricabraque decorativo que já ouvimos vezes sem conta, a flor murcha na lapela desta nossa triste e perdida direita. A melhor maneira de matar uma ideia é apresentá-la assim – mal e porcamente. Ontem, quem ouviu Paulo Portas só teve uma reação: apagou a luz. Isto por mim está visto, digo eu.
André Macedo

atrito e agonia

http://www.wallpaperfull.com
Por Viriato Soromenho-Marques

No meio do ruído de fundo da insensatez europeia e nacional, lá se vai ouvindo uma ou outra voz que convida à lucidez. O presidente da SEDES alertou para o que parece ter sido esquecido: num terreno onde domina a desconfiança e a incerteza as sementes não crescem. Um governo que, para cumprir as exigências da troika, se transformou na principal força de instabilidade do contrato constitucional não pode esperar que os cidadãos, incluindo os empresários, invistam confiadamente, quando o quadro legal e fiscal muda constantemente em função das necessidades crescentes de receita. Seria mais sensato explicar à troika, no recato dos gabinetes, mas também no espaço público, mostrando que o Governo se compromete com o seu povo, que não é possível pagar aos credores, se estes retiram ao País os instrumentos do investimento económico (com a exiguidade do crédito e as elevadas taxas de juro, mercê da fragmentação financeira da Zona Euro), e obrigam a uma redução acelerada do défice governamental, que se torna tóxica quando combinada em simultâneo com a retração da economia das famílias, da tesouraria das empresas, o mergulho introspetivo da banca, e o aumento das despesas sociais do Estado, devido à desintegração do tecido produtivo. A política europeia hoje faz lembrar a "estabilidade" das linhas da frente ocidental na I Guerra Mundial, entre dezembro de 1914 e março de 1918. Uma estabilidade regada pelos milhões de mortos de uma guerra de atrito. Continuar a persistir na "estabilidade" dolorosa da austeridade é não só moralmente mau como intelectualmente estúpido. A troika e o Governo brincam com a resistência dos materiais. O atrito bélico e a agonia social têm limites. E quando eles são atingidos a reação em cadeia segue caminhos sinuosos e inesperados.

30/10/13

o novo visual de pires milagreiro

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt
http://jumento.blogspot.pt

e se a reforma do estado começasse com um governo novo?

Não liguem. A porquinha, nazi ainda por cima, não tem nada a ver com a reforma do Estado de que vos quero aqui falar. Apeteceu-me. Gostei da imagem. Só isso.

Paulo Portas falou. Palavra de honra que eu, não sendo político nem doutorado, era capaz de dizer o que ele disse, engendrar uns tantos lugares-comuns para debitar aos papalvos.

Então agora os professores podem comprar escolas? Tendencialmente, os mais ricos deixarão de contribuir para a Segurança Social destruindo-a assim de vez? Os privados abocanharão ainda mais funções do Estado com lucros colossais? É preciso racionalizar, desburocratizar, eliminar duplicação de funções, despedir, arruinar famílias, baixar impostos não se sabe é quando?

Portas é um gigante de pés de barro. A sua lendária inteligência caiu por terra, pela estrumeira. E Passos, de inteligência por sua vez menosprezada, vingou-se com a pintarola de um Maquíavel.

A porquinha da política. Ainda por cima nazi.

mais passos para o abismo

O processo que envolve o PGR angolano vai ser arquivado, apaziguando-se assim as relações entre os governos de Pedrito e Zé Dú. Para que a paz e a ordem se instalem definitivamente por todo o País, só falta o Tribunal Constitucional aceitar todas as patifarias governamentais. Até porque, assim, os juros da "nossa" dívida vão descer a olhos vistos.

A pedido dos deputados do PSD/CDS - a canonização de todos eles está próxima - os cortes nas pensões de sobrevivência não vão ser feitos a partir dos 419 euros, mas sim dos 600 euros. Num golpe de propaganda digno de um Goebbels, já se diz por aí que a medida vai beneficiar - repito: beneficiar - 10 mil pensionistas. Haja decência, um nadinha que seja, se não for pedir muito.

Quando o único bicho que devia ir para a rua era o Coelho, eis que a cristã Cristas quer que os donos dos animais abandonem os que tiverem a mais. Os veterinários das câmaras não vão ter parança a ministrar eutanásias.

Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes já se esganiçam com vista à presidência da República. Um Cavaco é como o mal, nunca vem só.

Cavaco manifestou-se contra os excessos de excitação. Não tem razão. O País precisa de rejuvenescer, os casais de procriar. 

PSD e CDS, paladinos da democracia, expulsam centenas de militantes. Desse-se o caso com o PCP e caía o Carmo e a Trindade, era a purga estalinista, a ditadura comunista, o diabo a quatro. 

A reforma do Estado pode vir a ser apresentada esta tarde, depois de muitos adiamentos. Pode ser que ainda não seja hoje. Enquanto o Paulo vai e vem, a título irreversível, folgam-nos as costas.

Todos os meses, 10 000 portugueses abandonam o País. É o milagre económico de que fala Pires de Lima.

E isto tudo num só dia. Mais um a passos do abismo.

um cartoon por dia, nem sabe o bem que lhe fazia


por enquanto, o inferno no paraíso




tortura à democracia



Por Luís Rainha

O início da entrevista de Sócrates à Antena 1 cirandou em torno do livro lançado na esteira do famoso mestrado parisiense. Às perguntas da respeitosa jornalista, lá foi ele respondendo com um rosário de inanidades; fraquito, para quem terá passado largos meses a estudar a história e a práxis da tortura.

Acredite-se ou não, a cumplicidade do então primeiro-ministro na exportação de suspeitos de terrorismo para países fornecedores de tortura em outsourcing ficou incólume. A sério: a perguntadora não se lembrou de questionar o indignado mestre sobre os dias em que autorizou formalmente, mas em segredo, a passagem de “repatriados” pela base das Lajes. Sabemo-lo hoje, não por mea culpa socrática, mas pela pena do embaixador dos EUA, via Wikileaks.

Que tudo se possa fazer e dizer sem castigo nem enxovalho público é uma das ferrugens que corrói a nossa vida democrática. Vamo-nos habituando à recuperação de todos os figurões, à reciclagem dos monos mais frustes. E são muitos: da verruga Portas, que não pára de inchar no rosto do Estado, imune a escândalos e achaques irrevogáveis, ao Presidente, que teima que ganhar um monte de dinheiro com acções do BPN equivale a nunca ter tido qualquer relação com o banco maldito. Agora até temos um cardeal a entoar o cantochão da nossa suposta inviabilidade financeira, esquecendo, por exemplo, que a sua igreja detém milhares de imóveis e não paga IMI sobre um só.

Quando os poderosos perdem a vergonha, logo os humildes perdem o respeito.

cortes já chegaram aos quadrúpedes?

Por Ferreira Fernandes

Portanto já sabem: são, no máximo, quatro animais por apartamento. E, atenção, cães, só dois; gatos é que podem ser quatro. Não, não podem ser três chihuahua, nenhum conta por gato, nem chamando Bichana ou Sissi ao terceiro. Enfim, os nossos governantes mostram que não estão desatentos às mudanças da sociedade portuguesa. Ontem havia que controlar as entradas dos estudantes nas universidades. Agora que a juventude se vai embora, a prioridade é o numerus clausus dos animais nos apartamentos. Se isto não é a reforma do Estado, o que é uma reforma do Estado?! Estamos, pois, perante uma legislação pensada e cirúrgica, embora desta vez dedicada só aos pequenos quadrúpedes. As carraças (oito patas) num fox terrier até podem ser 36, mas só conta o cão. Esse fox terrier e um labrador com pulgas (seis patas) também só contam como duas pessoas jurídicas, dois cães, portanto, dentro da norma. Porém, se o Bobi e a Laica tiverem uma ninhada, evidentemente os cachorros têm de sair da sua zona de conforto e emigrar para outro apartamento. As atuais e tão necessárias medidas devem ser consideradas somente as precursoras de um pacote que se estenderá em breve à cabra na banheira do 5.º direito e ao burro na varanda, símbolos da economia subterrânea que tem de ser combatida. Os peixinhos de aquário aguardam outra abordagem porque o direito marítimo, como se sabe, é muito específico. Caso bicudo vai ser com as lagartas: quando virarem borboletas herdam o precedente direito ao apartamento?

à canzana

http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

rafeirices com crista


Tenho um cão, rafeiro e esperto, que é o grande amigo da família, o ai-jesus da pequenada, um mimalho que nos mima com o seu carinho, os seus saltos que nos derrubam, a sua amabilidade. Sim, um cão pode ser amável, carinhoso, amistoso ao ponto de ficar triste quando saímos de casa, louco de alegria quando voltamos.

Estava abandonado, se não tivesse sido encontrado e recolhido pouco mais tempo teria de vida. A falta de alimento, um carro que passasse apressado, os maus tratos dos ganapos da zona ter-lhe-iam dado a golpe de misericórdia.

Felizmente, acolhêmo-lo. É da família. É família.

Confesso que não tenho nem feitio nem uma dedicação tão grande a animais que me prestasse a albergar mais do que um ao mesmo tempo. Mas acho que qualquer pessoa tem esse direito. E por isso acho também que Assunção Cristas não tem o direito de legislar em matéria desta natureza, impondo um número máximo de animais por habitação.

Se incomodam os vizinhos, os vizinhos que se queixem e a polícia que actue. Se incomodam a ministra, ela que se limite a legislar sobre o uso de gravata, suspensórios e ceroulas no seu ministério. Ou, melhor, legisle sobre os burros que, dizendo-se humanos, são capazes de todas as desumanidades. Dou-lhe os nomes de alguns, se quiser.

29/10/13

santinho milagreiro

http://online.jornaldamadeira.pt
António Pires de Lima, em prédica na Assembleia da República, pregou aos peixinhos. E disse que Portugal estava em pleno milagre económico. Disse isso aos deputados mas também o disse, através das televisões, aos portugueses que perderam os empregos, aos portugueses a quem cortaram salários e pensões, aos portugueses a quem encareceram habitação, gás, electricidade e um sem-número de outros bens e serviços, aos portugueses para quem a Saúde e a Educação são cada vez mais produtos de luxo, aos portugueses que vivem na rua, aos que se suicidam, aos que passam fome ou recorrem à caridade de que o governo tanto gosta. Depois de Portas, que antevê o fim da recessão para breve - deve ter consultado uma pitonisa manhosa -, eis o seu ministro armado em santinho milagreiro. Que Nossa Senhora nos valha. Com este governo, com esta gente, só um milagre nos pode salvar. Por mim, vou à bruxa e é já. Vou pedir-lhe que me quebre o enguiço, o feitiço, a maldição. Tudo isto é mau de mais para ser verdade. Não nos pode estar a acontecer. Não em democracia. Não com um povo que se respeite a si próprio, que não abdique da sua dignidade. 

Passos Coelho faz mais uma vez chantagem sobre o Tribunal Constitucional, ameaçando com o caos e a ruína caso os juízes cumpram o seu dever e exijam o cumprimento da lei fundamental do País. No mesmo dia, no mesmo local, um seu ministro, Pires de Lima, jura-nos que não há motivo para preocupações, que o Sol brilha, a Primavera é eterna, o futuro radioso.

Nem na mentira, nem na chantagem, nem na demagogia se aproveitam. Mediocridades elevadas a ministros. Dá nisto.

um dia fui um ser humano


"Trabalhei em muitas profissões diferentes, duma ponta à outra do país. Da construção civil a call centers. Vivi sozinho em cidades estranhas. Nunca poderá ser dito que os sítios onde trabalhei se adaptaram a mim. Eu é que me adaptei ao trabalho.

Começou a guerra aberta aos trabalhadores, à qual alguns, descaradamente, se atrevem a chamar 'crise'. Vieram os gafanhotos dos bancos e vieram os credores. Veio um milhão e meio de desempregados, uma massa humana de famintos e desesperados, como os patrões gostam, para lhes poderem dar trabalhos de 300? e ainda rir-se com soberba na cara deles; rir-se bêbados com o prazer mesquinho de quem põe e dispõe da vida alheia.

Descobri que estava a ser despromovido. É que não me querem como ser humano, nem a mim nem a vocês: querem-nos como animais de carga. Eu nem para animal sirvo. Enviei milhares de currículos, mas... sou velho de mais, doente de mais. Foi assim que saltei directamente de ser humano para dano colateral. Um daqueles mortos que há nas guerras quando uma bomba falha o alvo e aterra num bloco de apartamentos cheio de famílias. Não há lugar para mim na economia da austeridade. 'Morre, se faz favor, rapidinho e sem barulho.'

Por algum tempo o que resta do 25 de Abril permitiu-me ser um morto com alguma dignidade. Tive o meu subsídio de desemprego. Depois acabou. Não tive direito a subsídio subsequente ou de inserção social. Tal como eu, há outro meio milhão de mortos que vivem neste país sem qualquer rendimento, sem qualquer esperança, alimentando-se da caridade da família e dos vizinhos. Ou acabam na rua a passar fome. Danos colaterais perante a vista de todos, destroços humanos da guerra económica feita aos trabalhadores.

O Estado que, nas mãos dos partidos dos patrões, não passa de um carrasco, continua a acossar-me. Pede-me o que não tenho. Manda as Finanças atrás da minha família. E eu descubro que só uma coisa me pode devolver a vida, ou pelo menos a dignidade: resistir.

Avisei o Presidente da República, a ministra das Finanças e a repartição de Finanças do local onde resido, Bombarral. Avisei: acabou-se. Enquanto me tomarem como um dano colateral das suas operações de resgate dos bancos, eu não tenho qualquer responsabilidade perante este Estado. Cessei qualquer pagamento de impostos.

O Estado tornou-se o instrumento da nossa destruição. Façamos então os possíveis por acelerar o fim dos nossos carrascos. Lançarei em breve um apelo à desobediência civil e sei que conto com a vossa ajuda para o propagar."

Nelson Arraiolos
Excerto de um texto de Nuno Ramos de Almeida publicado no jornal i:

a dama e o vagabundo? a bela e o monstro?

Steven Governo / Global Imagens/http://www.dn.pt
Não li a entrevista de Carrilho ao DN. Não sei quem tem razão. Não quero saber. Tenho a vergonha que eles parecem não ter.

a merda do dia num único puxão de autoclismo

Meio milhão de desempregados, segundo o Eurostat (o que significa que ainda devem ser mais), não beneficiam de subsídio de desemprego, ao mesmo tempo que a Segurança Social tem cortado radicalmente a atribuição de outros apoios, como abonos de família ou o rendimento social de inserção.

O presidente do Eurogrupo diz que muito dificilmente será possível manter, daqui para o futuro, o modelo social europeu.

A Galp, empresa que até Setembro contabilizou 218 milhões de euros de lucro, queixa-se, pela voz embargada do seu presidente, da injustiça da nova taxa a ser imposta no Orçamento de Estado. Isto se a medida for para a frente porque, por cá, quem manda não é Coelho dos passos perdidos, mero empregadote da troika.

Duarte Marques, deputadinho do PSD e ex-líder dos putos laranja, exige a penalização criminal a quem insultar Cavaco Silva. Ora acontece que todos os cidadãos são iguais perante a lei. Como tal, se Miguel Sousa Tavares pôde dizer que a presidencial criatura é um palhaço, eu também posso. Ou não? Digam-me se faz favor, que é para eu saber se entro ou não em regime de auto-censura, o coronel de mim próprio.

Finalmente, uma boa notícia. Os deputados do PSD e do CDS querem que as reduções salariais na função pública não incidam sobre os ordenados a partir de 600 euros. Generosos e humanos como a oposição não sabe ser, propõem que a disposição, a entrar em vigor com o próximo Orçamento de Estado, obrigue os ricos e só os ricos a pagar a crise. Ou seja, quem ganhe acima dos 700 euros. Uma fartura, como se sabe. Acabe-se-lhes com as viagens às Caraíbas, as compras em Paris, os iates em Vilamoura, os regabofes nas marisqueiras!

Assim estamos no país da vilania.

28/10/13

público impúdico

Há muito que deixei de ler o pasquim dos neoliberais. Tinha razão. Em cima o jornal com uma fotografia escolhida a dedo (a manifestação decorria na faixa ao lado) e um título tão reles quanto mentiroso. Em baixo, a realidade dos factos.

Paulo Spranger/Global Imagens/http://www.jn.pt



no more roger rabbit, no more playboy bunny rabbit, no more peter rabbit

coelho apaparicado

portugal não é a grécia e eu estou desempregado

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt




Portugal não é a Grécia e eu estou desempregado, um actor desempregado. Em Novembro volto à labuta. À bilheteira e sem direitos, que é para não pensar que desaperto o cinto das calças. Os humanos não passam sem pão e água e os países não existem sem Cultura. O Coelho gosta da Nini e do Lá Féria, o Costa dá praças ao Tony. Na Ajuda o cacilheiro está sempre primeiro. Portugal embarcado e emigrado. Portugal afundado e eu continuo desempregado.

De Bragança até Faro: corta na saúde, corta na educação, corta na cultura, corta na dança, corta no cinema, corta no teatro. E depois? Depois privatiza, privatiza filho. O Teatro S.Carlos Santander Totta apresenta! O Teatro Sonae S.João vai estrear! O D.Maria II BPN orgulha-se de apresentar: Duarte e Loureiro a caminho da Carregueira!…há coisas que só mesmo no teatro…

“Artigo 78.º, Fruição e criação cultural, ponto 1: Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.” Porra para a constituição…o que é que a constituição já fez por ti hoje? O que é que a porra da constituição já fez por ti alguma vez na vida? Queime-se a constituição, queime-se o código do trabalho, glória ao pai, ao filho e ao trabalho temporário!

Portugal não é a Grécia e eu estou desempregado.

E quero ainda dizer, que isto aqui, que isto aqui, é uma cambada de activistas, uma cambada de sindicalistas e uma cambada de lambões! Vão trabalhar, porra! Vão p’rá estiva 80 horas por semana, vão lavar escadas às 5h da manhã, vão ter dois empregos que é bom p’rá tosse, vão chapar massa em cima de andaimes, trabalham e ainda vêm a vista, vão servir às mesas, ficam com varizes, mas trabalham os gémeos, estão desempregados? Apanhem o cacilheiro gondoleiro. E a Luísa? Continua a subir a calçada…

Deus no céu, Soares dos Santos na terra. Pingo Doce, venha cá! Venha cá ver como se destrói a produção nacional, venha cá ver como se faz uma fundação instrumental. Pingo Doce: um litro de vinho aliena e estupidifica um milhão de portugueses. O Pingo é mais doce com a sede na Holanda, o Pingo quer ir ser ainda mais doce para o meio da Colômbia, o Pingo já é doce na Polónia do Wojtila. Pingo Doce: erva, coca, igreja e exploração, e tudo sem custos de produção.

Portugal não é a Grécia e eu estou desempregado.

E queria chamar para junto de mim Isaltino Afonso de Morais! E queria chamar para junto de mim Alberto João Jardim! E queria chamar para junto de mim Avelino Ferreira Torres! E queria chamar para junto de mim Valentim Loureiro! E queria chamar para junto de mim Oliveira e Costa! E queria chamar para junto de mim Alves dos Reis! E queria chamar para junto de mim Al Capone!

“Artigo 20.º, Acesso ao direito e tutela jurisdicional efectiva, ponto 1: A todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, não podendo a justiça ser denegada por insuficiência de meios económicos.” Alguém tire a venda à Justiça, por amor da Constituição.

“Artigo 74.º, Ensino, ponto 1: Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar. Artigo 75.º, Ensino público, particular e cooperativo, ponto 1: O Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população. Artigo 64.º, Saúde, ponto 1: Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. Ponto 2: O direito à protecção da saúde é realizado: alínea a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.” Ah, maldito tendencialmente! À venda neste leilão temos também um artigo de grande valor económico, um maravilhoso contrato swap dirigido à sua PPP de estimação, esqueça a lei fundamental do seu país e governe-se com artigos financeiros do mais tóxicos que há. Sabe qual é o preço certo?

Portugal não é a Grécia e eu estou desempregado.

“Faz-me um bocadinho de impressão que 15 pessoas por mais eminentes que sejam tenham o poder de condicionar a vida de milhões de pessoas da forma como têm”(1), a saber: O Ulrich dos aguentas, o Catroga dos pintelhos, o Ferreira do Amaral das pontes, o Luís e o Nuno Amado dos bancos, o Ulrich dos aguentas, o Salgado dos espíritos santos, o Belmiro dos carnavais, o Durão dos caldos entornados, o Pires de Lima das cautelas, o Seguro do qual é a pressa, o Moedas dos especialistas adolescentes, o Portas dos submarinos e dos vices, o Passos Coelho das enxadinhas para trabalhar, o Cavaco dos muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito…e as pistolas do Buiça? Emigraram com ele para a Suíça. Foi ao Campo Pequeno não havia viv’alma, no Terreiro do Paço estavam umas pessoas a correr patrocinadas pela telefonia, pegou na mulher e nos filhos e toca de zarpar. Já não teve de dar o salto, mas as lágrimas caíram-lhe na mesma.

“O que é que não temos? Satisfação! O que é que nós queremos? Revolução!”(2) Hoje é outra vez o primeiro dia do resto das nossas vidas, temos todos e todas um brilhozinho nos olhos. A austeridade não é inevitável. O pensamento não é único. Eu cruzei a ponte. Pára o porto, pára Coimbra, pára Braga, pára Viseu, pára o Funchal, pára Vila Real, pára Évora, pára tudo! O Alentejo é nosso outra vez. “A paz, o pão, habitação, saúde, educação. Só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o que o povo produzir.”(3) “Não nos venham com cantigas, não cantamos para esquecer, nós cantamos para lembrar que só muda esta vida, quando tiver o poder o que vive a trabalhar.”(4) Se o ataque é brutal, a greve é geral. Salários e pensões não pagam dívidas, o empobrecimento não paga dívidas, a exploração não paga dívidas. Trabalhadores e trabalhadoras em luta contra a carestia de vida. A troika cheira mal dos pés, a troika é burra, morra a troika, morra pum! A troika é a velha, mas nós não somos nêsperas.

Spartacus morreu na cruz, a Revolução Francesa morreu na cruz, o 25 de Abril ainda está na cruz, é tempo de o resgatarmos.

“Artigo 1.º, República Portuguesa, Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular, e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.”

Liberdade, igualdade, fraternidade. Eu sou Spartacus. O povo, quando estiver unido, jamais será vencido.

“Artigo 21.º, Direito de resistência: Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.” A austeridade ofende os meus direitos, as minha liberdades e as minhas garantias.

Liberdade, igualdade, fraternidade. Eu sou Spartacus. Portugal não é a Grécia e eu estou desempregado, mas resisto. A maré vai-se levantar. Eu cruzei a ponte. Não há becos sem saída. O Povo contra-ataca. Nós ou a troika?

André Albuquerque
Actor

há machados que cortam, raivas que não se apagam

Por maiores que sejam as manifestações, e a de Sábado foi uma grande manifestação, elas são sempre pequenas. Para mim, que queria ver lá muito mais gente. Para os governantes e apaniguados, a quem convém que os protestos se resumam a acções de rua levadas a cabo por meia-dúzia de chanfrados, esquerdalha agarrada à Constituição e a uma Revolução que nunca existiu. O 25 de Abril foi apenas uma pausa, pequena de meses, nos seus objectivos e ambições. Eles voltaram pouco depois, reconquistaram terreno ao longo dos anos e cumprem, finalmente, o seu sonho. Portugal voltou a ser deles. Nós não contamos. Podemos fazer as manifestações que quisermos que eles venceram.

Pelo menos é isso que pensam. Mas há machados que cortam.  E raivas que não se apagam.