15/12/12

degustando "pedro passos coelho"

Por Dinis Moura
http://indignadolevadodabreca.blogspot.pt/

Trata-se de um vinho monocasta (100 % Palerma) que, muito indesejavelmente, todos os dias, por imposição das inevitáveis circunstâncias, nos é servido às refeições. Este apresenta aromas intensos de aldabrão e incompetente e notas vivas de cafajeste, sem contudo se sobreporem. De cor dos da laia dele, revela-se um vinho sem densidade, desestruturado, desequilibrado e com um acídulo que lhe confere características distintivas e contribuem para um final de boca prolongadamente azedo e persistentemente desagradável. Uma autêntica zurrapa, um imbebível vinagrão. Absolutamente. Já degustei vinagres mais bem apaladados.

"Pedro Passos Coelho", um vinho categórica e indubitavelmente a evitar, mas, acima de tudo, e mais importante, e preocupante, uma morraça deveras nociva para a saúde.

Fotografia: http://www.huffingtonpost.com

o natal acabou

Este ano, saltamos de 24 para 26 de Dezembro. O Natal já não existe. Roubaram-no. As crianças olharão, tristemente, para a chaminé vazia. A consoada, em muitas casas, será de fome e lágrimas. Os comerciantes farão contas à vida e às vidas que terão que dispensar, de atirar para o desemprego. E os senhores que se safam sempre farão contas à conta bancária, sempre a subir à conta da miséria, da desgraça, do empobrecimento "sustentado" de todo um povo. Só a revolta, a raiva, a dor, a ira nos libertarão desta obscenidade em que vivemos e nos devolverão o Natal e a dignidade e as nossas vidas. Já não basta andar pelas ruas a gritar. É preciso mais qualquer coisa. O quê?




a paixão de isabel allende

sangue frio

Este é o país onde se chega a oferecer uma arma a quem abre uma conta num banco. Este é o país onde qualquer pessoa pode ter uma ou mais armas em casa. Este é o país onde mais se mata nas escolas. Este é o país onde, ontem, morreram 20 crianças e 6 adultos.








Fotografias: AFP (http://www.jn.pt)

esperteza saloia

Por Nuno Saraiva
http://www.dn.pt

As últimas semanas têm sido férteis em exemplos de como a esperteza saloia se tornou prática maior da política nacional.

Veja-se, por exemplo, a decisão de pagar em duodécimos, já a partir de janeiro, os subsídios de férias e de Natal. Todos sabemos que será no primeiro ordenado de 2013 que os trabalhadores vão sentir a primeira "marretada" do "assalto fiscal" em que assenta o Orçamento do Estado para o próximo ano. Por bondosa que possa parecer, a intenção é, tão-só, através de um efeito ilusório, fazer crer à comunidade que, afinal, o empobrecimento não é tão drástico como parecia à primeira vista.

Com medo da rua e das convulsões sociais que inevitavelmente acontecerão quando as famílias sentirem no bolso a falta de dinheiro, o Governo decide, de forma caridosa, mitigar o esforço desumano a que os contribuintes estão sujeitos distribuindo por doze meses as migalhas do 13.º e do 14.º meses, como se quem trabalha não tivesse direito a estas retribuições. E nem sequer vale a pena lembrar, mais uma vez, o que havia sido dito perentoriamente por Pedro Passos Coelho, nos idos da campanha eleitoral, quando confrontado com a hipótese de acabar com o subsídio de Natal: "Isso é um disparate!"

Mas, mais grave do que esta tentativa de atestado de estupidez passado ao povo em letra de lei, é o verdadeiro propósito, não assumido, de quem toma decisões. Em outubro de 2011, Miguel Relvas afirmava, com a convicção e sabedoria habituais, que há "muitos países da União Europeia que não têm 13.º e 14.º meses". Passado pouco mais de um ano, eis que o Governo, à socapa e na esperança de que ninguém perceba, se prepara para, com a diluição dos subsídios em 2013, acabar com eles de uma vez. A isto chama-se esperteza saloia!

Podia ser apenas um ato isolado, ou um exercício infeliz da ação governativa. Mas não é.

Outro exemplo de "chico espertice" é o da reforma administrativa imposta pelo programa de ajustamento. Decidiu o Governo - o mesmo que sempre quis afirmar--se mais troikista do que a troika -, pela tutela do ministro Relvas, avançar para a fusão e extinção compulsiva de freguesias, mantendo intocáveis as câmaras municipais. A reforma, deixada assim a meio caminho, além de representar uma violação flagrante do memorando de entendimento em cuja quinta avaliação ficou expressa a obrigatoriedade de reduzir "significativamente" freguesias e concelhos, é também reveladora de que a célebre afirmação "que se lixem as eleições!", proferida um dia pelo primeiro-ministro para assegurar que não governa em função da popularidade, não passou, afinal, de uma balela.

Quem pensava que esta maioria era totalmente subserviente à troika enganou-se. O Governo é bem capaz de lhe fazer frente, como se comprova, mas só quando estão em causa os votos e os todo-poderosos aparelhos partidários. A este modo de atuar chama-se, não há outra forma, esperteza saloia.

E, como não há duas sem três, a gestão do dossiê de privatização da RTP não podia deixar de ser conduzida em coerência com tão nobres pergaminhos. Bem no meio do ruído do último capítulo da chamada "novela das imagens", eis que surge um novo plano para a alienação da televisão pública. Nuno Santos foi ao Parlamento reafirmar, perante os deputados, o que já antes tinha dito: que fora alvo de um saneamento político, que era malvisto pela tutela por ser contra a privatização e por, durante o seu consulado como diretor de Informação, ter feito aquilo que se lhe exigia: pôr a RTP a dar notícias e não a ser notícia. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a polémica em torno da licenciatura do dr. Relvas, ou com o escrutínio sistemático da governação. As mesmas afirmações que uma semana antes não justificavam a abertura de um processo disciplinar, ditas na Assembleia da República acabam a dar origem a um inquérito com objetivo de despedimento.

Porventura, o maior pecado de Nuno Santos - e não me pronuncio sobre a cedência de imagens à polícia, cuja apreciação neste contexto é irrelevante - foi ter contribuído para o ruído, pois foi no meio desta polémica que, discreta e sorrateiramente, se anunciou a intenção de privatizar 49% do capital da RTP. Já não se trata de alienar um canal, como está no programa eleitoral do PSD e no Programa de Governo, ou de concessionar o serviço público a privados. O plano agora é vender metade da televisão pública.

Como muito bem previu quem desenhou esta estratégia, no meio do debate sobre o evidente saneamento político de Nuno Santos ninguém questionou ou sequer se apercebeu da solução final para a RTP.

A isto chama-se, como é óbvio, esperteza saloia. O resto é conversa da treta!

14/12/12

as crianças não têm fome, diz jonet, são carências, meras carências



Chamem-lhe fome, chamem-lhe carências, chamem-lhe o que quiserem, mas é insuportável a dor de uma mãe que não pode dar de comer aos seus filhos, dar-lhes um mimo pelo Natal, avistar-lhes um sorriso de felicidade.

Jonet não sabe o que é sofrer assim, mas sabe o que é botar faladura sem razão nem tino. Em nome da caridade, essa megera decrépita dos chás-canasta e das quermesses. Eis o regresso da velha senhora e a um passado infame. 

Saiu Supico Pinto. Entra Jonet. Palminhas.

o menino de sua mãe

Eu não sei se manda o protocolo mas, nas fotografias de grupo em todas as cimeiras europeias, Passos fica sempre ao lado de Merkel. Se não é graxa, se se trata mesmo de uma questão protocolar, não deixa de ter um valor simbólico: uma mãe que se preza nunca abandona o seu filho. Enternecedor.







xenófoba é a tua tia e casou-se!

Pintura de Jean-Baptiste Debret
Os senhores da Newshold - a tal candidata a pagar metade da RTP e a mandar por inteiro, segundo os mais recentes e inconstantes planos de Borges/Relvas para a devastação nacional -, passaram ao ataque. Coitadinhos, que têm sido tão atacados na comunicação social, a portuguesa claro, que a angolana não se mete com eles, lá há prisões para os rebeldes e um tiro na noite não custa a dar e sai barato. Coitadinhos, que têm sido vítimas de xenofobia por parte de jornalistas e comentadores. Coitadinhos que, tal como outras empresas angolanas instaladas em Portugal, só querem ajudar o País a ultrapassar este mau momento, a fazer-nos progredir e enriquecer, tal como têm feito progredir e enriquecer o seu próprio povo que, como toda a gente sabe, anda a nadar em dinheiro de manhã à noite e a enfeitar-se com diamantes da cabeça aos pés.

Enfim. Vamos aturando os raspanetes e os ditames da Merkel, do Durão, da Lagarde, das agências de rating, dos patrões do mundo e, agora, dos senhores de Angola, a gruta de Alibabá para uns quantos ladrões. Vamos entregando Portugal aos bocados, a chineses, a angolanos e, se Relvas e Borges quiserem, e se os portugueses se calarem, a um qualquer ditadorzeco árabe. Quem dá mais? Somos baratos! Somos o novo mercado de escravos. Vendidos a pataco. Empobrecidos à força. 

13/12/12

os corruptos que paguem a crise!




as lições do velho mestre


"O que me irrita na oposição não é a ideologia mas a demagogia, é o ela andar a prometer às pessoas um consumismo insustentável, pois não podemos viver acima das nossas possibilidades".

Quem disse isto? Clique para saber, se é que não sabe já.


orai, senhores!

Deixem-me ver se consigo dizer isto de uma forma elegante: os bancos e os seus banqueiros conduziram o mundo ao desastre financeiro. Jogaram o dinheiro dos seus depositantes como se estivessem num gigantesco casino. Perderam na roleta russa, mas as cabeças que rolam estão a ser as nossas.

Depois do seu colapso, foi o que se viu. Uma crise que atravessou o Atlântico e que está a pôr a Europa em pé de guerra. Veio a austeridade, o empobrecimento, e as maiores vítimas estão a ser os países que eles chamam de periféricos. Como Portugal.

Coelho e o seu governo, que mesmo sem crise sempre quiseram fazer o que estão a fazer - transformar Portugal num imenso campo de concentração de mão-de-obra barata para gáudio e fortuna dos seus amos e senhores -, desculpam-se com Sócrates e prosseguem o seu plano sem que a mão lhes trema, o coração lhes estremeça, a consciência lhes pese. Foi Sócrates que assinou com a troika, dizem, como se não tivessem estado envolvidos nas negociações. Foi Sócrates que atirou o país para a bancarrota, como se agora estivessem a fazer melhor. Foi Sócrates quem gastou demais, como se agora não estivessem a desviar milhões para tudo, menos para o bem nacional.

Para salvar os bancos e os mais ricos de todos, atiçam-se contra nós. Saqueiam-nos até ao último cêntimo. Sufocam-nos em obrigações fiscais. Tratam-nos como cidadãos de quinta categoria, os novos escravos deste século XXI de começo tão trágico.

Eles têm um único Deus: o dinheiro. Os seus sacerdotes são os banqueiros. As suas catedrais, as grandes sedes dos maiores bancos mundiais. Para onde sonham entrar um dia, na qualidade de sacerdotes e numa missão que é mais do que histórica, é divina. Paz às suas almas, porque na Terra não terão descanso. O dinheiro não lhes trará a felicidade. Os seus crimes não terão perdão.







12/12/12

retrato trágico de um país moribundo

Durante 12 meses, 12 fotógrafos e 12 outras personalidades reuniram-se para retratar este triste país de 2012. O projecto "12.12.12" culminou hoje, 12.12.12, com a inauguração de uma exposição fotográfica e o lançamento de um livro. 

Os fotógrafos: Adriana Morais, Adriano Miranda, Duarte Sá, José António Rodrigues, José Carlos Carvalho, José Manuel Ribeiro, Lara Jacinto, Nuno Fox, Nuno Veiga, Ricardo Meireles, Rodrigo Cabrita e Vasco Célio.

Os autores dos textos: Ana Cristina Pereira, Luís Afonso, Vicente Jorge Silva, Graça Morais, Paulo Barriga, José Luís Peixoto, Fernando Alves, Carvalho da Silva, Ana Sá Lopes, Frei Fernando Ventura, Rui Goulart, e Nuno Faria.

Saiba mais em: http://www.121212.portfoliobox.net/

ADRIANA MORAIS - Os avanços das políticas de austeridade em 2012 refletiram-se num aumento da contestação social e em reacções mais agressivas por parte da polícia. Numa manifestação anti-autoridade em Lisboa, os agentes fizeram todos os esforços para impedir que o protesto fosse fotografado, acabando por prender uma manifestante, cujo único crime era estar com uma máquina na mão.

ADRIANO MIRANDA - Luis Costa, 47 anos, Metalúrgico, trabalhava numa empresa de travões de automóveis. Desempregado há 4 anos, o patrão ficou-lhe a dever milhares de euros de salários em atraso. Actualmente o seu rendimento mensal é de 0 euros pois não tem direito a nenhum apoio do estado desde fevereiro de 2011.

DUARTE SÁ - Um Membro do partido da nova democracia entrega uma senha de desconto numa farmácia a um idoso, numa acção em que foi entregue a verba da subvenção que o partido recebe da Assembleia Legislativa Regional a centenas de idosos e pensionistas.

JOSÉ CARLOS CARVALHO - A única estrada que liga Portugal de Norte a Sul do País é reflexo da crise que se faz sentir. No ano em que as SCUTS passaram a ser pagas, as estradas secundárias tem cada vez mais tráfego, fazendo voltar o País a um passado recente. Desde o comércio aos parques de lazer, passando pelas obras inacabadas, o km 360 do IP2, no distrito de Beja, é testemunha do tempo que teima em (não) passar.

JOSÉ RIBEIRO - José Vicente (à dir.) carpinteiro de 52 anos sem trabalho e o seu amigo Jaime Dinis de 67 anos, reformado de electricista deixam a feira de São Joao da Talha ao final da manhã de 14 de Fevereiro, depois de uma manhã sem sucesso a tentarem vender os horticulas por eles criados numa horta em Loures, numa tentativa de ganhar algum sustento contra a crise.

JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES - Fernando, 41 anos de idade, natural de Rabo de Peixe, São Miguel, Açores, é pai de 6 filhos, avô de 2 netos. Em casa, só a mulher é que recebe RSI, cerca de €300,00. Faz parte de um grupo conhecido por "catadores", homens que procuram no lixo o sustento para a familia. A crise de 2012 já chegou ao lixo, isto mesmo o afirmam "há menos lixo, as pessoas deitam menos coisas fora".

LARA JACINTO - Juliana de 23 anos, desempregada, grávida de sete meses, vive com o marido, também desempregado e dois filhos, numa casa emprestada, em Bragança. A falta de dinheiro para alimentação é a sua maior preocupação.

NUNO FOX - No ano de 2012 as filas têm aumentado nos mais variados serviços, da Segurança Social às carrinhas de voluntariado que distribuem comida, passando às bombas de gasolina de low cost.

NUNO VEIGA - A rua do comércio em Portalegre é quase uma rua fantasma. Com lojas a fechar mês após mês, as que restam lutam para resistir à perda do poder de compra generalizada. É apenas um exemplo do que está acontecer ao outrora próspero comércio tradicional do nosso país.

RICARDO MEIRELES - Em 1993 foi estabelecido o acordo de Schengen e a partir dessa data as fronteiras estão abertas à circulação de pessoas e bens, excepto durante períodos nos quais o Governo considera necessário controlar os acessos ao país. Vila Verde da Raia, uma das principais “portas” terrestres de Portugal, tem o posto fronteiriço à venda numa imobiliária local. O Estado Português ganhará 800 mil euros se o negócio se concretizar.

RODRIGO CABRITA - 63 anos de vida dos quais 30 sem luz e água. Albino Martins vive no concelho da Sertã num terreno e numa casa que não lhe pertencem. A higiene é tratada na rua. Faça frio ou faça sol.

VASCO CÉLIO - Empreendimento Turistico Ocean Ville em Albufeira, propriedade da SLN. Hotel com cerca de 100 quartos mais de 50 fogos para habitação. Inaugurado em 2008 após um investimento de vários milhões de euros. Encerrado.

os meus votos de um terrível natal, doutor coelho


Mais uma história de aberração neste Portugal do ano do Coelho. Desempregados contratados para fazer de Pai Natal e receberem a mirabolante fortuna de 43 cêntimos por hora. Homens que contribuem para os sonhos da petizada mas que, com este salário infame, não terão dinheiro para levar para os filhos um presente, por ínfimo que seja.

Desejo aos seus filhos, doutor Coelho, um bom Natal. O mesmo não lhe posso desejar a si. 

a greve dos estivadores é a greve de todos nós




Convençam-se: ao lutarem pelos seus direitos, os estivadores estão a lutar contra os abusos e a prepotência deste governo sobre todos os portugueses. Eles defendem a última barreira entre a civilização e o regresso à barbárie. Estou com eles!

o horror agiganta-se


de mordomo da guerra a arauto da paz

Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

É irónico assistir à atribuição do prémio Nobel da Paz e, ainda que institucionalmente se justificasse, vê-lo passar pelas mãos de Durão Barroso. É estranho e difícil de entranhar. Não consigo esquecer-me do outro lado de Durão. Um lado menos continental, mais salgado e atlântico. O lado açoriano de Barroso.

Quando Thorbørn Jagland, presidente do Comité Nobel da Noruega, afirmou durante a entrega do prémio que "a União Europeia ajudou a construir a fraternidade entre nações e a promoção da paz que Alfred Nobel deixou como legado", não falava certamente do contributo do presidente da Comissão Europeia. Não estaria a referir-se ao apoio que este, em nome próprio e não dos portugueses, deu para que a Guerra do Iraque tivesse vindo a ser uma triste realidade, com os resultados que sabemos. Uma coligação de países cuja atuação foi sustentada e desencadeada em mentiras dignas do argumento de um filme de Hollywood, como veio a confirmar-se, e que envergonha todos os envolvidos.

Os fins, na altura, justificaram todos os meios. Os protagonistas, os Bush e Blair desta vida, bem como os que se puseram em bicos dos pés para terem visibilidade na fotografia circunstancial de família, foram cúmplices de uma das maiores farsas da política internacional. Em janeiro de 2012, contabilizavam-se cerca de 162 mil vítimas, 80 por cento delas civis, desde o início da invasão em 2003, de acordo com a ONG britânica Iraq Body Count (IBC). Que Paz é esta?

"O antigo porta-voz de Tony Blair considerou "longo e pomposo" o discurso de Durão Barroso na cimeira dos Açores, em 2003, realizada, no arquipélago, tanto quanto se "recorda", por "ideia" do então primeiro-ministro português, disse hoje à Lusa Alastair Campbell. "Presumo que a ideia foi sua", afirmou, referindo-se ao antigo primeiro-ministro Durão Barroso sobre a escolha do arquipélago português para a realização do encontro que reuniu o Presidente dos Estados Unidos, George Bush, e os chefes de governo do Reino Unido, Tony Blair, e de Espanha, Jose Maria Aznar." (Expresso, Maio de 2009)

O 'mordomo' da cimeira 'de guerra' dos Açores 2003 ostentou um prémio Nobel da Paz em 2012. O mundo é uma anedota.

notícias do paraíso

Portugal, agora sim, está no seu melhor. As indemnizações por despedimento foram reduzidas, há mais mexidas nos subsídios que ainda não sei quais são mas nem vale a pena saber porque não se vão ficar por aqui; depois de Medina Carreira foi a vez de Teixeira dos Santos ter buscas em sua casa e ver o seu nome escarrapachado nos jornais para um apressado julgamento na praça pública; a RTP é o que é, a TAP é o que é, a EDP é o que foi, o orçamento de Estado vai passar com o beneplácito de Cavaco e para miséria dos portugueses; as manifestações, as pacíficas, são para o governo como caspa que sacodem dos casacos com um frémito de asco; Mário Soares é a voz mais crítica por parte do PS e é tratado como um velho jarreta, ele que sabe mais a dormir do que Coelho com dez mil assessores a lamber-lhe seja o que for que lhe queiram lamber; Isabel Jonet, a rainha da caridade, continua a dizer disparates e a ser reverenciada como o próximo Nobel da Paz, Nobel esse agora atribuído a uma entidade que tem Durão Barroso à frente do pelotão e está tudo dito, mas não vomitado; Relvas soma e segue, contentinho da silva com o seu poderzinho, as suas manigâncias de baixo coturno, os seus contactos e negócios de grande senhor do empresariado nacional e internacional, não faz a coisa por menos que ele é Relvas e não escalracho; desculpem-me se me esqueci de qualquer coisa ou de qualquer coisinha mas o que aqui fica já chega para atestarmos, com chancela papal e tudo, que estamos entregues não à bicharada, não à lixarada, mas à maior golpada (por enquanto sem sangue) da história de Portugal. 

Estamos no bom caminho. Da queda para um abismo bem fundo. Imundo.

Fotografia: http://www.csfd.cz

que parlamento é este?

Por Baptista-Bastos
http://www.dn.pt

Há dias, na TVI 24, o prof. Paulo Morais fez um requisitório violento sobre a corrupção, e os interesses que se entrelaçam nos deputados do "arco do poder." Segundo disse, de manhã encontram-se, jovialmente, nos escritórios de advogados e, à tarde, vão ao Parlamento representar aqueles que lhes pagam.

Paulo Morais ferrou-lhes o nome a fim de marcar a ignomínia do procedimento. A corrupção só acabará quando eles forem varridos. Tarefa acaso difícil, mas não impossível e ao alcance da nossa cidadania. A urgente necessidade dessa empresa corresponde ao facto de "a nossa democracia estar moribunda". Paulo Morais, professor universitário no Porto, raramente é chamado pelas tv's; no entanto, o que diz, pelas verdades que comporta, atroa os ouvidos.

É mau para a democracia atacar o Parlamento, asseveram cândidas almas. Que fazer, então? Deixar que os vendilhões se assenhoreiem do templo, e dar cobertura à bandalheira indicada pelo prof. Paulo Morais? Aceitar, de ânimo leve, que gente honrada, como outro que se não cala, o prof. Medina Carreira, seja enxovalhada por uma Justiça escabrosa e por jornalistas de baixo jaez e duvidoso estilo? As cumplicidades estabelecidas possuem ramificações tenebrosas. Medina Carreira foi, obviamente, vítima de uma perversidade sórdida, mas não fica imune da infâmia quem, sem curar de saber a veracidade dos factos, tratou de transformar uma insídia numa aparente verdade.

Este jornalismo de faca na liga talvez não prolifere; mas anda por aí, e os seus mosqueteiros (e mosqueteiras) são aplaudidos com desenvolta leviandade. A sociedade portuguesa sofre do mal do tempo, dizem. Contudo, a brutalidade das transformações, por muito aceleradas que sejam, não justificam as cedências e as baixezas a que assistimos. Quando Luís Marques Mendes, em outra barricada, condena Vítor Gaspar, por este nos tratar como "atrasados mentais", essa desordem e essa perturbação têm muito a ver com a consciência do descaso e com a admissão do imoral como norma.

Criticar o Parlamento e os que tripudiam sobre a nobre função de deputado, para sobrepor as suas conveniências aos imperativos sagrados do bem comum, não só amolga a democracia: também vilipendia aqueles que a traem. Andamos excessivamente preocupados com tratar delicadamente os que vão para a Assembleia apenas para tratar da vidinha. É tempo de dizer, com o prof. Paulo Morais, que (entre os demais) os drs. António Vitorino e Paulo Rangel já estiveram juntos, de manhã, no mesmo escritório de advogados, a defender causas e proveitos comuns; e, "separados", à tarde, na Assembleia, a pleitear questões aparentemente opostas. Talvez não haja conflito de interesses, mas o assunto causa engulhos, e atiça, certamente, suspeitas de ordem moral. Naquele extremo cume da extrema consciência [Camus] manifesta-se uma razão superior.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

comunicado de nuno santos

Caiu a máscara ao Presidente da RTP. 

Hoje é já possível afirmar que a conclusão daquele que é conhecido como o caso “Brutosgate” corresponde, afinal, ao meu despedimento. E esse despedimento, que se segue à minha demissão por razões políticas, estava preparado, de acordo com todas as informações que recolhi, antes da minha ida à Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação da Assembleia da República.

No momento em que acaba de ser promovido o meu silenciamento, através de uma suspensão que me impede de frequentar as instalações da RTP e, consequentemente, de trabalhar, convoquei este encontro para explicar à opinião pública algumas questões que se me afiguram essenciais para o entendimento do que verdadeiramente está em causa.

O conselho de administração da RTP entende que passagens das declarações que prestei no Parlamento consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar. O que devem os cidadãos dizer quando chamados a prestar depoimento perante aquele Órgão de Soberania? A verdade ou o que é “politicamente correcto” com vista à manutenção, a qualquer custo, do seu posto de trabalho?

Daqui lanço um apelo à Senhora Presidente da Assembleia da República para que se pronuncie, não sobre mim ou sobre este caso em concreto, mas sobre a protecção de que devem gozar cidadãos chamados a depor nas Comissões Parlamentares. 

Aquilo que cada um de nós diz, nessa condição de cidadãos, perante as Comissões não pode ser condicionado, à partida, com medo das represálias que possamos sofrer por alguém poder ver nessas declarações delito de opinião, algo que há mais de trinta e oito anos está banido da ordem jurídico-constitucional portuguesa. 

O conselho de administração da RTP entendeu que a circunstância de ter referido que fui sujeito a um julgamento sumário, consubstancia a prática de grave infracção disciplinar. Poderá, então, o conselho de administração, explicar como se qualifica uma situação em que, antes de qualquer inquérito, me imputou oralmente e por escrito ter autorizado que a PSP visionasse “brutos” na RTP?

E como classificar um “inquérito” – entre aspas – onde o meu testemunho era irrelevante porque os “factos estavam apurados”. Será exagero classificá-lo como julgamento sumário?! E ao fazê-lo com frontalidade deve um trabalhador ser punido pela sua entidade empregadora, por sinal uma empresa pública?! 

O conselho de administração da RTP entendeu também, descontextualizando-a, que a explicitação que fiz das razões que conduziram ao meu pedido de demissão do (muito específico e legalmente preservado cargo) de director de informação da RTP seria uma prática de grave infracção disciplinar e de violação do dever de respeito. 

Nunca faltei ao respeito ao presidente do conselho de administração da RTP. Disse a verdade, disse o que penso. Fui contundente, mas não sou conhecido por usar meias palavras nem por ser pessoa de meias tintas. Medi cada expressão usada no Parlamento e não alteraria uma única. 

Basta, de resto, analisar todo este caso para perceber que a única pessoa desrespeitada fui eu, desde logo por ter sido dado como o exclusivo culpado de uma situação que não criei. Assisti a seguir a um “inquérito” alegadamente para apuramento dos factos, “inquérito” no qual a minha contribuição era, na óptica do conselho de administração da RTP, reconhecidamente desnecessária e mesmo irrelevante. 

Acresce a tudo isto o comentário jocoso, feito no estrangeiro – em Angola concretamente, sobre aquilo que o Dr. da Ponte designou como a minha “autoflagelação”. 

Todas as minhas tomadas de posição têm-se pautado por uma abordagem ponderada e rigorosa de questões muito sérias que têm a ver com direitos, liberdades e garantias (individuais e coletivas), e nunca – sublinho nunca - pelo recurso à chacota fácil e desdenhosa. 

O conselho de administração da RTP entendeu que consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar algumas declarações que prestei sobre a ordem de serviço 14, a qual obriga a que a aquisição de conteúdos seja autorizada com setenta e duas horas de antecedência. 

A Ordem de Serviço é explícita e as suas consequências perfeitamente conhecidas, sendo a principal o condicionamento ilegítimo das decisões editoriais. Ou seja, o conselho de administração quer, por via administrativa, conhecer passos fundamentais do processo editorial e reservar para si a palavra final. 

O conselho de administração repescou, ainda, a questão dos “brutos” que já dera por encerrada por saber que não tinha nem podia ter ressonância disciplinar. É cristalino que o conselho de administração da RTP não tem competência disciplinar em matéria deontológica dos jornalistas, devendo qualquer intervenção nesta área ser vista como abusiva - por violadora - de uma instância própria de uma classe profissional. O alcance da intervenção da administração da RTP nesta área era e foi meramente a de liquidar de forma sumária a minha imagem profissional na praça pública.

Agora, com o argumento absurdo de que neguei a prática dos factos (virtuais) relacionados com uma (pretensa) autorização por mim (supostamente) dada para que elementos da PSP visionassem imagens não editadas da manifestação e que, por consequência, devo ser responsabilizado por esses (supostos) actos, o conselho de administração da RTP vem dar o dito por não dito e, simultaneamente, incorrer no patético de recuperar uma matéria onde não pode intervir e relativamente à qual já recuara. 

O conselho de administração da RTP suspendeu-me de toda a minha actividade profissional de jornalista e impediu-me de trabalhar, prejudicando-me gravemente quer em termos profissionais, que em termos pessoais. 

E porquê? Porque – segundo referiu – as funções de direcção que eu exercia e a minha posição hierárquica elevada potenciam o meu, e passo a citar, “ascendente natural” sobre os meus “anteriores subordinados” e essa circunstância poderia prejudicar o andamento das diligências preparatórias da nota de culpa. 

Não ter condições para trabalhar como director de informação, como aliás o presidente do conselho de administração reconheceu nas suas declarações prestadas na Assembleia da República, não implica que não se possa usufruir do direito a ver distribuídas outras tarefas. 

O meu percurso de 13 anos ao serviço da Rádio e da Televisão Públicas, mais de metade com funções de Alta Direcção, mereciam outro cuidado. Será difícil pedir isso a gestores que vêm de áreas estranhas aos media mas, se alguém não está preparado para esta tarefa, deveria ter pensado antes. 

Guardei para o fim aquilo que está no cerne deste despedimento anunciado pelo conselho de administração da RTP, concretamente as alusões que fiz perante a Comissão Parlamentar relativas ao meu saneamento político. Se dúvidas subsistissem que esse saneamento existiu, elas foram dissipadas com a decisão ilegal e ilegítima do conselho de administração da RTP que teve a cobertura e intervenção do poder político e isso deve merecer uma reflexão profunda a todos nós, jornalistas, e à sociedade portuguesa, em geral.

Ninguém poderá ficar indiferente à forma como se voltam a silenciar vozes defensoras da liberdade de informação, nomeadamente na RTP, desta vez, e como afirmei no Parlamento, e reafirmo aqui “travestidas de decisões de gestão ou de matérias “internas”. 

Não há ilusão possível: o direito à liberdade de expressão, tal como a privacidade da correspondência e o direito ao trabalho são valores constitucionais. O conselho de administração da RTP entendeu violá-los de maneira grosseira através da recuperação, desde logo, do inexistente delito de opinião. 

Quero terminar dizendo que, muito embora a conclusão do processo disciplinar já esteja feita, como feita estava, a priori, a do pseudo-inquérito que a RTP conduziu ad hominem antes dele, irei até às últimas instâncias, profissionais e deontológicas, na defesa do meu bom nome e da minha honra.

Nesse sentido: 

Dei instruções aos meus advogados para que utilizem todos os recursos previstos na lei não só para me defender mas também para confrontar o conselho de administração da RTP com a justiça. Este abuso de autoridade é uma ameaça para todos no interior da empresa e precisa ser travado.

Tenho consciência que estou a servir de exemplo, como outros serviram no passado, para que o poder político mostre à classe jornalística como se deve “comportar”. Mas, por ter essa consciência, também sinto a responsabilidade acrescida de não vacilar. E não vacilarei!

Como disse no meu primeiro comunicado, tempos conturbados aguardam a RTP com a anunciada aquisição de parte do seu capital com o figurino que tem sido divulgado. Cabe aqui uma palavra especial de apoio a todos os trabalhadores da Televisão e da Rádio Públicas nesta hora tão incerta. O clima de medo instalado faz com que muitos estejam em silêncio. Que ninguém se iluda. Depois de mim outros serão atingidos. 

É certo que a cortina de fumo que o meu caso acaba por constituir tem indiscutível oportunidade para desviar as atenções da opinião pública, mas sei também que esta está hoje, e mais do que nunca, até pela situação que o país atravessa, atenta e pronta para intervir.

12.12.12


Qual 21, qual carapuça. Os maias trocaram os números, não é 21 mas 12 o dia do fim do mundo. Não fosse ter algum amor ao canastro, e muito mais à gente boa que ainda há a povoar a Terra, e diria que não se perdia grande coisa. Tenha uma boa noite. E aprecie o seu dia. Lute contra quem lhe quer estragar este e todos os outros que ainda virão. Merecemos melhor.

Ian Hitchcock


11/12/12

um orçamento de guerra civil

Por José Vítor Malheiros
http://versaletes.blogspot.pt

Raramente o Parlamento português deu de si mesmo uma imagem mais indigna do que esta semana, com a aprovação do Orçamento de 2013 pelos deputados da maioria. Bastaria para nos encher de vergonha o conteúdo do orçamento em si, um exercício impossível de cumprir segundo praticamente todos os observadores independentes, que promove o empobrecimento dos portugueses e amplia a desigualdade social, que reduz a progressividade dos impostos, que taxa como ricos os que mal emergem da linha de pobreza, que poupa o património e os rendimentos de capital dos verdadeiros ricos, que abandona qualquer ideia de desenvolvimento económico, qualquer preocupação com o bem-estar dos cidadãos, que transfere sem a menor vergonha para os bolsos dos agiotas credores o dinheiro que rouba do bolso dos desempregados e que, para mais, se baseia em estimativas que todos sabem absolutamente falaciosas.

O Orçamento de 2013 é mentira. Mas, pior do que ser mentira, é um orçamento de ataque ao povo português. É um orçamento de guerra. Não por ter sido imposto por uma situação de guerra, mas porque é um acto de guerra contra os pobres e a classe média, contra a democracia e a liberdade (de que liberdade goza um desempregado?). É um acto de revanchismo serôdio contra o 25 de Abril. Mais do que um confisco de salários e pensões é um confisco de direitos. É um confisco de democracia. É um acto de guerra civil. A jurista Teresa Beleza dizia na semana passada, na Conferência dos 50 anos do Instituto de Ciências Sociais (não a propósito do orçamento mas da situação política em geral), que "estamos a assistir a uma revisão constitucional clandestina". Este orçamento é parte dessa “revisão constitucional clandestina", de um golpe de Estado reaccionário que visa mudar o regime a pretexto da situação financeira. Este orçamento é ilegal porque inconstitucional, é políticamente ilegítimo porque nunca nada parecido com os seus objectivos foi sufragado em eleições, é imoral porque ataca os mais frágeis, é associal porque destrói o tecido social e a própria ideia de solidariedade e a confiança que mantém a sociedade, é belicista porque vai semear a doença, a fome, a morte e a discórdia. Mas foi aprovado pelos deputados da maioria.

O conteúdo do orçamento seria suficiente para marcar o dia 27 de Novembro de 2012 com um pedra negra, mas podia ser que, devido a uma febre cerebral selectiva, os deputados da maioria se tivessem deixado seduzir pelo sorriso de Vítor Gaspar. Podia ser que acreditassem sinceramente que da miséria que se abaterá sobre os portugueses no primeiro semestre de 2013, nascerá inesperadamente a fénix da prosperidade no segundo semestre, logo no dia 1 de Julho de 2013, milagrosamente, como diz Vítor Gaspar, e que tudo começasse a melhorar. Podiam acreditar que Gaspar era um mago, um rei mago. Podia ser. E, nesse caso, as suas acções mereceriam a mais absoluta contestação política, as suas faculdades mentais mereceriam algumas dúvidas, mas poderíamos ter alguma esperança pelas suas almas. Infelizmente, as coisas não se passaram assim. Numa estranha declaração de voto assinada colectivamente, os deputados do PSD vieram pilatamente lavar as suas mãos ("Não se vota com declarações de voto para lavar consciências", diria Heloísa Apolónia, dos Verdes), desligando-se com uma mão do orçamento que votavam com a outra. E o mesmo fizeram alguns deputados do CDS. Isto apesar de este ser um Parlamento eleito numa democracia, composto por homens e mulheres que nos juraram que eram livres, apesar de estes homens e mulheres se terem comprometido a servir com honra o povo português e a colocar os interesses do país acima dos do seu partido e dos da sua carreira. Apesar de estes homens e mulheres se terem comprometido a obedecer à Constituição e à sua consciência, acederam a votar, por discipina partidária, um documento de que conhecem os perigos e do qual se tentam em seguida desvincular. Em francês chama-se a isto querer a manteiga e o dinheiro da manteiga. Em português, diz-se que isto é querer estar bem com Deus e com o Diabo. Em qualquer língua é uma vergonha.

A história do deputado CDS da Madeira Rui Barreto, que votou contra o orçamento, é ainda mais escandalosa. Pois não é que este deputado, a quem pagamos para “exercer livremente o seu mandato”, nos termos da Constituição, votou como votou porque recebeu instruções do presidente do CDS/Madeira, José Manuel Rodrigues, para o fazer? Não haverá nenhuma lei contra isto de dar ordens aos deputados sobre o seu sentido de voto, seja o partido ou a secção regional?

É por isto que o dia 27 de Novembro de 2012 ficará na nossa pequena história como o Dia da Indignidade do PSD e do CDS. 

Fotografia: http://diariodigital.sapo.pt

entre a choné e a jonet, inclino-me mais para a choné

os perus é que andam contentes

Este ano, por falta de carcanhol, os portugueses deixam os perus em paz. E estes estão felizes. Ah! E votarão sempre em Passos Coelho. Para que a crise perdure.

a crise como desculpa para a barbárie

Não há dinheiro, dizem. Por isso, reduzem-se salários, cortam-se subsídios e pensões, aumentam-se os impostos, sufocam-se os que vivem do seu trabalho. Não há dinheiro, dizem. Por isso, criam-se leis que facilitam os despedimentos, poupa-se nas indemnizações e, à revelia da Constituição, quer-se tornar o trabalho tão precário que leve cada qual a mendigar a esmola de uns dias de salário em troca de um horário laboral insuportável e de toda a espécie de prepotências.

Por outras palavras, a crise mais não é do que um pretexto para empobrecer milhões e enriquecer uns quantos miseráveis de sentimentos.

É por estas, e por outras, que apoio com todas as forças e com todo o entusiasmo a luta dos estivadores. São o último bastião, a última barreira entre nós e a barbárie. Se eles fracassarem, perderemos todos.

Deles se disseram muitas mentiras, que ganhavam mundos e fundos, que tinham privilégios que mais ninguém tem. E quem espalha essas mentiras é, tantas vezes, quem ganha mal, quem merecia melhores salários e melhores condições de vida.

Ao estarem contra os estivadores, estão contra si. A cavar a sua própria sepultura.

por caridade, cale-se minha senhora!

A vaidade é mais forte do que ela. Leva-a a dar entrevistas e a arrotar postas de pescada, saltitando de jornal para jornal, de um canal de televisão para outro.

Desta feita, foi ao "i". E diz ela, do alto da sua bondade: "Sou mais adepta da caridade do que da solidariedade social".

Se a Jonet acha isso, quem sou eu para a contrariar? Só posso dizer que, por mim, a solidariedade, como parte integrante do Estado Social, é a forma, a única forma, de proporcionar condições para que cada um, pela sua força de vontade, méritos naturais e ensinamentos recebidos num sistema educativo gratuito, possa abrir o seu próprio caminho e libertar-se da pobreza.

Sei do que falo porque vivi essa situação: caridade é humilhação, solidariedade é um direito.

Cale a boca e faça o que tem a fazer. Para si é. Para lhe engordar o ego e dar-lhe a notoriedade que não merece, por mais que os seus defensores, e são muitos, venham dizer o contrário. Não a respeito nem lhe agradeço os seus actos de caridade. Quem quiser, que o faça.

portugal, pasto para relvas

O poder oculto de Miguel Relvas na comunicação social - um perigo real para a sua liberdade!

João Lemos Esteves
www.expresso.t

Miguel Relvas envergonha o actual executivo. Sei, de fonte segura, que Nuno Crato se sente muito incomodado por se sentar ao lado de um "troca-tintas" , que fez o curso pelo método C (método da cunha), que é, ao fim e ao cabo, a negação do discurso oficial do Governo em matéria de educação, centrado na exigência e qualidade de ensino. Miguel Relvas é, numa frase, a personificação dos vícios do sistema político português. Se pensarmos num político que, no fundo, represente as nossas deficiências democráticas estruturais, que seja um modelo de maus exemplos e práticas políticas deploráveis, então iremos - certamente! - pensar em alguém com o perfil de Miguel Relvas.

O caso recentíssimo da RTP veio, apenas, confirmar que Miguel Relvas, embora pareça ausente, está sempre presente na redacção da estação pública. Após o saneamento político vil e miserável de que Nuno Santos foi alvo, subtilmente orquestrado a partir do gabinete de Miguel Relvas, nenhum jornalista se atreverá, com o mesmo desprendimento e liberdade de espírito, realizar uma peça informativa crítica relativamente ao Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares. Por que é que este caso só pode ter a conclusão óbvia de que se trata de saneamento político? O mais cego é aquele que não quer ver - diz o povo na sua secular e irrefutável sabedoria. Pois bem, no caso RTP, os factos não deixam margem para dúvida. Pasemos a concretizar.

Primeiro - o Presidente da RTP é um amigo pessoal e uma escolha da inteira confiança de Miguel Relvas - designado, precisamente, por este Ministro para gerir a estação pública, depois de uma passagem pela gestão de empresas de cervejas. Cedo se percebeu que Alberto da Ponte assumiu o desafio da gestão da RTP com um objectivo: ser o comissário político de Miguel Relvas. Um dos primeiros pontos do caderno de encargos de Alberto da Ponte passava pelo afastamento de Nuno Santos, então director de informação, o qual se recusava a "beijar a mão" de sua Excelência Ministro Miguel Relvas. Ora, o episódio das imagens foi um pretexto ideal para concretizar o desejo do Relvas - que, com este episódio, não deixou margens para dúvidas de quem manda na RTP. A estação passou a ser o veículo de propaganda oficial (e oficiosa).

Em segundo lugar, Miguel Relvas - através do comissário Alberto da Ponte - decidiu escolher para director de informação da RTP nada mais, nada menos que....Paulo Ferreira. Qual é a nota distintiva deste jornalista, que, aliás, foi bem salientada pelos diversos órgãos de comunicação social? Ser o jornalista que tem analisado a execução orçamental do Governo com....mais optimismo! Ou seja, tem sido o defensor-mor de Vítor Gaspar nas suas intervenções televisivas. Claro que é só coincidência, claro...pois...nós sabemos....

Não pense, porém, o caríssimo leitor, que a influência de Relvas se resume à estação pública. Nem pouco mais ou menos. Na verdade, eu próprio testemunhei uma conversa entre Miguel Relvas - já Ministro! - e uma jornalista, em que o primeiro perguntava se a jornalista estava feliz com o seu trabalho - é que o sempre solícito Miguel Relvas tinha ouvido que a pobre tinha problemas com o seu Chefe de Redacção. Claro que ele, o Relvas, se mostrou disponível para resolver a sua situação....Palavras para quê? É Miguel Relvas. E basta. Pena é que a democracia esteja, assim, cada vez mais fragilizada.

O incrível doutor Relvas

Daniel Oliveira
www.expresso.pt

Este fim de semana, Miguel Relvas apareceu na escola de verão da JSD - um estabelecimento escolar que deveria ser inspecionado, já que dali pode surgir mais um futuro primeiro-ministro - e estava mais satisfeito do que nunca. Enquanto os restantes ministro envelhecem, Relvas parece cada vez mais jovem. Ele transborda vitalidade e alegria.

Ainda antes de Fernando Seara se apresentar como candidato à Câmara Municipal de Lisboa, já Relvas anunciava que contava com o seu voto. Começar com um patrocínio deste calibre não augura nada de bom para Seara, que já contaria com uma campanha muito difícil. Mas, ainda assim, Relvas tornou o seu apoio público. Devemos concluir que acha que o seu apoio vale, para fora do PSD, alguma coisa. Que ignora que a generalidade dos portugueses não o respeita.

A aparente inconsciência de Relvas sobre a forma como o País o vê faz-nos pensar que vive alheado da realidade. E que é essa jovial inconsciência a fonte da sua vitalidade. Acho que é um engano. Relvas é um político de outra natureza. Não é que a opinião que os outros têm dele lhe seja indiferente. Se fosse, não tinha feito tudo, menos estudar, para ter um canudo. Só que a opinião que lhe interessa não é a nossa.

Miguel Relvas é um fraco demagogo. O seu estilo populista passa mal. Mas, nos corredores, é um político hábil. As privatizações, o seu verdadeiro desígnio, lá se vão fazendo. Na realidade, devemos chamar-lhes doações. A TAP renderá vinte milhões, que mal dão para um pequeno trouço de autoestrada. Metade da RTP, gerida totalmente por privados e financiada pelas taxas pagas pelos cidadãos, deverá render menos que isso. Mas conseguirá fazê-las. Na televisão e rádios públicas e até em alguma comunicação privada está a conseguir fazer uma limpeza nunca vista. Quem se mete com Relvas leva.

A forma descarada como tudo isto se faz diz-nos que Relvas não se preocupa especialmente com a sua imagem pública. Um político tão hábil não pode estar assim tão divorciado da realidade. Também não me parece que o mova a riqueza pessoal. Nesta altura, faria, com a boa agenda que tem no PSD, melhores negócios estando fora do governo.

Miguel Relvas é um arrivista. É essa a sua história. É isso que explica quase todas as decisões que tomou no passado e toma no presente. A sua ascensão social não depende exclusivamente ou especialmente da sua conta bancária. E muito menos da sua popularidade. Depende da sua aceitação no meio a que sonha pertencer. Um meio que, em Portugal, não é especialmente exigente. Nem do ponto vista cultural - e Relvas cumpre os mínimos, próximos do zero, que a nossa elite económica exige aos recém-chegados -, nem do ponto de vista ético. Apenas exige que se tenha uma licenciatura para que não se tenha de usar o título de "senhor", quem noutros lugares é um elogio e por cá é um insulto. E, acima de tudo, que se tenha poder. Não respeita pilha-galinhas e sucateiros. Mas respeita quem lhe dê acesso direto à mama estatal. E Relvas tem a chave do cofre e ligação direta aos grandes empresários deste País.

Pedro Passos Coelho é um deslumbrado. Deslumbra-se com a alta roda do poder europeu. Com o brilho dos círculos restritos do poder. Com as ideias da moda e os académicos que as vendem a retalho. Relvas, que é mais dotado de senso comum do que os fanáticos que lhe fazem companhia no governo, sabe onde realmente está o poder que conta. É no meio dele que vai buscar a sua energia. Não a disfarça com leituras apressadas de sebentas ideológicas para iniciados. Nem essas fez. Quer ser um entre os que realmente mandam neste País. E vai ser.

Todos os políticos têm de ser um pouco vaidosos. Ninguém aguenta a visibilidade e o escrutínio público desta função se não o for. Há uns que querem ser lembrados pelo seu povo. A outros basta saber que um dia foram importantes. Homens como Relvas preferem ser respeitados pelos poderosos. Viverem no meio deles. Não são os mais perigosos. Predestinados como Vítor Gaspar assustam-me muito mais. Mas, de rédea solta, saem bem caros a um País.

chuva ácida? isso dá dinheiro?