orai, senhores!

Deixem-me ver se consigo dizer isto de uma forma elegante: os bancos e os seus banqueiros conduziram o mundo ao desastre financeiro. Jogaram o dinheiro dos seus depositantes como se estivessem num gigantesco casino. Perderam na roleta russa, mas as cabeças que rolam estão a ser as nossas.

Depois do seu colapso, foi o que se viu. Uma crise que atravessou o Atlântico e que está a pôr a Europa em pé de guerra. Veio a austeridade, o empobrecimento, e as maiores vítimas estão a ser os países que eles chamam de periféricos. Como Portugal.

Coelho e o seu governo, que mesmo sem crise sempre quiseram fazer o que estão a fazer - transformar Portugal num imenso campo de concentração de mão-de-obra barata para gáudio e fortuna dos seus amos e senhores -, desculpam-se com Sócrates e prosseguem o seu plano sem que a mão lhes trema, o coração lhes estremeça, a consciência lhes pese. Foi Sócrates que assinou com a troika, dizem, como se não tivessem estado envolvidos nas negociações. Foi Sócrates que atirou o país para a bancarrota, como se agora estivessem a fazer melhor. Foi Sócrates quem gastou demais, como se agora não estivessem a desviar milhões para tudo, menos para o bem nacional.

Para salvar os bancos e os mais ricos de todos, atiçam-se contra nós. Saqueiam-nos até ao último cêntimo. Sufocam-nos em obrigações fiscais. Tratam-nos como cidadãos de quinta categoria, os novos escravos deste século XXI de começo tão trágico.

Eles têm um único Deus: o dinheiro. Os seus sacerdotes são os banqueiros. As suas catedrais, as grandes sedes dos maiores bancos mundiais. Para onde sonham entrar um dia, na qualidade de sacerdotes e numa missão que é mais do que histórica, é divina. Paz às suas almas, porque na Terra não terão descanso. O dinheiro não lhes trará a felicidade. Os seus crimes não terão perdão.







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