27/06/15

pára ou o povo dispara!

Por entre portões e portinholas, porque o tempo é já de feiras e romarias, Portas vem dizer que o investimento em Portugal disparou. Dispara disparates como quem evacua em dia de intoxicação alimentar. É especial. É o number one. Perdão. Two. Não se aguenta mais. É que já não se aguenta mais. Será muito pedir-lhe que arrede?

a europa que nos envergonha

Por Pacheco Pereira
http://www.publico.pt/

Bater nos gregos tornou-se uma espécie de desporto nacional. Tem várias versões, uma é bater no Syriza, outra é bater nos gregos propriamente ditos e na Grécia como país. As duas coisas estão relacionadas, bate-se na Grécia porque o Syriza resultou num incómodo e, mesmo que o Syriza morda o pó das suas propostas, – que é o objectivo disto tudo, – o mal-estar que existe na Europa é uma pedra no orgulhoso caminho imperial do Partido Popular Europeu, partido de Merkel, Passos e Rajoy e nos socialistas colaboracionistas que são quase todos que os acolitam. É isto a que hoje se chama “Europa”.

Se não fosse sinal de coisas mais profundas, e péssimas, seria um pouco ridículo que nós portugueses nos arrogássemos agora o direito moral de bater nos gregos. Somos mesmo um belo exemplo! Ah! Fizemos o “trabalho de casa” e isso dá-nos a autoridade moral, “sacrificamo-nos” para ter agora esta gloriosa “recuperação” e os gregos não, Passos Coelho dixit. Para além de estar certamente a falar para a Nova Democracia e para o Pasok e não para o Syriza, o balanço do “ajustamento” grego foi devastador para a economia e para a sociedade. Porquê? Nem uma palavra. Ninguém fala da “herança” do Syriza, recebida em princípios de 2015, das mãos de dois partidos da aliança dos “ajustadores”, a Nova Democracia irmã da CDU, do PP espanhol e do PSD e do CDS português, que governou a Grécia com a eficácia que conhecemos e pelo PASOK, irmão do PS, que a co-governou. Eram esses que a “Europa” queria que ganhassem as eleições.

Só que os gregos “não fizeram o trabalho de casa”… e por isso tem que ser punidos. Caia o Syriza na lama, e venha um qualquer outro governo dos amigos e ver-se-á como muita coisa que é negada ao Syriza será dada de bandeja ao senhor Samaras e os seus aliados. O problema não é o pagamento aos credores, não é a “violação das regras europeias” (quais?), não é uma esforçada dedicação pela “recuperação” da Grécia, é apenas e só político: não há alternativa, não pode haver alternativa, ninguém permitirá nesta “Europa” nenhuma alternativa que confronte o poder dos partidos do PPE e seus gnomos de serviço socialista, porque isso fragiliza aquilo que para eles é a Europa.

A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo. A julgar por esses critérios muitos países da Europa não são Estados, a começar pelo “estado espanhol” aqui ao lado e a acabar nalgumas construções de engenharia política ficcional que a Europa ajudou a criar nos Balcãs, seja o Kosovo, seja mesmo a bizarra FYROM. É evidente que a Grécia não é a Alemanha, mas Portugal também não é. A Grécia não é a França, mas vá-se à Córsega perguntar pela França, ou mesmo às zonas dialectais do alemão na Alsácia. Ou então a esses territórios muito especiais da União Europeia, sim da União Europeia, que são por exemplo a Reunião e Guadalupe, “departamentos franceses do ultramar”.

A Grécia é a Grécia, muito mais parecida com Portugal naquilo é negativo que os que hoje lhe deitam pedras escondem, e bastante menos parecida com Portugal, numa consciência nacional da soberania, que perdemos de todo. No dia da vitória do Syriza, o que mais me alegrou, sim alegrou, como penso aconteceu a muita gente, à esquerda e à direita, não foi que muitos gregos tenham votado num “partido radical” ou num programa radical, ou o destino do Syriza, mas sim o facto de que votaram pela dignidade do seu pais, num desafio a esta “Europa” que agora os quer punir pelo arrojo e insolência. Escrevi na altura e reafirmo que mais importante do que a motivação de acabar com a austeridade, foi o sentimento de que a Grécia não podia ser governada por uma espécie de tecnocratas a actuar como “cobradores de fraque” em nome da Alemanha. Por isso, mais grave do que o esmagamento do Syriza, que a actual “Europa” pode fazer como se vê, é o sinal muito preocupante para todos os que querem viver num país livre e independente em que o voto para o parlamento ainda significa alguma coisa. Nisso, os gregos deram uma enorme lição aos nossos colaboracionistas de serviço, que andam de bandeirinha na lapela.

Voltemos ao não-pais. A Grécia é um país muito mais consistente na sua história recente do que muitos países europeus, principalmente do Centro e Leste da Europa. Tem dois factores fortíssimos de identidade nacional, a religião ortodoxa e a recusa do “turco”. E foi “feita” por eles. Vão perguntar ao fantasma de Hitler o que ele disse da Grécia quando a invadiu e não disse de nenhum outro país e vão perguntar aos ingleses que apoiaram os resistentes gregos, duros, ferozes e muitos deles, como em Creta, “bandidos da montanha”. Sem Estado.

sai carne humana para a quarta repartição!



Nem tudo é sofrimento e dor cá pelo rincão. Ainda há coisas que nos fazem rir, os discursos de Cavaco, os desmentidos de Passos, as marialvices de Portas, os arremedos de Teixeira da Cruz, o regresso de Relvas, os processos de Miguel Macedo e de Marco António Costa. E o fisco. Os fiscais do fisco fazem penhoras, de casas, de carros, de qualquer bem ou, como se vai ler já, já a seguir, de qualquer coisa que mexa. É notícia agora que acabaram de exigir para penhora, a uma empresa de Lisboa, a devolução de uma refeição servida há quatro meses e constituída por gambas panadas com molho de laranja à parte, salada verde, bacalhau com espinafres gratinado, cheesecake com coulis de frutos vermelhos, pãezinhos e, ria-se com a incontinência que o momento impõe, o empregado do serviço de catering que procedeu à entrega. Isso mesmo: o fisco reclama que tudo o que ia na carrinha de serviço, empregado incluído, é-lhe agora pertença, confiscado, penhorado, numa inquietante transumância de carne humana que nos deverá deixar de cabelos em pé, pior do que isto só em filmes de terror de terceiríssima categoria (o que condiz com a excelência do organismo em questão).

A empresa terá que informar a Autoridade Tributária e Aduaneira acerca da “eventual inexistência, total ou parcial, dos bens penhorados” no prazo de cinco dias úteis. Caso não tenham comido o empregado, é o único que poderão devolver às finanças para posterior leilão. Mas cuidado que nem só de fisco sofremos nós. A Segurança Social não age de forma diferente. É assalto atrás de assalto, todos os dias e instantes. Não à mão armada, ainda não, mas armados em impiedosos cobradores do pouco que resta para arrestar. É o salve-se quem puder, das finanças públicas, de Ricardo Salgado, de Dias Loureiro, do estadão de um Estado falido de moral. Salve-se tudo menos o povo. Cobre-se. Penhore-se. Mate-se e esfole-se. Trafique-se carne humana. 

Não chore. Ria. Quanto mais não seja por um dia. Faça de conta que hoje é Carnaval. Palhaços já temos.

tudo boa gente, enfim

Agora é a vez de Miguel Macedo estar sob a alçada da Justiça. Mesmo assim, e estando Sócrates na prisão, do lado do PSD ainda estão a ganhar. E para as bandas do Caldas, caladinhos que nem ratos, lá vão saltitando de caneiro em caneiro sem se molharem. Não querem lá ver que andam a viajar de submarino, devidamente protegidos da imundície que lhes ameaça cair em cima?

Daniel Rocha/http://www.publico.pt/

atenas no centro do mundo

O discurso, notável, de Alexis Tsipras ontem à noite ao povo grego:

Compatriotas,

Durante estes seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado, a 25 de Janeiro, por vós.

O mandato que negociávamos com os nossos parceiros visava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.

Era um mandato com vista a um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia, quer as regras europeias comuns e que conduzisse à saída definitiva da crise.

Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Apesar disso, nem por um momento pensámos em render-nos. Isso seria trair a vossa confiança.

Após cinco meses de duras negociações, os nossos parceiros, infelizmente, lançaram, na reunião do Eurogrupo de anteontem, um ultimato à democracia grega e ao povo grego.

Um ultimato que é contrário aos princípios e valores fundamentais da Europa, os valores do nosso projecto comum europeu.

Pediram ao governo grego que aceitasse uma proposta que representa um novo fardo insustentável e boicota a recuperação da economia e da sociedade grega, uma proposta que não só perpetua a instabilidade, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.

A proposta das instituições inclui: medidas conducentes a uma maior desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções adicionais aos salários do sector público e um aumento do IVA sobre os alimentos, a restauração e o turismo, enquanto elimina alguns benefícios fiscais das ilhas gregas.

Estas propostas violam directamente os direitos sociais e fundamentais europeus: elas são reveladoras de que, no que diz respeito ao trabalho, à igualdade e à dignidade, o objectivo de alguns dos parceiros e instituições não é um acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação do povo grego.

Estas propostas manifestam, sobretudo, a insistência do FMI na austeridade severa e punitiva e tornam mais oportuna do que nunca a necessidade de que as principais potências europeias aproveitem a oportunidade e tomem as iniciativas que permitirão o fim definitivo da crise da dívida soberana grega, uma crise que afecta outros países europeus e ameaça o futuro da integração europeia.

Compatriotas,

Pesa, agora, sobre os nossos ombros uma responsabilidade histórica face às lutas e sacrifícios do povo grego para a consolidação da democracia e da soberania nacional. A nossa responsabilidade para com o futuro do nosso país.

E essa responsabilidade obriga-nos a responder a um ultimato com base na vontade soberana do povo grego.

Há pouco, na reunião do Conselho de Ministros, sugeri a organização de um referendo, para que o povo grego decida de forma soberana.

A sugestão foi aceite por unanimidade.

Amanhã, será convocada uma reunião de urgência no Parlamento para ratificar a proposta do Conselho de Ministros de um referendo a realizar no próximo domingo, 5 de Julho, sobre a aceitação ou rejeição das propostas das instituições.

Já informei desta minha decisão o presidente francês e a chanceler alemã, o presidente do BCE, e amanhã farei seguir, por carta, um pedido formal, aos líderes e às instituições da UE, para que prolonguem por alguns dias o programa actual, para que o povo grego possa decidir, livre de qualquer pressão e chantagem, como é exigido pela Constituição do nosso país e pela tradição democrática da Europa.

Compatriotas,

À chantagem do ultimato que nos pede para aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de recuperação social e económica, peço-vos para responderem de forma soberana e orgulhosa, como a história do povo grego exige. Ao autoritarismo e à dura austeridade, responderemos com democracia, calmamente e de forma decisiva. A Grécia, o berço da democracia, irá enviar uma retumbante resposta democrática à Europa e ao mundo.

Estou pessoalmente empenhado em respeitar o resultado da vossa escolha democrática, qualquer que ele seja. E estou absolutamente confiante de que a vossa escolha honrará a história do nosso país e enviará uma mensagem de dignidade ao mundo.

Nestes momentos críticos, todos temos de ter em mente que a Europa é a casa comum dos povos. Na Europa, não há proprietários nem convidados. A Grécia é e continuará a ser uma parte integrante da Europa e a Europa é uma parte integrante da Grécia. Mas, sem democracia, a Europa será uma Europa sem identidade e sem rumo.

Convido-vos a demonstrar unidade nacional e calma para que sejam tomadas as decisões certas.
Por nós, pelas gerações futuras, pela história do povo grego. Pela soberania e a dignidade de nosso povo.

Atenas, 27 de Junho, 1h00.

Tradução de Isabel Atalaia para http://aventar.eu/

crimes contra a democracia e a humanidade


Agora totalmente às claras, Merkel e apaniguados querem fazer cair o governo grego. Já se ouvem zunzuns de que até têm na manga o sucessor de Tsipras, o presidente do banco central grego, afecto à Nova Democracia de que Merkel e apaniguados tanto gostam, obedientes e mansos como cordeiros a caminho do altar dos sacrifícios. O que se tem passado é um escândalo, uma abjecção, um colossal escarro na democracia, sem querer imitar o Gaspar de triste memória. É uma tentativa de golpe de Estado, uma ingerência nos destinos de uma nação milenar. Como resposta, Tsipras, a quem tiro o chapéu, propôs levar a cabo um referendo para que o povo diga se aceita ou não as condições dos credores, na prática mais austeridade que resultará em mais pobreza e mais definhamento da economia.

Os apaniguados, esses, fecham os olhos ou acenam com as cabeças a dizer que sim a Merkel. Tal como o fizeram outros da mesma laia até que Hitler invadiu a Polónia. E não é preciso ter dons de adivinho para perceber que serão a Rússia e os Estados Unidos, cada um para seu lado, que virão arrumar a casa mais uma vez. Com guerra ou sem ela. 

Merkel que se cuide. Tem os dias contados.

26/06/15

"por favor, matem angela merkel"

Foi num desfile de moda e o modelo, não o sendo de virtudes pois não se pede a morte de alguém de tão excelsas qualidades, sê-lo-á de indignação, se acreditarmos que o que escreveu é sentido e não um golpe publicitário de gosto duvidoso. O designer para quem o modelo desfilou diz que não teve nada a ver com isso, que até o esmurrou quando este saiu da passerelle. A moda não combina com política. E a política não combina com Merkel que devia estar era a aviar cervejolas num biergarten de Munique. Já ninguém lhe desejava que esticasse o bem fornido pernil. 

Seja como for, de uma maneira ou de outra, seria bom pôr-lhe um fim na apoteótica carreira, à Merkel e não ao modelo, um modelo a seguir. Antes que seja tarde e a guerra passe do dinheiro às balas. Já faltou mais.

EPA/GUILLAUME HORCAJUELO

EPA/GUILLAUME HORCAJUELO

o aborto está de volta


Sempre que vejo Isilda Pegado na televisão, tremo. Dali não vem coisa boa. Nunca. Lá voltou ela desde há dias, gaiteira e pura como a mais pura das lãs e das mais virgens que pode haver, a perorar sobre o aborto, ou melhor, sobre o direito à vida, mesmo que seja uma vida trágica, de maus tratos e privações. Ao que parece, os deputados da maioria vão fazer-lhe a vontade, que a Pegado não está habituada a perder. Entre outras alterações à lei actual, querem que se faça uma ecografia ao embrião e que se obrigue a mulher a vê-lo, na presença de um médico, e a assinar a película. Asqueroso? É dizer pouco. Que esta maioria passe a minoria minoríssima por muitos e largos anos. Pegados à Pegado, aos falsos moralistas, aos abjectos seguidores de uma seita que é tudo menos cristã, aos pios arautos do anti-aborto, tantos que já o terão praticado ou aceitado de cara alegre porque a honra está primeiro e agora já não há roda  nem tecedeiras-de-anjos para salvar as aparências. Putas na cama, senhoras à mesa, mulheres de grandes causas por ruas de má fama, de São Bento a São Caetano à Lapa.

o mordomo de madame la bosche


Não, não é Passos, esse é apenas um lacaio subalterno, dos que entram pela porta dos fundos, comem na copa, não passam da cozinha a não ser para limpar as retretes, engraxar os sapatos, despejar o penico com os despojos da augusta imperatriz da Europa. Hollande é que é. Mordomo de cerviz recurva. Aquele que, em campanha eleitoral e com voz grossa, prometeu combater a austeridade, ajudar os países periféricos a sair da crise, criar alternativas aos sacrossantos mandamentos da gloriosa Deutsche Uber Alles. Vê-se. Se Merkel diz mata, o mordomo diz esfola. Se ela diz assim, ele pergunta "porque não assado?". Sabujo, molenga, pusilânime, enganou milhões de franceses e é a alegria de outros tantos. Marine está encantada. Ângela está derretida. Sarkozy começa a sair da botinha onde se acoitou faz anos, o pequenino ser esganiça-se, estica-se, está quase no poleiro outra vez. François é um connard, um conas com cê dos grandes, mas é presidente de França, a pátria da igualdade, fraternidade e liberdade. Vê-se. Viu-se. Ele, e tantos outros que se dizem socialistas vá-se lá saber porquê, são os serviçais des grands seigneurs, criados para todo o serviço, lambe-cus, lambe-botas, lambe-o-que-preciso-for para assegurar um lugar no monturo. 

Lavem-se os penicos. Desinfectem-se as sanitas. A Frau vai cagar sentenças. De morte.

aqui há galo!

Telefonista ... de corpo inteiro? E será paga à hora? Com servicinho completo? Não eram só precisos voz e neurónios para exercer a profissão?

és mesmo pândega, querida!

Reuters

passos coelho no seu pior

Prometeu. Não cumpriu. Mentiu. Até quando vamos ter que levar com ele? Vamos ser sujeitos a ataques constantes à nossa inteligência, bolsa, vida? 

mural de atenas

YANNIS BEHRAKIS / REUTERS

a história recente de portugal contada às criancinhas

O governo não pretende poupar 600 milhões em pensões, a reforma da Segurança Social é que vai ter um efeito positivo de 600 milhões. O governo não aumentou o IVA, apenas o ajustou para 23%. O governo não aconselhou ninguém a emigrar, mandou foi os jovens fazer longos interrails pela estranja. O governo não roubou salários nem pensões, pôs esse dinheiro a salvo de um povo gastador e madraço. O governo não facilitou despedimentos nem reduziu indemnizações, antes facilitou a mobilidade social para baixo. O governo não mente, os portugueses, ignorantes, é que desconhecem a realidade, deturpam a verdade, criam mitos urbanos e suburbanos. Especialmente suburbanos. De quem nunca saiu de Massamá, de Santo Amaro de Oeiras, de Vale de Nogueiras, de Silva Porto ou de uma sarjeta qualquer.

25/06/15

"não aumentámos o IVA ... passámos foi o IVA da electricidade de 6% para 23.5%”

Mente tão completamente que já não sente que mente. E os portugueses vão engoli-los, uns as mentiras, outros os sapos da reeleição anunciada. Não admira. Em tempo de guerra, não se usam armas limpas. Nunca a sujeira subiu tão alto. E a lixeira cresceu tanto. A partir de agora, vale tudo. A mentira será conto para crianças se comparada com o que vem por aí.


a venda da rapariga

Ontem foi dia de gala não sei onde, devia ser no salão nobre do ministério das Finanças. Ou da Economia. Os papás estavam lá. Albuquerque sorria, enlevada. Lima, de taxa arreganhada também, até esqueceu as taxas e taxinhas e as bejecas de que já foi rei. Babados, ofereceram a sua menina gastadora aos novos pais que, de olhos húmidos tanta era a comoção, prometeram tratá-la bem, adoptiva mas tão amada como os outros filhos desde que comece a render cedo, a contribuir para o pecúlio da família. Prometeram-lhe roupas novas, mesada, comida a rodos. A menina está em boas mãos. Vai voar alto. Vai voar longe. Ser alguém na vida. Dar aos novos país o lucro que nunca deu aos velhos, a Albuquerque & Lima, Sociedade Anónima de Irresponsabilidade Ilimitada. Porque, ou muito me engano, ou a família de acolhimento vai estrafegar a criança. E não será com mimos. Vai pô-la a render e abandoná-la quando já for só sucata. Nessa altura, voltaremos a acolher a menina. E a pagar-lhe os tratamentos, a aliviá-la dos traumas de uma venda espúria.


a bicha cagou-se?


Quem me acaba o resto? Venha ver freguesa!

Venha ver esta tape, olhe-me cá para esta posta, freguesa, mais fresquinha não pode haver! Está a cheirar para quê? A bicha cagou-se? Se não quer comprar, desampare-me a loja que só estorva, tenho mais quem queira. 

Quem me acaba o resto? Venha ver freguesa!

Olhe que daqui só sai coisa de categoria! Ainda há dias vendi a pêtê, a édêpê, era um gosto vê-las, vão engordar uns quantos, por mais gulosos que sejam e tinham cara disso os maganões.

Quem me acaba o resto? Venha ver freguesa!

Também tenho metro, carris, tudo do bom e do melhor. Compre, freguesa, compre. Compre que ainda hoje tenho que ir à lota arrematar mais mercadoria. 

Quem me acaba o resto? Venha ver freguesa que já só me falta despachar estes tugas. Está barato! Está barato!

24/06/15

cartier(istas)

Sabe para que servem aquelas lojas de luxo da avenida da Liberdade, esta cada vez mais atrofiada e a via cada vez mais próspera? Claro que sabe a resposta: para si não são, mas para os angolanos e chineses andarem por cá às compras, coisas simples, jóias singelas, sapatos de 1000 euros para cima.

Aposto é que não sabe para que servem os bancos de jardim instalados na avenida. Para os transeuntes abonados descansarem? Errado. Servem para os carteiristas se sentarem e esperarem que a rica-clientela-rica saia das lojas, cheia de sacos, atrapalhada, afobada de tanto provar, tanto cheirar, tanto experimentar. E, esmoleres criaturas que são, os carteiristas e não os chineses ou angolanos, aliviam-nos logo ali das carteiras e malas, pesadas de tantos euros, tantos cartões de crédito e, quiçá?, de tantas jóias que, por precaução, lá se esconderam.

Somos ou não somos empreendedores? Com 100 anos de perdão, ainda por cima.

um marco da política nacional

Com o ar compungindo de virgem acabada de desflorar, Marco António Costa veio hoje queixar-se do epíteto de "mentirosos" com que o PS tem, ultimamente, fustigado o seu chefe e os do seu bando. Bandalheira, queixou-se ele. Bandalhos, chamará ele aos jornalistas da Visão que, na edição de amanhã, trás uma reportagem sobre a forma como o Marco enriqueceu desde que entrou na política.

Marco está sob investigação do Ministério Público mas, como não é do PS nem se chama Sócrates, aposto que tudo vai ficar em águas de bacalhau. Tal como o BPN, os submarinos, a Tecnoforma e o mais que a gente nunca chegará a saber.

Impolutos? Inimputáveis? Inocentes? Indigente pátria que tais rebentos pariu.


os mansos

Por Carlos de Matos Gomes
http://aviagemdosargonautas.net/

Estes dias, em que assistimos à luta dos dirigentes da Grécia de dentes cerrados contra a humilhação, em que vemos um povo a lutar e a resistir, são maus dias para pensarmos em nós, para nos revermos nos dirigentes políticos portugueses, para estabelecermos comparações entre povos. Que raio de gente somos nós?

Na revista Sábado de 18 de junho, Nuno Rogeiro, um dos exemplares mais solicitado dos topa a tudo para a cultura geral, um dos característicos da comunicação social que mais sabe de coisa nenhuma, transmitia aos leitores que iria falar sobre a “identidade” portuguesa ao grupo de 24 mulheres embaixadoras em Lisboa, o que era, nas suas palavras «Tarefa difícil. Dizer o que somos, de onde vimos, para onde vamos é uma responsabilidade.»

Responsabilidade pode ser. Difícil não é. O hino começa assim: Heróis do mar… o triste é que em terra somos mansos, como confirma uma recente sondagem às intenções de voto que dá a vitória à actual maioria. Também somos um povo de profundamente religioso e ser manso é uma virtude bíblica, além de ser uma vantagem: Mateus 5:5 «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.» Além da bem-aventurança, o evangelista promete um prémio pela mansidão e os portugueses adoram prémios, rifas e promoções. Faz parte da nossa identidade.

Que é ser manso? Segundo dicionário é ser brando de génio, pacífico de índole. Tranquilo, plácido, sossegado. Domesticado, amansado. Também há quem há quem associe manso a fraco, ou covarde. A fazer fé na dita sondagem sobre as intenções de voto, para os portugueses ser manso é ser crente naquilo que lhes convém: a garantia de que herdarão a terra se forem mansos. Para quê então lutar?
A nossa mansidão até digeriu o mito do sebastianismo, tanta vez invocado como elemento matricial da nossa identidade. Ao contrário da voz corrente, o sebastianismo não é a espera de um redentor de humilhações, nem de um chefe que nos conduza nas batalhas, isso seria se o D. Sebastião fosse grego! O nosso mito do sebastianismo tem a sua raiz no sonho da vinda de um tio rico que nos deixe uma herança e que nos permita viver sem ter de lutar. Nuno Rogeiro bem poderia garantir às senhoras embaixadoras que somos identitariamente mais sobrinhos do que guerreiros, porque se limitava a transcrever a doutrina oficial pregada pelo presidente da República e pelo primeiro-ministro. Atualmente somos sobrinhos da senhora Merkel e do senhor Schauble, do senhor Draghi, de madame Lagarde… tios e tias que nos fazem festas na cabeça enquanto nos tratam a pão e água, porque a magreza é uma virtude e estávamos muito gordos.

Voando a 10 mil metros de altura, na última viagem presidencial, Cavaco Silva mandou dos céus umas bênçãos aos mansos portugueses. Segundo os jornais «voltou a vincar as diferenças entre Portugal e a Grécia, considerando que os portugueses compreendem bem essa diferença e reconhecem que os dois países seguiram caminhos diferentes na implementação dos programas de ajustamentos, razão porque a situação nos planos económico, social e financeiro são agora bastante diferentes.» Os mansos colheram o fruto da sua mansidão.

Já contra os belicosos gregos saíram da boca do supremo magistrado da mansa nação portuguesa alguns raios: «O governo grego foi aprendendo que a realidade é diferente dos sonhos e das promessas que são feitas em campanha eleitoral. E, de alguma forma, foi-se adaptando», referiu, notando que a situação social na Grécia é agora muito pior do que era antes do actual executivo tomar posse. Deixou ainda críticas à forma como o governo grego tem gerido as negociações com os credores, lamentando «as declarações bastante agressivas» que foram feitas às instituições da “troika”. Pois claro, nada de ofensas à “troika”, têm de pagar por essas ousadias.

Tal como Cavaco Silva, o primeiro-ministro também se apresentou durante esta crise com a capa da servidão perante o rebanho dos portugueses e zurziu nos recalcitrantes gregos: «algumas das medidas do Syriza são difíceis de ser conciliadas com aquilo que são as regras europeias.» Apelidou de «conto de crianças» a ideia de que «é possível que um país, por exemplo, não queira assumir os seus compromissos, não pagar as suas dívidas, querer aumentar os salários, baixar os impostos e ainda garantir o financiamento sem contrapartidas.»

Passos Coelho não se revê no poema de Pablo Neruda, que resume a atitude dos políticos gregos que se batem em Bruxelas desde que foram eleitos: É proibido não rir dos problemas / Não lutar pelo que se quer /Abandonar tudo por medo/ Não transformar sonhos em realidade/Ter medo da vida e dos seus compromissos/ Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

Quer o carrancudo presidente português, quer o alacre primeiro-ministro estão mais próximos do tipo de gente que Aristóteles execrou há dois mil e quatrocentos anos: cobardes são os que evitam e temem tudo, que não enfrentam coisa alguma.

Nuno Rogeiro poderia apresentar Cavaco Silva e Passos Coelho como exemplo do que somos no chá-palestra às embaixadoras. Afinal não é tarefa difícil. São mansos que andam a tratar da sua vida. A alguns portugueses causam vergonha, mas há muitos, segundo li, que ficaram felizes por esses envergonhados serem uma minoria.

comente quem quiser, que eu já não tenho estômago para tanto

Governo melhorou regras de subsídio de desemprego deixadas pelo PS, declarou Marco António Costa.

encruzilhada

Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

Algumas sondagens dão ‘empate técnico’, misteriosa frase, entre o PS e a Coligação. Não é de espantar, tendo em conta uma espécie de astenia criativa de António Costa e a presença constante em tudo o que é ‘evento’ de Passos, Portas e os seus. Além disso, o secretário-geral socialista tem de enfrentar a dissidência larvar no seu partido. Passados os primeiros momentos de euforia, a água deixou de fazer círculos, e as posições aclararam-se mais, embora sejam, ainda, um pouco difusas. E avantaja-se o facto de ser somente António Costa o orador de todas as circunstâncias, numa demonstração de isolamento que lhe é necessariamente prejudicial. As sondagens valem o que valem, dizem os incautos. E o exemplo do Reino Unido é apresentado como prova. Mas as sondagens sempre valem alguma coisa. Por outro lado, a voz e o gesto de Passos Coelho modificaram-se, tornando-se amenos, enquanto Portas é um sorriso encantador, e um pouco mais tolo. Que salvação ou indulgência pode haver para esta gente que, em nome de uma ideologia malsã, coloca um povo na miséria e arrasta-o para um infortúnio sem nome? Nem levemente me atrevo admitir a vitória da Direita, que não passa de pião das nicas de uma estratégia mais vasta e mais imunda, como se tem visto na questão grega. E que pensar da besuntice presunçosa do governo português, ante o que toda a gente já percebeu ser uma política de vexame a um povo decente e digno, com uma longa história de resistência e de combate? Que pensar? Passos e os seus conseguiram fazer, através de situações de confronto e de medo, com que estejamos cheios de desconfiança uns dos outros. E o mesmo se passa nos escombros de uma Europa pretensamente unida que se agatanha como contendores sem remédio. Nada de bom pode advir de um Governo que propôs o empobrecimento como único meio de equilibrar as finanças e que transformou a mentira numa disciplina natural. Os avisos e os alertas dos perigos que nos ameaçam são constantes, e quem é dissidente paga a bom preço a coragem de ter opinião. No caso de as sondagens corresponderem, minimamente que seja, a uma tendência real de comportamento, então talvez seja melhor fechar a loja e mudar de povo.

FMI recusa acordo com a grécia

É a notícia de última hora. Lagarde, o Gasparzinho agora fantasma, os mangas-de-alpaca, os guardiões do capital, os carrascos dos países pobres, recusam-se a chegar a acordo com a Grécia, apesar de todas as cedências, da cedência da própria dignidade de todo um povo. Os senhores do FMI, mais os alemães, mais os guardas prisionais em Portugal, querem guerra. Vão tê-la. E as vítimas seremos também nós, os que não votámos neles, que os abominamos, que queremos ver a sua política morta e enterrada. Com eles, se não for pedir muito à sorte, aos astros, ao destino.


no pasto não havia só relvas


Os doutores deixaram de ser doutores. Passam a simples senhores e, a alguns, até esse epíteto fica mal, estou-me a lembrar de um que já foi ministro-não-sei-de-quê. A Universidade Lusófona, a tal que alcandorou Relvas a doutor da mula russa, foi obrigada a exigir os diplomas de volta a 105 "graduados" na instituição.

E o burro sou eu que, de universidades, não tenho faculdades?

o esgoto esgotou, a merda transbordou

Parece que a mulher de Tsipras o quer abandonar por ele ter cedido aos credores. Quem o diz é a Sábado mas não se sabe como a Sábado sabe. Diz que foi Tsipras que confidenciou com Hollande. E Hollande bufou para quem? Aqui está algo que urge tirar a limpo. Esta sim é uma notícia. A Europa a derrocar, os gregos a mendigar, os portugueses a ajoelhar, todos a orar, não são notícia, são rotina. A cloaca já encheu há muito. As águas fétidas já escorrem ao ar livre, de livre vontade. Tapemos o nariz, enquanto outros baixam as calças e dão o corpo ao manifesto. E viva Tsipras, a mulher de Tsipras e as tripas dos povos esquartejados. Isto vai dar em sangue e numa Europa exangue. Agradeçamos a Merkel, ao seu coelhinho de estimação, a Hollande e à sua cobardia, a Lagarde e à sua cupidez. Aos povos e à sua estupidez. Porque não há nada mais idiota do que continuar a apostar num Coelho apodrecido, acto a merecer atestado de demência, internamento imediato.

23/06/15

no banco dos réus!

Numa espécie de Nuremberga, gostava de ver Merkel e quejandos, alguns portugueses também, estes traidores da sua Pátria e do seu povo, sentados no banco dos réus. Acusados de crimes contra a Humanidade. Ao longo dos últimos anos, semearam morte, dor, desemprego, fome, miséria da mais absoluta, desespero, desesperança. Pode ser que ainda venha a ter essa alegria. E desde já, aos réus, prometo: contem com cápsulas de cianeto à borla. Sou eu que pago.

Manifestação contra a Europa, 22 de Junho de 2015


hoje eles, amanhã nós!


pois, é fazer as contas


22/06/15

o banquete dos merdívoros

Chegou o Verão. Intervalo. É ir para a praia e esquecer a Grécia, a Ucrânia, os líbios e os mortos, todas as vítimas deste mundo moribundo. É esquecer Passos, Cavaco, Portas, as promessas e mentiras, os fananços aos sempre tansos. É esquecer os desempregados, os miseráveis, os deserdados da Pátria, os filhos que emigraram, os velhos que definham esquecidos. É esquecer os dianhos, os filhos de uma senhora mal comportada, a sarna, a diarreia, o vómito, o pus, a pústula, o pasto dos merdíveros. 

Bons banhos. A banhada segue dentro de momentos.

Sunnerberg Constantin/http://www.cartoonmovement.com/

então, seus artolas, que me dizem a isto?

Queriam um governo de esquerda num país da Europa, seus papalvos? Pois fiquem a saber, seus cretinos, que a Merkel não deixa, o Juncker ou Junker ou Junckers ou Junkers não deixa, o Draghi não deixa, a Lagarde não deixa e, sobretudo, Passos Coelho e Luís Albuquerque, mais papistas do que a papisa Ângela, não deixam. É preciso dobrar os gregos, vencê-los, chantageá-los, fazer deles um exemplo para os que ainda possam ter a veleidade de querer controlar os seus destinos, com arrobos de liberdade, justiça social, igualdade, lérias dessas. Idiotas! A austeridade veio para ficar. Os roubos nas pensões e nos salários são definitivos. O Estado Social é uma ideia cediça que urge implodir rapidamente e em força. Os países da periferia são excelentes reservas de mão-de-obra barata, há que domá-los como se fazia com os outros escravos, os de antigamente: chicote nos costados, uma malga de sopa, uma bucha, uma sardinha e viva o luxo! Nem pensem, seus lorpas, nem sonhem votar em comunistas ou pró-comunistas ou em qualquer outro grupelho da esquerdalhada que a Europa corta-vos as vazas e as asas se se põem com devaneios de amanhãs que cantam e de futuros melhores para os vossos filhos. Piegas! Quanto muito votem, enquanto podem votar, naqueles socialistas ou sociais-democratas ou lá o que é que andam por aí à volta do mesmo tacho por onde também nós enchemos a mula e acalentamos as enxúndias. Vá, seus borra-botas, façam o que vos mandam. Já não são, nunca foram nem nunca serão quem mais ordena. Aprendam. Submetam-se. Amouchem.


sufoco

A coligação PAF já está à frente do PS nas sondagens. Tristes Portugal e portugueses. Ai de nós. Resta-me o consolo de pensar que Salazar morreu, Franco também. Que nada é eterno. Que o fascismo, seja qual for o seu matiz, não sobrevive à indignação mesmo dos que o levaram ao poder.

Mas, para já, sufoco. Tristes Portugal e portugueses.


21/06/15

a cloaca acabou de encher


catarina, a grande!



Que não se pense pelo título que  venho aqui fazer propaganda ao BE. Quando o Coelho disser qualquer coisa de jeito, também lhe chamarei Pedro, o Grande!

Disse.

portugal em estado de choque

O país entrou em pânico. A terra tremeu, os rios transbordaram, os ventos sopraram numa fúria nunca antes vista. Oh tormento! Oh martírio! E tudo isto porque Francisco Assis, não o santo coitado mas o outro, o sujeito para lamentar, anunciou que não votará Sampaio da Nóvoa. Os portugueses ficaram assim a saber em quem não votar. Que ganhe o Rio do rabelo ou o Rebelo de banho no rio mas nunca, nunca por nunca ser, esse perigoso elemento da esquerda radical disfarçado de reitor universitário. É assim o PS, um partido pluralista, amplamente democrático, sobejamente liberal. Tanto acolhe no seu seio gente sincera da esquerda autêntica, poucos mas bons, como, em grande maioria, carreiristas, oportunistas, direitistas, direitinhas e direitíssimas criaturas que, se lá estão, é a fazer pela vidinha, que a vida custa a todos e os alhos estão pela hora da morte. Assis, o político e não o santo que este de santo não tem nada, já avisou: Nóvoa nunca! E o país acordou em sobressalto. O Chico falou. A terra tremeu. Os rios transbordaram. Os ventos uivaram. Portas e Passos agradecem embevecidos. Uma maioria, um governo, um presidente? Parece que sim, é para continuar.