27/06/15

sai carne humana para a quarta repartição!



Nem tudo é sofrimento e dor cá pelo rincão. Ainda há coisas que nos fazem rir, os discursos de Cavaco, os desmentidos de Passos, as marialvices de Portas, os arremedos de Teixeira da Cruz, o regresso de Relvas, os processos de Miguel Macedo e de Marco António Costa. E o fisco. Os fiscais do fisco fazem penhoras, de casas, de carros, de qualquer bem ou, como se vai ler já, já a seguir, de qualquer coisa que mexa. É notícia agora que acabaram de exigir para penhora, a uma empresa de Lisboa, a devolução de uma refeição servida há quatro meses e constituída por gambas panadas com molho de laranja à parte, salada verde, bacalhau com espinafres gratinado, cheesecake com coulis de frutos vermelhos, pãezinhos e, ria-se com a incontinência que o momento impõe, o empregado do serviço de catering que procedeu à entrega. Isso mesmo: o fisco reclama que tudo o que ia na carrinha de serviço, empregado incluído, é-lhe agora pertença, confiscado, penhorado, numa inquietante transumância de carne humana que nos deverá deixar de cabelos em pé, pior do que isto só em filmes de terror de terceiríssima categoria (o que condiz com a excelência do organismo em questão).

A empresa terá que informar a Autoridade Tributária e Aduaneira acerca da “eventual inexistência, total ou parcial, dos bens penhorados” no prazo de cinco dias úteis. Caso não tenham comido o empregado, é o único que poderão devolver às finanças para posterior leilão. Mas cuidado que nem só de fisco sofremos nós. A Segurança Social não age de forma diferente. É assalto atrás de assalto, todos os dias e instantes. Não à mão armada, ainda não, mas armados em impiedosos cobradores do pouco que resta para arrestar. É o salve-se quem puder, das finanças públicas, de Ricardo Salgado, de Dias Loureiro, do estadão de um Estado falido de moral. Salve-se tudo menos o povo. Cobre-se. Penhore-se. Mate-se e esfole-se. Trafique-se carne humana. 

Não chore. Ria. Quanto mais não seja por um dia. Faça de conta que hoje é Carnaval. Palhaços já temos.

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