10/01/15

a salsicha e o inconseguimento

Pedro e Assunção, a salsicha inconseguida e o inconseguimento ensalsichado, lá vão estar amanhã em Paris a marchar pelos boulevards de coração despedaçado, ou não fossem ele e ela almas portuguesas concerteza, piegas como poucos, de lágrima fácil e nobilíssimos sentimentos. Vão estar ao lado de Hollande, Merkel, Rajoy, Cameron, Junckers - e tantos outros responsáveis pelas mortes prematuras de doentes e idosos e pelos suicídios de gente desesperada - para prestar homenagem às vítimas do terrorismo. Também eles terroristas à sua maneira, civilizada e disciplinadora, Hollande, Merkel, Rajoy, Cameron, Junckers, Assunção, Pedro e outros altos dignitários da Europa comunitária, solidária e ordinária, ensalsichados avenida abaixo entre milhares de polícias vigilantes, fingirão apreço pelos cartoonistas de quem nunca gostaram, a sua irreverência e crítica acerada eram um incómodo de que agora se vêem livres.



08/01/15

charlie du monde






arquitecto saraiva, o pobre de espírito


Arquitecto Saraiva, o primeiro idiota do ano por leituras

milhões a voar



Caiu-nos mais uma surpresa nas sopinhas de cavalo-cansado do cada vez mais esquálido pequeno almoço: anuncia-nos a Visão desta semana que Portugal já gastou 120 milhões de euros em helicópteros que nunca virão a ser nossos, mas de quem os apanhar. 

Não há dinheiro, dizem-nos os arautos do capitalismo sem peias e da governança a meias entre Pedro e Paulo, os dois apóstolos apostados na desgraça que nos caiu na mona e na bolsa com a força de um terramoto. Há dinheiro, há. Há dinheiro para os bancos que vão à falência vai-se a ver por obra e graça do Espírito Santo, os submarinos que nos afundaram, os helicópteros que nunca voaram, o TGV que nunca apitou, os automóveis de estadão para os senhores do Estado em que isto está, as PPP's dos ex-ministros, compadres de ministros e confrades de ministros, os honorários dos riquíssimos advogados dos pareceres, dos teres e dos haveres com que se abotoam à tripa-forra, as vaidades dos governantes e a ganância de moinantes, tratantes e meliantes que enricam e nos depenam, há dinheiro para tudo, há, menos para o povoléu encalhado e farto de tanta marmelada que não pode nem lamber.

Isto já não vai lá. Nem à estalada.

liberdade

 

a língua viperina de marine le pen


Marine Le Pen tem boas razões para sorrir: os atentados de ontem em Paris deram-lhe ainda mais probabilidades de abocanhar a presidência.

Aproveitando o acontecimento a seu favor, Marine não perdeu tempo e vem hoje prometer que, se for eleita, reporá a pena de morte em França.

O mundo é um barril de pólvora pronto a explodir. Que não sejam os nativos da pátria da "liberdade, igualdade, fraternidade" a atear o rastilho.

05/01/15

bardamerkel!

A Merkel também veio a terreiro arriar a giga. Segundo o Der Spiegel, e a exemplo do FMI, também a Frau não gostou de saber que o Syriza está à frente nas sondagens, que pode vencer as próximas eleições gregas.

A megerosa, mistura de megera com merdosa, e não é insulto gratuito porque a mulher é mesmo isso sem tirar nem pôr, a megerosa, dizia, faz chantagem com os gregos dizendo-lhes que, se votarem livremente onde muito bem entenderem, o caldo está entornado e deixam de pertencer à zona euro.

Se fosse grego, votava de certeza absoluta no Syriza e estava-me a cagar para a megerosa, o FMI, a UE, os mercados e demais sevandijas e serventuários do capitalismo que mata. A dignidade de um povo, a independência de uma Nação valem mais do que o pedaço de pão que querem atirar aos gregos para que comam e calem, embuchem e não desenbuchem o que lhes vai na alma, porque na carteira já pouca ou nada resta.

Nos finais do século XIX, indignado com o ultimato britânico e a cobardia da nossa coroa, o povo português saiu à rua, em massa, para protestar contra a rainha Vitória e el-rei D. Carlos. Mais tarde, as greves e os tumultos sucederam-se durante a I República. Agora, talvez porque 48 anos de ditadura nos deixaram amansados, ficamos por casa refastelados. Apáticos ou domesticados.

É fácil de entender. Há mais de um século, não havia Casa dos Segredos para ver, nem Quim Barreiros para ouvir.