05/01/13

sopas de cavalo cansado


Na era da outra senhora, essa viúva negra, velha e feia que tanto nos azucrinou os dias e acinzentou a alma, as damas da caridade, ao mesmo tempo que oferendavam o pãozinho, o cobertorzinho, a sopinha, davam conselhos para melhor gerir o casebre e a pobreza de cada um: televisão ou frigorífico eram luxos proibidos, por exemplo, o pobre que se atrevesse a ter um deles perdia a esmola e a consideração das damas.

Os tempos são outros, mas esses seres são como minhocas que saem finalmente do esterco onde jazeram décadas, e regurgitam, vomitam conselhos: que defendamos o corpinho, dizem-nos, que deixemos de ir ao cinema e de ler livros que fazem mal aos olhos e nos abrem os olhos, que deixemos de fumar que faz mal aos pulmões, de beber álcool que faz mal ao fígado, e que consumamos sopinhas e muito pão, muita água, muita fruta, muito leite.  Larguemos o peixe e a carne, esses caros venenos. O Serviço Nacional de Saúde é só para os sãos. Sai mais barato.

Em vez de ver televisão, façamos filhos. Do que o país precisa é de carne para canhão.

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morte ao tribunal e a quem o apoiar!

Palácio Ratton

Então não é que o grupelho que se apoderou do PSD, coisa de que não viria nenhum mal ao mundo não fosse ter abocanhado também o País, anda por aí a querer que o Tribunal Constitucional esqueça aquilo para que foi criado, defender o cumprimento da Constituição? Vivem-se tempos excepcionais, afirmam, que requerem medidas excepcionais que os senhores juízes deveriam aceitar mesmo que firam de morte os princípios básicos da nossa lei fundamental e do Estado de Direito (coisa que eles não devem saber o que é, lá nas empresas que geriram, por curto tempo e mal, não havia dessas minudências, constituições, leis, decência, ética, merdices sem importância nem préstimo). 

O Tribunal, insinuam, não pode fazer política nem aliar-se, antidemocraticamente, à minoria, eles é que são a maioria, os portugueses votaram neles e só neles. Dizia ontem Vasco Lourenço, numa entrevista, que Hitler também foi eleito. Os hitlerzinhos que mais ordenam no País perderam grande parte dos seus eleitores, não é especulação, é realidade e da mais pura e da mais dura, mas acham que podem fazer tudo o que lhes der na real gana em nome da dívida, em nome da Merkel, em nome dos mercados, em nome da sua própria incompetência e, pior, em nome de uma ideologia económica nefasta, neofascista, predadora e perdedora. 

Vão-se ao Ratton! Deitem fogo aos arquivos, aos livros, à papelada inútil que por lá deve abundar. Destruam móveis. Corram com os juízes. Aquilo dava um lindo quartel general para uma qualquer gestapo de meia-tigela. A condizer com a seita desgovernante. 

um filme com bola preta

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são só negócios, estúpidos!

ANA, grávida da nova Lisboa

Por Daniel Deusdado
http://www.jn.pt

Ah, sim, o discurso de Cavaco. Talvez, talvez, depende, "eu avisei". Sempre tarde. Adiante. Falemos de coisas concretas e consumadas: o casamento da ANA, uma historieta que tem tudo para sair muito cara. Passo a explicar: a ANA geria os aeroportos com lucros fabulosos para o seu pai, Estado, que, entretanto falido, leiloou a filha ao melhor pretendente. Um francês de apelido Vinci, especialista em autoestradas e mais recentemente em aeroportos, pediu a nossa ANA em casamento. E o Estado entregou-a pela melhor maquia (três mil milhões de euros), tornando lícita a exploração deste monopólio a partir de uma base fabulosa: 47% de margem de exploração (EBITDA).

O Governo rejubilou com o encaixe... Mas vejamos a coisa mais em pormenor. O grupo francês Vinci tem 37% da Lusoponte, uma PPP (parceria público-privada) constituída com a Mota-Engil e assente numa especialidade nacional: o monopólio (mais um) das travessias sobre o Tejo. Ora é por aqui que percebo por que consegue a Vinci pagar muito mais do que os concorrentes à ANA. As estimativas indicam que a mudança do aeroporto da Portela para Alcochete venha a gerar um tráfego de 50 mil veículos e camiões diários entre Lisboa e a nova cidade aeroportuária. É fazer as contas, como diria o outro...

Mas isto só será lucro quando houver um novo aeroporto. Sabemos que a construção de Alcochete depende da saturação da Portela. Para o fazer, a Vinci tem a faca e o queijo na mão. Para começar pode, por exemplo, abrir as portas à Ryanair. No dia em que isso acontecer, a low-cost irlandesa deixa de fazer do Porto a principal porta de entrada, gerando um desequilíbrio turístico ainda mais acentuado a favor da capital. A Ryanair não vai manter 37 destinos em direção ao Porto se puder aterrar também em Lisboa.

Portanto, num primeiro momento os franceses podem apostar em baixar as taxas para as low-cost e os incautos aplaudirão. Todavia, a prazo, gerarão a necessidade de um novo aeroporto através do aumento de passageiros. Quando isso acontecer, a Vinci (certamente com os seus amigos da Mota-Engil) monta um apetecível sindicato de construção (a sua especialidade) e financiamento (com bancos parceiros). A obra do século em Portugal. Bingo! O Estado português será certamente chamado a dar avais e a negociar com a União Europeia fundos estruturais para a nova cidade aeroportuária de Alcochete. Bingo! A Portela ficará livre para os interesses imobiliários ligados ao Bloco Central que sempre existiram para o local. Bingo!

Mas isto não fica por aqui porque não se pode mudar um aeroporto para 50 quilómetros de distância da capital sem se levar o comboio até lá. Portanto, é preciso fazer-se uma ponte ferroviária para ligar Alcochete ao centro de Lisboa. E já agora, com tanto trânsito, outra para carros (ou em alternativa uma ponte apenas, rodoferroviária). Surge portanto e finalmente a prevista ponte Chelas-Barreiro (por onde, já agora, pode passar também o futuro TGV Lisboa-Madrid). Bingo! E, já agora: quem detém o monopólio e know-how das travessias do Tejo? Exatamente, a Lusoponte (Mota-Engil e Vinci). Que concorrerá à nova obra. Mas, mesmo que não ganhe, diz o contrato com o Estado, terá de ser indemnizada pela perda de receitas na Vasco da Gama e 25 de Abril por força da existência de uma nova ponte. Bingo!

Um destes dias acordaremos, portanto, perante o facto consumado: o imperativo da construção do novo grande aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a indispensável terceira travessia sobre o Tejo, e a concentração de fundos europeus e financiamento neste colossal investimento na capital. O resto do país nada tem a ver com isto porque a decisão não é política, é privada, é o mercado... E far-se-á. Sem marcha-atrás porque o contrato agora assinado já o previa e todos gostamos muito de receber três mil milhões pela ANA, certo? O casamento resultará nisto: se correr bem, os franceses e grupos envolvidos ganham. Correndo mal, pagamos nós. Se ainda estivermos em Portugal, claro.

04/01/13

manchas e manchetes de um dia não, e vamos ter mais de 360 deles

FMI lucra 1140 milhões com planos de resgate da Grécia e Irlanda.
Governo aconselha alimentação simples e económica.
Banif vai usar capital do Estado para comprar dívida pública.
Moviflor ameaça trabalhadores, não cumpre “promessas” e tem salários em atraso.
Tribunal de Contas questiona contenção da despesa nos gabinetes do Governo.
Combustíveis vão voltar a subir na próxima semana.
Maioria rejeita proposta para aumento do salário mínimo.
Justiça brasileira vai penhorar avião da TAP.
Vítor Gaspar defende "redução das taxas efetivas" de IRC.
Relvas desautoriza presidente da RTP sobre data da decisão da privatização.

Quer mais ou isto chega-lhe?

Fotografia: http://www.dreamstime.com

façam brioches e atirem-nos à populaça

No dia 1 de Janeiro do ano da desgraça de 2013, ouvi Mota Soares a elogiar-se a ele e ao seu governo pelo apoio que têm dado às instituições de beneficência. Claro que nem lhe passa pela cabeça desviar esse mesmo dinheiro para apoiar - directamente - as famílias em desespero, a caridade é sempre preferível à solidariedade, é bonito, é cristão e serve para que Deus, lá de cima, perdoe os pecados dos de cá de baixo, e não são poucos, os pecados e as gentes pias. 

O Mota ainda deve ser Jonet por parte da mãe. É o que eu acho. Façam brioches. Atirem-nos à plebe e comam bifes para que o colesterol, ou isso, os leve desta para pior. Deus espera-vos. Ou isso.

Fotografia: http://revistaquem.globo.com

relvas como você nunca o viu

o que eu queria agora era estar na gorongosa!

lá vamos cantando e rindo, levados, levados sim

Estamos a ser levados, essa é que é essa. Para um passado que se julgava morto e enterrado. Aqui ficam, para os saudosistas, algumas imagens desses tempos áureos, do bacalhau a pataco e da petinga para três. Mas hoje temos mais sorte: temos coelho.










para trás mija a burra e o governo também


Pelo que ouvi dizer, o governo vai recuar na sua decisão de reduzir para 12 dias por mês as indemnizações por despedimento. Desde a TSU, o exemplo mais flagrante mas não o único, que tem sido sempre assim. É a chamada navegação à vista, onde o comandante do navio dá ordens e contra-ordens perante o naufrágio iminente, mostrando a sua alarvidade como timoneiro e o seu desprezo pelos passageiros. 

Esta aberração a que chamamos governo tem um só fito: baixar os custos de trabalho dê lá por onde der e custe o que custar. Para salvar a economia, mais não tem feito do que enterrá-la e, como quem não quer a coisa, enterrar-nos a nós.

Não nos iludamos porém. O que o governo sabe fazer, isso faz bem, é mandar cá para fora umas patacoadas, a ver se pega. Quando vão longe demais e o alarido aumenta, fingem que recuam, fingem só. Seguem-se invariavelmente medidas tão ou mais gravosas do que as anteriores. E o povo cala-se. Cansado do estrilho precedente, cai na esparrela, esparrama-se, espalha-se ao comprido, dá com os burros na água.

De facto, vamos de mal a pior. Estamos mais pobres e a luz, ao fundo do túnel, viste-la. O assalto às nossas bolsas faz-se em todas as frentes: do Estado às empresas de fornecimento de bens essenciais e às Câmaras Municipais, todos eles descobriram, de repente, que lhes devemos dinheiro, muito dinheiro, somas exorbitantes, e, vejam lá ao ponto a que isto chegou, até já nos ameaçam com prisão se não as pagarmos, como no caso das dívidas à Segurança Social (que, como toda a gente sabe, um trabalhador a recibo verde é geralmente rico e, com a chegada de 2013, vai nadar em dinheiro, qual Tio Patinhas revisto e nacionalizado).

Por isso, meus amigos, em boa verdade vos digo: os burros temos sido nós. De carga e canga. Deixamos que as burras nos mijem em cima e os cavalos nos escoiceiem.

Não é por acaso que os burros estão em vias de extinção. Nós também. Emigramos ou morremos. Por cá, ficam cada vez menos.

Fotografia: http://theknitter.themakingspot.com

os nomes e as coisas

Por Viriato Soromenho-Marques
http://www.dn.pt/

Estamos tão entusiasmados em debater o significado da fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado 2013, pedida pelo Presidente da República ao Tribunal Constitucional, que nos esquecemos de como este é um tempo em que os nomes tendem a ficar deslocados das coisas que deveriam representar. Esquecemo-nos que, com a nossa soberania colocada entre parêntesis, o próprio Tribunal Constitucional desempenha a sua função aplicando uma espécie de taxa de desconto à Lei Fundamental, à conta da "emergência nacional", como já se viu no anterior acórdão dedicado ao Orçamento do Estado 2012. Chamamos "memorando de entendimento" a um ultimato travestido de programa de governo que nos foi imposto pelos credores internacionais (representados pela troika). Trata-se de um ultimato que introduz mudanças radicais no nosso modelo de sociedade, que nunca foram discutidas em eleições nem debatidas seriamente no Parlamento. Chamamos "ajuda internacional" a um empréstimo de 78 mil milhões de euros, provenientes de uma União a que pertencemos, ao lado de países amigos e aliados, mas que pratica uma taxa de juro muito superior e condições muito mais duras do que, por exemplo, as que os EUA aplicaram aos inimigos vencidos na II Guerra Mundial.

Chamamos Governo a um grupo de pessoas eleitas por se terem destacado na luta contra as medidas de austeridade do anterior Governo, mas que agora atuam como delegados do poder efetivo dos credores externos. Um Governo que prefere enfrentar os parceiros sociais e os cidadãos comuns a dialogar prudencialmente com a troika. Este é um tempo em que as coisas mudam rapidamente de forma e lugar. Às vezes ficamos sozinhos. Com palavras vazias.

Fotografia: Lusa/http://sol.sapo.ao

03/01/13

desobediência civil

noutros tempos, cascais


Estação de Comboios


Praia da Conceição





Fotografias recolhidas em:
http://restosdecoleccao.blogspot.pt

quem é que me sabe dizer?

Afinal, o homúnculo vai ser belga e manter-se Depardieu, tornar-se russo e mudar o nome para Depardianov ou naturalizar-se português, que o que a gente mais precisa é de dinheiro, e ficar-se por Depardieiro? Quem souber que responda. Tchim tchim. À dele.

em cheio, nas trombas

Anúncio no jornal: 

Somos um restaurante pequeno e causal no centro da cidade e estamos à procura de músicos para tocarem de graça no nosso restaurante, podendo assim promover a sua música e vender os seus CDs. Este não é um emprego diário, e sim para eventos especiais que eventualmente se tornarão eventos diários uma vez que a ...resposta do público seja positiva. Preferimos que toquem Jazz, Rock, e outros ritmos mais leves, de todo o mundo e de várias culturas. Estás interessado em promover o teu trabalho? Então comunique-se connosco o mais rápido possível. 

Resposta de um Músico: 

Feliz Ano Novo! Eu sou um músico, com uma casa grande, à procura de um dono de restaurante que venha a minha casa promover o seu restaurante ao fazer comida de graça para mim e meus amigos. Isto não aconteceria diariamente, mas a princípio em eventos especiais, os quais poderão eventualmente crescer e se tornar algo grande e diário, se a resposta for positiva. Preferimos carne de primeira e refeições exóticas e culturais. Você está interessado em promover o seu restaurante? Então comunique-se connosco urgentemente!

Publicado por: https://www.facebook.com/camaradavilela
Imagem: http://www.ronscott.com

as cenouras têm ... sexo?

annus horribilis



Imagens: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

saldos! saldos! saldos!


Definitivamente, descaradamente, abriu a época de saldos. O gado humano está cada vez mais barato, agora vão baixar as indemnizações por despedimento, a seguir será a vez de cada um pagar ao patrão para poder trabalhar.

Ufanizem-se os empresários-taberneiros deste país, que os há e muitos sem desprimor para os donos de tabernas que ganham o pão honradamente. Vangloriem-se. Regozijem-se. Agradeçam a Passos e à sua seita, à troika e à crise, à Merkel e à merda que nos aporrinha e mata. É aproveitar, que no aproveitar é que está o ganho. A carniça é fresquinha, os músculos são fortes, os dentes sãos e as mentes treinadas para obedecer, venham ver fregueses. É comprar, é comprar!

Definitivamente, descaradamente, este país já não é para trabalhadores. Nem para desempregados. Nem para novos ou velhos. Doentes ou estudantes. Mas os empresários-taberneiros, mais o Passos e o Gaspar, esses, estão contentes. Este ano, os saldos estão melhor do que nunca. E vão vigorar o ano inteiro, um pingo doce, o toque final num glorioso banquete de vampiros.

Quem nos acaba o resto? O que resta de nós, da nossa dignidade, das nossas vidas? Nada. E se nada fizermos definharemos, de vez, às mãos dos negreiros.

02/01/13

e os mais pobres, dr. cavaco?

Como Cavaco se preocupou basicamente com os pensionistas mais ricos, entre os quais ele se inclui, esperemos agora que sejam os partidos da oposição a solicitar ao Tribunal Constitucional o parecer sobre todos os outros roubos planeados no Orçamento de Estado, e não são poucos.

Imagem: http://trespassaopassos.tumblr.com/

fascismo nunca mais?


A PSP pediu ao Ministério da Administração Interna que legisle de forma a que o lançamento de petardos, em manifestações ou outros eventos, passe a ser punível com pena de prisão, em vez de uma simples multa como até agora. Qual será o próximo passo? Proibir ajuntamentos de mais de duas pessoas? Reinstaurar a censura prévia? Promover eleições "livres"? Transformar o PSD em União Nacional?

Perseguir opositores, como sabemos, já se faz. Agora, falta o resto. Falta pouco.

dá cá o meu!


As preocupações de Cavaco, em relação ao Orçamento de Estado, prendem-se unicamente com os reformados, o que seria louvável se não fosse um deles, e dos mais felizardos. Deduz-se que está, pura e simplesmente, a usar os seus poderes para defender as suas pensões. Será que não há mais nenhuma cláusula no Orçamento que possa levantar dúvidas sobre a sua constitucionalidade? Ora veja lá bem, Dr. Cavaco, leia-o outra vez.

fim da linha

Caro Pedro,

Enquanto desempregado que vai rapidamente ficar sem poder dar de comer aos seus filhos, é-me difícil aceitar que promovas o meu desemprego para que eu aceite ir trabalhar por migalhas que nem chegarão para pagar o mais básico para manter a minha família. Estás a deixar-nos sem lugar nesta sociedade. Estás a condenar-nos à morte.

Gostaria que recordasses que esta minha condição não resulta da minha vontade, pois sou só um meio para que tu atinjas um único fim: baixar os salários de quem ainda trabalha. Resulta sim da tua teimosia, dos teus dogmas, da tua ideologia, das tuas crenças de que a minha morte provocará, por alguma inexplicável razão, o bem-estar dos restantes. Quer parecer-me que é esta a forma que encontras para evitar retirar àqueles que têm dinheiro acumulado e que, não encontrando forma de comprar a minha força de trabalho, não conseguem multiplicar o dinheiro que lhes sobrou. É evidente que preferes gastar dinheiro em bancos, que preferes pagar uma dívida que eu não contraí; que em vez de fomentar a indústria, a agricultura, as pescas ou as minas, preferes ir destruindo cada vez mais postos de trabalho.

O que me estás a fazer é de uma violência mortal. Considero, e tu estarás certamente de acordo, que sou obrigado a fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance para evitar que consigas alcançar o teu propósito.

Quero dizer-te que à medida que se for aproximando o momento da morte da minha família, que menos soluções encontre, que mais dor inflijas à minha família; maior é a probabilidade de pôr em prática tantas ideias que me vão passando pela cabeça e cujo resultado seria que tivesses o mesmo fim ao qual me estás a levar.

Para evitar o que te digo, gostaria que considerasses seriamente a possibilidade de te demitires rapidamente e deixasses o caminho livre à realização de eleições, pois sabes perfeitamente que já não tens o apoio do Povo.

Sinceramente,
Alcides Santos

Texto: http://www.movimentosememprego.info/
Imagem: http://patpoh.fooyoh.com

força, força, camarada bento!


O Papa manifestou-se contra, e passo a citar, o capitalismo financeiro desregulado. Apoio, claro que apoio, mas já agora apelava ao Papa para que se livrasse das imensas riquezas do Vaticano. Daria, com toda a certeza, para liquidar a dívida italiana e ainda sobrava dinheiro, muito dele. Pode ser, camarada Bento?

Fotografia: http://www.ncregister.com

resistir, nunca desistir



Por Baptista-Bastos
http://www.dn.pt/

Entrámos no ano de todos os perigos e de todos os medos. Ninguém ameniza as perspectivas, e o primeiro-ministro acentuou a nossa angústia afirmando que nunca as coisas, depois do 25 de Abril de 74, tinham estado tão escuras. Os seus apaniguados, contentíssimos, aplaudiram as declarações, considerando-as sinal de honrada "transparência". Esqueceram-se, evidentemente, de que, à esquerda e à direita, gente altamente qualificada e sensata já advertira da tragédia próxima. E Passos Coelho continua a não reconhecer, claramente, o que a aplicação da ideologia neoliberal nos tem feito. Nem o que essa ideologia significa de risco para a própria democracia, cada vez mais acanhada até ao ponto de constituir uma humilhação e um desespero intoleráveis para quem nela acredita.

O ano traz, portanto, malvados prenúncios. E, embora sabedor da nociva sorte que nos aguarda, Passos Coelho não move uma palha para inverter a funesta tendência. Não move ou não sabe mover. A representação do poder demonstra enorme desprezo pelos protestos de rua, pelos movimentos de massas (o 15 de Setembro testemunhou a recusa da apatia e da resignação, pelas razões que em si mesmo comportava), pelos depoimentos e pelas declarações veementes de economistas, sociólogos, políticos, alarmados com o caminho para o desastre a que o País é impelido. Interpelado sobre se a população aguenta o caudal de restrições, impostos e constrangimentos, o banqueiro sr. Ulrich admitiu: "Aguenta! Aguenta!", num escabroso convencimento, a roçar o insulto e o impudor. É em criaturas deste jaez e estilo que o primeiro-ministro se apoia, pois elas mesmas caracterizam um dos pilares em que assenta a ideologia que defende.

A ideologia. Eis a questão capital. E o novo paradigma político e social, que nos tem sido imposto, inscreve--se nessa nova experiência do capitalismo, como emergência de sair da crise por si criada.

A regressão a que Pedro Passos Coelho nos obrigou contém uma incerteza dramática, que o atinge, atingindo-nos cruelmente. Ele abriu a caixa de Pandora e, agora, não sabe como fechá-la. É um tonto perigosíssimo. Arruinou a pátria, não somente a pátria política, social e económica mas, sobretudo, a pátria moral. Nem daqui a duas ou três décadas o desastre será remediado, diz quem sabe. O nefasto "rotativismo" ocultará ou dissimulará os erros e os crimes cometidos. Ninguém vai parar à cadeia, porque eles protegem-se uns aos outros, com o impudor de quem se reconhece acima de deus e do diabo.

É pungente assistir-se às torções do PS, como aos embustes, ao vazio de sentido dos discursos do PSD. Não desejo referir-me, neste texto, ao dr. Cavaco, por nojo e estrito resguardo mental. Desejo, isso sim, demonstrar o orgulho e a vaidade que sinto por pertencer a um povo como este, sofrido, cercado, mas decente e indomável.

Fotografia de Rita Neves
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nocturnos de lisboa




e agora, gaspar?


O homem que manda cá no burgo, sob as ordens de Merkel e com o ámen da coelhal figura, aquele que dá pelo nome de Gaspar e a quem prefiro chamar Raspar, está metido num imbróglio de que ele, como sempre, saberá desenvencilhar-se airosamente. E isto porque o Presidente de Todos os Portugueses que Nele Votaram vai mandar o Orçamento de Estado para o Tribunal Constitucional, depois de o ter aprovado (mais uma bizarria de um país escavacado, encalhado entre dívidas e ladroagem de gabarito). 

Claro que os doutos juízes, a exemplo do ano passado, vão declarar uma ou outra inconstitucionalidadezita que "por este ano passa" dada a crise económica que o país atravessa e porque torna e porque deixa e por mais isto e mais aquilo. Mas também pode, ou não acreditasse eu em fadas e no Pai Natal, obrigar a mudanças radicais no orçamento. Se for este o caso, que fará Gaspar? Ele, que tanto tem feito para aumentar o seu prestígio junto da alta finança internacional à custa de todo um povo, não se dará por vencido. Enquanto os nossos bolsos  tiverem um pouco mais do que cotão, por pouco que esse pouco seja, ele saberá esmifrar-nos, desenrascará (e nisso é muito português) maneiras de legalizar mais roubos, relegando-nos de vez para a condição de miseráveis.

De uma coisa tenho a certeza: Raspar, sob as ordens de Merkel e dando ordens a Passos, já conseguiu destruir grande parte do país. Está quase a conseguir fazer de Portugal a China da Europa, com mão-de-obra ao preço da uva mijona, uma horda de novos escravos a engrossar as fileiras de um exército de gente disposta a trabalhar por uma côdea de pão.

Vivemos acima das nossas possibilidades. Soframos as consequências.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com

em 2012, o ano foi de luta



Vídeo e fotografias de Rita Neves
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01/01/13

é preciso acreditar que o mundo vai mudar






era lisboa e nevava

Com o fim próximo da II Guerra Mundial, em Janeiro de 1945, Lisboa aproximava-se do norte da Europa, climatericamente falando (e só isso). Ou, como escreveu na altura um jornalista do Diário de Lisboa, "Lisboa já é uma cidade civilizada: até tem neve". 

Aeroporto

Aeroporto

Aeroporto

Campo Grande

Avenida Duarte Pacheco

Príncipe Real

Rossio

Autoestrada Lisboa-Estádio Nacional

Penitenciária

Campolide


Todas as fotografias recolhidas em:
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