para trás mija a burra e o governo também


Pelo que ouvi dizer, o governo vai recuar na sua decisão de reduzir para 12 dias por mês as indemnizações por despedimento. Desde a TSU, o exemplo mais flagrante mas não o único, que tem sido sempre assim. É a chamada navegação à vista, onde o comandante do navio dá ordens e contra-ordens perante o naufrágio iminente, mostrando a sua alarvidade como timoneiro e o seu desprezo pelos passageiros. 

Esta aberração a que chamamos governo tem um só fito: baixar os custos de trabalho dê lá por onde der e custe o que custar. Para salvar a economia, mais não tem feito do que enterrá-la e, como quem não quer a coisa, enterrar-nos a nós.

Não nos iludamos porém. O que o governo sabe fazer, isso faz bem, é mandar cá para fora umas patacoadas, a ver se pega. Quando vão longe demais e o alarido aumenta, fingem que recuam, fingem só. Seguem-se invariavelmente medidas tão ou mais gravosas do que as anteriores. E o povo cala-se. Cansado do estrilho precedente, cai na esparrela, esparrama-se, espalha-se ao comprido, dá com os burros na água.

De facto, vamos de mal a pior. Estamos mais pobres e a luz, ao fundo do túnel, viste-la. O assalto às nossas bolsas faz-se em todas as frentes: do Estado às empresas de fornecimento de bens essenciais e às Câmaras Municipais, todos eles descobriram, de repente, que lhes devemos dinheiro, muito dinheiro, somas exorbitantes, e, vejam lá ao ponto a que isto chegou, até já nos ameaçam com prisão se não as pagarmos, como no caso das dívidas à Segurança Social (que, como toda a gente sabe, um trabalhador a recibo verde é geralmente rico e, com a chegada de 2013, vai nadar em dinheiro, qual Tio Patinhas revisto e nacionalizado).

Por isso, meus amigos, em boa verdade vos digo: os burros temos sido nós. De carga e canga. Deixamos que as burras nos mijem em cima e os cavalos nos escoiceiem.

Não é por acaso que os burros estão em vias de extinção. Nós também. Emigramos ou morremos. Por cá, ficam cada vez menos.

Fotografia: http://theknitter.themakingspot.com

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