15/09/12

adeus, até nunca mais!


Hoje vou estar na rua. Para que estes e outros mortos-vivos vão e não voltem. E, se voltarem, que seja na carreta dos dejectos perdidos. Adeus, até nunca mais!

o não retorno



Por Ana Sá Lopes

O governo viveu durante um ano um misterioso estado de graça, enquanto empobrecia o país, aumentava a taxa de desemprego, levava as empresas à falência, cortava salários e pensões, destruía o tecido social e tentava reconduzir Portugal aos anos 70. Há um ano, o primeiro-ministro avisou de forma clarinha que o seu programa era “empobrecer” o país – ninguém se podia queixar de não ter sido avisado. Os cidadãos aceitaram pacificamente, enquanto boa parte da opinião pública se manteve convencida de que “empobrecer” Portugal era uma via excelente para o futuro. As sondagens mantinham evidente a boa aceitação do primeiro-ministro e do seu partido. Era a “paciência” dos portugueses a funcionar ou, para citar a famosa intervenção de Passos Coelho no Facebook, “aquilo de que somos feitos”.

Percebe-se, agora, que havia uma panela de pressão que, há uma semana, rebentou. O facto de, nos últimos dias, inúmeras personalidades de direita se terem juntado à contestação ao governo demonstra bem como Passos Coelho não teve a noção de que estava a assumir uma mudança sistémica que a direita portuguesa sempre evitou: implodir de uma forma descarada os mínimos de coesão, rebentar com o consenso que fundou o Estado social – feito entre sociais-democratas e democratas-cristãos na Europa e em Portugal “assinado” entre socialistas e sociais-democratas, com o CDS a assumir-se, de Adriano Moreira a Paulo Portas, como “o partido dos pobres”. Esses mínimos de coesão estão a ser extintos por Passos Coelho e Vítor Gaspar, com Portas a fazer de conta que não está a ver. Até agora, a direita sempre atirou à cara da esquerda o facto de esta “não ter o monopólio das preocupações sociais”. Depois do governo Passos, nunca mais o poderá fazer.

É extraordinário como o primeiro-ministro não teve consciência de que estava a romper um pacto de décadas ou, por teimosia ou autismo – ou os dois misturados –, pensou que a implosão social seria aceite tranquilamente em nome “daquilo de que somos feitos”.

Restam, agora, poucas alternativas ao percurso de decadência em que o governo mergulhou. O mínimo do controlo de danos será o recuo na alteração da TSU, que o próprio governo não consegue explicar para que serve: uns dias é para o eng.º Belmiro arranjar mais postos de trabalho, noutros é para baixar os preços e noutros ainda é para meter o dinheiro numa conta vigiada pelo governo.

14/09/12

união ibérica


passos passa à história

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

a polícia não é defensora da austeridade

Comunicado do Sindicato Nacional da Polícia:


os oficiais não serão, nunca, instrumento de repressão

Um comunicado da Associação de Oficiais das Forças Armadas:

"Aproximando-se a realização de iniciativas de carácter cívico, reflexo das medidas anunciadas e expressão de um irrecusável mal-estar transversal a toda a sociedade, como comprovadamente atestam declarações de eminentes personalidades dos diferentes quadrantes políticos e sociais, vimos, por este meio, manifestar a nossa calorosa solidariedade a todos os portugueses que sofrem o peso dos enormes sacrifícios que lhes foram impostos, relembrando que já o fizemos no passado ano de 2011. Porque, antes de mais, somos cidadãos sujeitos às mesmas injustas e iníquas medidas, tomadas por aqueles que constitucionalmente estão obrigados a zelar pelo bem comum, a pretexto da reparação de situações em que os penalizados não tiveram qualquer responsabilidade e de que outros foram certamente beneficiários.

E, porque ser cidadão não se resume apenas à circunstância de estar em sociedade, uma vez que é necessário também participar de algum modo na sua transformação, solidarizamo-nos com todas as iniciativas que, no exercício de um direito de cidadania, afirmem a recusa face a práticas injustas sempre apresentadas sob a capa de nobres objetivos, reiteradamente utilizadas para:

- Enganando e brandindo o medo, apresentar promessas que não se cumprem, como de resto e cada vez mais, insuspeitos concidadãos vão reconhecendo;

- Justificar soluções sistematicamente penalizadoras, ancoradas na repetida afirmação de que as opções são de irrecusável responsabilidade, quando os factos invariavelmente demonstram o contrário;

- Repetir, uma vez mais, o enganoso anúncio de que, aplicados que sejam sacrifícios impostos, a solução está logo ali à frente e, logo de seguida, darem o dito por não dito e, em doses redobradas, penalizarem sempre os mesmos, enquanto outros, cá ou noutras paragens, vão acumulando riqueza sem limite, assim retirada a quem não tem outro bem que não seja essencialmente a remuneração resultante do seu trabalho.

Num momento como este, por todos reconhecido como de extrema gravidade e em que as tensões sociais poderão culminar em justos protestos e outras manifestações de cidadania e indignação constitucionalmente consentidas, importa ainda afirmar que a Associação de Oficiais das Forças Armadas reitera aqui o firme propósito de que, no que de si depender, os militares não serão, nunca, como a Constituição obriga, instrumento de repressão sobre os seus concidadãos que um dia juraram defender, na senda, aliás, de afirmações que no mesmo sentido foram proferidas por Sua Excelência o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

O Presidente
Manuel Martins Pereira Cracel (Coronel TPAA)"


bardamerda


Aquela célebre atoarda de que "andámos a viver acima das nossas possibilidades" chateia-me, palavra de honra que me chateia, faz-me urticária, fornicocos na moleirinha, formigueiro nas unhas dos pés. Mas há outra, não menos propalada pelos senhores do governo e dos seus apoderados no parlamento, que não me chateia menos: que toda a gente que critica o governo não apresenta alternativas à hecatombe que eles estão a provocar. É mentira, pura mentira e nada mais do que mentira. Os próprios cidadãos, desde há muito, que as apresentam: mais honestidade na política, combate sem tréguas à corrupção e ao clientelismo, menos alcavalas para os políticos, menos carros de Estado, menos pensões milionárias, às vezes duplas e triplas, menos gastos supérfluos, fim das PPP's e das obras de fachada, melhor justiça, melhores empresários, que deixem de gerir as suas empresas como se fossem meras mercearias de bairro, maior taxação das grandes fortunas, combate aos paraísos fiscais e à fuga de divisas, melhor ensino de forma a preparar devidamente as gerações vindouras, tanta, tanta medida e tantas tão fáceis de tomar, bastando para isso haver vontade, seriedade, humanidade. Não há alternativas? A esses que dizem isso, cá vai um mimo no mais claro português: bardamerda!

não se deixem iludir!


Gente há da direita - sempre pronta a ver onde pode explorar mais e melhor - que vem agora a terreiro afrontar o governo. Não se deixem iludir. São ratos a abandonar o navio que afunda. Primeiro, porque sabem que esta política de austeridade afecta o consumo e, consequentemente, as empresas deles. Segundo, para salvar os respectivos partidos da cada vez mais próxima tragédia eleitoral. Terceiro, para salvar as fundações, as PPP's e outras organizações que tanto dinheiro lhes têm dado a ganhar. Não que o governo as ameace, mas mais vale prevenir do que remediar e o seguro morreu de velho. 

cartazes não faltam, assim não falte gente também!



escravatura moderna

Por Talal Nayer
http://www.cartoonmovement.com

que povinho mais piegas!


ninguém poupa o coelho




cresça e desapareça


O senhor costuma ler jornais? Sabe que Portugal, a par da Estónia e da Letónia, é o país com maior desigualdade social de toda a Europa? Se sabe isso, porque carga-d'água é que, como ainda ontem o fez por várias vezes na sua triste exibição televisiva, continua a insistir que é preciso baixar os salários em Portugal? O senhor foi mandatado por quem? Quem é que está por trás de si? Quem é que manda em si? Quem o inspira? Quem é que o mandou transformar Portugal na China da Europa? É que já nem os patrões portugueses estão consigo. Portanto, são com toda a certeza outros valores mais altos os que se levantam. Quanto é que lhe vão pagar quando sair do governo, e que seja o mais depressa possível? Que cargo irá exercer? Qual vai ser a recompensa por todos estes atentados que tem praticado contra o povo português?

Já agora, faça-me mais um favor: o engenheiro Sócrates era um trafulha, mas o senhor é muito pior. Pare de se desculpar com ele e com a sua pesada herança. O senhor mentiu em campanha eleitoral e mentiu deliberadamente. Lembra-se, ainda longe das eleições, de dizer que governaria muito bem com a troika? E lembra-se, logo a seguir às eleições, ainda antes da história do buraco colossal que ainda está por explicar ao povo português, de se gabar a torto e a direito de querer ir mais longe do que a troika? Portanto, e este é o último favor que lhe peço, também não se desculpe com a troika, cresça e desapareça. Até o próprio Selassié (ou lá o que raio é) do FMI já veio dizer que a troika não obrigou coisíssima nenhuma a mexer na TSU. É que, sabe senhor (por enquanto) primeiro-ministro? Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. E, de coxo, o senhor não tem nada.

governo leiloado

O governo está em leilão no e-bay. Por mim acho bem, já que eles próprios estão a vender Portugal ao desbarato. Vá lá licitar antes que apaguem a página:
http://atlanta.ebayclassifieds.com/everything-else/gainesville/governo/?ad=23365264

13/09/12

rilhafoles com ele!

Repararam que Coelho passou o tempo todo da entrevista, hoje na RTP1, a culpar o Sócrates e a desculpar-se com a troika? Isto quando a troika, foi tornado público, não obrigou o governo a mexer na TSU? E viram como ele insiste que está tudo muito melhor quando toda a gente sabe que vamos de mal a pior? E viram como ele insiste na redução de salários para tornar o país competitivo, quiçá com as Filipinas, o Sri Lanka, o México?

Temos um primeiro-ministro que, além de não falar verdade, nega as realidades. É doido. Doido varrido.

vamos contar mentiras


A RTP1 voltou a transmitir teatro, reavivando uma prática do passado. A peça desta noite, protagonizada pela grande vedeta do DVD pirata Pedro Passos Coelho, chama-se "Vamos Contar Mentiras", escrita por Eduardo Catroga e encenada por Cavaco Silva.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

eu não quero pensar em censura, ainda não

http://www.queselixeatroika15setembro.blogspot.pt/

Este blog, da organização da manifestação no próximo Sábado, foi removido. Alguém sabe o que se passa?

olá, olha quem cá está!...

 E não é que andam por aí a dizer que a Merkel é filha de Hitler?

finalmente, cavaco silva pronuncia-se sobre as novas medidas de austeridade

carta aberta ao presidente

Exmo Senhor Presidente da República
Lisboa

Vou usar um meio hoje praticamente em desuso mas que, quanto a mim, é a forma mais correcta de o questionar, porque a avaliar pelas conversas que vou ouvindo por aqui e por ali, muitos portugueses gostariam de ver esclarecidas as dúvidas que vou colocar a V/Exa e é por tal razão que uso a forma "carta aberta", carta que espero algum dos jornais a que a vou enviar com pedido de publicação dê à estampa, desejando que a resposta de V/Exa fosse também pública.

Tenho 74 nos, sou reformado, daqueles que descontou durante 41 anos, embora tenha trabalhado durante 48, para poder ter uma reforma e que, porque as pernas já me não permitem longas caminhadas e o dinheiro para os transportes e os espectáculos a que gostaria de assistir não abunda, passo uma parte do meu dia a ler, sei quantos cantos há nos Lusíadas, conheço Camilo, Eça, Ferreira de Castro, Aquilino, Florbela, Natália, Sofia e mais uns quantos de que penso V/Exa já terá ouvido falar e a "navegar na net".

São precisamente as "modernices" com que tenho bastante dificuldade em lidar que motivam esta minha tomada de posição porquanto é aí que circulam a respeito de V/Exa afirmações que desprestigiam a figura máxima do País Portugal, que, em minha opinião, não pode estar sujeita a tais insinuações que espero V/Exa desminta categoricamente.

Passemos à frente das insinuações de que V/Exa foi 1º Ministro de Portugal durante mais de dez anos, época em que V/Exa vendeu as nossas pescas, a nossa agricultura, a nossa indústria a troco dos milhões da CEE, milhões que, ao contrário do que seria desejável, não serviram para qualquer modernização ou reforma do nosso País mas sim para encher os bolsos de alguns, curiosamente seus correlegionários, senão mesmo, seus amigos. Acredito que esse tempo que vivemos sob o comando de V/Exa e que tanto mal nos fez foi apenas fruto de incompetência o que, sendo lamentável, não é crime, os crimes foram praticados por aqueles que se encheram à custa do regabofe, perdoe-me o popularismo, que se viveu nessa época e que, curiosamente, ou talvez não, continuam sem prestar contas à justiça.

Entremos então no que mais me choca, porque nesses outros comentários, a maioria dos quais anónimos mas alguns assinados, é a honestidade de V/Exa que é posta em causa e eu não quero que o Presidente da República do meu país seja o indivíduo que alguns propalam pois que entendo que o cargo só pode ser ocupado por alguém em quem os portugueses se revejam como símbolo de coerência e honestidade, é assim que penso que nesta carta presto um favor a V/Exa, pois que respondendo às questões que vou colocar, findarão de vez as maledicências que, quero acreditar, são os escritos que por aí circulam.

1ª Questão:
Circula por aí um "escrito" que afirma que V/Exa, professor da Universidade Nova de Lisboa, após ser ministro das finanças, foi convidado para professor da Universidade Católica, cargo que aceitou sem se ter desvinculado da Nova o que motivou que lhe fosse movido um processo disciplinar por faltar injustificadamente às aulas da Nova, processo esse conducente ao despedimento com justa causa, que se teria perdido no gabinete do então ministro da educação, a quem competiria o despacho final, João de Deus Pinheiro, seu amigo e beneficiado depois de V/Exa ascender a 1º Ministro com o lugar de comissário europeu, lugar que desempenhou tão eficazmente que o levou a ficar conhecido como "comissário do golfe".

Pergunta directa:

Foi ou não movido a V/Exa um processo disciplinar enquanto professor da Universidade Nova de Lisboa?
Se a resposta for afirmativa, qual o resultado desse processo?

Se a resposta for negativa é evidente que todas as informações que andam por aí a circular carecem de fundamento.

2ª Questão:
Circulam por aí vários escritos sobre a regularidade da transacção de acções do BPN que V/Exa adquiriu. Sendo certo que as referidas acções não estavam cotadas em bolsa e portanto só poderiam ser transaccionadas por contactos directos, vulgo boca a boca, faço sobre a matéria várias perguntas:
1ª - Quem aconselhou a V/Exa tal investimento?
2ª- A quem adquiriu V/Exa as referidas acções?
3ª- Em que data, de que forma e a quem vendeu V/Exa as acções?
4ª- Sendo V/Exa um reputado economista, não estranhou um lucro de 140% numa aplicação de tão curto prazo?

3ª Questão
Tendo em atenção o que por aí circula sobre a Casa da Coelha, limito-me a fazer perguntas:
1ª- É ou não, verdade, que o negócio entre a casa de Albufeira e a casa da Coelha foi feito como permuta de imóveis do mesmo valor para evitar pagamento de impostos?
2ª- Se já foi saldada ao estado a diferença de impostos com que atraso em relação à escritura se processou a referida regularização?
3ª- É ou não verdade que as alterações nas obras feitas na casa da Coelha, nomeadamente a alteração das áreas de construção foram feitas sem conhecimento da autarquia?
4ª- A ser positiva a resposta à pergunta anterior, se já foi sanado o problema resultante de obras feitas à revelia da autarquia, em que data foi feita tal regularização e se foi feita antes ou depois das obras estarem concluídas?
5ª- Última pergunta, esta de mera curiosidade, será que V/Exa já se lembra do cartório em que foi feita a escritura?

4ª Questão
Não vi na Net, é uma questão que eu próprio lhe coloco:
Ouvi V/Exa na TV dizer que tinha uma reforma de 1300 €, que quase lhe não chegava para as despesas, passando fugazmente pela reforma do Banco de Portugal. Assim, pergunto:
1ª- Quantas reformas tem V/Exa?
2ª- De que entidades e a que anos de serviços são devidas essas reformas?
3ª- Em quantas não recebe 13º e 14º mês?
4ª- Abdicou V/Exa do ordenado de PR por iniciativa própria ou por imposição legal?
5ª Recebe ou não V/Exa alguns milhares de euros como "despesas de representação"?
Fico a aguardar a resposta de V/Exa com o desejo de que a mesma seja de tal forma conclusiva e que, se V/Exa o achar conveniente, venha acompanhada de cópias de documentos, que provem a todos os portugueses que o que por aí circula na Net, não passam de calúnias e intrigas movidas contra a impoluta figura de Sua Exa o Senhor Presidente da República de Portugal.

A terminar e depois de recordar mais uma das suas afirmações na TV, lembro uma frase do meu avô, há muito falecido, alentejano, analfabeto e vertical:

" NÃO HÁ HOMENS MUITO, OU POUCO SÉRIOS, HÁ HOMENS SÉRIOS E OUTRAS COISAS QUE PARECEM HOMENS".

Por mim, com a idade que tenho, já não preciso nem quero nascer outra vez, basta-me morrer como tenho vivido. Sério.

Com os meus melhores cumprimentos.

José Nogueira Pardal

troca a troika ao passos!

compre cenouras e vá ao teatro


Num bilhete de teatro, o fisco espanhol confisca, passe o quase pleonasmo, 21% de IVA para os seus cofres sôfregos. E o director de um pequeno teatro da província de Girona não foi de modas, agora vende cenouras a quem quiser ver a peça em cena e oferece o bilhete. Ao teatro, são-lhes sonegados uns meros 4% de IVA, em vez dos 21%, as entradas podem assim ficar mais baratas e - ouro sobre azul em tempos de crise - os espectadores ainda levam cenouras para casa. 

eu vou!


Eu vou estar na Praça José Fontana, em Lisboa, às 17 horas em ponto de Sábado. Porque quero a minha vida de volta. Quero que o primeiro-ministro e os seus ajudantes de campo, não mais do que serviçais do País pagos pelo povo, sejam isso mesmo e só isso e me respeitem. Que não me tratem como os senhores medievais tratavam os seus servos, mera mão-de-obra barata e pagadores de impostos. Mas, mais do que por mim, vou lá estar por todos os que sofrem mais do que eu. Os que já não podem comer, não podem estudar, não podem trabalhar, não podem viver. Sim, lá estarei. E vou gritar. Como disse José Luís Peixoto, quem se calar não tem razão.

onde páram os professores?


A Lurdinhas é que era a má, a bruxa. Ai que queria avaliar os professores, crime punível com milhares de professores nas ruas, com razão ou sem ela não sou eu que vou botar faladura, que não sou professor nem tenho qualificações para sê-lo. Em contrapartida, o Crato deve ser o prior, um santo. Atirou com milhares e milhares de professores para a rua mas a classe não se manifesta, não diz nada, não grita "rua com ele!". O Passos e o Gaspar vão-lhes aos subsídios, ao salário, aos impostos, e o que é deles? Desapareceram, seguiram o conselho do Coelho e emigraram todos, foi um ar que lhes deu, tudo aceitam de sorriso nos lábios. No tempo da Lurdinhas, a bruxa, terão sido instrumentalizados? Claro que sim. Como o foi todo o povo português, com o fantasma de Sócrates, do Freeport, das escutas, da bancarrota do país. No entanto, o povo começa a acordar. Os professores, parece que não, ainda não. Quanto mais lhes batem, mais gostam de quem lhes dá porrada. Estão no seu direito. Os mártires, pobrezinhos, ficam na História. Nem sempre pelas melhores razões.

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oiçam-me este homem!

a vingança

Por Fernando Dacosta

Na semana passada ocorreu um inclassificável golpe terrorista contra o povo português. Não meteu explosivos, nem armas, nem aparatos de rua. Limitou-se a um discurso do chefe do governo difundido antes de um desafio de futebol. Esse discurso anunciava a condenação, por via fiscal, à fome, à doença, ao desespero, ao aviltamento de milhões de pessoas por perversão de governantes sem um pingo de decência. A intervenção, lida de lábios cerrados, não disfarçava ressabiamentos, provocações, vinganças – lembrando as de apaniguados de Sócrates a avisar que quem se metesse com eles, levava. Ora quem se meteu a sério com o governo não foram as oposições, foi o Tribunal Constitucional e a troika, ao atribuir a situação portuguesa à sua (in)competência. Repreendidos e traídos, os boys de São Bento entraram de congeminar vingança. Se em relação aos patrões (externos) fingiram não perceber a acusação, em relação aos opositores (internos), não – daí a desforra: afrontaram o TC, alfinetaram o PR, enxovalharam os partidos, rapinaram os trabalhadores, declararam lixo os reformados e pensionistas, tratando todos como débeis mentais. Muito poucas vezes se viu tanta insensibilidade, arrogância, hipocrisia, mentira juntas! “Lavra no país um grande incêndio de ressentimento e ódio”, afirma (em carta aberta ao primeiro-ministro) o escritor Eugénio Lisboa que, dos seus 82 anos, lhe grita: “Todo o vosso comportamento não convida à esperança!” Às 19h20 da última sexta-feira, Passos começou a perder Portugal. Zés do Telhado do nosso socorro, levantem-se e caminhem antes que o percamos nós também!

coincidências ou birras de diva, que venha o paulo e escolha

Afirmou, há dias, Fernando Henrique Cardoso, que os líderes portugueses "parece que não estão preocupados" com os efeitos sociais das medidas de austeridade e "querem só que aperte o cinto". 

Fernando Henrique Cardoso foi ontem homenageado pelo ISCTE com o grau de doutor honoris causa. Paulo Portas iria abrir a cerimónia. Cancelou a sua presença à última hora.

Falta de sentido de Estado, birrinhas de diva caprichosa ou simples coincidência?

E está o país entregue a gente desta!


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vítor gaspar, um homem de rosto humano

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atiraram um ovo a cristas

Foi para lhe lembrar a sua condição de galinha. Com cristas.


terrorismo ataca em portugal


globalização é isto

Curioso anúncio de oferta de emprego de Relações Públicas em Cernache do Bonjardim, na área dos Parques de Campismo e Caravanismo. Entre outros predicados, os candidatos terão "que saber falar a língua oficial do Botswana + o dialecto Kalanga + o dialecto do Zimbabwe". E esperanto, não quererão? E mirandês? E o rabinho lavado com água de malvas?




12/09/12

golpe de estado

Por José Luiz Sarmento

Na Grécia demitiram um primeiro-ministro por ousar falar em referendo e puseram em seu lugar um homem de mão da Goldman Sachs. Na Itália moveram com toda a facilidade um primeiro-ministro inamovível e substituiram-no por outro membro da mesma associação de malfeitores. 

Em Portugal, onde as eleições puseram na chefia do governo um senhorito deslumbrado pela vertigem radical do neo-liberalismo, enquadraram-no não por um, mas por dois acólitos da seita: Vítor Gaspar e António Borges.

O problema era o défice, disse a troika - também ela governada a partir de Wall Street. E era a dívida pública, e a privada, e a despesa. E a produtividade, mas essa podia ficar para mais tarde: para os amanhãs que cantam. 

A solução era a austeridade, mesmo que tivesse que ser aplicada em período de recessão. O objectivo era mudar de políticas para que os problemas diagnosticados fossem resolvidos. Mas o tempo passou e os problemas agravaram-se. Era preciso insistir, disseram-nos. E insistiu-se. E os problemas continuaram a agravar-se. E os portugueses começaram a ler os economistas, e começaram a dar-se conta que os problemas se continuariam sempre a agravar porque a sua causa principal estava nos remédios utilizados - segundo a seita - para os resolver.

A única mudança que se sentiu - que se sentiu mesmo, com os olhos e os ouvidos e a pele de cada um - foi na situação dos trabalhadores por conta de outrem. E foi uma mudança para pior. Começou-se com os funcionários públicos, passou-se depois ao sector privado, aos reformados, aos pensionistas, e sempre no mesmo sentido: reduzir e precarizar rendimentos, enfraquecer o Estado Social.

Até que se ultrapassou uma fronteira. Pedro Passos Coelho, há três dias, e hoje Vítor Gaspar, disseram finalmente ao que vinham. Não era à redução do défice, que aumenta, não era à redução do desemprego, não era ao aumento da produtividade. Tratava-se tão-só de reduzir salários - o mais possível e o mais permanentemente possível - de precarizar vidas e de transferir riqueza de quase toda a gente para um único beneficiário: a oligarquia financeira e rentista que nunca perdoou o 25 de Abril.

Francisco Louçã falou num golpe de estado económico. Mas um golpe de estado económico nunca é só económico, porque uma transferência de riqueza desta magnitude não se pode fazer sem uma correspondente transferência de poder. No fim de semana passado o regime político mudou em Portugal. Sem consentimento dos portugueses.

Pedro Passos Coelho já não é o primeiro-ministro da República Portuguesa. É o cabecilha duma junta golpista que usurpou o poder a partir do momento em que ousou "contornar" o Tribunal Constitucional. Não lhe devemos obediência, mas resistência. A qualquer custo.

e espanha também vai para a rua!


aqui que ninguém nos ouve


Este texto é uma prova clara de que o governo há muito passou das marcas, não sendo de esperar nem mais resignação nem mais paciência nem mais mutismo por parte dos portugueses. A violência da linguagem, que até eu acho radical mas que consigo compreender, é uma prova clara de que o governo e o povo estão em guerra aberta. A forja está incandescente. Quem, com ferros mata, com ferros morre. Leia-se:

Por Vasco Mendonça

Acabei de ouvir Miguel Relvas dizer, com o seu já habitual ar de sabujo, que o apoio aos mais desfavorecidos é uma preocupação permanente deste Governo. Perante a impossibilidade de ser ouvido por esta gente, perante esta espécie de surdez desprovida de qualquer noção de civilidade no serviço prestado ao país, vou escrever como se eles não nos estivessem a ouvir.

Que país é este que aceita que um bando de filhos da puta confisque impunemente o resultado do trabalho de milhões de pessoas? Quão insensível é preciso um bando de filhos da puta ser para anunciar ao país uma redução do salário mínimo? Eu sei que muita gente sente já ter assistido a isto antes, mas este não é um bando de filhos da puta qualquer. É uma espécie refinada de filho da puta, tão perigosa pela sua ignorância quanto pela capacidade inesgotável de mandar um país inteiro para o caralho que o foda. Bem sei que é um bando de filhos da puta com maioria absoluta. Infelizmente, demasiados eleitores desconheciam, à data das eleições, que estavam a mandatar um bando de filhos da puta com tão especial vocação para foder o mexilhão. Quiseram acreditar que este não era um bando de filhos da puta. Infelizmente, jamais imaginaram que este viesse a tornar-se o maior bando de filhos da puta que o país já viu no poder, e a mais séria ameaça ao modo de vida de todos os que diplomaticamente têm aceitado a pior forma de governo, salvo todas as outras.

Está ali um bandalho dum funcionário descansado na televisão a dizer-me que as empresas são locais de cooperação entre patrões, empregados e a cona da mãe dele. Amigo: locais de cooperação o caralho que ta foda. Este pulha dum cabrão, que nunca trabalhou numa puta duma empresa na vida, assim como a maioria destes inefáveis cabrões, que eu podia alegar não terem outro nome, não fosse o facto de já os ter apresentado como filhos da puta, mas dizia eu, este filho da puta, bandalho e pulha dum cabrão, sobejamente merecedor de todos os insultos que me forem ocorrendo, diz-me que a empresa é um local de cooperação. As empresas, cabrão desumano, são locais onde as pessoas convivem de forma mais ou menos saudável com um modo de vida/ocupação de tempo que, de forma mais ou menos saudável, aceitam ao longo de parte das suas vidas. Então explica-me lá, ó javali cagado pela arca, em que é que uma empresa é um local de cooperação, e não uma desesperada forma de prisão, quando um bando de filhos da puta destrói qualquer possibilidade de as pessoas terem uma remota esperança de construir algo edificante a que possam chamar vida, esperar que esta subsista, se mantenha e evolua positivamente sem a ajuda, mas especialmente sem a constante sabotagem, de um bando de filhos da puta. Se o referido bando de filhos da puta nos estivesse a ouvir, ouvir-se-ia por esta altura um deles dizer, de forma inacreditavelmente ponderada, dotado da mais fina filha-da-putice - que este bando de filhos da puta confunde com elevação, humanidade, sentido de estado e afins – diria que eu, e vocês todos, passámos estes anos todos a viver acima das possibilidades.

Mas quais anos, meu filho da puta? E quais possibilidades? Trabalho que nem um cão há 6 anos, a tempo inteiro mais as horas todas que não me pagaram, e o número de reduções salariais que tive, impostas por este bando de filhos da puta, é já próximo do número de empregos que tive na minha ainda curta carreira. Comprei um carro em segunda mão, uma mota para poupar no que não podia gastar com o carro, e vou jantar fora e ao cinema. Comprei uns discos, uns livros, fiz meia dúzia de viagens baratas, comprei uns móveis do Ikea e, durante o processo, paguei uma renda e uma catrefada de impostos. Vá lá, tentei ser feliz sem pedir ajuda a ninguém nem ir preso. Aceitei o mais serenamente que pude as regras do jogo, isto é, trabalho, trabalho e trabalho para usufruir do resto e conservar, em doses iguais, a saúde mental e a ambição, a primeira das quais começa a desvanecer-se, como se lê. E, no final de uma semana de 60 horas de trabalho que aceitei de bom grado por considerar justa e saudável a "relação de cooperação" mantida com quem me paga, ligo a rádio e é-me anunciada, por um filho da puta de currículo construído a favores, é-me anunciada a ideia peregrina com que este bando de filhos da puta, sem critério nem humanidade, resolveu premiar um país inteiro, que na sua maioria vive em muito piores condições do que eu.

Reduzir o salário mínimo? Aumentar ainda mais a precariedade de quem trabalha a recibos verdes? Transferir uma soma obscena de dinheiro dos trabalhadores para as empresas num país com clivagens sociais e económicas absolutamente trágicas, numa esperança infundada de que isso promova emprego? Isto já não cabe na cabeça de ninguém, e há um bom motivo para existir hoje uma impensável maioria que vai de António Nogueira Leite a Bagão Félix, passando pelos 4 sem abrigo que contei de casa até ao trabalho, mais as lojas falidas. Não é simbolismo nem retórica nem injustiça poética: isto é a vida, conforme ditada por um bando de filhos da puta, a abater-se sobre um país inteiro, dia após dia, cêntimo após cêntimo, impossibilidade após impossibilidade. Haverá um pingo de decência nestas cabeças? Milhões de vozes manifestam em uníssono a vontade literal de esganar estes filhos da puta, ao mesmo tempo que consideram, infelizes, a hipótese de fugir do seu próprio país, e estes filhos da puta aparentam não sentir nada. Foda-se, reduzir o salário mínimo. Há gente que merece o pior de nós. E é assustador que aí se inclua o Governo do meu país.

mãos ao ar, está a ser assaltado!


Estamos a ser roubados, essa é que é a verdade, não poupemos as palavras, não está tempo para isso. Com toda a desfaçatez (já para não falar na imoralidade e falta de sensibilidade) o governo, cada vez mais descaradamente, "desvia" dinheiro do trabalho para o capital. Não que eu tenha alguma coisa contra os patrões, aqueles que ganham a vida honradamente, que dão trabalho, que tratam e recompensam os seus trabalhadores com justiça e com respeito, mas não é desses que reza esta história. Estamos a ser roubados e mais seremos se nada fizermos, se continuarmos placidamente à espera que a crise passe e que o governo caia de maduro.

Sei que muitos, cuja única acção política é votar, e mal, de 4 em 4 anos, encaram esta manifestação com desdém, afirmando que para nada servirá. Sei que outros o que gostariam era de ir para as ruas partir montras, incendiar carros, apedrejar polícias, incendiar (sim, já o li) a Assembleia. Eu prefiro ir à manifestação, tão pacificamente quanto possível. É um embrião de esperança, uma demonstração de descontentamento, um desmentido a Vítor Gaspar que, ainda hoje, afirma no DN, categórica, imbecilmente, que "os portugueses estão dispostos a fazer sacrifícios".

Eu não estou pelos ajustes. Não quero ser roubado enquanto outros se pavoneiam com cada vez mais dinheiro, o dinheiro que nos é extorquido. A isso chama-se roubo e eu não gosto, mas não gosto mesmo nada, de ser roubado. 

Faça como eu. Vá à manif de Sábado mas, antes, ajude a divulgá-la. Imprima o folheto e distribua-o. Imprima o cartaz e cole-o (com fita gomada, respeite o património) em postes, portas, paredes, montras. Estão aqui:

Para informações e cartazes de outras localidades para além de Lisboa, comece por pesquisar aqui:

Temos que mostrar que não somos carneiros a caminho do matadouro.

sábado, às cinco, lá para as bandas da judite

 Mais informação em:
http://www.queselixeatroika15setembro.blogspot.pt/p/lista-de-eventos.html

a sexta-feira negra

Por Baptista-Bastos

Na última sexta-feira, Pedro Passos Coelho fez a pública confissão da sua derrota. Um homem acabrunhado, curvado e antigo veio dizer-nos dos novos pesares que teríamos de suportar. O ambiente era denso, sépia e contrito. Ao lado, pendente e sem garbo, a bandeira portuguesa. Dezassete minutos durou a funesta declaração: mais impostos, mais retracção, mais subtracção de salários, mais infortúnio para os velhos, para os reformados, para os pensionistas. Enfim: os portugueses estão irremediavelmente condenados à pobreza, ao passado, à servidão sem mistério nem ambiguidade.

As causas da nossa infelicidade têm sido endossadas a outros. Quem trepa ao poder é imaculado, impoluto e virgem do mais escasso pecado. O caso vertente é uma melancólica repetição. Primeiro, Passos atacou Sócrates, com selvagem persistência; depois, foi-se à troika, e indicou-a como raiz de todos os nossos males; acabou por ultrapassá-la nas decisões; agora, coube a vez ao Tribunal Constitucional, que tentou, em vão, impedir a prática de um crime contra quem trabalha ou trabalhou. O coro de críticas contra o acórdão pertence, ele também, a uma estratégia simbólica de defrontar seja quem se opuser ao Governo. Esta cultura caótica não é casual: faz parte da dispersão do nosso civismo, que permite a impunidade a todos os cambalachos morais.

O certo é que o dr. Passos Coelho e os seus estão metidos numa embrulhada fatal. Além das mentiras graves e das omissões patéticas a que se habituaram, enfiaram o dr. Cavaco, seu aliado preferencial, numa camisa de onze varas. O homem não pode continuar em mutismo formal. As pressões para que interfira não caucionam nenhuma daquelas ambiguidades em que é obstinado. Acontece um porém: se o dr. Cavaco veta ou se opõe às disposições do dr. Passos, a este não resta senão demitir-se. O que parece estar longe dos seus propósitos. Então, que fazer?

As pesarosas explicações do dr. Passos no Facebook acirraram, ainda mais, os rancores, os ressentimentos e, até, os ódios. O documento é torpe nos objectivos, medíocre na gramática e absurdo nos princípios. A manifestação do dia 15, promovida na Internet, sustenta-se nesses desígnios emocionais. Cego, cego, e surdo, surdo, o dr. Passos presume ter criado um valor intrínseco, e favoravelmente contagioso. As recentes declarações do dr. Nuno Crato, cujas tropelias na Educação não se esgotam, são disso exemplo. Quando diz que os professores não irão para a rua protestar, ou confia no medo tornado endémico ou numa salvífica expressão de complacência para com a sua política.

Seja como for, penso que está a encerrar um ciclo, e dos mais agressivos, medíocres e perigosos na sociedade portuguesa. Nada pode preservar da condenação esta gente que se mobilou a si própria com sobranceria e desprezo. Esta gente de coração de gelo.

o sonho de pedro passos coelho

Por José Vítor Malheiros


“Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar, e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventados quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar - mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazer algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto) votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à élite.”

hoje fui à matiné, mas o bilhete saiu-me caro

sábado, uma rodada de coelho para todos!


Imagens: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/ e Pedro Vieira, http://arrastao.org/

11/09/12

a guerra propaga-se

Uma multidão nunca vista em Barcelona - estimada pela própria polícia em mais de um milhão e meio de pessoas - manifestou-se hoje a favor da independência da Catalunha. O descontentamento já chegou a isto. Que mais irá acontecer até que os senhores da terra, e da guerra, percam a batalha e recuem para os seus castelos dourados à espera de melhores dias?











Imagens: http://www.publico.es

AVISO

OBJECTO DECORATIVO: NÃO MEXER



vamos-lhes fazer um manguito


Lembra-te das ofertas de emprego com salários de miséria ... dos jovens desempregados ... dos jovens que emigram ... dos jovens que querem estudar e não têm dinheiro ... do futuro que cada vez lhes está mais comprometido. Lembra-te e sai à rua no sábado. Se não o fizeres por ti, fá-lo pelos teus filhos, pelos teus netos. Mostra que lhes tens amor. E que tens dignidade, que não aceitas os insultos, os roubos, a depauperação, a degradação do Serviço Nacional de Saúde, da Educação, das condições de vida em geral. Nós não vivemos acima das nossas possibilidades. Outros o fizeram. Eles que paguem a factura. Com juros. 

acorda e reage, portugal!


Por Tiago Mesquita

Não sei se é hoje, amanhã ou depois. Não sei se vai ser no dia 15 deste ou do mês que se segue. Não faço ideia se será desta ou daquela forma. Mas sei, sinto, que é inevitável. Mais, é fundamental e historicamente necessário. Sei que vão ser os portugueses a escolhê-lo, fazer deste dia uma data para sempre. Fartos, exaustos que estão de esperar, confiando, acatando, acreditando e finalmente sendo traídos um sem número de vezes. Mas a verdade é que este dia não chega por si nem é carregado em ombros por quem nos mente descaradamente para conseguir o imediato, continuando depois a mentir para garantir o próprio futuro e do protetorado. O dia, esse dia, somos nós e a nossa revolta. Gosto de pensar que os dias são o que fazemos deles e não o contrário. Será o nosso dia, não deles. O Portugal de sonho de que nos falam ao ouvido e de mansinho, o vosso Portugal de sonho, aquele que nos vendem eleição atrás de eleição, tem sido o nosso pesadelo. É isto que temos. Um país desacreditado, socialmente empobrecido e tecnicamente falido.

No dia em que a sociedade civil tomar conta do país, no dia em que os melhores, mais qualificados, prodigiosos e competentes tenham o atrevimento de se dedicarem de corpo e alma à causa pública sem contrapartidas paranormais, no dia em que deixarmos de alimentar gerações e gerações de 'jotinhas', muitos deles incompetentes, incultos, mal formados, licenciados à pressa e sem vergonha com tão fácil acesso ao poder nesta jovem e inexperiente democracia (transformando-se este pequeno ninho num enorme vespeiro que caracteriza parte da classe política, a que nos suga e que delapida o país sem vergonha ou pesar em beneficio sempre, mas sempre dos mesmos, das mesmas famílias, empresas, bancos e interesses) talvez nesse dia distante e improvável Portugal consiga voltar a sonhar. Voltar a ser um país livre. Até lá estamos nas mãos deles. Gosto de pensar que um dia vão estar eles nas nossas.

"Amigo" Pedro. No meio da ladainha - aquela espécie de mensagem paternalista que decidiu escrever à nação via Facebook - disse uma coisa acertada, que passo a transcrever: "esta história não acaba assim". Estamos de acordo. Agora acredite, não vai ser o senhor a escrever o ponto final nesta história. O senhor é apenas mais uma vírgula errática entre muitos vírgulas tortas de um longo e sinuoso texto. O final vamos nós escrevê-lo, um dia destes.