07/06/12

o elogio da mansidão

Por Gui Castro Felga
http://oblogouavida.blogspot.pt/

passos ganha a lotaria


"Para o Governo, o Euro vem na altura certa. Passos Coelho ganhou a lotaria do calendário: as duas semanas repletas de jogos de futebol, vão permitir ao Governo descansar, acalmar, sossegar. E abafar o caso Relvas, esperando que entretanto os portugueses esqueçam. Mas não, Passos Coelho, eles não se esquecem."

João Lemos Esteves

do porto, com amor

Se tiver a oportunidade de abarbatar um exemplar do guia de restaurantes, cafés e bares do Porto, agarre-o e guarde-o ciosamente. A qualquer momento, pode sair de circulação toda a tiragem para que seja substituída a capa por outra sem mensagens subliminares nem insultos fluviais. Para os mais distraídos veja-se, no canto inferior esquerdo da imagem, o graffiti na fachada. Se se estiverem a referir ao Douro, acho mal. 




se é de extrema, que seja extremo

Num debate televisivo, o representante da extrema-direita grega, essa coisa que dá pelo nome de Aurora, porta-se como um cavalheiro, atira um copo de água a uma opositora e agride outra. Sendo de extrema-direita, porque carga d'água é que a criatura não podia recorrer a medidas extremas para calar quem lhe faz frente? Mas, sejamos honestos, um copo de água não é arma de homem. Um balázio sim, era o que vinha a calhar. Lá chegaremos.

antes bêbedo do que drogado?


Vamos imaginar esta situação, longe vá o agoiro: que tenho um filho que dá em alcoólico. E que eu, pai extremoso, suspiro de alívio e grito vitorioso: antes bêbedo do que drogado! E não faço nada para o ajudar a livrar-se do vício.

É parvo, é criminoso, não é?

Mas não é disso que Miguel Sousa Tavares acusou Francisco Louçã há uns dias na televisão? De, para salvar o seu país de Sócrates, o ter atirado para os braços de Passos Coelho? Que deveria ter ficado quietinho, não ter feito nada para ajudar o filho bêbedo, não fosse ele dar em drogado?

Não recebo comissão de Louçã, sou tão adepto do Bloco de Esquerda como de qualquer outro partido que queira livrar o país da droga neoliberal em que nos atolaram, mas há raciocínios que não ficam bem a gente inteligente. Eu acho.

temos caos no jardim

Os dois últimos bonecos do blogue We Have Kaos in the Garden. Certeiros. Mordazes. Sempre!


Imagens: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

está a mudar, a bandeira da europa


a solução final


Se tivesse conhecimento da minha ignara existência - mas não tem, obviamente, V. Exa. está acima do comum dos mortais e não tem tempo para ouvir a populaça -, haveria de pensar que eu o elegi como inimigo público número um, que não o deixo fazer o seu titânico trabalho, o de reerguer Portugal, sem uma crítica soez, sem ver o mal onde V. Exa. só faz o bem, em nome dos portugueses pelos quais nutre a mais pia das compaixões. V. Exa. o disse, com a voz embargada e um lacrimejo no olhar.

Mas, porra, Dr. Coelho! É que, ao saber que o governo (é um governo o que V. Exa. chefia, não é?) tem um programa revolucionário para mitigar o desemprego jovem, com contratos necessariamente precários e salários de 700 euros, mais uma vez tenho que estar contra si, os seus ministros e a sua política, essa sim, soez.

Sei que os seus deputados, sempre solícitos a fazer de cãozinhos da Gramophone, o defenderam com unhas e dentes, acusando os partidos do reviralho, esses patifórios, de estar contra a bondade do governo, que o que quer é ver a juventude toda a trabalhar, não importa a que preço ou a fazer o quê.

Claro que muitos jovens apreciarão a justeza da medida e ficarão contentes com as migalhas que lhes couberem no prato. Mas eu não, que me perdoe V. Exa. a aleivosia. É que já estou a ver o fundo ao tacho: de medida excepcional passará a tendência definitiva e, daqui para o futuro, pagar ordenados de 500, ou 600 ou 700 euros será coisa normal porque os portugueses, lembre-se, andam há anos a viver acima das suas possibilidades, a jangada de pedra nunca deveria ter descolado das costas de África, achámo-nos do primeiro mundo mas é no terceiro o nosso lugar.

E vou mais longe. Não me parece que, com 700 euros, e em muitos casos até menos, os jovens possam acalentar o sonho de constituir família. Ou seja: entre emigrar e não procriar, teremos um país cada vez mais envelhecido. Daí até à falência da Segurança Social vai um pequeno passo. Para a solução final.

06/06/12

uma canção para coelho

no limiar da dignidade

Por Paulo Ferreira

O número de novos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) mais do que triplicou durante o primeiro trimestre deste ano, relativamente aos dados dos últimos três meses de 2011. Ao todo, há agora 330 mil pessoas cujo único rendimento provém desta prestação social. Quase 40% dos beneficiários são menores!

Não é despiciendo lembrar o que é o RSI, para tomarmos devida nota da dimensão do que está aqui em causa. O RSI é uma prestação monetária que pretende satisfazer as necessidades básicas (sublinho: básicas) de quem prove não ter suficientes fontes de rendimento para viver com um mínimo de dignidade. Além disso, é suposto o RSI promover - ou ajudar a promover - a integração social e profissional de quem dele beneficia. Quer dizer: estamos a falar de um instrumento de ajuda aos absolutamente necessitados.

Para percebermos quão decisivo o RSI pode ser para indivíduos e famílias, basta olhar para os valores atribuídos - o valor médio da prestação foi, em março, de 91,7 euros (qualquer coisa como 3 euros por dia); o valor médio mais elevado, entregue no distrito de Bragança, foi de 103,4 euros; o valor médio mais baixo, entregue nos Açores, foi de 76,4 euros (2,54 euros por dia). Estamos no mínimo dos mínimos, estamos para lá do limiar da pobreza, estamos a roçar o limiar da dignidade.

Para lá da tragédia que mostram, os números espantam? Sim e não.

Sim, porque com a criação da chamada condição de recursos, que deu um forte aperto nos critérios de atribuição do RSI, era suposto que o número de pessoas e famílias beneficiadas caísse, pelo menos, entre 20% e 25%. Não caiu - subiu.

Sim, porque o esforço de fiscalização feito pelo Ministério da Segurança Social permitiu baixar as prestações indevidamente atribuídas, por um lado, e, por outro lado, fez subir a recuperação coerciva das ajudas ilegalmente prestadas.

Sim, porque o esforço de reinserção devia tirar do sistema algumas largas centenas de beneficiários. A verdade é que, em vez disso, cresce o número dos que regressam ao RSI, depois de lá terem conseguido sair.

E não. Não, porque a crise gerou uma significativa quebra do rendimento médio, deixando indivíduos e famílias à beira da falência (senão mesmo mergulhados nela).

Não, porque o aumento em espiral do desemprego empurra quem não tem trabalho para fora do sistema. Isto é: empurra-ºos para o recurso ao RSI.

Não, porque metade das 800 mil pessoas que não têm emprego já não recebe subsídio. Ou seja: é empurrada para o RSI.

Quando vai isto parar? Só há uma certeza: a reestruturação em curso da economia portuguesa vai atirar borda fora muitos mais milhares de portugueses. E o RSI não vai chegar para amenizar os estragos.

d. januário compara passos a salazar e não é o único



http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=2594124


esta gente pode ter mansões de luxo, pode espatifar bólides, mas não pode pagar a um professor de português


E disse Cristiano Ronaldo, dirigindo-se a Cavaco Silva que, não tendo mais nada que fazer, como se tem visto, recebeu os jogadores da selecção em Belém para os encorajar e pedir que nos dêem a alegria de fazer boa figura: 

"Em nome da selecção entrego-lhe esta camisola e convidamos você para ir assistir a um jogo, tá?"

o declínio da civilização

o caça-ricos

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o emplastro

como quem marca gado


PPC, que não é nenhuma marca de pneus, porcas ou adubo, antes fosse, mostrou-se ontem embevecido com os portugueses, a quem agradece a paciência. 

Não me inclua no grupo, oh doutor! A paciência já se me foi há muito, generosidade para com as gentes da sua laia nunca a tive, a indignação e, não tenhamos medo das palavras, a raiva crescem-me a cada dia que passa.

Não que eu ache que o País, com Sócrates, ou Santana Lopes, ou Durão Barroso, ou Guterres, ou Cavaco Silva, fosse sustentável. Que não fossem precisas medidas austeras de contenção de despesa. Ai eram, pois eram. A corrupção alastrava como um cancro imenso, muitas empresas viviam à conta do Estado, os salários e demais alcavalas dos gestores públicos eram escandalosos, as mordomias dos políticos eram impossíveis de suportar por muito mais tempo, as obras de fachada sucediam-se por todo o País para engordar construtoras e gentes das autarquias, muitos andaram a viver acima das suas possibilidades, com mansões nas Quintas do Lago ou da Marinha, Ferraris e Porsches a dar com um pau, férias em paraísos turísticos e dinheiro em paraísos fiscais.

Por outro lado, o povo português, apesar de sucessivas promessas eleitorais de prosperidade, continuava na cauda da Europa. Era dos que ganhavam menores salários. Dos que tinham pior qualidade de vida, apesar das enxurradas de dinheiro que nos vinham da UE.

Que fez o doutor, sabendo que contaria com a paciência dos portugueses? Acabou com a mama do Estado e de quem vivia à conta do Estado? Favoreceu quem, honradamente, vivia do seu trabalho, nem sempre reconhecido, nem sempre pago com justiça e decência? Não. O que o doutor fez foi deixar intacto o imenso polvo voraz da corrupção e clientelismo (algumas acções isoladas, aqui e ali, são meras operações de cosmética que não enganam ninguém, as plásticas têm-lhe corrido mal), e, ao contrário, persegue quem vive do seu trabalho com a sanha não de um coelho, mas de um lobo esfaimado. Não lhe tem escapado nada. Facilidade de despedimentos (para criar emprego, diz, e está-se mesmo a ver que assim tem sido). Salários cada vez mais baixos. Ofertas de emprego, quando as há, com exigências de qualificações elevadíssimas em troca de 500 ou 600 euros por mês. Saúde pior e mais cara. Educação pior e mais cara. Impostos que tem mandado subir com a fúria de um tresloucado, das taxas municipais ao IVA nada tem escapado às suas malhas, insaciavelmente gulosas. Nunca pagámos tanto por uma sandes, pela electricidade, pelo gás. Corta feriados, reduz dias de férias, suprime - sabe-se lá até quando - os subsídios de Natal e de férias, e o rol de malfeitorias não acaba aqui mas, confesso, a prosa vai larga e a minha paciência, já lho disse, é pouca ou nenhuma. Esgotou-se ainda o doutor andava pela juventude do seu partido a sonhar com altos voos que, orgulhosamente, atingiu.

Mas os portugueses, uma maioria silenciosa e temente, se não a Deus pelo menos ao doutor e às suas ameaças constantes de "ou eu ou o apocalipse", têm mostrado, é um facto, uma imensa paciência, uma bovina paciência, que me faz lembrar a dos maridos enganados que se mantêm pachorrentamente mansos perante o pecadilho conjugal. É que, mal comparado, o doutor fez-nos a mesma coisa: encornou-nos. Prometeu uma coisa e fez outra. Anunciou servir-nos e serve outros. Jurou-nos fidelidade e anda a correr para os braços de gente mais anafada, se não de corpo pelo menos na carteira. Que lhe faça bom proveito, gostos não se discutem, mas não esteja à espera de paciência, nem de simpatia. Muito menos de votos. Cá se fazem, cá se pagam. Até um boi manso, ao ser marcado a ferro e fogo, escoiceia. Espere para ver.

miséria moral

Por Baptista Bastos

O dr. António Borges é um senhor de meia idade, cabelos ruivos e ralos, carregado de currículo, de patronímicos virtuosos e de tarefas cintilantes. Onde há funções que exijam perícia e frieza, lá está ele a preenchê-las com zelo e vultosas compensações. Em matéria de números, estratégias de lucro, prospectivas financeiras, mercados e juros, o dr. Borges sabe-a toda. Um jornalista de Le Monde, que o estudou, fala de mistério e de oclusão, num livro que está aí, cujo título, O Banco - Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo, e cujo conteúdo é demasiado perturbador para que o ignoremos.

Sobre todos estes tranquilos predicados, o dr. Borges é cristão, formal e brunido, conselheiro do Governo para as privatizações, dedicando-se, claro!, a outros biscates. Em 2011 arrecadou 225 mil euros, fora o que escorre, isentos de impostos. Pois o dr., em declarações a um jornal, foi veemente e irretorquível, na defesa da redução de ordenados. Disse, entre outras pérolas cristãs e compassivas: "A diminuição de salários, em Portugal, não é uma política, é uma urgência e uma emergência." Apesar da "miséria moral" em que vivemos [Francisco Pinto Balsemão dixit], as ditosas frases não caíram no vazio. Um vendaval de protestos e de indignações cobriu-o e à desvergonha das afirmações. O coro estendeu-se. A bojarda foi execrada por gente do PSD e do CDS, não muita, diga-se de passagem, mesmo assim...

Sorridente e na aparência são, o dr. Pedro Passos Coelho apoiou, com límpido silêncio, as declarações do dr. Borges. Loquaz foi, isso sim, com os procônsules da troika que, entre outras exigências, prescrevem o afastamento dos sindicatos de negociações e uma maior flexibilização das leis do trabalho. Dias antes, no jantar do Conselho Europeu, o governante português, "contrariando Monti, Hollande, Rajoy, Juncker, o FMI e a OCDE, entre muitos outros líderes e instituições, apoiou Angela Merkel contra as euro-obrigações", escreveu (DN, 25 de Maio, pp) o prof. Viriato Soromenho-Marques. Este, com a habitual lucidez, acrescentou: "O escândalo racional da chanceler alemã é, assim, apoiado pelo mistério irracional do comportamento do primeiro-ministro português. A lógica da subserviência tem, na decência, o seu limite moral, e no interesse nacional o seu absoluto limite político. Passos está a rasgar todos os limites."

A situação não é, apenas, política; é, também, moral, como diz o articulista. A história, para muitos de nós, continua a ser uma memória de facínoras, com as linhas de sustentabilidade mantidas por vastos interesses e por jornalistas e comentadores estipendiados. A comunicação de sentido, ao público, é propositadamente ambígua, a fim de salvar as aparências. Esta gente que dirige o País não se recomenda pela decência e pela integridade. É uma "miséria moral".

prova final: passos coelho jurou que não fazia tudo o que veio a fazer

em cada esquina, uma nova oportunidade

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

05/06/12

descubra as diferenças



Este es el presidente más pobre del mundo


Vive con solo 1.250 dólares al mes y quiere que se elimine la pensión de jubilación presidencial. Su perra no tiene ningún pedigree y su carro es un modesto escarabajo Volkswagen.


Ser presidente de un país le cambia la vida a más de uno, pero existen pocos (muy pocos) que prefieren mantener la vida de siempre, en una casa sencilla, con la ropa y los amigos de toda la vida.

Es el caso de José Mujica, ‘El Pepe’, presidente de Uruguay, quien es considerado el mandatario más pobre del mundo. ¿Qué lo ha hecho obtener tan noble título? Mujica percibe por ley 12.500 dólares mensuales. Sin embargo, dona el 90% de sus ingresos a fondos de ayuda social, con lo que solo le restan alrededor de 1.250 dólares (20 mil pesos en moneda nacional) para sus gastos personales. “Con ese dinero me alcanza, y me tiene que alcanzar porque hay otros uruguayos que viven con mucho menos”, dijo alguna vez, según recuerda en un reciente perfil el diario El Mundo de España.

Su esposa, la senadora Lucía Topolansky, también dona un porcentaje de su salario.

Mujica y Topolansky, que son pareja desde el 2005, viven en una chacra modesta a las afueras de Montevideo, en Rincón del Cerro, junto a la simpática Manuela, una perrita sin pedigree y un poco coja. Fuera de la chacra, el único patrimonio que ha declarado es un viejo Volkswagen color celeste (un ‘escarabajo’), valorizado en 1.945 dólares.

La última muestra de la humildad de Mujica se produjo el pasado miércoles, cuando salió de casa para comprar una tapa nueva para su inodoro. Lo acompañaba, por supuesto, la infaltable Manuela.

De pronto, un grupo de jugadores del club del barrio, Huracán del Paso de la Arena, lo vio y le pidió que los arengara antes de un partido muy importante. Mujica no dudó en aceptar y cuando llegó al local del club, le dio una charla motivacional al plantel. Además, accedió a tomarse todas las fotos que los hinchas, jugadores y cuerpo técnico le pidieron, y hasta prometió asistir al asado de festejo si el equipo lograba el ansiado ascenso a la Primera B (Segunda División).

Luego, como un hombre común y corriente, subió a su modesto auto, cargó a Manuela y volvió a casa. ¿Habrá instalado ya la tapa nueva de su inodoro? Seguro que sí.

o cerco aperta-se (actualizado)

Ainda há coisa de meia-hora, reproduzi no facebook um artigo de João Lemos Esteves critico a Relvas. O artigo foi entretanto retirado. Mas o cerco a Relvas aperta-se, e quem diz a Relvas diz a Passos Coelho que, não querendo perder o seu "braço direito", vai perder a cabeça, metê-la no garrote.

Eis, por exemplo, uma notícia publicada agora na Visão online e que, prometem, será amanhã desenvolvida na versão em papel:

Pelo sim pelo não, não vá o link ser desactivado por qualquer acidente técnico - "ou assim" - aqui fica o texto completo:

Ex-empresa de Relvas sob suspeita

A Finertec, empresa que Miguel Relvas administrou, até maio do ano passado, foi investigada na "Operação Furacão"

Por Paulo Pena e Ricardo Fonseca

A VISÃO apurou que a Finertec foi investigada no âmbito da Operação Furacão, na sequência de suspeitas de fraude e evasão fiscal. 

A equipa do procurador Rosário Teixeira investigou também o Banco Fiduciário Internacional (BFI), com sede em Cabo Verde, que aparece nos registos oficiais como o único acionista da Finertec. 

Segundo fonte policial, já foram constituídos três arguidos. Os factos em investigação remontam a 2006, dois anos antes da entrada em funções de Miguel Relvas. 

Na edição desta semana da VISÃO reconstituímos os meandros complexos de uma empresa, sediada em Lisboa, com ligações a Angola.

A reunião que Relvas manteve com a Ongoing, onde estava Jorge Silva Carvalho, conhecida na semana passada, puxou o fio à meada.

Ler mais: 
http://visao.sapo.pt/ex-empresa-de-relvas-sob-suspeita=f668518#ixzz1wwV7FcHO

ACTUALIZAÇÃO:

O Expresso repôs online o artigo de João Lemos Esteves desactivado durante a tarde. Ei-lo na íntegra, antes que desapareça outra vez:

"oh pedro, olha o SMS que o carvalho me enviou agora mesmo!"


à porta da brasileira, dois tipos encontram dois!


Vamos lá ver: quem é que, dos meus amigos, quer ir à manifestação dos desempregados a 30 de Junho? Eu vou estar à porta da Brasileira às 14.45. A manif começa às 15 h e vai do Camões a S. Bento, do largo do poeta para a mansão das petas. Olarilolela!

em passos obedientes, fazemos empreendedorismo!


carneiros

Primeiro, estamos a ser tosquiados. Depois, logo se verá. Sei que a imagem é chocante. Mas não vamos lá em pezinhos de lã.


e no canadá?

Os estudantes canadianos estão há mais de dois meses nas ruas. E o protesto já excedeu há muito as reivindicações estudantis. Sob o espírito do movimento Occupy, lutam contra as medidas neoliberais do governo, por mais democracia, mais justiça social. Do Cairo a Montreal, as gentes lutam nas ruas por um mundo em que Merkel, Coelho, Barroso, Cameron, Rajoy e outros não acreditam e que não querem. Como, parece ser esse o caso, a larga maioria dos portugueses que, calando, cavam a sua própria sepultura. Ah! Mas nós não somos a Grécia. Nem o Canadá. Nem Espanha. Nem nada.

portugal 2012


Querem pôr uma bandeira na varanda? Ponham esta.

passos e salazar: quem foi melhor?

Orgulhoso, feliz, impassível perante a miséria portuguesa, Passos Coelho afirma que as reformas estruturais do país são as maiores desde há 50 anos. Ele sabe do que fala. Nem Salazar se atreveu a tanto.

não me digam! é mesmo?


a passos do abismo

Passos diz que os portugueses já não estão perante o abismo. Pois não. Já caímos. E mais vão continuar a cair. No desemprego. Na mendicidade. Na fome. No suicídio.

prostitutos de luxo

Hoje há sondagens, no Expresso. O PCP e o BE, apesar de subirem nas intenções de voto, chegam juntos apenas aos 18%. Ou seja, os votos nos partidos da esquerda, da verdadeira, com todos os seus erros, é certo, mas sendo a única que temos porque o PS não conta, e se conta é só para atrapalhar as contas, são muito inferiores ao número de portugueses que tem a cabeça e o coração deste lado do espectro político.

Porque será?

Eu tenho, pelo menos, duas respostas. A primeira, que esses partidos pouco ou nada fizeram para se credibilizarem como alternativas de poder. A segunda, que os homens e mulheres de esquerda votam pouco, não acreditam no sistema partidário, não se revêem em nenhum desses dois partidos nem neste simulacro de democracia em que temos vegetado (e empobrecido).

Por mim, não desisto e continuarei a votar. Sei que muitos não concordarão, estão no seu direito, mas não votar em nenhum deles, ou noutros ainda mais pequenos, será continuar a dar a maioria aos partidos de alterne, o PS e o PSD e, confesso, estou farto de prostituição política e de prostíbulos, seja em São Bento seja em Belém, seja no Rato ou na São Caetano. Estou farto de ser f........ e mal pago.


obituário



Acontece. O senhor Trololó pifou, bateu a bota, não canta mais. O mundo ficou mais mudo.

04/06/12

que se lixe a taça


Leonor Beleza recebeu hoje na Fundação Champalimaud, para almoçar, os jogadores da selecção portuguesa de futebol. E, pouco depois, Cavaco recebeu-os no Palácio de Belém, debitando mais um dos seus imortais discursos e mendigando, aos jogadores, uma vitória que traga alegria aos portugueses.

Devo confessar que, não sendo um adepto de futebol, desde sempre acompanhei a selecção nacional em jogos internacionais, vibrando com as suas vitórias.

Desta vez, não. O momento é grave demais para festas e alienação. Que perca ou ganhe, tanto se me dá como se me deu. Estou mais solidário com o desempregado da fotografia do que com os ases da bola. Estou mais esperançado na derrota de Passos Coelho do que na vitória de Ronaldo. Em vez de uma bandeira à janela, um qualquer pano preto seria melhor, mais adequado para assinalar o tempo presente.

Alegria maior para os portugueses, se os portugueses se preocupassem tanto com as suas próprias vidas como se preocupam com o futebol, seria este governo cair, a austeridade acabar, a democracia funcionar. Mas, como também hoje disse ufano um deputado do CDS, Portugal não é a Grécia, aqui não há contestação, gostamos de levar pontapés, é o que é, e assim o governo está livre para tomar as medidas que muito bem entender a favor do grande capital, dos grandes patrões, dos grandes barões partidários, senhores de secretas e bancos secretos. A bem da nação. Nação onde não existimos, que não é a nossa, é a deles. Nós somos apenas carne para canhão, mão-de-obra que se quer cada vez mais barata, escravos encapotados, seres menores e descartáveis. De usar e deitar fora.

Não, não, não. Desta vez, não vou à bola. Que se lixe a taça. O meu campeonato é outro.

a ascensão e queda do quarto reich


o regresso dos bórgias

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

o governo trata-nos da saúde


Por Daniel Oliveira

O secretário de Estado adjunto e da Saúde admitiu publicamente que algumas terapias usadas em alguns pacientes com cancro podem deixar de ser financiadas em breve pelo Serviço Nacional de Saúde. Leal da Costa põe a possibilidade de reduzir a cobertura até agora assegurada e deixar de pagar os tais atos que ele (ao contrário dos médicos que os usam) considera de "eficácia duvidosa". Adiantou, como exemplo "extremo", as terapias que prolongam por pouco tempo a vida de alguns doentes de cancro. A Ordem dos Médicos e duas associações de doentes oncológicos consideraram esta afirmação "alarmante para os doentes" e as declarações do governante "desumanas" e "perversas".

Para além de doentes e médicos, muitas almas sensíveis terão ficado chocadas com esta ideia. Julgarão que, agora sim, o governo ultrapassou a fronteira que a dignidade humana exigiria. Que cabe ao Serviço Nacional de Saúde lutar até aos limites do conhecimento científico e da vontade de doentes e famílias, apoiados pelo saber dos médicos, pela vida das pessoas. E que o momento da morte não pode depender do dinheiro que cada um tenha na carteira ou no banco.

Que parte do que se está a passar nos últimos dois anos não perceberam?

Não ouviram dizer que o nosso Estado era gordo? Julgavam que a gordura era o quê? As parecerias público-privadas? Os benefícios fiscais à banca? O resgate a instituições financeiras falidas? O Estado sempre foi gordo para quem mais tem. O que o Estado Social trouxe de novo é que passou a tratar dos mais pobres. Não é o Estado Social incomportável? Julgavam que o poder diferenciado de pobres e ricos não se ia sentir na hora de emagrecer o Estado? Achavam que aquele que é, segundo os rankings internacionais, um dos melhores sistemas públicos de saúde de mundo era compatível com a dieta do Estado?

Não ouviram dizer que o Estado asfixia a iniciativa privada? Julgavam que nesta libertação do jugo estatal as empresas dispensariam o mais lucrativo dos negócios, com procura certa e consumidores desesperados? Julgavam que era nos trocos que se estava a pensar? Não tínhamos de acabar com "Estado paizinho"? Julgavam que este desprendimento ganharia uma súbita sensibilidade na hora da morte?

Não ouviram dizer que, num dos países mais pobres e desiguais da Europa, vivíamos acima das nossas possibilidades? Se vivíamos acima das nossas possibilidades, não acham que vivemos para lá das nossas possibilidades? E que viver mais uns dias, mais umas semanas, é um luxo incomportável?

Não ouviram dizer que para sairmos da crise teríamos de empobrecer? Julgaram que empobrecer era uma coisa limpa e honrada? Que não se pagaria em vidas, em fome e em ignorância? Não compraram a estúpida ideia de que os portugueses andaram a viver como se não houvesse amanhã, entre a compra de carros topo de gama e viagens a Cancun? Cumprida a promessa de empobrecimento de um povo já pobre queixam-se de quê? Dos "portugueses", de que esta gente falava, afinal não serem uma entidade abstrata, mas cada um nós?

Não, o governo não passou fronteira nenhuma. Passámo-la nós todos, quando aceitámos sem indignação este discurso. Quando tratámos como coisa menor os ataques ao Estado Social que conquistámos contra a vontade de quem sempre viveu do privilégio. Não percebendo que foi ele que permitiu, à maioria de nós, o nascimento em segurança, o ensino garantido, o aumento da nossa esperança de vida.

Quando alguns dizem que o saque às funções sociais do Estado a que estamos a assistir é criminoso não estão a socorrer-se de liberdades literárias ou de um excesso de adjetivação. É mesmo criminoso. No sentido literal do termo. A transferência de recursos do Estado e dos rendimentos do trabalho para a ganância privada terá um preço. O empobrecimento que nos vendem como coisa purificadora terá as suas vítimas. O preço será em vidas e em dignidade. As vítimas serão as do costume. Pena que sejam elas, tantas vezes, a comprar com entusiasmo ou resignação a propaganda dos que nunca toleraram a ideia de, nos últimos trinta anos, os pobres deste país terem conquistado alguma dignidade, prejudicando com as suas conquistas tantas oportunidades de negócio.

Não há nenhuma nova perversidade ou desumanidade no que disse o secretário de Estado. É apenas a consequência lógica do discurso agora dominante. Esse sim, perverso e desumano. Se continuarmos a aceitar sem luta perder tudo o que conquistámos, a proposta deste senhor nem será assunto daqui a uns tempos. Porque isto é só o começo.

há protestos no rock in rio? acabe-se com o rock in rio!

para ajudar a desempregar uns quantos que eu cá sei, eu vou!


Cavaco Silva disse, há pouco tempo, que 10.000 euros por mês não lhe chegavam para as despesas. Miguel Relvas e Passos Coelho já afirmaram em público que os jovens só terão melhoria na sua vida se emigrarem, e insultaram os que ainda não o fizeram dizendo que «não querem sair da sua zona de conforto». Agora, Passos Coelho diz que «o desemprego é uma oportunidade para mudar de vida» e que não se deve «estigmatizar» um despedimento.

É notório o desrespeito dos membros do Governo, dos deputados da maioria, e do Presidente da República, em relação aos trabalhadores desempregados. Desrespeito que já vem de longe entre os partidos que nos governam: não esquecemos que José Sócrates assinou um memorando com a troika onde está escrito, preto no branco, que é preciso reduzir de 24 para 18 meses o tempo do subsídio de desemprego porque «a actual duração do subsídio não estimula a procura de trabalho»!

Os desempregados não são calaceiros. São as vítimas da política de PS, PSD e CDS, de há muitos anos, de destruição da economia nacional, destruição da protecção laboral, venda ao desbarato de empresas públicas, permissividade total aos negócios mais mirabolantes no sector privado - com o seu cortejo de falências, deslocalizações, despedimentos colectivos, «lay-offs» -, ausência absoluta de um modelo económico que não assente em trabalho barato e sem qualificações. Se há desemprego não é por culpa da falta de empreendedorismo, de proactividade, de dinâmica e espírito de iniciativa dos desempregados: é porque há a decisão política de não investir na economia. A decisão política de não qualificar os trabalhadores. A decisão política de não negociar em favor de Portugal junto da UE. A decisão política de prejudicar os trabalhadores e beneficiar o capital.

Porque rejeitam todas estas decisões políticas, e sobretudo porque sentem vivo repúdio por quem lhes destruiu o emprego e ainda os culpa por isso, os desempregados vão sair à rua em todo o país, convidando a juntar-se-lhes todos os partidos políticos, todos os sindicatos, todas as associações, todos os movimentos sociais, todos os colectivos, e todos aqueles que rejeitem esta política de insulto a quem não trabalha por decisão política dos partidos ao serviço do capital.

O desemprego não é uma oportunidade: o desemprego é uma catástrofe nacional, cujos culpados não são os desempregados, nem os imigrantes, nem as conjunturas, nem as inevitabilidades: os culpados são os partidos cujas políticas criaram, maciçamente, o desemprego, e que têm ainda a suprema desfaçatez de atirarem a culpa para o agredido por eles!


força homenzinho, força!

Já conseguiste reduzir os salários, atirar milhares para o desemprego, retirar investimentos à saúde e à educação, desde que não correspondam a negócios privados, bem entendido. Estás a vender as últimas jóias da coroa, não importa se a árabes ou chineses, ditadores ou larápios. Aumentaste os impostos até ao delírio. Fizeste tudo isto em quase um ano. Isto e muito mais. É obra. Sabes obrar.

Por isso eu digo, em tua homenagem e esquecendo a cedilha num acordo ortográfico que é só meu: forca homenzinho, forca!

03/06/12

contrastes de portugal



Casa de Duarte Lima na Quinta do Lago, Algarve. 

hoje é um grande dia!


Portugueses trabalharam até hoje só para pagar impostos
Por Lucília Tiago

Este ano, os portugueses tiveram de trabalhar até hoje, para conseguir pagar a totalidade das suas obrigações fiscais. Foram 155 dias, mais cinco que em 2011, de acordo com o estudo da organização New Direction - Fundação para a Reforma Europeia. Em 2000, bastava trabalhar até 8 de Maio para saldar as contas com o Fisco. A partir de hoje é o primeiro Dia Livre de Impostos. "É demasiado", sublinha o fiscalista Tiago Caiado Guerreiro.

quem vem na capa, sempre escapa

António Borges, que segundo dizem as más-línguas e as fontes bem informadas, saiu do FMI por incompetência, e que é o ministro sem pasta que anda a vender Portugal a pataco, com não menor incompetência, para gáudio de chineses e outros malteses, afirma alto e bom som que descer os salários dos portugueses não é uma questão política, mas de urgência. Felizmente, em Portugal, a mansidão impera, os indignados são poucos, os heróis da pátria são gente desta, ignóbil, mesquinha, imoral. O povo não acorda. Não sabe nem sonha que, qualquer dia, nem cama tem.

o horror




Vi estas fotografias no facebook, com a informação de que estes cães e gatos foram mortos na Ucrânia ... para "limpar" as cidades que acolhem o Euro 2012. Desconfiado com a sua veracidade, fui fazer uma investigação a sites fidedignos, incluindo em http://action.peta.org.uk. É verdade. A fotografia é verdadeira, a notícia é genuína. Pergunto-me se não estaremos a ficar loucos ou se isto é mais uma prova de que estamos perante um retrocesso social sem precedentes, um regresso à barbárie. 

Um alerta final: para ver o vídeo, é preciso ter um estômago forte. Ou um coração empedernido.


a oportunidade

Por António
http://expresso.sapo.pt