17/08/13

coelho vaiado é povo abençoado



Ontem, na Quarteira, Passos inaugurou a rentrée. E nós também, apupando-o até que saia.

reTOMA!


Lá vieram os apaniguados, os apoderados, os comparsas, os prosélitos, os sabujos do Coelho indigesto, mais os comentadores encartados e os politólogos engajados, mais os equilibristas, os malabaristas, os palhaços, domadores, trepadores e demais troupe do grande circo lusíada, lá vieram todos eles cantar vitória, deitar foguetes e apanhar as canas, que os sacanas nunca fazem a festa por menos. A economia do País está a recuperar, ufanam-se!, crescemos no último trimestre mais do que o resto da Europa, gabam-se!, o desemprego está a baixar, regozijam-se!, a crise já era, Portugal já é. 

Esquece-se essa gente de que, entretanto, centenas de milhares de pessoas foram escorraçadas dos seus empregos e que, em larga maioria, nunca mais voltarão a encontrar trabalho. E esquecem-se que milhares de empresas fecharam as portas, que os impostos subiram em flecha sob a batuta de um tresloucado e que, excluindo uns poucos milhares de larápios e finórios, os do costume, os donos de Portugal e seus discípulos, nós, os demais, empobrecemos. Recuámos perto de 15 anos em poder de compra, vemos o futuro cada vez mais negro e o presente cada vez mais incerto.

Claro que a dispendiosa máquina de propaganda do Coelho amaro deve ser eficaz ou não teria ele tanta gente a vir-lhe comer nas palminhas, mendigando-lhe as gordas migalhas do repasto que o Estado só serve a alguns. Aos outros, a quase todos, corta-lhes as pensões, os salários, os feriados, os empregos, a Saúde, a vida mas, mesmo assim, aposto que muitos votarão, convictos e agradecidos, no Coelho podrido. Nem que, para isso, mortos tenham que votar.

O PS que se segure. Pelo andar da carruagem, com os exageros publicitários que fazem ver retomas onde elas não existem e paraísos que não passam de miragens, o Seguro pode morrer de velho mas nunca chegará a primeiro-ministro. Não que venha daí grande mal ao mundo ou ao País, desgraça não será, mas graça não terá continuarmos com o Coelho azedo a agoniar-nos a existência. Tende piedade de nós!

o algarve antes do cerco

A Praia da Rocha, quando ainda não tinham chegado, ao ataque, os patos-bravos. Não sou saudosista, muito menos inimigo do progresso, mas, para fazerem do Algarve o que fizeram, mais valia terem-no deixado assim ...








Imagens recolhidas em: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/

conselho d'amigo



Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

ouve, maduro

Por Artur Portela

Ouço-te cometer o mesmo erro de sempre.
Depreciar o riso.
Sustentar a gravidade, o espírito de seriedade.
Acácio.
Abranhos.
E Steinbroken.
Os briefings.
Os briefings são, para ti, em si mesmos, coisa pouca, coisa nenhuma.
O fundamental, dizes, é a comunicação política útil.
A comunicação governamental útil.
É a promoção da transparência.
O reforço da democracia.
Pelo que, aproximadamente o dizes, aqueles que promovem os briefings a desencadeadores de crises, a casos, são talvez dignos dos programas humorísticos de televisão, e das páginas humorísticas dos jornais.
Não são decerto dignos do respeito de um país em crise, numa Europa em crise, num mundo em crise.
Se eu não fui por ali, deixa-me que te sugira que não vás, tu, Maduro, por aí.
O riso são milénios de cultura.
O riso são milénios de eficácia.
O riso é, também, Portugal.
O riso é a coisa mais séria e mais eficaz do mundo.
Dramática, por vezes.
Portanto, os briefings, estes, claro que são também menoridades.
Mas são expressões de menoridades a montante..
Expressões das vossas menoridades culturais.
Das vossas menoridades políticas.
De quão abanado é o vosso critério.
De quão cata-ventista é a vossa irrevogabilidade.
A tua agência de imagem, a tua agência de publicidade, os tycoons de imagem, de publicidade, de linguagem que frequentam o teu gabinete, que, vêmo-lo na televisão, se agitam, noite fora, fumando, às janelas iluminadas da tua ansiedade, sabem perfeitamente que não estás a fazer bem o papel que te atribuíste e te atribuíram.
A desenvoltura, a desinibição, o inconformismo, o cosmopolitismo, académico e não só.
Aquilo que era para ser uma correcção de um tiro chamado Relvas e a correcção de um tiro chamado Santos Pereira.
Tu não eras nem um António Silva nem um Vasco Santana.
Tu eras o homem da aceleração, da viragem, da sofisticação, da comunicação.
Eras para ser.
Eras para ensinar a Pedro que há cidades europeias a norte de Vila Real.
Eras para ensinar a Paulo que as portas não são para fechar por dentro.
Estás fatal.
Fatal para ti próprio.
Fatal para o governo. 
Lomba a céu aberto.
Eu diria que estás a dar cabo da imagem que o teu assessor de imagem quer que tu assumas.
E da linguagem que o teu assessor de linguagem quer que tu produzas.
E da cultura plural, aberta, globalizada que o teu assessor cultural quer que tu pelo menos implicites.
Eu concluiria que não é nada disto, Maduro.
Por este andar, o afinal amargurado e shakespeariano Torga que é Pedro substitui-te.
Por um dos teus próprios assessores.
Se é que tu não eras, já, e fundamentalmente não serás, ainda, um assessor.
De quem não está ainda identificado.

a vingança do recluso


É que o meu coração, senhores, já não aguenta destas coisas. Saber que a lista de Isaltino de Morais está, nas sondagens, à frente do pelotão para abocanhar mais uma vez a câmara de Oeiras provoca-me náuseas, palpitações, angústias várias. Como é que se pode esperar que o resto dos portugueses vote como deve ser se num concelho, que se diz ser de gente instruída, se vota assim. Da pildra, Isaltino deve estar a rir-se. A vingança é um prato que se serve quente. E pratos quentes não faltarão ao prisioneiro. Nem charutos.

Imagem: http://caricaturas.blogspot.pt

duo imprevisto

John Lennon e Che Guevara.


egipto: da primavera ao inferno

Por Joseba Morales
http://www.cartoonmovement.com/

16/08/13

gato por lebre, cão por leão


Um zoo de uma remota cidade chinesa costumava anunciar, com estardalhaço, a exibição de ferozes leões africanos. Veio-se a saber agora que os leões eram logro, o que os passeantes viam era uns pachorrentos, uns pacholas cães tibetanos como o da fotografia. Cá pela terrinha passa-se o contrário. Há quem se apresente aos portugueses como cordeiro mas, depois de ungido pelo povoléu distraído, vira lobo faminto. Vendeu gato por lebre para ganhar eleições. Depois, foi o que se viu: de mandíbulas insaciáveis, come-nos por parvos e rói-nos a carne, os ossos e o mais que está por vir. Há quem aplauda a besta-fera. Se deixe ludibriar por gosto ou parvoíce. Não distinga um cão de um leão, um estadista de um fora-da-lei. Sendo eu precavido fico-me por este epíteto que outros me vão na moleirinha.

14/08/13

não conhecia e fiquei a gostar

da série "portugal é um país de bananas governado por sacanas"



Eu nem sequer tenho opinião sobre o assunto. Sim, há imensos assuntos sobre os quais não tenho opinião. Mas a terminologia usada por este governo não deixa de me dar volta ao estômago. E diz muito sobre as criaturas. 

- as soluções encontradas não põem em causa o «indispensável para garantir condições mínimas de subsistência».
- está garantido o «núcleo essencial da existência mínima inerente ao respeito pela dignidade da pessoa humana»

A minha proposta é que a este Helder Rosalino lhe seja assegurada a existência mínima em condições mínimas de subsistência. Vá, vou ser querida: 600 euritos líquidos por mês e vai com Deus.

os da esquerda, como se vê, são gente perigosa

Braga, Agosto de 1975. Destruição da sede do PCP por seres de direita.
Braga, Agosto de 2013. Pinchagem na estátua do cónego Melo por seres de esquerda.

desopilanços da silly



Imagens:

ratos de tele-sacristia



Por Luís Rainha

"O Santuário de Fátima, um lugar de graça, de consolação, onde o sentir humano mostra a grandeza de Deus." Quem ontem esta linda oração proferiu não foi um acólito da coisa, mas sim uma jornalista da RTP. Não basta explicar que fazia calor, que lá estavam x mil pessoas e que foi dito isto ou aquilo; agora o "serviço público" também serve de púlpito para declamar baboseiras sem nexo - esqueçam a isenção, a inteligência e até o desiderato de escrever em português que se entenda.

Como o calor dilata os neurónios, tornando-os mais permeáveis, fixei outros pontos da "reportagem": veio um senhor mascarado do Luxemburgo a perseguir os nossos emigrantes, deixando-os com o sério aviso: "Não percais a vossa alma na migração." Como se ela fosse assim uma peça de bagagem, um avô ou um animal de estimação, destinado a ser esquecido na primeira estação de serviço. Depois, o aviso de que a estátua da Virgem vai emigrar até Roma, para que o mundo seja consagrado a um tal "imaculado coração de Maria" - julgava eu que Pio XII já tinha tratado disso, há mais de 70 anos; e que a "vidente" Lúcia até tinha reclamado na altura, insistindo que o que a Senhora tinha pedido fora mesmo a consagração da Rússia.

E estranho que tantos salamaleques aos nossos amigos imaginários não bastem para esconjurar as pragas que nos afligem: revoadas de mosquitos em Armação de Pêra, os gafanhotos do governo, poias flutuantes em Quarteira, produção industrial em queda, incêndios, Cavaco Silva...

guerra no jardim-escola




na mouche!


13/08/13

abriu a época de caça


Para que os tachos deles e os dos amigos se não acabem, para que as benesses e alcavalas continuem a fervilhar, é preciso rapar o tacho aos rendimentos dos suburbanos, dos saloios, dos papalvos que somos nós, a imensa maioria dos portugueses, até que não sobre réstea de conduto, de esperança. Porque Portugal, quer se queira quer não, é colónia de alguns, onde alguns e só alguns fazem a sua mijinha para marcar território. Lixam à canzana todo um povo que nada disto merecia, nem bandidos, nem bandalhos, nem logros, nem fraudes.

A pergunta que faço a mim mesmo desde que tudo isto começou, ainda no tempo de Sócrates (estão lembrados?), é: o que é que cada um de nós pode fazer para pôr cobro a isto, para impedir mais roubos, para punir a matilha? 

Fica aberta a discussão. Ou a caçada.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

à fome, em guerras, por doença

A cada 3 segundos, o mundo perde uma criança cuja morte poderia ter sido evitada.

o mamarracho do cónego em terra de arcebispos


Lembram-se do cónego Melo? Pertenceu ao MDLP e, segundo se diz à boca cheia, foi o instigador de atentados à bomba e da destruição de sedes de partidos de esquerda durante o Verão de 1975. O peidorreiro pifou, bateu as botas, lerpou, foi desta para melhor, para junto do diabo seu amigo, mas lá por Braga, terra de arcebispos, beatas e santinhos de pau carunchoso, deixou saudades. Tanto assim é que já está colocada, junto à urbanização Pachancho, a estátua que evoca o doce Melo. Falta-lhe, faço notar, um facho na mão direita ou não tivesse sido ele paladino da liberdade.

Acrescente-se, como matéria de reflexão para as gentes que se dizem de esquerda mas votam PS, que os vereadores deste escangalhado partido foram os únicos a votar favoravelmente a instalação do escarro de pechisbeque numa rotunda de Braga. O PSD e o CDS abstiveram-se.

11/08/13

carta aberta ao citi group

Por Artur Portela

Caro Citi:

Estavas tu, Group, posto em sossego nos teus alcandorados gabinetes com vista para o mundo e eis que um secretário de Estado adjunto do governo de Portugal tem um atrevimento.
Leva, parece, um teu ex-director local à demissão de um cargo. O de secretário de Estado do Tesouro. Anuncia-o num briefing.
Pelo que passou a haver, no governo e na própria comunicação social, quem suponha que o secretário de Estado do Tesouro se demitiu, de facto.
Abandonando, ao bater da meia-noite, o Ministério das Finanças.
Esquecendo, talvez, junto do portão, um sapato.
De cristal.
Engana-se quem assim supõe.
Porque, caro banco, cara banca em geral, quase todos nós sabemos que, para ti, Citi, para vós, banca, para a cultura que sois, para a anatomia e engenharia de interesses que sois, para a ideologia que respirais, a questão nisto central não é a idoneidade política.
Não é nem o dr. Pedro Passos Coelho nem o eng.º José Sócrates.
Não é nem a sr.ª ministra das Finanças nem o ex-secretário de Estado dr. Costa Pina.
Não é essa fatal imaturidade, o secretário de Estado adjunto.
Não é essa banalidade, um governo.
Não é essa periferia, Portugal.
O essencial, nisto, é, sim, a banca.
É o nervo da finança.
É a inteligência do dinheiro.
Os governos passam, a banca fica.
Os políticos são amadores.
A banca é profissional.
Veja-se, por exemplo, o profissionalismo deste silêncio.
Portanto, quando o dr. Joaquim Pais Jorge não se lembra e, ao que parece, por não se lembrar, se demite, não se lembra e demite-se por se lembrar muitíssimo bem.
Daquilo a que se deve.
Do que ele, essencialmente, é.
Do que a banca é, essencialmente.
Do que a banca essencialmente foi.
Desde Veneza, desde Amesterdão.
A Nova Iorque.
A Tóquio.
A Pequim.
À Calçada da Estrela.
Por tudo isto, o dr. Joaquim Pais Jorge não sai.
O dr. Joaquim Pais Jorge regressa.
E triunfalmente.
Acenam-lhe os pares com folhas de palmeira.
Vai numa biga.
Erguem-lhe, acima da cabeça, uma coroa.
E avisam:
– Lembra-te de que somos ouro e em ouro nos tornaremos!
Portanto, o dr. Joaquim Pais Jorge não se demitiu do governo.
Demitiu, de si, o governo.
Deixando-o entregue ao seu azar inteiramente Távora.

Tanto que o dr. Joaquim Pais Jorge merecerá, um dia destes, num qualquer colóquio promovido pelo jornalista auto-entrevistador Gomes Ferreira, um abraço imperial do meu ilustre amigo dr. Ricardo Salgado.

o meu país dava um filme

Chamem cá o Scorcese, o Coppola, os irmãos Cohen ou mesmo o Cameron. Cada um ao seu jeito, poderia realizar um épico ou uma tragicomédia à custa deste território de pequenos e grandes gangsters. Temos de tudo, aqui na botica. O mafioso e o padrinho, gente que ocupa altas posições no Estado e que tem ou amigos pouco recomendáveis ou ganhos em bolsa por explicar ou as duas coisas que no juntar é que vai o ganho. Temos políticos e ex-políticos a ocupar, numa gigantesca teia, altos cargos na administração pública e nas grandes empresas privadas. Temos deputados que, em nome de deus, favorecem o diabo, cavam na vinha e no bacelo, têm duas caras, uma que finge servir o povo, a outra que serve os seus amos e senhores do vasto mundo dos negócios. Temos corruptos e gatunos que continuam a monte por vales de lixo e vilas de luxo. Temos governantes a quem uma ordem de Nova Iorque ou de Berlim vale mais do que mil greves ou mil mortos de fome. Temos um Estado inquinado, um erário malbaratado, intrigas nas várias cortes de um mesmo senhor, el-rei Dinheiro, o Rei Sol dos nossos tempos. Temos verbos de encher que fingem mandar. Temos ministros que fingem demitir-se. Temos mentiras, temos espoliação, temos exploração, temos desrespeito absoluto pelo ser humano. Temos tudo para um filme onde não seremos mais do que figurantes, milhões deles, exaustos, andrajosos, manietados pela informação envenenada, pelas crenças erradas, pelos medos que nos tolhem e nos tornam acomodados, não mais do que tristes destroços de um barco que, à deriva, está prestes a afundar. E, como de costume, não serão para nós os botes de salvação.

Os piratas primeiro.