10/10/15

vamo-nos a eles!

Hoje, em simultâneo em todos os canais à hora dos telejornais, passa o filme "Vêm aí os Russos". Não perca. Momentos de grande dramatismo sobre a terrível ameaça que paira sobre toda a civilização cristã. E grave que o momento é grave e merece revisão. Da Constituição, das regras democráticas, da contabilidade dos votos porque há votos que valem por dois ou três e outros que nem deviam ser contados ou acatados, Deus nos livre e guarde de russos, bolcheviques, vermelhos, comunistas, comunas, sociais-fascistas, cubanos encapotados, norte-coreanos mascarados, comedores de crianças, matadores de velhos e de esperanças, ladrões de courelas e ai, ai, ai, mil vezes ai que agora é que são elas, é o PREC, é o PREC, vou-te devorar, crocodilo eu sou, lobo esfaimado, filho disto e daquilo, menos que um esquilo, uma perca do Nilo, enxofre ao quilo, é o diabo encarnado a cornear os abutres, a pontapear as hienas, cuidado que são perigosos, estão a dar à Costa, vão desembarcar e desgraçar-nos, salvem as crianças, as jóias, as pratas. Matem essas ratas! Não sejam pataratas, nem cobardes, muito menos cúmplices da seita invasora. Vamo-nos a eles!


o declínio dos alpinistas



Vitória de Pirro ou vitória do esbirro? A estrela de Passos, e a velinha de Portas, vão esmorecendo, bruxuleando cada vez menos por mais que as bruxas embruxem e as sereias cantem como eles, no domingo passado, cantaram de galo. Hoje, estão com um galo de Barcelos a Massarelos, um galarote para o Passos, um garnisé para o Portas de serviço, a bonne à tout faire, o pau para toda a obra, obra feita companhia desfeita enquanto o diabo esfrega um olho ou o traseiro que matreiro só há um, o Paulo e mais nenhum. 

O PS virou-lhes o Costa, não todo que ainda há por lá muita bosta Vital, muito Assis pouco santo, muita Vara em pocilga, muito Brilhante de pechisbeque, muitos direitinhas de esquerda quando calha ou lhes convém que a cobiça é como a velha da Piça ou o velho Matusalém, não morre nem sai de cima mas fornica quem encontra no seu caminho. Costa pode ser o bote de salvação ou a barcaça à deriva. Capitão da esperança ou um homem vulgar. Pode mudar o governo ou fechar os olhos ao desgoverno e os olhos a um PS qualquer dia moribundo de tanto vacilar, pactuar, negociar, ceder, conceder, dar o corpo ao manifesto que quanto mais a gente se agacha mais levamos na cornadura. Costa pode ficar na História ou ficar por aqui, sem honra nem glória nem vitória que se veja. Pode quebrar quatro anos de mau feitiço ou prolongar o enguiço. 

Que se calem as Ferreira Leite, os Pires de Lima, os pires de leite, os queques da linha, os pãozinhos sem sal, os aldrabões, os poltrões, os vendilhões e os sabujos, os cães de fila e os porcos sujos, os mandadores deste vira que não vira e nos tira anos de vida que as voltas do vira não têm sido boas de dar, ora agora viras tu, ora agora viro eu, ora agora viras tu, viras tu mais eu. Chegou o tempo do reviralho. Ou isso ou um saralho do carilho. Salvo seja. Salvos sejamos. Menos os alpinistas, que de tanto subirem de mais alto cairão. E não choraremos sobre leite derramado. Nem queimaremos vela com tão ruins defuntos. Assim Costa queira que a gente quer, a gente gosta.

08/10/15

"ai mana, estou tão fartinha da diligência" ou a síndrome das manas catatuas



Cá vai Cavaco, que me está a dar a filoxera. 

Cavaco já sabia o que havia de fazer antes das eleições fosse qual fosse o resultado. Mesmo assim, precisou do dia 5 inteirinho para reflectir. E deu nisto: não indigitou o chefe do seu partido para formar governo mas para providenciar diligências. Despromoveu Coelho de primeiro a carroceiro, fez dele reles timoneiro da mala-posta pejada de recados e de presentes envenenados para quem ele não gosta, de Costa à contracosta que o homem é azedo como sopa velha. Quem se mete com Cavaco leva, diria outro Coelho que não vem à colação. E se bem conhecemos Cavaco, mesquinho e vingativo, bem pode o PS arengar que talvez, por enquanto talvez aceite ser governo com o apoio da esquerda à sua esquerda. Cavaco escavacará Costa. Declarará o estado de sítio, decretará o recolher obrigatório, determinará o retiro aos desobedientes, a reclusão aos insubmissos. Pedirá ajuda à amada Merkel, ao abençoado Junker, à querida Lagarde, ao diabo que o carregue se preciso for, tudo o que for preciso para suster este Período Revolucionário em Curso com o concurso de toda a esquerda e a deriva de Costa que, em vez de lamber Silva e Coelho, carniça e erva fresca, fel sem mel, visita a sede do PCP e deixa-se fotografar ao lado de um cartaz que diz A Força do Povo. Cruzes credo, canhotos! Pois fiquem a saber, se não o sabem já, que força é o que Cavaco mais tem, sobretudo anímica, ao contrário de Relvas a quem esta faltou quando mais era precisa, que andou uns tempos a vitaminas e injecções de dinheiro no cu e na conta bancária e, agora, está de volta tal como o Marco António marco da lusopátria e, qualquer dia, o Dias Loureiro, esse paradigma do empresariado arguto que faz deste país o grande país que é, um paraíso para proxenetas e rameiras da política, dos negócios, da vidinha, que cada um faz por ela o que pode e é por isso que se juntam ali à Lapa, e no Caldas por arrasto, para fornicar Portugal e os portugueses com a tal força anímica que anima Cavaco e as cavacadelas, cavem cadelas de Passos agora ocupado a diligenciar diligências muito bem diligenciadas sob os auspícios do patrono da Pátria que vai fazer de Portugal um orgulhoso Cavacal onde procriaremos que nem Coelhos dos piores que há em nós, os egoístas encartados, os capitalistas desalmados, os pulhas desencabrestados, os merdas feitos deputados, directores disto, presidentes daquilo, oportunistas, chupistas do pirilau do Estado - menos o Rodrigues dos Santos que esse é muito homem! - e das tetas da Nação, badamecos, bardamerdas, palavrões com pernas, escarros com barriga, alforrecas, amibas, ratazanas, baratas tontas e tanta outra bicheza a que urge fazer limpeza, exterminar, expurgar, expulsar do governo e das instituições onde sendo já velhos são boys, bois de cobrição, vacas de estimação, alimárias sem perdão. Isto ainda pode dar a volta e, volta não volta, é preciso fazer as limpezas da Primavera. Nem que seja no tempo das castanhas, da água-pé, da jeropiga, dos cravos que não viraram cravas e não dos parvos que viraram escravos, dos homens e mulheres que querem ser isso, só isso, homens e mulheres e não vermes de encher, e não lesmas, e não avantesmas. Rua a Passos largos que Portas são para serventia da casa e a casa precisa de ser limpa e arrumada, chega de badalhoquice, arredem as diligências, comprem sabão-macaco, creolina, lixívia, palha d'aço e água, água a rodos que chegue para todos antes que seja privatizada.