06/11/16

a multiplicação dos cães

A direita extrema pula e avança, como bomba colorida entre as mãos de uma criança. O horror multiplica-se, rebenta nas nossas mãos, faz vítimas, semeia dor, pobreza, desemprego, fome. Nas Filipinas, na Turquia, na Ucrânia, no Brasil, na Hungria, na Polónia, na Áustria, a lista de países agora párias não pára de aumentar. Bonifrates, algozes, bufões, sacanas sem lei nem escrúpulos ganham terreno com recurso aos seus bulldozers, os da propaganda, do logro, da violência verbal, do cada vez mais vil metal. Le Pen qualquer dia em França, Trump a qualquer hora na América. Os povos votam, decidem, cavam a sua sepultura tontamente, uma mão na caneta e a outra a chafurdar na lama e na merda que os vai tragar. Trump, o palhaço Donald, é o representante mais gritante e mais grotesco dos cães raivosos que flagelam o mundo. Como é possível ter chegado onde chegou? Como é possível estar a um passo, cada vez mais pequeno, de se vir a tornar no pior presidente, mais estúpido do que o Bush filho, mais perigoso do que Reagan, mais mentiroso do que Nixon, que os Estados Unidos alguma vez tiveram? Há quem se ria da figura, da trunfa desconchavada, dos jeitos e trejeitos, das boquinhas e caretas, dos ditos malditos. Eu não. Já não. A gente sabe: nem encharcada em Chanel Hillary consegue ser flor que se cheire. Mas Trump ganha-lhe aos pontos, é a putrefacção em pessoa, a morte anunciada. E na fila, por esse mundo fora, muitos outros aguardam a vez. A hora é deles. A tragédia é nossa.