31/12/14

o verdadeiro milionário


Qual Amorim corticeiro, quais Alexandre e Belmiro merceeiros, quais Espíritos Santos banqueiros! Com tantos milhões que, em parangonas constantes, o Correio da Manhã jura serem propriedade de Sócrates, este sim, é o homem mais rico de Portugal. Não faz parte da lista Forbes por pura injustiça, por inveja dos terráqueos e batráquios que, despeitados, nunca lhe chegarão aos calcanhares, que lhe cobiçam o cárcere em Évora, a vidinha parisiense, as charlas na TV, os cambalachos nunca provados mas que, como não há fumo sem fogo, são tão certos como eu me chamar Portas ou Deneuve, Paulo ou Catherine. Ainda lhe hão-de descobrir, o Correio da Manhã, Felícia Cabrita e o juiz da moda, ligações à Al Qaeda, amores impróprios, amizades com as máfias russas e chinesas. Com a aturada investigação e o rigor que caracterizam os artigos que o Correio da Manhã costuma obrar, ainda se há-de vir a saber que Sócrates, afinal, está por detrás não só da crise financeira de 2008, mas também da II Guerra Mundial, da papeira e da tosse convulsa, da bomba de neutrões e da outra, a atómica. Ainda há-de vir a lume que Sócrates inventou o Big Brother, os impostos, a maçonaria, a pedofilia e as almorróidas. Os jornais não deturpam nem mentem. E o Correio da Manhã ainda menos.


30/12/14

gomorra revisitada

Alessandro Bavari
Estou-me a ver grego para aguentar este final do ano. E não é por causa do frio. Leio, e não creio no que leio, que o FMI vai suspender a "ajuda" à Grécia até às próximas eleições.

Meu bom povo, o grego e o português ou qualquer outro que queira ser governado por gente de bem, atentem no que vou dizer: o FMI não deixa. E, mesmo que deixe, não deixa a Alemanha ou, se for latino americano ou africano ou asiático, não deixam os Estados Unidos, esses grandes líderes do mundo e arrabaldes. Eles estão aqui, exércitos e políticos, instituições e eleitores, para nos proteger das garras de quaisquer laivos de comunismo, de Estado Social, de Justiça Social, de liberdade, igualdade, fraternidade, porque a Revolução Francesa já lá vai há muito e a Russa deu com os burros na água com excelentes resultados: algumas dezenas de multimilionários e um povo que não passa da cepa torta. Milionários que viajam em avião particular, consomem carros de luxo, mansões de milhões, caviar e Veuve Clicquot, queimando num só dia a salvação de milhares de famílias à míngua.

Viva o FMI e quem o apoiar. Viva Lagarde, Merkel e demais serviçais dos donos disto tudo, os que vêem morrer milhares de crianças à fome, todos os dias, e continuam a comprar as suas jóias, os seus jactos, as suas prostitutas de alta roda, os seus automóveis e palácios vertendo, quanto muito, uma furtiva lágrima de crocodilo.

Ainda bem que sou ateu. Ou andaria a tremer, que nem varas verdes, diante da forte probabilidade de Deus nos dar o mesmo destino de Sodoma e Gomorra. Mais razões teria Ele. Ou ele, sabe-se lá.

28/12/14

dois submarinos sem portas


a minha figura do ano


Se articulistas, analistas, colunistas, conferencistas e demais alpinistas da palavra paga andam por aí a eleger a sua figura do ano, eu também quero anunciar a minha: o Papa Francisco. Um homem que anda a aterrorizar cardeais, bispos e demais dinossauros excelentíssimos da Igreja Católica. Que fala de tudo com o destemor e a frontalidade dos seres excepcionais. Que condena a economia que mata. Que apela à tolerância e ao diálogo. Que não distorce a palavra de Jesus em prelecções hipócritas.

Num mundo fustigado pela cupidez, por ódios e guerras, por políticos frouxos e pelos seus amos e senhores, os que querem subordinar todo o planeta à sua vontade e insaciáveis interesses, o Papa é um sinal de esperança. 

Com ele, com homens e mulheres como ele, nem tudo está perdido.

27/12/14

momento fútil


Não gosto da obra de Joana. E, fiquei a saber assim que deparei com esta fotografia, não gosto, definitivamente, das más companhias de Joana. E não gosto do gosto de Joana para se vestir. Estará mascarada de quê? Madeirense, em homenagem a Alberto João? De Rainha da Chita? De mulher de soba? Que sobra mulher, disso não há dúvida. Joana, qualquer dia, não cabe nas portas. Joana cresce à medida do seu ego. Nisso, no ego e não nos chumaços carnais, é igual ao acompanhante que, de artes e manhas, sabe da poda como poucos e poda é dizer pouco. O sapatinho à mete-nojo, a farfalheira a brotar-lhe da camisa, o casaco a marcar-lhe a anquinha estreita, a cuidadosa conjugação de cores, tudo, tudo denota classe, bom gosto, bon genre, um chiquê que nem eu, nem quando me quero armo ao pingarelho, consigo imitar. 

25/12/14

lixo tóxico


Disseram agora na SIC Notícias - e se disseram na televisão é porque é a mais pura das verdades - que mais e mais portugueses estão a escolher hotéis de luxo para celebrar a consoada ou para almoçar no dia de Natal.

Vou comprar já a minha viagem para as Maldivas, o meu Porsche, a minha mansão na Quinta da Marinha, o meu caviar, o meu fatinho Armani para ir à missa.

É que estava cheio de guita e não sabia. Estamos ricos mas andamos sempre a queixar-nos de falta de cheta. Piegas e madraços, é o que somos!

23/12/14

colonizados e mal pagos


O governo de Portugal, o presidente da desacreditada República, as púdicas instituições públicas têm tratado Angola nas palminhas. São os negócios, estúpidos! É preciso atrair capital, dizem eles. Mesmo que seja dinheiro roubado ao povo angolano, ganho de forma obscura, com benção e beneplácito do Edú presidente, dos seus acólitos e da filha, filha que já é dona de um bom bocado disto tudo. A oligarquia angolana vem a Portugal às compras, e tanto compram perfumes e jóias na avenida da Liberdade como andares de luxo em Cascais, empresas, almas e consciências.

O DN, o JN, o "i", o Sol, o Correio da Manhã, o CMTV já são propriedade de Álvaro Sobrinho (esse mesmo, o do BES Angola) e de quejandos. A informação é rigorosamente controlada, manipulada a favor de políticos e políticas que os saibam acolher no nosso seio, nesta mama de vaca parideira em que se transformou Portugal. Vaca que dá de mamar a uns quantos portugueses, poucos, e a angolanos, chineses, americanos, brasileiros, árabes, russos, todos os que lhe saibam apertar as tetas com as mãos sujas do sangue, do suor e das lágrimas dos seus povos.

Angola já não é nossa. Nem Portugal.

22/12/14

a cores engana melhor


no lombo do lomba


Pedro Lomba, colunista, advogado, secretário de Estado e um dia senador da Nação, diz que Portugal deve seleccionar melhor os seus imigrantes, apostando na atracção de estrangeiros empreendedores. Por portas-travessas, para que a máscara não lhe caia de vez, Lomba tem uma atitude semelhante à dos elementos de extrema-direita que se têm manifestado por essa Europa fora contra a imigração. 

Mandemos Lomba alombar para a estiva, trabalhar nas obras, fazer as tarefas duras e mal pagas que os imigrantes pobres aceitam por uma questão de sobrevivência. Ou coloquemos, no lombo de Lomba, 5.000 exemplares do Mein Kampf. 

Tanto me faz, desde que Lomba alombe.

e os fantasmas regressam

Portugal em tempos de troika e passos.




Todas as fotografias de Mário Cruz
http://www.mario-cruz.com/

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Amorim

21/12/14

a lenda do ratinho à tona


Há um ratinho, de nome Luís, de sobrenomes Marques e Mendes, que adivinha o perigo, salta de todos os navios, e eles são muitos, segundos antes de afundarem. De nada o podem acusar. Está limpo. Ratoneiro, nunca. Ratazana, jamais que nem para isso tem estatura e estatuto. É isto que o ratinho diz na TV, defendendo-se com os dentes e garrinhas que deus ou o diabo lhe deram. O ratinho é inatingível, inimputável, impoluto, tudo menos indefeso. Artolas é o outro, que não se pode defender enquanto ratas e ratões, ratazanas e ratolas fazem aparecer nos jornais e nas televisões todas as acusações, todas as insinuações, ninguém sabe, ninguém pode saber se verdadeiras, se falsas. A justiça deixou de ser cega. Agora é puta, vende-se a qualquer um e barato. A qualquer rato. Seja Mendes. Seja Mentes.

é tão bom o natalinho!

Imaginechina/Rex

No Natal, os estafermos de todo o ano tornam-se tão bons como São Francisco de Assis ou Santo António de Lisboa. Oferecem farnel aos pobrezinhos, ou uma camisa que já não lhes sirva, ou um par de sapatos nas últimas. Vão à missa. Juntam a família em abundante repasto. Na paz do Senhor.

Enquanto isso lá longe, na China, existe uma cidade, Yiwu, onde 600 fábricas produzem 60% das decorações natalícias do mundo inteiro. Os seus operários trabalham 12 horas por dia num ambiente, no mínimo, muito pouco saudável e, claro, ganham salários de miséria.

Para que o nosso Natal seja muito, muito feliz!

Imaginechina/Rex
China Daily/Reuters

o tea party em são bento

Por Mário Vieira de Carvalho
http://www.publico.pt/

Finalmente, Passos desatou a língua e começou a proclamar, sem eufemismos, o seu programa. Não aquele programa social-democrata escrutinado nas eleições, mas sim o programa fundado nas suas crenças pessoais, jamais escrutinado pelo seu próprio partido e muito menos pelo povo português. Fá-lo com uma euforia inaudita, qual cabo de guerra já derrotado e acossado no seu Bunker que, de súbito, lesse nos astros um sinal da divina Providência. Cercado dos escombros e ruínas da “destruição criativa”, partilha agora connosco, diariamente, em voz alta, o sonho duma radiosa vitória final: a promessa duma revolução milenar, que trará a redenção a Portugal, à Europa e a toda a humanidade.

Ficou a saber-se que, para Passos, tudo tem de ser um negócio lucrativo: a começar pela Saúde e a continuar por aí fora: na Segurança Social, na Educação, na Ciência, na Cultura, nos transportes públicos, redes viárias etc., etc. De tudo isso o Estado deverá retirar-se para dar lugar aos privados. Só lhe falta explicitar se o princípio se aplica também à Administração Pública e aos órgãos de soberania, mas é de esperar que venha a fazê-lo em breve. Passos não deixará escapar esse precioso detalhe do seu programa de “capitalismo utópico”!

Com a privatização integral das funções do Estado, o governo, o parlamento e os demais órgãos de soberania tornar-se-ão supérfluos. Serão substituídos por uma ou mais empresas de multisserviços, que desempenharão eficientemente as tarefas requeridas, pagas caso a caso pelos indivíduos que delas careçam. Cada um por si. Nunca mais haverá “todos a pagar para o benefício de alguns...”

Nesses amanhãs de sonho, em que os males do “socialismo” – diz ele – serão esconjurados, mas que já entrevemos pela pequena amostra dos seus três anos de governação, Portugal baterá todos os records: será o país com as mais elevadas taxas de exclusão e discriminação sociais, desemprego, desemprego jovem, capital humano não qualificado, pobreza, pobreza infantil, trabalhadores no ativo que só sobrevivem graças ao apoio dos bancos alimentares, destruição da capacidade produtiva, criminalidade violenta, delinquência juvenil, suicídios, depressões, enfermos sem assistência, envelhecimento demográfico, desertificação, etc. Uma vez alcançado o primeiro lugar em todos esses rankings, acontecerá o milagre e cada qual viverá feliz para sempre, pois não terá de contribuir com um pataco para o bem comum.

Liquidar o Estado – e não: melhorar o Estado – é o seu programa. Por isso, recusa liminarmente as virtudes da despesa pública, mesmo que seja investimento estratégico com efeito reprodutivo. Daí que não tenha feito a reforma do Estado e se contente com cortes cegos. E daí a sua hostilidade aos programas PRACE e SIMPLEX dos governos de José Sócrates, que constituíram uma verdadeira reforma do Estado e que cumpriram inteiramente os seus objetivos: melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos, reduzindo os custos de suporte. Isso não interessa a Passos, empenhado como está na sua cruzada contra o “socialismo”, isto é, contra tudo o que se pareça, de longe ou de perto, com o modelo social europeu.

Uma tal cruzada surpreende pela sua retórica extremista, pois rompe necessariamente com ambas as bandeiras da sua família política – não só a “social”, mas também a “democrata”. Não esqueçamos a matriz fascista do primeiro “laboratório” do neoliberalismo (o Chile de Pinochet), onde o Estado instaurou uma ditadura terrorista para impor a privatização integral da economia. 

Tão levianamente radical como o discurso de Passos, nos dias de hoje, só mesmo o do tea party nos EUA. Este ainda não chegou à Casa Branca, mas já se instalou em S. Bento.

eu também não irei ao funeral deles, calha bem!


20/12/14

judite de sousa ao estilo moura guedes


Parecia a Manelita. Fez-me lembrar a célebre entrevista a Lorenzo Carvalho. As insinuações sucediam-se sabendo que João Araújo, o advogado de Sócrates, estava limitado na sua liberdade de expressão. Algumas vezes, nem sequer lhe dando tempo para responder, elas, as insinuações, ficaram a pairar no ar, qual fumaça envenenada a seguir o seu caminho. Judite de Sousa devia chamar a Manelita de volta à TVI. Iam dar-se bem, trouxa com trouxa, mau jornalismo ao serviço dos donos disto tudo, venham eles de Angola ou da China. Vassalos, lacaios, mordomos, sopeiras, criadas para todo o serviço e um motorista quiçá comprado. Pernas para que te quero, que este país está de fugir!

paulo portas com mandado de captura

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt/

Eu explico tintins por tintins, antes que 9 milhões de portugueses, para mais e não para menos, saiam para a rua a buzinar de incontida felicidade: um grupo chamado Round-Op Alpha publicou uma lista das 741 personalidades que, no seu entender, tentam estabelecer um governo mundial, ditatorial está bom de ver. Paulo Portas encontra-se na lista negra e sobre ele pende um "mandado de captura" sob a acusação de crimes contra a humanidade.

Cá para mim, já bastaria que fosse acusado - com outros, com muitos outros - de extorsão e roubo de pensões e salários. Com condenação a preceito, fominha de rabo seco durante 4 anos, tantos quantos, ao que parece e para mal dos nossos pecados, vai aguentar no governo. Quatro anos menos umas horas, tantas quantas durou a sua demissão irrevogável.

O "mandado de captura":
http://roundopalpha.files.wordpress.com/2014/04/portas-paulo-notice-of-arrest.pdf

A lista negra:
http://roundopalpha.wordpress.com/list-r-oa2014/

E um vídeo do grupo:



19/12/14

"numa democracia não deviam existir greves"


Frase ouvida hoje num dos programas televisivos de opinião pública, decerto por um adepto de um Estado novinho em folha, remoçado a tiro e bastonada.

a desenvolvida musculatura da democracia portuguesa

Continuo na minha e daqui não saio nem daqui alguém me tira: estamos na merda, desculpem lá o vocábulo mas poucos ou nenhuns se lhe comparam.

Estamos na merda. O governo, ao que tudo indica ilegalmente, decreta a requisição civil dos trabalhadores da TAP. Coelho, Lima e o magriço secretário de Estado dos Transportes, de quem não me lembra o nome nem isso interessa porque é criatura que não vai ficar na História, exibem os admiráveis músculos e os desenvolvidos peitorais perante um país de cócoras.

Estamos na merda. Nunca tantos casos de polícia, a grande maioria (repito: a grande maioria) ligados a gente do PSD, vieram a lume. Sentimos que fomos governados por bandidos e bandalhos e duvido muito que o fenómeno seja d'outrora.

Estamos na merda. Ontem o Sr. Perna, motorista de Sócrates, pediu para ser ouvido pelo douto juiz. Hoje, foi-lhe concedida prisão domiciliária em vez de preventiva. Que terá dito ou prometido dizer em tribunal para que a benevolência natalícia lhe tivesse calhado no sapatinho? Por outro lado, Sócrates está impedido de se defender publicamente e até o seu advogado se tornou numa sombra daquilo que era há coisa de dias, não diz nada, não pode dizer nada, ai o segredo de justiça, ai a Ordem que o mete na ordem, ai a democracia de merda, ai a merda desta "democracia".

18/12/14

submersos pela merdalha


Vamos lá ver se nos entendemos: o Correio da Manhã, de consabida manha, diz que Sócrates tentou escapar à prisão; o Público, por sua vez, afirma que a mesma pessoa, e não outro Sócrates, ou Aristóteles, ou Platão, terá pedido para ser ouvido muitas horas antes de ser preso.

Cada jornal diz o que quer, no dia seguinte à notícia do arquivamento do processo dos submarinos. E entretanto deixou de se ouvir falar na Tecnoforma, no BPN, nos Vistos Gold, em Duarte Lima, em Luís Filipe Meneses e em todos os outros enredos e personagens desta ópera-bufa que fede e nos lixa, aos mexilhões tão na moda.

Escapa o BES. Talvez porque se venha a descobrir, é a esperança que resta quando não restam pudor nem escrúpulos, que Ricardo Salgado namoriscava com Sócrates num recanto escuso ali à avenida da Liberdade, recebendo do governo de então encomendas e benesses. Ou por rancor à sagrada família por parte de quem nasceu remediado por terras coimbrãs. 

Depois não digam que já não há lutas de classes. Pelo menos das classes baixas, os multimilionários e os aspirantes ressabiados à fortuna, ao estrelato, ao peculato, há uma luta intestina que tresanda a merda e a merdalha. 

17/12/14

e assim vai morrendo Abril

Lusa
Salgueiro Maia. Melo Antunes. Vasco Gonçalves. Vítor Crespo. Há quem goste mais de uns do que de outros. Mas ninguém pode deixar de respeitá-los. A todos. Quanto mais não seja pela sua honradez, digna de nota num país a saque, assaltado por casos de Justiça mal resolvidos ou nunca resolvidos, tantos prescritos.

Hoje, morreu Vítor Crespo. Choro por ele, por Abril, por Portugal.

os proscritos prescritos


Vão abrir-se as Portas à impunidade, não sei se estão a ver onde quero chegar mas, agora que vivemos em fascismo requentado, todo o cuidado com as palavras é pouco e é aconselhável. Ao que parece, o caso dos submarinos vai prescrever. Se isto não o indigna, caro leitor ou leitora, saiba que está a pagar os milhões desviados em luvas, tal como está a pagar as fraudes no BPN e os demais cambalachos de que nunca se chegará a saber. A culpa em Portugal não morre solteira. Morre fornicada por todos os corruptos que andam à solta ou dão à sola.

Pobre e podre, prescreva-se o País também.

da troika com amor

Rodrigo Cabrita
Bruno Simões Castanheira

Pedro Neves
Bruno Simões Castanheira
Projecto Troika. Também em livro e numa exposição na Fábrica de Braço de Prata.

por um punhado de dólares

Alex Falco Chang/http://www.cartoonmovement.com/

a puta que os pariu

«(...) privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago, in Cadernos de Lanzarote – Diário III

matemo-nos uns aos outros

Mães paquistanesas choram os seus filhos.
Há uma guerra declarada entre o Putin russo e o Obama americano, o do Nobel da Paz para quem a União Europeia tem desempenhado o papel de fiel meretriz, "lambeculófila" num dizer castiço que ouvi há anos e não esqueci. Jeb Bush, irmão de outro Bush de triste memória, já se põe em bicos de pés para chegar a presidente, mais merda para o monturo que empesta o grande império. Os talibãs assassinaram hoje mais de 130 crianças no Paquistão, sem qualquer sentimento humano a guiá-los, a demovê-los. Há genocídios no Iraque, na Palestina, na Síria. O neoliberalismo expande-se e mata. "Esta economia mata", disse um homem que, por esta altura, deve ter a cabeça a prémio. Os mais ricos enriquecem milhões a cada dia que passa. Milhares de crianças morrem todos os dias à fome. Milhares de refugiados morrem a tentar escapar da miséria. Os bancos, os mercados, a altíssima e grandessíssima finança domina governos, dita leis, explora e espolia a seu bel-prazer.

Matamo-nos uns aos outros. Por dinheiro. Por petróleo. Pela religião. Por egoísmo. Por individualismo. Por ignorância. Por estupidez. Por cupidez. Por tudo e por nada. De nada valemos aos olhos dos senhores do mundo. Somos os novos escravos de um novo capitalismo, mais feroz, mais rapace, mais desprezível do que nunca.

Somos carne para canhão. E eles já se ouvem ao longe.