gomorra revisitada

Alessandro Bavari
Estou-me a ver grego para aguentar este final do ano. E não é por causa do frio. Leio, e não creio no que leio, que o FMI vai suspender a "ajuda" à Grécia até às próximas eleições.

Meu bom povo, o grego e o português ou qualquer outro que queira ser governado por gente de bem, atentem no que vou dizer: o FMI não deixa. E, mesmo que deixe, não deixa a Alemanha ou, se for latino americano ou africano ou asiático, não deixam os Estados Unidos, esses grandes líderes do mundo e arrabaldes. Eles estão aqui, exércitos e políticos, instituições e eleitores, para nos proteger das garras de quaisquer laivos de comunismo, de Estado Social, de Justiça Social, de liberdade, igualdade, fraternidade, porque a Revolução Francesa já lá vai há muito e a Russa deu com os burros na água com excelentes resultados: algumas dezenas de multimilionários e um povo que não passa da cepa torta. Milionários que viajam em avião particular, consomem carros de luxo, mansões de milhões, caviar e Veuve Clicquot, queimando num só dia a salvação de milhares de famílias à míngua.

Viva o FMI e quem o apoiar. Viva Lagarde, Merkel e demais serviçais dos donos disto tudo, os que vêem morrer milhares de crianças à fome, todos os dias, e continuam a comprar as suas jóias, os seus jactos, as suas prostitutas de alta roda, os seus automóveis e palácios vertendo, quanto muito, uma furtiva lágrima de crocodilo.

Ainda bem que sou ateu. Ou andaria a tremer, que nem varas verdes, diante da forte probabilidade de Deus nos dar o mesmo destino de Sodoma e Gomorra. Mais razões teria Ele. Ou ele, sabe-se lá.

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