31/01/15

descobre-se-lhe a careca


PPC, o primeiro, o salvador, o regenerador, o disciplinador, o grande restaurador enfim, já disse alto e bom som: não alinharei com a Grécia em qualquer conferência que se venha a realizar para a reestruturação das dívidas. Isso é que era bom. Então logo agora, que isto estava a correr tão bem, que a pobreza aumenta mas os ricos enriquecem mais e é isso que importa, que o desemprego sobe mas faz de conta que desce, que estamos a conseguir vender o resto dos anéis, que o povo ainda empregado ganha cada vez menos, que somos uma pequena China na Europa, com mão-de-obra obediente e barata, logo agora é que havia de abrir mão de todas as conquistas, todas as vitórias, todas as glórias que me levarão mais alto e mais longe?

Antes ficar careca!

30/01/15

carta aberta de alexis tsipras aos leitores do handelsblatt (escrita antes das eleições de domingo)

Martin Godwin/http://www.theguardian.com/

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.

Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.

Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.

O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.

Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.

A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.

Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!

Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.

Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.

Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.

A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.

No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.

Tradução recolhida no blogue http://aventar.eu/

os mentideros da lusa pátria

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt/
É irrevogável! Paulo Portas veio hoje, mesmo com gripe, afirmar que Ana Gomes é uma mentirosa compulsiva, que ele nada teve a ver com as falcatruas dos submarinos. Aliás, acrescento eu de minha lavra, juro-o pelas minhas quatro alminhas se preciso for, nem falcatrua houve: se há detidos na Alemanha e na Grécia por causa deste tipo de afundamentos, só pode ser porque tanto a Justiça grega, e sobretudo a alemã, funcionam pior, muito pior do que em Portugal, há por lá muitos juízes com nome de cantaroleiro pimba, tipo Karl Alexander ou Károlos Aléksandros.

É irrevogável! Cavaco Silva nunca disse o que disse. Afirmou-o hoje com desusado ênfase: "É mentira! É mentira!", nunca por nunca ser incentivou os portugueses a acreditar no BES, a deixar ou a investir no BES o seu rico dinheirinho! E o vídeo abaixo comprova-o à saciedade: Cavaco Silva nunca falou do BES mas sim do Banco de Portugal que, esse sim, a culpa é do Carlos Costa que deve ter as costas largas, afiançava a segurança, a credibilidade e a saúde financeira da Banco Espírito Santo.

Por sua vez, o FMI também vem desmentir o governo, que o prometido paraíso em ano de eleições está muito longe de ser alcançado. Mas diz mais o FMI, que para Portugal conseguir atingir as metas de défice não devia ter aumentado o salário mínimo nem reposto os salários da função pública ou as pensões dos idosos, essa malta que nada faz, nada contribui para o progresso do País e, ainda por cima, acorre aos hospitais, pede comparticipação nos medicamentos, é um estorvo, um atraso de vida. Com isto atingindo ainda o Tribunal Constitucional e as suas decisões, outra corja de tratantes que nada fazem e nada deixam fazer.

Dia 1 de Abril ainda vem longe, mas os portugueses já se divertem à brava. Irrevogavelmente deliciados com a nata da Nação.

a grande reinação ou o novo conto para crianças



Era uma vez um jovem que, de ambição desmedida, embicou que haveria de governar um pequeno país chamado Portugalândia. Se bem o pensou, pior o fez. Com o precioso auxílio da servil soldadesca, cujo flamejante fardamento laranja se avistava de impossíveis lonjuras, e contando com a cumplicidade ou cobardia de amanuenses, arautos, trovadores, cronistas, alquimistas, feiticeiros e bobos da corte, logrou sentar o augusto traseiro em tão almejado trono.

Fervoroso discípulo do xerife de Nottingham, de seu nome Sir Anthony Saltunluck, o reinado do novo monarca todo absoluto foi marcado, desde a primeira hora, pela negação de todas as promessas que tinha feito, de todas as garantias que tinha dado. Apropriando-se dos bens dos seus súbditos, menos os dos mais ricos a quem acalentava e protegia, aumentou impostos, destruiu escolas e hospitais com a sanha de uma alma danada, espalhou a fome e a miséria onde tinha prometido semear prosperidade e alegria.

Orgulhoso dos seus feitos, marcados por invulgar crueldade, sentava-se todas as noites diante do toucador e, penteando com cuidado a melena que lhe ia escasseando, perguntava: "espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais malvado do que eu?"

Nem sempre, no entanto, os contos para crianças estão destinados a ter um final feliz. Armada de forquilhas, ancinhos, laranjas podres, o que lhe viesse parar às mãos, a populaça, farta de roubos e de insultos, destronou o rei.

Tinha-se acabado a reinação.


vozes de angola e outros pasquins

Gosto de jornais. Gostava de jornais. Até nos meus dias de ganapo tinha jornais para ler, fosse o Diário de Lisboa (como eu gostava de ler o Castrim!) ou o República, apetecíveis em tempos de ditadura. Contava os tostões, os poucos que tinha, para me dar a esse prazer (com a mania de andar pelas ruas a ler cheguei, uma vez, a partir a cabeça contra um candeeiro. O malandro tinha conluio com Salazar, era de certezinha absoluta adepto do obscurantismo).

Quarenta anos depois de Abril, nesta depauperada democracia em que vegetamos e penamos sem culpa formada, já não há jornais, há jornalecos e há pasquins. Nos últimos anos, ainda me agarrei ao "i" como náufrago a tábua de salvação. Não pela imparcialidade da informação, igual à de todos os outros, mas pelo leque de colunistas que lia com prazer e com quem aprendia a perceber o mundo: Nuno Ramos de Almeida, Ana Sá Lopes, Fernando Dacosta, Tomás Vasques, Constança Cunha e Sá, Fernanda Mestrinho. De todos estes, e de outros que não vou inventariar agora para não dar tratos de polé à pobre memória quase tão velha e tão veneranda como Américo Tomás, só restam, salvo erro ou omissão, Nuno Ramos de Almeida e Ana Sá Lopes, embora esta tendo perdido a sua coluna de opinião.

E o "i", agora angolano tal como o Correio da Manhã ou o Sol, especializou-se nos últimos tempos em Sócrates e nas habituais fugas de informação que permitem propagar a ideia de que ele é culpado de todos os males do País, da crise, da "bancarrota", das falcatruas e do diabo a quatro.

Ainda bem que há blogs e redes sociais. Separando o trigo do joio, entre atoardas, mentiras, exageros, boatos, consigo chegar à verdade que todos os jornais, todos sem excepção, escondem ou manipulam.


29/01/15

a arte do pisca-pisca


O PASOK foi-se. A martelo. O PSOE está quase a ir-se. A punho. E o PS, pá? Aprenderá a lição e virará definitivamente à esquerda ou continuará cá e lá numa contradança a contraciclo? Ficará para trás, andará a reboque do neoliberalismo, perderá o andamento da História?

Claro que Costa não quererá governar com Coelho. Mas ... e se for com Rui Rio, já faz alianças, mexendo aqui e ali, pouco, para que tudo fique na mesma? E com o CDS de Portas, por-lhe-á trancas ou dar-lhe-á o visto gold de entrada num qualquer ministério, nem que seja travestido de democrata-cristão?

Os partidos da área socialista têm, por toda a Europa, virado à direita e pactuado com as políticas que nos têm levado ao descalabro. Um a um, vão reduzindo a sua influência e número de eleitores, numa erosão maior do que a dos partidos de direita, sustentados estes por ainda mais hipocrisia e capacidade de ludibriar. Só nós por cá, talvez porque "não somos a Grécia", continuamos a querer conferir ao PS a vã glória de mandar.

Até quando? Para quando uma alternativa de esquerda autêntica que consiga vingar e vingar-nos de Merkel, de Barroso, de Lagarde, da troika, de Pedro e Paulo, do Silva reformado, do Duarte Lima aprisionado, do Alberto João do Polimento, da Esteves do Inconseguimento, do Dias Loureiro do Deslumbramento, da Cruz gamada e da Cristas endiabrada, do Macedo, do Pires, da Albuquerque, do Relvas, do Arnaut, do Montenegro, dos condes e dos barões, dos mentirosos e dos poltrões? Para quando uma alternativa que nos tire da podridão instalada, da Justiça para ricos e das prisões para pobres, das clínicas para os abonados e dos cemitérios para os despojados, dos colégios dos meninos-bem e das escolas dos sem vintém? Para quando os ricos a pagar a crise que eles próprios criaram?

Até quando vamos ser cegos, negar a luz?

o apogeu do horror

Auschwitz. Que nos fique na memória.














Todas as fotografias recolhidas em:
https://www.facebook.com/auschwitzmemorial?fref=photo

fantochadas

Para um estrangeiro que assista a um debate da Assembleia da República, e só ouvir os deputados da maioria, há-de achar que acaba de aterrar no paraíso. Ele, o governo, eles, os governantes, trabalham em prol dos portugueses, conseguiram credibilizar o País, aumentar as exportações, melhorar a economia, garantir o futuro de todos nós, bla bla bla bla bla bla bla bla bla, junte muitos bla blas, os bla blas que quiser, a granel, em barda, por mais bla blas que acrescente eles nunca serão demais.

Mas ... e depois? Que dirão os mesmíssimos figurões quando Passos cair e surgir outro que, mais por calculismo do que por convicção, venha diabolizar a austeridade e as tropelias de Coelho? Dirão o oposto do que dizem hoje? Que, tal como os generais nazis, apenas actuaram no cumprimento do dever? Por lealdade ao chefe? Por disciplina de voto? Por demência colectiva? Por alucinação passageira?

Ou assumirão, com a sinceridade que lhes tem faltado, que não passam nem nunca passarão de meros fantoches de um ardiloso teatro de marionetas?


de bordel em bordel, um manancial de novas oportunidades


O ministro da mota (onde isso já vai!) está a ultimar uma disposição legal que entrega a agências privadas certas responsabilidades do IEFP, como a de procurar trabalho para quem está desempregado. Como toda a gente sabe, e se não sabe devia saber pelos bastos exemplos que nos têm dado o BPN, o BES ou a PT, a iniciativa privada sabe gerir melhor do que o Estado. 

Esta tem sido a orientação do governo que nos calhou na rifa: privatizar. A Saúde, o Ensino, a Segurança Social, a electricidade, os transportes, terrestres e aéreos, a água. Qualquer dia, até o governo é privado, prescindindo-se assim do voto do povo (e o caso grego veio alertar-nos para o perigo que, apesar da propaganda, apesar da informação rigorosamente condicionada, representam as eleições). 

Privatize-se o governo. Faz-se um concurso, os privados apresentam preçários para o desempenho das funções de ministros e primeiro-ministro e lá vai disto, ganha o que apresentar preços mais baixos, elenco mais reduzido e garantias de obedecer, diligente, veneradora e entusiasticamente, às ordens de Berlim, Bruxelas e Washington.

Privatizar as putas que os terão parido, como alvitrou Saramago, já não chega. É preciso edificar mais lupanares também. A actividade de proxeneta há muito que é um bom exemplo de empreendedorismo. Eis pois uma janela de oportunidades, a par da emigração, para os precários e os desempregados. Chega de pieguices, de criancices e outras chatices. Chegou o Eldorado a Portugal.

28/01/15

antes que a TAP nos voe

Os portugueses são gente pacata, eivada de brandos costumes. Não resfolega, não se manifesta, não protesta. Para quê? Eles são todos iguais, da direita à esquerda o que querem é tacho, não é assim?

Vamos a um exemplo da nossa sonolência: a manifestação da plataforma NÃO TAP OS OLHOS recebeu, até agora, apenas 2.000 adesões no Facebook. O esbulho do património pátrio, o enfraquecimento da economia portuguesa, são coisa que, pelos vistos, não preocupa os portugueses.

E o amigo? E a amiga? Vai alinhar?

Nesse caso, adira aqui - https://www.facebook.com/events/316940438501047/ - e apareça por lá, pelo aeroporto, sábado a partir das 15 horas. 

Venha daí. Antes que vejamos a TAP a voar!

bruno nogueira e a grécia


Somos todos gregos por leituras

merkel está zangada, muito zangada


Merkel deve estar a passar-se, destrambelhada dos nervos. Qualquer dia dá-lhe o badagaio, o trangomango, o traque-mestre. Ela, a Grande Patrona da Europa, matrona do capital foleiro, dos mercados, dos especuladores, dos holdings financeiros, da banca depauperada por mil e uma fraudes, andou a amparar os gregos, esses chulos da Grande Pátria Alemã, para agora aparecer um tal Tsipras a escangalhar-lhe o arranjinho, agora que os gregos estavam quase a chegar ao fim do poço, a mergulhar de vez nos infernos da miséria absoluta. 

Então não é que o fedúncio, mal se assenhoreou do governo por decisão desse estúpido povo criador da democracia, coisa que Merkel despreza com todas as suas enxúndias apesar de encher a boca com ela, deu em esbanjar electricidade gratuita por 300.000 famílias que, por mor da crise, regressaram aos anos 40 e aos candeeiros a petróleo? E quem paga, perguntarão os Camilos, os José Gomes, os Pedros e os Paulos, os Medinas e os Marcelos deste triste estaminé tão facilmente mercadejável por Merkel? 

A Grande Pátria Alemã, pois está claro. Agora, que a economia lá deles ia de vento em popa graças aos proventos da crise, que Portugal de Pedro, a Espanha de Mariano, a França de François e a Itália de Matteo puseram os seus povos de joelhos diante da Grande Pátria Alemã, tantos deles na penúria, eis que aparece um tal Alexis, da esquerdalha mais rancorosa, mais zaragateira e rebelde, a exigir que a Merkel mercadora devolva a independência, a liberdade e o dinheiro a essa catrefa de paralíticos (não é, Rodrigues dos Santos?), de trapaceiros (não é, Rodrigues dos Santos?) e de prevaricadores (não é, Rodrigues dos Santos?) que constitui o povo helénico.

Por mim, pelos portugueses, pelos franceses, pelos italianos, pelos gregos, por todos os povos do mundo, oro aos deuses das alturas para que o governo grego não falhe. Que cumpra o que prometeu e que meta a Merkel a mercadejar, única e exclusivamente, lá pela sua Grande Pátria, de onde nunca devia ter saído para nos invadir sem armas de fogo, mas com armas que matam na mesma: a fome, o desespero, a má Saúde, a má Educação, a emigração, o futuro interrompido.

Que renasça a esperança. E que viva a Grécia!

27/01/15

coelhito já te tenho dito que não é bonito ...

ANTES:


DEPOIS:

o fado das comendadeiras

Mais uma vez se comprova que Anibal Cavaco Silva não está, nem pouco mais ou menos, à altura do cargo que desempenha. Numa homenagem ao Fado, o presidente está neste momento a condecorar vários artistas com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Pensar-se-ia, logicamente, que uma das primeiras pessoas a serem agraciadas seria Carlos do Carmo, que tanto batalhou pela elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade e que, no ano passado, foi o primeiro artista português a ser contemplado com o Grammy Latino. Mas Cavaco não perdoa, Cavaco remói, Cavaco vinga-se. Num acto de plena demonstração da sua pouca grandeza, os felizes contemplados com o título de Comendador e de Comendadeira são Ana Moura, Carminho, Ricardo Ribeiro, Mário Pacheco e, claro, a sua apoiante desde a primeira hora, Katia Guerreiro. Nem Mariza, sem sombra de dúvida um dos nossos maiores valores fadistas da actualidade, teve honras de pisar Belém ao fim da tarde. Que triste fado o nosso, estarmos a suportar tal presidente há tantos e tão longos anos. Parafraseando Carlos do Carmo, foi um azar dos Távoras.

26/01/15

a foto do dia, do mês, do ano!


as grandes reportagens desse grande jornalista José Rodrigues dos Santos



Totalmente de acordo!

querido, o caldo entornou-se!

Que horror, o povo grego deu a maioria ao Syriza, votou na extrema-esquerda imberbe e radical, mandou às urtigas a democracia de tipo ocidental et cetera e tal. Agora é que vão ser elas, a Merkel e o Junckers vão fechar-lhes a torneira do dinheiro, vão corrê-los do euro, da comunidade europeia, os gregos vão passar fominha de rabo seco que é para não se armarem em espertos, pobre que é pobre beija as mãos de quem lhe garante a sobrevivência, lhe mitiga a indigência, pobre que é pobre prostra-se diante dos ricos, subserviente e agradecido, sem manias patrióticas, sem esses luxos da dignidade e da independência, que horror! O que vale é que a coisa não vai durar muito, aquilo no Syriza é um saco de gatos onde ninguém se entende, todos querem poleiro, vão sofrer dissidências graves e a aventura esquerdista, que horror!, não vai aguentar-se mais do que uns três ou quatro meses, os mercados vão fazer-lhes a cama, vocês vão ver, e além disso não têm gente capaz de governar. Alexis Tsipras não tem qualquer experiência política e não vai conseguir encontrar ministros capazes e porque torna e porque deixa e por mais isto e mais aquilo e assim e assado porque os gregos estão fritos.

Tudo o que acima se escreve foi dito esta noite nos canais de informação por grandes comentadores da praça. Não por estas palavras, mas este é o seu espírito. A revolução não passou, a revolução não passará. Morte ao Syriza já!