27/06/13

faça favor, senhor primeiro-ministro, peço desculpa, senhor primeiro ministro



701 insultos para ter sempre à mão

Vários amigos têm-se queixado de que começam a faltar-lhes os adjectivos para qualificar os titulares de cargos públicos e as suas acções. Tendo tomado conhecimento do facto, e no sentido de procurar ajudar quem se encontra nesta condição, através de mão amiga (Carlos Robalo), cheguei a um blog onde isto está listado e a crescer: O imponente coiso.

Afinal, hoje é dia de Greve Geral e não queremos que ninguém se sinta embaraçado por lhe faltar a palavra certa. Sublinho que nenhum dos termos utilizados tem qualquer conteúdo homofóbico, xenófobo, racista, sexista ou whatever. São mesmo só insultos, despidos destas semânticas. Ok?

É só escolher e insultar à vontade:

Abafa-a-palhinha, abécula, abelhudo, abichanado, abutre, agarrado, agiota, agressivo, alarve, alcouceira, alcoviteira, aldrabão, aleivoso, amalucado, amarelo, amaneirado, amaricado, amigo-da-onça, analfabeto, analfabruto, animal, anjinho, anormal, apanhado do clima, aparvalhada, apóstata, arrelampado, arrogante, artolas, arruaceiro, aselha, asno, asqueroso, assassino, atarantada, atrasado mental, atraso de vida, avarento, avaro, ave rara, aventesma, azeiteiro.

Bacoco, bácoro, badalhoca, badameco, baixote, bajulador, baldas, baleia, balhelhas, balofo, banana, bandalho, bandido, barata tonta, bárbaro, bardajona, bardamerdas, bargante, barrigudo, basbaque, basculho, básico, bastardo, batoque, batoteiro, beata, bebedanas, bêbedo, bebedolas, beberrão, besta, besta quadrada, betinho, bexigoso, bichona, bicho do mato, biltre, bimbo, bisbilhoteira, boateiro, bobo, boca de xarroco, boçal, bode, bófia, boi, boneca de trapos, borracho, borra-botas, bota de elástico, brochista, bronco, brutamontes, bruto, bruxa, bufo, burgesso, burlão, burro.

Cabeça de abóbora, cabeça-de-alho-chôcho, cabeça-de-vento, cabeça no ar, cabeça oca, cabeçudo, cabotino, cabra, cabrão, cábula, caceteiro, cachorro, cacique, caco, cadela, caga-leite, caga-tacos, cagão, caguinchas, caixa de óculos, calaceiro, calão, calhandreira, calhordas, calinas, caloteiro, camafeu, camelo, campónio, canalha, canastrão, candongueiro, cão, caquética, cara-de-cu-à-paisana, caramelo, carapau de corrida, careca, careta, carniceiro, carraça, carrancudo, carroceiro, casca grossa, casmurro, cavalgadura, cavalona, cegueta, celerado, cepo, chalado, chanfrado, charlatão, chatarrão, chato, chauvinista, chibo, chico-esperto, chifrudo, choné, choninhas, choramingas, chulo, chunga, chupado das carochas, chupista, cigano, cínico, cobarde, cobardolas, coirão, comuna, cona-de-sabão, convencido, copinho de leite, corcunda, corno, cornudo, corrupto, coscuvilheira, coxo, crápula, cretino, cromo, cromaço, criminoso, cunanas, cusca.

Debochado, delambida, delinquente, demagogo, demente, demónio, depravado, desajeitado, desastrada, desaustinado, desavergonhada, desbocado, desbragado, descabelada, desdentado, desengonçado, desgraçado, deshumano, deslavado, desleal, desmancha prazeres, desmazelada, desmiolado, desengonçado, desenxabida, desonesto, despistado, déspota, destrambelhado, destravada, destroço, desvairado, devasso, diabo, ditador, doidivanas, doido varrido, dondoca, doutor da mula russa, drogado.

Egoísta, embirrento, embusteiro, empata-fodas, empecilho, emplastro, enconado, energúmeno, enfadonho, enfezado, engraxador, enjoado da trampa, enrabador, escanifobética, escanzelada, escarumba, escrofuloso, escroque, escumalha, esgalgado, esganiçada, esgrouviada, esguedelhado, espalha-brasas, espalhafatoso, espantalho, esparvoado, esqueleto vaidoso, esquerdista, estafermo, estapafúrdio, estouvada, estroina, estropício, estulto, estúpido, estupor.

Faccioso, facínora, fala-barato, falhado, falsário, falso, fanático, fanchono, fanfarrão, fantoche, fariseu, farrapo, farropilha, farsante, farsolas, fatela, fedelho, feia-comó-demo, fersureira, figurão, filho da mãe, filho da puta, fingido, fiteiro, flausina, foção, fodido, fodilhona, foleiro, forreta, fraco-de-espírito, fraca figura, franganote, frangueiro, frasco, frígida, frícolo, frouxo, fufa, fuinha, fura-greves, fútil.

Gabarola, gabiru, galdéria, galinha choca, ganancioso, gandim, gandulo, garganeira, gato pingado, gatuno, gazeteiro, glutão, gordalhufo, gordo, gosma, gralha, grosseiro, grotesco, grunho, guedelhudo

Herege, hipócrita, histérica.

Idiota, ignorante, imaturo, imbecil, impertinente, impostor, incapaz, incompetente, inconveniente, indecente, indigente, indolente, inepto, infame, infeliz, infiel, imprudente, intriguista, intrujona, invejoso, insensivel, insignificante, insípido, insolente, intolerante, intriguista, inútil, irritante.

Javardo, jumento.

Labrego, labroste, lacaio, ladrão, lambão, lambareiro, lambe-botas, lambe-conas, lambisgóia, lamechas, lapa, larápio, larilas, lavajão, lerdo, lesma, leva-e-traz, libertino, limitado, língua-de-trapos, língua viperina, linguareira, lingrinhas, lontra, lorpa, louco, lunático.

Má rês, madraço, mafioso, maganão, magricela, malcriado, mal enjorcado, mal fodida, malacueco, malandreco, malandrim, malandro, malfeitor, maltrapilho, maluco, malvado, mamalhuda, mandrião, maneta, mangas-de-alpaca, manhoso, maníaco, manipulador, maniqueista, manteigueiro, maquiavélico, marado-dos-cornos, marafado, marafona, marginal, maria-vai-com-as-outras, maricas, mariconço, mariola, mariquinhas-pé-de-salsa, marmanjo, marrão, marreco, masoquista, mastronço, matarroano, matrafona, matrona, mau, medíocre, medricas, medroso, megera, meia-leca, meia-tijela, melga, meliante, menino da mamã, mentecapto, mentiroso, merdas, merdoso, mesquinho, metediço, mijão, mimado, mineteiro, miserável, mixordeiro, moina, molengão, mongas, monhé, mono, monstro, monte-de-merda, mórbido, morcão, mosca morta, mostrengo, mouco, mula, múmia.

Nababo, nabo, não-fode-nem-sai-de-cima, não-tens-onde-cair-morto, narcisista, narigudo, nariz-arrebitado, nazi, necrófilo, néscio, nhonhinhas, nhurro, ninfomaníaca, nódoa, nojento, nulidade.

Obcecado, obnóxio, obstinado, obtuso, olhos-de-carneiro-mal-morto, onanista, oportunista, ordinário, orelhas-de-abano, otário.

Pacóvio, padreca, palerma, palhaço, palhaçote, palonça, panasca, paneleiro, panhonhas, panilas, pantomineiro, papa-açorda, papagaio, papalvo, paranóico, parasita, pária, parolo, parvalhão, parvo, paspalhão, paspalho, passado, passarão, pata-choca, patarata, patego, pateta, patife, patinho feio, pato, pató, pau-de-virar-tripas, pedante, pederasta, pedinchas, pega-de-empurrão, peida-gadoxa, pelintra, pendura, peneirenta, pequeno burguês, pérfido, perliquiteques, pernas-de-alicate, pés de chumbo, peso morto, pesporrente, petulante, picuinhas, piegas, pilha-galinhas, pílulas, pindérica, pinga-amor, pintas, pinto calçudo, pintor, piolho, piolhoso, pirata, piroso, pitosga, pobre de espírito, pobretanas, poltrão, popularucho, porcalhão, porco, pote de banhas, preguiçoso, presunçoso, preto, provocador, proxeneta, pulha, punheteiro, puta, putéfia.

Quadrilheira, quatro-olhos, quebra-bilhas, queixinhas, quezilento.

Rabeta, rabugento, racista, radical, rafeiro, ralé, rameira, rameloso, rancoroso, ranhoso, raquítico, rasca, rascoeira, rasteiro, rata de sacristia, reaccionário, reaças, reles, repelente, ressabiado, retardado, retorcido, ridículo, roto, rufia, rústico.

Sabujo, sacana, sacripanta, sacrista, sádico, safado, safardana, salafrário, saloio, salta-pocinhas, sandeu, sapatona, sarnento, sarrafeiro, sebento, seboso, sem classe, sem vergonha, serigaita, sevandija, sicofanta, simplório, snob, soba, sodomita, soez, somítico, sonsa, sórdido, sorna, sovina, suíno, sujo.

Tacanho, tagarela, tanso, tarado, taralhouca, tavolageiro, teimoso, tinhoso, tísico, títere, toleirão, tolo, tonto, torpe, tosco, totó, trabeculoso, trafulha, traiçoeiro, traidor, trambolho, trapaceiro, trapalhão, traste, tratante, trauliteiro, tresloucado, trinca-espinhas, trique-lariques, triste, troca-tintas, troglodita, trombalazanas, trombeiro, trombudo, trouxa.

Unhas de fome, untuoso, urso.

Vaca gorda, vadio, vagabundo, vaidoso, valdevinos, vândalo, velhaco, velhadas, vendido, verme, vesgo, víbora, viciado, vigarista, vígaro, vil, vilão, vingativo, vira-casacas.

Xenófobo, Xé-xé, xico esperto.

Zarolho, zé-ninguém, zelota, zero à esquerda.

Fonte do texto (em segunda mão): http://aventar.eu

consciência tranquila



Nada lhe tira o sono. A miséria portuguesa, a devastação da economia, o aumento da dívida, a escalada do desemprego são, para ele, o melhor dos soporíferos.

grande best-seller nacional, há dois anos nos tops de vendas

Best-Seller.Tops. Expatrie-se a língua, tal como se exportam portugueses às carradas, tudo mercadoria barata, tudo carne para o patrão. Vem o aranzel a propósito deste grande êxito editorial, o maior dos últimos dois anos em todo o País. Trata-se de uma edição Polvo Livre e só custa alguns impostos mais e alguns salários menos. Dada a sua indiscutível qualidade, e a grande envergadura política e intelectual do autor, até que nem sai caro. Já vai na sétima edição, com o alto patrocínio da troika, os mercenários, perdão, os mecenas da Nação. Os direitos de autor revertem a favor da banca.


26/06/13

lenine às voltas no túmulo

É a isto que chegou a Rússia. Um menino rico, daqueles que as máfias pariram, ficou muito incomodado com um carro que, mal estacionado, impedia a saída do seu luxuoso bólide. Eis o que acontece:

quer saber o que é o clube bildeberg que, tão penhoradamente, convidou tozé seguro para uma das suas reuniões ultra-secretas?

o laboratório do saque


Por Daniel Oliveira

Reportagem alemã sobre o processo de privatização da distribuição de água em Portugal. Julgam os povos do norte da Europa que estão a salvo. Enganam-se. Nós somos apenas o laboratório de um saque há muito sonhado. Pena que para este assunto ser assunto tenhamos de procurar na comunicação social alemã. 

Nota: caso não surjam de imediato, active as legendas (primeiro ícone em baixo, do lado direito)

isto endireita, ai endireita, endireita!


Perseguidos pelo fisco, "aconselhados" a não fazer greve, agredidos por apoiarmos uma horta comunitária, multados por jogarmos bingo a biscoitos, chamados de piegas e mandriões, amedrontados pelo patrão, atirados para o desemprego, roubados pelo governo e pelos grandes magnates, censurados por quem não nos ouve nem nos dá voz, vivemos as delícias da verdadeira direita, sem disfarces, mentirosa e trauliteira. Até quando? Para quando o fim do pesadelo? 

a arte efémera de madame maurice

Madame Maurice é francesa e dedica-se à arte pelas ruas de Angers, onde milhares de origami embelezam a cidade.







Imagens: http://www.mademoisellemaurice.com

comédia satânica


Estive a ouvir um excerto da função de hoje na Casa da Comédia. Pedro "Coração-de-Pedra", o nefando barítono, foi a atracção principal, estrela fanada de um espectáculo decadente. A presidenta, na assunção do seu elevadíssimo e distintíssimo cargo, fez de contra-regra, pôs na ordem os actores, ajustou-lhes os tempos, marcou-lhes os passos e, com a autoridade que todos lhe reconhecemos, expulsou o público metediço (sim, cantou-se por lá a Grândola, mais uma vez, agora e sempre, que a voz não nos doa e o medo não nos tolha). Os figurantes sentados à direita baixa, de farpelas a preceito, debitaram falas bem ensaiadas, bem decoradas, escritas para papalvo crer e aplaudir. O encenador, esse, não foi. Ficou-se pelo Real Teatro de Belém congeminando fantochadas e pantomimas. No final, escorraçado o público, não houve pateada nem apupos. Os cómicos, eufóricos, recolheram aos camarins para retirar a pintura, arrancar a máscara. Caiu o pano. Encharcado. Nas trombas.

tudo se transforma

Quando o seu rolo de papel higiénico acaba, que faz aos tubos de cartolina que sobram? Deita-os fora? Não faça isso. Siga o exemplo de Anastassia Elias e recicle-os ...


ainda ninguém me explicou ...


... como é que Portas, sendo a favor do abrandamento de impostos, da preservação do Estado Social, da mitigação dos sacrifícios, tão dedicado aos reformados, tão amigo do contribuinte, é, logo ele, quem está a estudar a reforma do Estado que vai cortar (pelo menos) 4,7 mil milhões de euros à Saúde, à Educação, à Segurança Social. Ou é uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde ou um espécime tortuoso, oportunista e com uma fome de poder imensa. Ser desta opinião e da contrária se preciso for, vender a alma ao diabo e o cérebro à democracia-cristã, andar constantemente em equilíbrio precário numa corda cediça e traiçoeira, só pode dar maus resultados. Qualquer dia, fecham-se-lhe as portas, a serventia da rua.

no mesmo barco

Por Viriato Soromenho-Marques

Numa recente entrevista à revista Der Spiegel, a chanceler Merkel perguntava-se: como é que a UE estará em condições de continuar a representar 50% da despesa social do planeta, quando contém apenas 7% da população e algo entre 20% e 25% do PIB mundial? As multidões que no Brasil protestam contra a opulência das obras de fachada (como as que ajudaram a arruinar Portugal), ou os jovens de Istambul que querem liberdade para as suas vidas, e os milhões de chineses que todos os dias combatem para não terem de escolher entre o salário e a miséria ambiental, também devem ser chamados a responder à pergunta de Merkel. Não é uma desgraça pequena que a mais poderosa personalidade política europeia olhe para o nosso complexo presente com a argúcia de um capataz paroquial. O "Estado social" europeu não foi uma oferta, mas uma conquista de milhões de mulheres e homens ao longo de dois séculos de lutas sociais. Se a Europa ainda suscita admiração, foi por esta ter sido capaz de combinar economia de mercado com justiça social, numa ótica distributiva, baseada em direitos humanos e não numa caridade facultativa. A saúde do "Estado social" não se resolverá com uma certidão de óbito, mas com a sua refundação numa base de economia ecológica, acentuando a distribuição da riqueza. Com mais políticas públicas, e não com menos. Com mais cooperação internacional, e não com uma corrida para o abismo que levará, pelo menos, ao protecionismo. A chanceler esqueceu-se de referir que, também na Europa, mesmo antes da crise, se tem assistido a uma enorme concentração do rendimento no 1% da população mais rica. Não se trata apenas de uma crise de crescimento, mas de uma captura do sistema político pela oligarquia económica. O problema é conhecido. E a solução também.

retrato de um sacrista quando jovem

prosopopeia

Por Luís Rainha
http://www.ionline.pt/

O ser humano sente-se seguro quando julga entender o mundo. Sobretudo ao enfrentar os seus terrores: os relâmpagos passam a obra de um deus irado, a inépcia para a vida transfigura-se em maquinações da “sorte madrasta”. O que comunga a nossa dimensão de gente pode sempre ser apaziguado, castigado, subornado.

O povo assusta quem gostaria de o domar. Por isso se esforçam para lhe amenizar a escala, dando-lhe rosto de quantidade entendível. Não há noite de eleições sem homilias sobre o que “o povo português decidiu”. Engano: não existe isso do “povo”, português ou alhurês. Existem sim indivíduos, com decisões e inclinações individuais que depois se agregam em eventos colectivos.

Quando o tal “povo” parece inclinado a fazer coisas que nos assustam, damos-lhe anatomia de hidra, com uma cabeça dedicada ao bem e outra empenhada em maldades várias. Em manifestações que incluem violência, pilhagens ou apenas resistência a quem manda, há sempre uns “manifestantes bons” (a maioria) e uns “arruaceiros” (os que merecem porrada). Em S. Bento ou em S. Paulo.

Novo engano. Não somos formigas, talhadas à nascença para papéis monocórdicos. Como indivíduos, temos por vezes a mania da liberdade. Hoje, posso acreditar que a voz basta para me fazer ouvir. Amanhã, uma pedra da calçada talvez me pareça um bom megafone.

Mas o desespero e a fúria ante a injustiça são contagiosos – um dia ainda acordamos face ao nosso pior pesadelo: um povo “mau”, esquecido dos seus “brandos costumes”. Era bem feito.

a almoçarada



Por Baptista-Bastos

O vistoso Grupo Excursionista Passos Coelho & Compinchas foi a uma almoçarada em Alcobaça. Deslocou-se, o grupo, em potentes automóveis, levando consigo, convenientemente, os guarda-costas habituais. Um número incontável de viajantes. Poderiam, talvez, viajar de autocarro, mas não. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros anterior, com a veemência que deliberações desta natureza exigem e justificam. No presumível autocarro, a excursão seria mais divertida: um bulício de conversas e de risos, uma troca de histórias matreiras, acaso inconfidências risonhas e intercâmbio de pequenos segredos.

O selecto conjunto ia discretear sobre as maleitas da pátria e, porventura, encontrar soluções para o que nos aflige. Poderia, a reunião, ter sido em Algés, na Trafaria ou na Tia Matilde. Qual quê? O recato do mosteiro e o meditativo silêncio eram convites indeclináveis à grave reflexão a que se propunha aquela gente considerável.

Acontece um porém: na capela ia celebrar-se um casamento, e um repórter curioso aproximou-se, lampeiro, de gravador em punho. Esclareceu a jovem, vestida a rigor com véu e flor de laranjeira, a coincidência de o Governo estar ali, e ela também para o enlace desejadamente jubiloso. Espavorida, fugiu para o interior do monumento, sem a complexidade indecisa dos que olham para o poder com reverente obséquio. Entendeu, provavelmente, a noiva que o encontro não era sinal auspicioso e que a presença simultânea de tantos ministros dava azar.

Tomando as coisas pelo seu nome, acerca de que conversaram, aqueles que tais; que valores absolutos como a verdade, o bem, o sagrado, a beleza alinharam no que disseram? Adquiriram consciência de que a unidade dos valores morais está a desintegrar-se rapidamente, por culpa própria? O recolhimento piedoso do local era propício a actos de meditação e, por decorrência, à contrição e ao remorso.

Mais prosaicamente, que comeram os excursionistas? Embrulharam lanche? Levaram marmita? Passear, decididamente, não. O coro de protestos, de vaias e de insultos que os recebeu teria afugentado qualquer ideia de turismo. No final, o ministro Poiares Maduro, em resposta à ânsia noticiosa dos jornalistas, disse umas frases inócuas. Percebeu-se, no enredo, que o encontro de Alcobaça redundara em nada, rigorosamente em nada; que nada se decidira, que tudo fora absurdo, confuso e disperso.

Poiares Maduro é, certamente, bom rapaz, e só por isso tem uma aparência formal de tranquilidade infalível. A voz ainda está em formação, e não me parece que possua sabedoria administrativa e astúcia suficientes para enfrentar as armadilhas que o aguardam. O partido que suporta o Governo é um saco de lacraus. Dividido em grupos de interesses, até já perdeu o sentido da cortesia. E a almoçarada, em Alcobaça foi uma sessão de despropósito, consequente com o estado do Governo.

travessias




Imagens: https://www.facebook.com/NunoTrindadePhotography

25/06/13

são rosas, senhor!


São rosas, senhor, são rosas. Depois do amargo das laranjas, aguarda-se o regresso dos espinhos. Tudo mudará para que tudo fique na mesma. E nós, cantando e rindo, levados, levados sim, pelo marketing político, pelas promessas vis, pelas mentiras vãs, lá iremos dar o nosso voto para a destruição da pouca democracia que sobra e do pouco bem-estar que nos resta. Aos outros, a muito poucos felizardos, cairão pétalas nas assessorias e nas presidências das empresas públicas. Aos outros, poucos mas bons, chegará o inebriante perfume dos cargos nas autarquias, nos bancos e nos grandes empórios dependentes do Estado para os seus negócios. São rosas, senhor, são rosas. Com Seguro, ficarei seguro e respirarei de alívio. O milagre da reprodução de tachos ressurgirá em todo o seu esplendor. Já estou de jarra na mão à espera do grande momento. Da chegada das rosas ao jardim das delícias.

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o iscariotes do caldas


Às vezes não sei qual deles é pior, se Pedro, se Paulo. Sendo os dois apóstolos do extermínio, Pedro não esconde a sua perversidade social. Já Paulo, um rato, de sacristia e na política, está pelo governo e contra o governo, dá para os dois lados, à frente faz, atrás desfaz qual Satanás com asas de anjo. Agora, vem dizer que quer baixar o IVA da restauração no próximo Orçamento de Estado. Como o OE será discutido após as eleições autárquicas, só depois de, devotos, depositarem os votos no santinho da sua veneração, ficarão os portugueses a saber, tarde demais, se Paulo cumpre ou não a sua promessa, se as prédicas condizem com os actos, se consegue fazer frente ao rei-mago Gaspar e aos santos lá da Goldman Sachs, do FMI, do Banco Mundial, da Reserva Federal e et cetera e tal. Seja como for, Paulo é Judas e Judas é Paulo. Paulo beija-nos para melhor nos quilhar. Um predador. Um pecador. Um traidor.

Se Ele existe, Ele o castigará. Pelas artimanhas, pela pose de falso profeta casto, pelos enganos e engodos de Maquiavel de feira. Que Ele não lhe perdoe, que não Lhe doam as mãos. Para Paulo, o Iscariotes do Caldas, peço em prece e em genuflexão o castigo divino. Para Paulo, O Pregador, não há maior castigo do que privá-lo da sua religião, a política. Há que expulsá-lo, a ele e ao Pedro, do paraíso. Para que possamos, de uma vez por todas, libertar-nos do inferno e do calvário onde nos querem sacrificar em nome do deus dinheiro.

pois o alberto joão que se roa de inveja!


Se o Jardim, esse belo ornamento da Madeira, pensava que só ele conseguia atear um bom fogo-de-artifício, desengane-se e que veja o Porto na noite de S. João. Nestas alturas de pouco pão, um pouco de circo vem a calhar. E, mais do que qualquer outro, o Jardim sabe da poda.

Imagem: http://www.photoattraction.net/s-joao-fireworks/

portanto, espero não estar a ser mais um totó


Por Pedro Tadeu

A lista já pesa: assim, de repente e de memória, sou capaz de citar uma série de casos onde as autoridades e o poder executivo, judicial e legislativo tentam apertar os limites de utilização da liberdade de expressão. O leitor ou leitora não está preocupado com isso? Eu também não mas, já agora, repare nas notícias.

Temos Miguel Sousa Tavares,a palavra palhaço usada como possível insulto a Cavaco Silva e um processo levantado pelo Ministério Público, depois de um pedido de intervenção feito pelo Presidente da República.

Temos um cidadão em Elvas, totalmente desenquadrado de manifestações autorizadas, que no Dia de Portugal decide verberar o Presidente da República. Acabou detido e, em 24 horas, levado e condenado em tribunal - sentença que, por não poder ser julgada em processo sumário, o Ministério Público pretende agora anular.

Temos em Leiria um manifestante acusado de injúrias e ofensas à integridade física de um polícia. Ontem a juíza que o iria julgar mandou o caso para trás por, outra vez, se verificar "inadmissibilidade legal do processo sumário".

No sábado, onze militantes da JCP foram detidos numa escola do Porto por pintar um mural a criticar o Governo. A PSP, aparentemente, contrariou assim inúmeras decisões judiciais de sentido contrário e até um acórdão do Tribunal Constitucional sobre este tipo de manifestação política.

Ainda ontem saiu a notícia de que o Governo quer implementar novas regras para a pintura de grafítis para passar a exigir um requerimento com o projeto do desenho, uma licença concedida pelas câmaras e a autorização do proprietário do edifício onde a pintura irá ser feita...

Na segunda-feira da semana passada a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e a Procuradoria-Geral da República fizeram um aparentemente inocente e chato seminário, longamente intitulado "Informação e Liberdade de Expressão na Internet e a Violação de Direitos Fundamentais - Comentários em Meios de Comunicação Online" que mais não é de que outro um passo dado na direção do fim dos comentários livres nos sites de informação como o do Diário de Notícias.

Cada um destes casos poderá ser avaliado de forma diferente. Admito até que a intervenção das autoridades seja absolutamente defensável em algum deles. Mas há muitos, muitos anos mesmo que uma sequência noticiosa deste tipo, tão longa, não se registava.

Para já, recuso-me a tirar consequências, pois não quero acreditar no que aqui fica indiciado. Afinal, tenho esperança em nós próprios... Espero não estar a ser mais um totó.

24/06/13

vileza envergonhada

As gentes do PSD têm vergonha de ser do PSD. Nos cartazes que começam a poluir as nossas vistas, para as próximas eleições autárquicas, o símbolo do PSD foi-se. E até a cor laranja deu às de vila diogo. Agora eles podem ser brancos, verdes, amarelos, azuis e até, que deus lhes perdoe, vermelhos, como é o caso em Oeiras. Os candidatos a autarcas do PSD têm vergonha de Passos, querem que os seus eleitores esqueçam Passos, não elegeram Passos para presidente do partido, sempre execraram Passos, sempre foram social-democratas, boa gente, trabalhadora e honrada. Tarrenego Satanás!







por que luta o brasil?

Esta é a imagem de um hospital em Fortaleza. Um país com riquezas de primeiro mundo e serviços públicos de terceiro. A corrupção, a monstruosa desigualdade entre ricos e pobres, o desprezo absoluto pela dignidade humana não se erradicam com falinhas mansas.