comédia satânica


Estive a ouvir um excerto da função de hoje na Casa da Comédia. Pedro "Coração-de-Pedra", o nefando barítono, foi a atracção principal, estrela fanada de um espectáculo decadente. A presidenta, na assunção do seu elevadíssimo e distintíssimo cargo, fez de contra-regra, pôs na ordem os actores, ajustou-lhes os tempos, marcou-lhes os passos e, com a autoridade que todos lhe reconhecemos, expulsou o público metediço (sim, cantou-se por lá a Grândola, mais uma vez, agora e sempre, que a voz não nos doa e o medo não nos tolha). Os figurantes sentados à direita baixa, de farpelas a preceito, debitaram falas bem ensaiadas, bem decoradas, escritas para papalvo crer e aplaudir. O encenador, esse, não foi. Ficou-se pelo Real Teatro de Belém congeminando fantochadas e pantomimas. No final, escorraçado o público, não houve pateada nem apupos. Os cómicos, eufóricos, recolheram aos camarins para retirar a pintura, arrancar a máscara. Caiu o pano. Encharcado. Nas trombas.

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