30/12/13

atirem com o lixo ao lixo

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt


Lisboa fede, tornou-se símbolo de um país em decomposição. Somos governados por lixo que nos trata como lixo, matéria perecível de pouco valor. Corpos bons para trabalhar, enquanto a carniça aguentar. Depois, é atirá-los para um qualquer depósito de mortos-vivos à espera que a morte venha.

Proponho uma celebração de final de ano: que amanhã, às 12 badaladas da meia-noite, levemos os nossos detritos até às portas das residências oficiais do lixo governante. E até às portas dos bancos, que tanto lixo fazem mas que ressuscitam, por entre o esterco, reluzentes e lavadinhos, como se não tivessem estado enterrados em merda e em merda continuem atolados. E até às portas de banqueiros, impostores, malfeitores, ladrões graúdos, cangalheiros da Nação. O crème de la crème, o lixo do lixo, os cagalhões-mor do reino.

Não há razões para festejar, nem para enfiar 12 passas pela goela abaixo. O novo ano vai ser pior do que este, mais aumentos, mais atropelos aos direitos de cada um, mais roubos, mais espoliação, mais despedimentos, mais falências, mais fome, mais miséria, mais desespero, mais suicídios.

Reajam enquanto é tempo: atirem com o lixo ao lixo. Por uma questão de higiene, de saúde pública.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Lava-a de crimes espantos
De roubos, fomes, terrores,
Lava a cidade de quantos
Do ódio fingem amores.

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas.

Lava bancos e empresas
Dos comedores de dinheiro
Que dos salários de tristeza
Arrecadam lucro inteiro.

Lava palácios, vivendas,
Casebres, bairros da lata
Leva negócios e rendas
Que a uns farta a outros mata.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Lava avenidas de vícios
Vielas de amores venais
Lava albergues e hospícios
Cadeias e hospitais.

Afoga empenhos favores
Vãs glórias, ocas palmas
Leva o poder de uns senhores
Que compram corpos e almas.

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas.

Das camas de amor comprado
Desata abraços de lodo
Rostos corpos destroçados
Lava-os com sal e iodo.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Poema de Manuel da Fonseca

20/12/13

plano B: governo vai fazer de advogadas!

Por Ferreira Fernandes

Neste Governo, minirremodelação é pleonasmo. Ninguém espera que saia grande coisa de um buraquito. Mas anunciada uma mini junto ao chumbo do Tribunal Constitucional parece termos um grande problema. Calma: há um plano B! Embora este seja outro pleonasmo: com este Governo, o plano é sempre B, deve saltar-se o A. Nos Conselhos de Ministros, quando um ministro diz "chefe, tenho uma ideia!", Passos Coelho devia dizer: "Deixa cair essa, diz-me lá a seguinte." É, o nosso sonho era ter um Governo q.b., de medida certa, mas calhou-nos um Governo Pb, símbolo de plumbum, chumbo. O chumbo é um metal tóxico, pesado e maleável. Confere. E mau condutor de eletricidade (olha, vender a EDP deve ter sido a sua única medida certa...) Enfim, este é um Governo chumbado a zagalote do TC, mas, felizmente, há um plano B: fazer um vídeo. O enredo já meio Portugal conhece, há só que mudar as personagens. Aparece uma ministra que tenhamos loura, de passada firme pelos passeios de Lisboa, enquanto se ouve uma voz ao fundo: "Maria Luís Albuquerque e Associados é hoje uma boutique vocacionada para a recuperação de impostos." Entretanto, vão aparecendo um a um os morenos do seu escritório. Passos Coelho no Terreiro do Paço, de cabelos esvoaçantes (há que fazer, rápido, o vídeo...), Paulo Portas a entrar para um táxi, Aguiar-Branco numa arcada... No fim, todos os morenos à volta da loura. E a voz-off: "Os resultados obtidos falam por nós." Oh quanto!

19/12/13

A troika vai nua

Por Fernando Dacosta

Na passada semana, num debate televisivo sobre economia, finanças, política, etc., ouviu-se a certa altura um dos intervenientes dizer que devíamos demandar judicialmente (no Tribunal Internacional de Justiça) o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu por haverem conduzido Portugal à ruína, consequência de o terem feito com a subserviência (activa) do governo, cobaia de experiências sociais infamantes.

Esse interveniente - Eduardo Paz Ferreira, prestigiado catedrático, fiscalista, ensaísta, comunicador (andou por jornais na década de 70) - perturbou assim a compostura reinante com a sarcástica ironia que o caracteriza.

Açoriano, tornou-se há muito um dos mais contundentes pensadores/comentadores da realidade portuguesa. Através das suas palavras, algo de novo, de dignificante, foi dito, subvertendo o discurso que velhacamente nos tem narcotizado.

Isso sucedeu precisamente na altura em que se soube que o "inquérito à actuação da troika nos países sob intervenção", decidido pela UE por suspeitas de "abusos ou violações da lei", ficava em águas de bacalhau, substituído por um inócuo relatório de valor dito "simbólico".

Dois dias depois, outro açoriano, Medeiros Ferreira (um dos nossos mais lúcidos ministros dos Negócios Estrangeiros) garantiu no mesmo canal que "toda a troika será julgada", indo ficar "nas ruas da amargura", pois "ninguém nela se irá salvar". Será "um escândalo".

À semelhança dos demais povos "subeuropeus", os portugueses irão também golfar os flibusteiros (internacionais e nacionais) que os assaltaram comandados por duas (travestidas) "tias", Merkel e Lagarde, sem limites nem vergonha.

A troika, como se suspeitava, vai nua.

18/12/13

o garnisé aporrinhado e outras aves empoleiradas


Um bando de franganotes, dos mais fracotes que há, é o que sempre me parece o friso frontal do PS no Parlamento. Então, quando Seguro discorre, no seu jeito infeliz de menino da lágrima, a analogia salta-me à moleirinha com desusada clarividência. Até Soares, nos seus frescos 89 anos, faz mais mossa aos galaréus no poleiro do que o pintainho de aviário concebido, com pecado, no ninho da jota. Fosse ele, Soares, o secretário-geral do PS e outro galo cantaria, não mais piaria esse garnisé assustadiço a quem o medo de ir para a panela, antes de ver o fundo ao tacho e de repartir tacho a tacho, lhe tolhe a asinha que não voa, lhe esmorece e cai no mar, lá diz o fado mas mal fadados andamos nós, mal fadados e mal pagos, toma lá milho, dá cá os ovos d'ouro enquanto a galinha o pernil não estica ou, então, revoltada nos debica.

Faltam-nos capões na capoeira. 

Sobram-nos galinholas.

17/12/13

os ricos que façam filhos!

Volta não volta, os nossos desgovernantes mostram-se muito preocupados com a baixa natalidade em Portugal, com a falta de escravos que, um belo dia, deixarão de existir para os sustentar, a eles e aos da sua laia.

Ora eu pergunto: com recém-licenciados sem trabalho ou, quanto muito e viva o velho!, a ganhar 500, 600 ou - se o patrão, num arrobo de generosidade, estiver para aí virado - a ucharia de 700 euros, como é que querem que esses jovens constituam família?

Já lá vai o tempo de amor e uma cabana, senhores!

Por isso vos deixo aqui um conselho, dado de boa vontade: deixem de nos fornicar a nós, forniquem entre vocês, façam filhos, procriem como Deus manda e os bichinhos gostam.

Não nos fodam é, a nós, nem o juízo nem as vidas.

resistir é uma forma de combater

Miguel Queirós Pinto, http://olhares.sapo.pt
Por Baptista-Bastos

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, diz que falar com a troika não vale nada. É pelo menos estranho que só agora ele se tenha dado conta da inutilidade das reuniões. Vieira Lopes é "um homem que veio da luta" (como se dizia ainda não há muito tempo), caldeado em convicções de que, depois abandonou, mudando de carril. Isto para salientar a sua particular experiência política. O que esta gente da troika, com a aquiescência governamental e patronal, nos tem feito é de bradar aos céus. O movimento opinativo sobre os malefícios da troika avolumou-se nos últimos tempos, exactamente quando o trio se prepara para abandonar Portugal. Assistimos, tão impávidos quanto a nossa moleza de espírito o permite, às decisões mais atrozes que uns funcionários do capitalismo europeu nos aplicaram, por ordem dos bancos e das grandes multinacionais. Passos Coelho, sempre ele, observava o agonizar da pátria, asseverando que não havia outro caminho senão o do empobrecimento da população. A voz do dono, sem protestos nem recalcitrações. Fomos considerados, por esses serventuários de segunda ordem, "bons alunos", tementes a Deus e a tudo o que não entendíamos. Temos pago um preço caríssimo por essa obediência cega, mandada por uma clique de biltres, e encomendada por esse poder sem rosto que se oculta nos "mercados", a ganância sem regras nem ética de que fala o Papa Francisco.

Porém, a situação é irreversível e a nossa servidão não tem cura nem remédio? Não é bem assim. O direito à insurreição e à desobediência está patente na Constituição da República Portuguesa, nobre documento sobre o qual nos devíamos debruçar e estudar, para nossa própria dignidade e salvação. Eis o que diz o artigo 21.º, sem omissões ou rasuras: "Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias, e repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública."

Nada mais claro. Acontece um porém: as pessoas desconhecem que estão protegidas pela lei, quando a lei é estropiada pelos poderes momentâneos. O Vieira Lopes, infelizmente, só agora percebeu que as ilegalidades accionadas pela troika, e apoiadas, entusiasticamente, pelo Governo, além de inúteis, configuram aspectos de agressão, que tem, obviamente, resposta adequada e legítima. Apenas as pessoas não o sabem. Ora, este cultivo da ignorância, em favor de interesses cavilosos, possui características de alta traição. Os funcionários da troika vêm com um receituário apenas destinado a salvar o capitalismo desta nova crise. Aplicam-no, indiscriminadamente, à Grécia, a Portugal, a quem esteja de chapéu estendido. Nada sabem da história dos países por onde passam, das características dos povos que vão esmifrar, das desgraças inomináveis que irão provocar, com atroz indiferença. Mas os Governos que os sustentam sabem muito bem a dimensão da tragédia. Por isso, a responsabilidade é maior e mais propensa a cair nas malhas da justiça.

Temos de reagir ao cerco que nos esmaga, da maneira que pensemos melhor. E recordo as últimas declarações de Marinho e Pinto, no excelente programa "Justiça Cega", da RTP, quando, ao citar o artigo 21.º da Constituição, apela à nossa resistência contra as iniquidades que em nós impunemente tem praticado este Governo, e outros.

os novos "mestres pensadores"

Por Tomás Vasques

Dizem-nos os novos "mestres pensadores" - usando uma designação feliz de André Glucksmann -, gente muito chegada às "tramitações financeiras", aos "equilíbrios orçamentais" e às alcatifas que o poder político ou económico lhes estende, que esta realidade social, que antes era residual, e hoje se generaliza, levando para a miséria grande parte da classe média, é o resultado "inevitável" de um "ajustamento necessário à nossa sobrevivência". Às vezes, mais eufóricos, usando palavreado mais "culto", informam-nos, com ar sério, que se trata de um "novo paradigma " da sociedade do futuro, ao qual não há volta a dar: há que trabalhar mais horas, ganhar muito menos salário, ter menos direitos laborais, e menos "protecção" do Estado (como se o Estado fosse deles) na Saúde, na Educação e na Segurança Social. Eles - os novos "mestres pensadores" - omitem, sem pudor, o elementar: o "novo paradigma" para o qual nos querem conduzir é um modelo de sociedade à medida dos poderosos da finança e da economia, gerador de desigualdades cada vez mais fundas. A iniquidade é tão notória que ao lado destes "ideólogos" do empobrecimento, como "solução única" para "superar" os nossos males, aparecem banqueiros e grandes empresários, os quais, cada vez mais afoitos, lhes complementam os argumentos e as falácias, como são, por exemplo, os casos de Ulriche e Soares dos Santos.

Para além da defesa das "teorias do empobrecimento", estes novos "mestres pensadores" querem fazer-se passar por "guardiões" da democracia. Para eles, esta gente já devia agradecer o direito que lhes foi concedido de votar de quatro em quatro anos. Feita a escolha, no interregno, deviam estar calados e trabalhar para "sairmos da crise". A Constituição "não corresponde aos tempos em que vivemos"; as decisões do Tribunal Constitucional são "políticas" e "impedem que o governo nos leve a bom porto"; as greves só "agravam a situação económica"; só se manifestam nas ruas "os que não querem trabalhar"; uma cambada de "nostálgicos da irresponsabilidade" reúnem-se na Aula Magna ou "sindicalistas pagos pelo Estado" perturbam os trabalhos da "digna" Assembleia da República.

Como diria Sua Santidade, o chefe da Igreja Católica, que declarou não se importar que lhe chamem marxista: perdoai-os Senhor porque eles são insensíveis à pobreza e não sabem o que é democracia.

a comunicação social está a morrer

Por Mário Soares

A comunicação social, tal como a entendíamos no passado, praticamente deixou de interessar. Os jornais vendem cada vez menos. As televisões também sofrem a concorrência da internet, onde, através das redes sociais, as notícias vão chegando, com custos mais acessíveis aos que têm pouco - ou mesmo nada - para gastar.

A crise financeira e a globalização, tão elogiada há algum tempo, praticamente deixaram de interessar. Os jornais são cada vez menos lidos porque não falam do que a maioria das pessoas quer saber. E as televisões menos vistas e ouvidas pela mesma razão.

Os jornalistas, cada vez mais dependentes dos patrões, deixaram de dizer o que pensam - como antes faziam - para agradar ao que julgo pensam os patrões. E o público, cada vez mais empobrecido com a crise, não tem interesse em comprar os jornais que mal escrevem aquilo que querem saber... É um círculo vicioso que não interessa a ninguém.

Nos últimos anos, os jornais e as revistas portuguesas começaram a ser comprados por angolanos com dinheiro para gastar. Antes eles - é verdade - do que os magnatas americanos que compraram de uma assentada o Le Monde e o El País...

É assim que o jornalismo do tempo da democracia vai desaparecendo nesta espécie de ditadura em que vivemos. E como os poucos jornalistas e comentadores das televisões, para agradar aos patrões, não escrevem nem dizem o que pensam - com raras e honrosas exceções, claro - mas tão-só o que julgam agradar aos patrões. E os leitores deixam de comprar os jornais e de abrir as televisões. É inevitável...

A comunicação social, dado que os jornalistas não querem perder suas posições, deixa de ter interesse, tem cada vez menos leitores e telespectadores a ouvir e a ver as televisões. Porquê? Porque têm medo de não agradar ao Governo, a caminho da ditadura. Assim se vai destruindo a nossa comunicação social, com as consequências nefastas que daí advêm.

Isto é: perdem todos. É o que resulta de um capitalismo cada vez mais selvagem - como lhe chamou desassombradamente o Papa Francisco - que mata o futuro e vai acabar por ser um desastre para aqueles que julgam que o vão usufruir...

15/12/13

obrigado, dr. coelho, pelo Natal que não temos e pelo próspero ano novo que não teremos

Obrigado, Dr. Coelho. Pelos  despedimentos, reduções salariais, colossais aumentos de impostos. Pelos cortes na Saúde, na Educação, nas Reformas. Pela angústia do presente e a incerteza do futuro.

Obrigado pelo Natal que deixámos de ter e pelo Novo Ano que tememos viver.

Por tudo o que nos deste, pobreza, emigração, suicídios, raiva, indignação, tristeza, por tudo isto e muito mais que ainda nos tens para dar, obrigado. Muito obrigado!












Todas as fotografias foram recolhidas em: http://www.boredpanda.com

13/12/13

o papa fala outra vez

EPA/http://www.independent.co.uk
Desta vez, não me alongo. Deixo que o Papa fale por mim, por biliões de seres humanos em todo o Mundo, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz:

"Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas." 
(...) 
"Penso no drama dilacerante da droga com a qual se lucra desafiando leis morais e civis, na devastação dos recursos naturais e na poluição em curso, na tragédia da exploração do trabalho; penso nos tráficos ilícitos de dinheiro como também na especulação financeira que, muitas vezes, assume caracteres predadores e nocivos para inteiros sistemas económicos e sociais, lançando na pobreza milhões de homens e mulheres". 
(...) 
"Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante disso mesmo é o dramático fenómeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos". 
(...) 
"A paz, afirma João Paulo II, é um bem indivisível: ou é bem de todos ou não o é de ninguém. Na realidade, a paz só pode ser conquistada e usufruída como melhor qualidade de vida e como desenvolvimento mais humano e sustentável se estiver viva, em todos, 'a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum'. Isto implica não deixar-se guiar pela 'avidez do lucro' e pela 'sede do poder'. É preciso estar pronto a 'perder-se' em benefício do próximo em vez de o explorar e a 'servi-lo' em vez de o oprimir para proveito próprio". 
(...) 
"O 'outro' - pessoa, povo ou nação - [não deve ser visto] como um instrumento qualquer, de que se explora, a baixo preço, a capacidade de trabalhar e a resistência física, para o abandonar quando já não serve; mas sim como um nosso 'semelhante', um 'auxílio'". 
(...) 
"As novas ideologias, caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do "descartável' que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados 'inúteis'." 
(....) 
(O dever de solidariedade) "exige que as nações ricas ajudem as menos avançadas", e o dever de justiça social, "que requer a reformulação, em termos mais correctos, das relações defeituosas entre povos fortes e povos fracos". 
(...) 
"O dever de caridade universal, que implica a promoção de um mundo mais humano para todos, um mundo onde todos tenham qualquer coisa a dar e a receber, sem que o progresso de uns seja obstáculo ao desenvolvimento dos outros". 
(...) 
(São necessárias) "políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas - iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais - acesso aos 'capitais', aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projecto de vida e possa desenvolver-se plenamente como pessoa". 
(...) 
"Reconhece-se haver necessidade também de políticas que sirvam para atenuar a excessiva desigualdade de rendimento". 
(...) 
"As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida. A crise actual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza. Elas podem ajudar-nos a superar os momentos difíceis e a redescobrir os laços fraternos que nos unem uns aos outros, com a confiança profunda de que o homem tem necessidade e é capaz de algo mais do que a maximização do próprio lucro individual."

12/12/13

desanquem-se!


Vendilhões de Portugal a retalho, os mordomos da troika têm alienado o património público como quem se livra de um furúnculo ou de almorróidas no recôndito lugar que a gente sabe, parte da EDP para os chineses, que são afinal quem manda lá, o BPN para os angolanos, o pedaço de leão dos CTT para os americanos da Goldman Sachs, os estaleiros de Viana para portugueses falidos e a TAP, se os deuses deles quiserem, e hão-de querer, para uma mistura fina de sangue polaco, brasileiro e colombiano, tudo para que a globalização do país, a sua passagem a multinacional, de Estado Social a Estado Empresa com sede no estrangeiro, a sua carne esquartejada, se parta e reparta entre os agiotas do mundo, que a todos contemple sem excepção alguma. Se não há moral, ao menos que comam por igual.

E tudo isto sem nos ser explicada a razão para as vendas, concessões, privatizações, doações ou lá o que é, estarem a ser efectuadas por tuta-e-meia para lucro de uns quantos e prejuízo dos portugueses que ficarão, por longos anos, a pagar a factura. Nada a que não estejamos habituados, valha a verdade. Para muitos a fava, para uns poucos o bolo-rei.

Mas não há quem os desanque? Quem revogue os irrevogáveis, os leiloeiros da Pátria, os negociantes de Portugal a pataco? E as oposições, porque não desataram ainda à estalada? (Claro que não estou a pensar no PS, Seguro não conta, esse aguarda, com bovina paciência, a sua vez de ocupar a cadeira que já foi de Salazar, não a que o matou, infelizmente a essa a governanta do governante deu-lhe sumiço, a serventia que não teria agora). Porque deixam, sem rebuliço de maior, que os serventes da troika, os serventuários da Merkel imperial, façam o que lhes dá na real gana, comprometendo irremediavelmente o futuro de Portugal, o nosso futuro?

Quem lhes arreia? Quem os apeia? Quem lhes dá um pontapé no sítio onde lhes crescem as almorróidas e por onde brotam os mesmíssimos sedimentos que, das iluminadas cachimónias, se lhes esvaem numa fétida evacuação de matéria fecal?

Quem prepara o clíster? Quem puxa o autoclismo? Quem maneja o piaçaba? Quem fornece a creolina? Quem os manda bardamerda?!

goldman sachs é o principal accionista dos CTT

E assim, aceleradamente, celeradamente, vai-se fazendo luz, vamos confirmando quem manda em Portugal.

Quem manda? Quem manda? Quem manda?

Já não é Salazar, muito menos é o povo quem mais ordena.

Estou enojado. Há por aí um Alka-Seltzer?

cavaco acerta sempre em cheio

O presidente, apoiante do governo que mais portugueses tem atirado para a pobreza e para a mendicidade nas últimas quatro décadas, acerta sempre no alvo, é um ser congruente, se não disse que raramente se engana e nunca tem dúvidas poderia tê-lo dito, estava no seu direito. Como temos mais pobres, remedeie-se o problema com o recurso à esmola. E se Isabel Jonet tem agora um cargo internacional graças às suas obras valorosas, que a vão na lei da sorte anafando, por que razão não havemos de ter mais Isabelinhas em miniatura espalhadas pelo País e, ainda melhor, pelo mundo, esse mesmo que descobrimos e explorámos e desbravámos e cristianizámos e não sei o quê mais há uns cinco séculos?

Por isso o presidente, na congruência que lhe é por todos reconhecida, vai dedicar o dia de hoje ao empreendedorismo social, expressão galante para designar o que, antes, se chamava caridade. Mais refeitórios para os pobres, mais distribuição de vitualhas e enxovais, mais agasalhos para os que dormem pelas ruas da amargura, mais soluções esmoleres e menos Estado Social, pior distribuição da riqueza, maior retrocesso civilizacional e clivagem entre ricos e pobres, a lembrar tempos quase medievais.

Concedam-me a esmola de acreditar que Cavaco, tal como o País, está no bom caminho. Porque amiúde está certo. Porque nunca por nunca ser questiona os seus actos, por mais críticas de que seja alvo e munições que lhe acertem. Ele é à prova de bala. E dura, e dura, e dura como o coelhinho das pilhas. Deve vir daí o seu amor, mal disfarçado, ao coelhinho da troika, num truca-truca platónico.

11/12/13

o homem do ano

Randy Bish, http://www.cagle.com

portugal tem heróis




José António Pinto, também conhecido por Chalana, é assistente social no Porto e foi distinguido, pela Assembleia da República, com uma medalha comemorativa da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Foi receber o distintivozito mas em troca deixou lá, no Parlamento, um discurso demolidor contra os sequazes da troika.

O relato que se segue é do JN:
"Eu não quero receber medalhas, quero justiça na economia, justiça na repartição da riqueza criada, quero emprego com direitos para gerar essa riqueza, quero que a dignidade do homem seja mais valorizada que os mercados, quero que o interesse coletivo e o bem comum tenham mais força que os interesses de meia dúzia de privilegiados", disse, num discurso muito aplaudido, mas que incomodou visivelmente alguns deputados da maioria que assistiram à cerimónia no Salão Nobre.

Num recado dirigido à presidente da Assembleia da República, José António Pinto disse ambicionar "que os cidadãos deste país protestem livremente e de forma legítima dentro desta casa e que ao reivindicarem os seus direitos por uma vida melhor não sejam expulsos pela polícia das galerias deste Parlamento". Mas Assunção Esteves não acusou o toque, limitando-se a reconhecer, no seu discurso, que "nenhuma democracia estará conseguida sem homens e mulheres livres e detentores de condições de vida digna" e que "o Estado tem a função primordial de garantir a equidade e a justiça e a coesão social que proporciona a participação".

No seu discurso, José António Pinto desafiou os políticos a "resistir à idolatria do dinheiro, à tirania dos mercados e à especulação financeira" e a que "estanquem imediatamente este retrocesso civilizacional que ilumina palácio mas, ao mesmo tempo, enche a cidade de pessoas a dormir na rua".

Seguem-se dois vídeos, da sua intervenção no Parlamento e numa conferência organizada pela Visão:


ei-lo que está de volta!



oh escândalo! oh heresia! oh apocalipse!

Alessandra Tarantino/AP/SIPA
Por mais de uma vez, tenho manifestado a minha admiração pelo Papa Francisco, ainda que a procissão não tenha saído do adro e seja preciso fazer como São Tomé, ver para crer, esperar para ver, e se até agora o que se tem visto é bom, é muito bom, ainda é pouco, não chega para suster a barbárie dos altos interesses financeiros e a irracional cobiça dos mercados, ou seja, dos mais ricos entre os ricos, ao lado dos quais Amorim ou Soares dos Santos fazem figura de pobretanas.

No entanto, os senhores e senhoras da situação, aqueles que veneram Cristo sem lhe apreender os ensinamentos, já vêm dizer que os malandros da esquerda, que até agora não ligaram patavina a nenhum Papa a não ser para dizer mal, se querem "apropriar"do Papa Francisco, que as suas palavras estão a ser oportunisticamente desvirtuadas para justificar o injustificável: acabar com a pobreza no mundo, oh escândalo!, oh heresia, oh apocalipse! E tentam, tentam-no com denodados esforços, interpretar os ditos e escritos do Papa por meio de rebuscadas explicações, daquelas de que não se entende a ponta de um corno a não ser que Francisco não disse o que disse mas o que eles querem que diga.

Respondo por mim: se me "apropriei" deste Papa e não de outros, é porque este não é como os outros, cujas palavras, por mais bem intencionadas que tivessem sido, nunca passaram dos adros das igrejas para o mundo real. Cujos actos, a maior parte das vezes, não corresponderam às palavras.

Simples, não é?

O que eles querem sei eu, é papar o Papa, fazer com ele o que fazem com tudo o que é bom na vida e que constitui o seu décimo primeiro mandamento: não partilharás! 

pátria, lugar de desventura

Por Baptista-Bastos

"Acabou a recessão!", exclamaram, cheios de alegria e tolejo, jornais, rádios e televisões. Ninguém explicou nada a ninguém, e o bulício de regozijo pegou-se. Nos corredores dos ministérios, nas farmácias, nos quartéis, no edifício majestoso onde funciona a Galp, no bloco operatório de Os Lusíadas, o murmúrio adquiriu formas de clamor: "Acabou a recessão!" E Paulo Portas, que gosta de dizer coisas, falou e disse, entre enlevado e libidinoso: "Vai começar um novo ciclo!", sorriu e caminhou, lépido, para o gabinete onde congemina.

Para quem acabou a recessão?, e quais os benefícios que traz ao milhão de desempregados; aos milhares de famílias que recorrem ao Banco Alimentar e à Cáritas para comer; aos reformados e pensionistas, esbulhados dos magríssimos proventos; aos 25 mil casais sem emprego; aos milhares de miúdos que vão para a escola com o estômago vazio; aos cem mil jovens portugueses que abandonaram a pátria porque a pátria é lugar de infortúnio; aos velhos que morrem sozinhos sem ninguém dar por isso, ou espantados de medo nos caixotes de vivos para aonde são enviados por quem os não quer - para quem e para quê?

A recessão acabou, e então? E acabou mesmo? Ou não será outra das "incongruências problemáticas" de um Governo mentiroso, servo dos mais poderosos e notoriamente incapaz de resolver os nossos problemas mais ínfimos? Ninguém esclarece nada a ninguém. E o directo concorrente ao poder, pela interposta pessoa do triste e melancólico António José Seguro, perde-se nas banalidades do costume, com o bordão já famoso de o PS ser "um partido responsável", afirmação que os factos procedentes da sua direcção desmentem e enxovalham.

Poderia ser uma ópera-bufa se o assunto fosse para rir. Mas não é. Trata-se da nossa própria existência como nação, e o desassossego chegou a tal ponto que muitos elementos do próprio PSD já chegam a exigir a substituição de Seguro! Que venha outra coisa porque "isto" não é coisa nenhuma. Dizem.

Aliás, as sondagens são inquietantes. É modestíssima a vantagem do PS sobre o PSD, e a agitação naquele partido, cuja tradição de conspiração interna é conhecida, avoluma-se cada dia que passa. O espectáculo mediático protagonizado pelo secretário-geral dos socialistas, chega a ser pungente pela tibieza do seu conjunto e pela inexistência de fibra. Toda a gente já percebeu que o homem não serve, que não sabe, e que simplifica sempre, por inépcia, as respostas que se lhe exigem.

Esta historieta do fim da recessão vem auxiliar, ainda mais, o jogo de indefinições com o qual o chefe do PSD gosta de se enredar para melhor servir os seus objectivos, que não são inocentes: marcados fortemente pela ideologia que defende e executa como paladino e crente. Porque, na verdade, Pedro Passos Coelho tem, ama e serve uma ideologia. Quanto a António José Seguro?

10/12/13

e fez-se história!

Hoje, na homenagem a Nelson Mandela, Barack Obama e Raul Castro, presidentes de dois países desavindos há cerca de 60 anos, cumprimentaram-se, parece que com afabilidade. Ficamos a dever mais esta a Mandela. E, já agora, que tal levantar o embargo a Cuba? Será pedir muito?

AFP
Chip Somodevilla; Getty Images; ABC News
CBC
Kai Pfaffenbach; Reuters; Expresso

09/12/13

são tantas, senhores, são tantas


São tantas, senhores, são tantas. Conspiram em conselhos, de ministros, de administração, de Estado. Querem menos Estado e melhor Estado, o menos para nós, o melhor para elas. Procriam e multiplicam-se por cloacas, ministérios, palácios e palacetes, pocilgas e retretes, entram-nos pela casa dentro de dedinho em riste, dando-nos lições, pregando-nos sermões, soltando pregões publicitários para nos levar à certa a nós, os otários. São tantas, senhores, são tantas. Moem-nos de angústias e incerteza, destroem-nos o futuro, roem-nos o pão, a carne, os ossos. Por esgotos andarão, para esgotos nos arrastarão. São tantas, senhores, são tantas. Uma raça protegida, um género à parte, uma espécie em vias de expansão. Fedem. Fodem e fadam. São tantas, senhores, são tantas. Enquanto tiverem vida, não teremos esperança. Enquanto os caneiros andarem cheios, os nossos bolsos andarão vazios. Enquanto vivermos de joelhos, morder-nos-ão os artelhos. Nem velhos, nem doentes, nem docentes, nem os contentes escaparão. Artigos em liquidação, saldos de ocasião, miseráveis em promoção. Cada um, carne para canhão, candidato a ganhão, desempregado, ladrão ou pobre de estimação, a viver da caridade, da bondade das ratazanas.

Dos sacanas.

Há tantos, senhores, há tantos.

os duros trabalhos parlamentares de um deputado quando jovem

http://salvoconduto.blogs.sapo.pt/

Miguel Relvas deseja-lhe um feliz Natal e um próspero ano novo.

contra vladimir, estatele-se vladimir

Em Kiev, quase 90 anos depois de morto, Vladimir Lenine expia os pecados de Vladimir Putin.


tragédia grega

Os gregos recusam mais austeridade. Tarde demais. A miséria e a fome já se espalharam como peste. O país está destruído. O FMI, o BCE, a UE, Merkel, os mercados, os bancos, os novos nazis do capitalismo bárbaro, ganharam a batalha. Não hão-de ganhar a guerra. As fotografias que se seguem são, deverão ser, a vergonha de uma Europa que se diz civilizada.








livro de condolências


juan carlos de espanha, a queda de um mito

08/12/13

o luxo das arábias de um general angolano








Esta não é uma mansão qualquer. É luxuosa, mas muitas o são. Foi construída no Algarve, mas muitas outras o são também, com a mesma opulência. Pertence a um estrangeiro, mas a isso também estamos habituados, o Algarve pertence ao povo, que lá trabalha e pena, e mais ainda aos ingleses, holandeses, russos, alemães, qualquer dia chineses, qualquer dia árabes, que lá vão desfrutar do melhor do Algarve.

Esta não é uma mansão qualquer porque pertence ao general Kopelipa, um dos grandes senhores de Angola, unha com carne com Eduardo dos Santos, magnate de um povo na miséria, um dos usurpadores das riquezas do País, um príncipe, um imperador, um generalíssimo, braço direito do presidente de Angola, chefe da sua casa militar, dono de vinhas do Douro, accionista de bancos portugueses e o mais que não se sabe, porque muitos negócios serão realizados por testas-de-ferro e outros em nome de familiares, como um filho que comprou a Viauto, representante em Portugal da Ferrari e da Maseratti, de certeza para que o pimpolho possa ter uns carritos a mais com que brincar.

E é a esta gente que Portugal pede desculpa. E é com esta gente que Portugal quer fazer negócios. Porque a honra, a moral, a dignidade, não são nada se não houver dinheiro. A honra, a moral, a dignidade, cedem-se em troca de umas casas no Algarve, uns investimentos em grandes empresas, umas parcerias aqui e acolá, uma bóia de salvação para as construtoras em apuros, e tudo isso vamos pagar caro porque nada disso contribuirá, a longo prazo, para a consolidação ou reforço do poder económico de Portugal, antes para a sua penhora a pequenos títeres e grandes criminosos.

Sobre os negócios de Kopelipa em Portugal: