atirem com o lixo ao lixo

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt


Lisboa fede, tornou-se símbolo de um país em decomposição. Somos governados por lixo que nos trata como lixo, matéria perecível de pouco valor. Corpos bons para trabalhar, enquanto a carniça aguentar. Depois, é atirá-los para um qualquer depósito de mortos-vivos à espera que a morte venha.

Proponho uma celebração de final de ano: que amanhã, às 12 badaladas da meia-noite, levemos os nossos detritos até às portas das residências oficiais do lixo governante. E até às portas dos bancos, que tanto lixo fazem mas que ressuscitam, por entre o esterco, reluzentes e lavadinhos, como se não tivessem estado enterrados em merda e em merda continuem atolados. E até às portas de banqueiros, impostores, malfeitores, ladrões graúdos, cangalheiros da Nação. O crème de la crème, o lixo do lixo, os cagalhões-mor do reino.

Não há razões para festejar, nem para enfiar 12 passas pela goela abaixo. O novo ano vai ser pior do que este, mais aumentos, mais atropelos aos direitos de cada um, mais roubos, mais espoliação, mais despedimentos, mais falências, mais fome, mais miséria, mais desespero, mais suicídios.

Reajam enquanto é tempo: atirem com o lixo ao lixo. Por uma questão de higiene, de saúde pública.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Lava-a de crimes espantos
De roubos, fomes, terrores,
Lava a cidade de quantos
Do ódio fingem amores.

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas.

Lava bancos e empresas
Dos comedores de dinheiro
Que dos salários de tristeza
Arrecadam lucro inteiro.

Lava palácios, vivendas,
Casebres, bairros da lata
Leva negócios e rendas
Que a uns farta a outros mata.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Lava avenidas de vícios
Vielas de amores venais
Lava albergues e hospícios
Cadeias e hospitais.

Afoga empenhos favores
Vãs glórias, ocas palmas
Leva o poder de uns senhores
Que compram corpos e almas.

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas.

Das camas de amor comprado
Desata abraços de lodo
Rostos corpos destroçados
Lava-os com sal e iodo.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Poema de Manuel da Fonseca

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