07/05/11

a terceira guerra mundial já começou

Quem o diz é Jean Ziegler. E explica porquê. O capitalismo neo-liberal tudo tem feito, nas últimas décadas, para dominar e escravizar o mundo. A consequência são 100.000 pessoas mortas todos os dias à fome ou por doenças resultantes da falta de alimentos. Mais de 36 milhões de pessoas por ano. E a pobreza cresce alarmantemente a cada ano que passa.

supermercado da moda

a tanga do país de tanga

Por enquanto, a troika que vai cumprir os mandamentos da outra troika troca os passos e atropela-se. Mas vai dançar conforme a música, sem um passo em falso, rasteiras só nos bastidores. Ou isso ou o país de tanga. Por nós, tanto faz. De tanga, rotos ou nus vamos pagar. A orquestra, os cantores, os dançarinos, os banquetes da banca, dos políticos, dos corruptos. Que siga a dança!

a cidade dos palitos


Scott Weaver's Rolling through the Bay from Learning Studio on Vimeo.

quanto mais me bates, mais eu gosto de ti



Eis um vídeo a roçar o patrioteiro mas que, mesmo assim, vale a pena ver. Sabe bem relembrar. A nossa história, os nossos feitos, as nossas marcas no mundo. Para quê chorar o império perdido se já provámos, até à saciedade, que não conseguimos sequer tomar conta do pequeno rectângulo que nos alberga? E a prova é que, mal ou bem, a troika coligiu, em 3 semanas, mais coisa menos coisa, uma série de medidas que, se planeadas pelos nossos políticos, levariam 1 ano a anunciar e 50 a concretizar. E é fácil prová-lo: há mais de 35 anos que fazemos e desfazemos leis, que caiem governos e governos tomam posse, e tudo isto para quê? Nem uma medida de reestruturação séria, necessária, corajosa, seguiu em frente. Primeiro pensa-se em ganhar eleições, depois em manter o poleiro durante a legislatura, depois fazer umas promessas eleitoralistas para amanteigar o papalvo. E nunca acontece nada. E nunca lhes exigimos contas. Pelas promessas que não cumprem. Pelas dívidas que contraem. Pelos amigalhaços que promovem. Pelas empreitadas que adjudicam em prejuízo do Estado. Pela corrupção que nunca quiseram travar. Pelos gatunos que nunca quiseram incriminar.

Tal como Martin Luther King, também eu tenho um sonho. Ter um país finalmente liberto das amarras da política, trapaceira e incompetente, com que temos sido fustigados. E ter à frente dos destinos deste país gente determinada em levar por diante, doa a quem doer, as iniciativas necessárias para nos libertar de dívidas e podermos voltar a viver sem o fantasma da bancarrota, o estigma da pobreza, a vergonha da inépcia.

Não as medidas do FMI, ou a maior parte delas, medidas cegas de contenção da despesa, de venda do país a retalho, de destruição do Estado solidário e de assalto, redobrado, ao bolso de quem menos ganha.

Anteontem, durante a conferência de imprensa da troika, senti-me humilhado (e é curioso como pouca gente fala disso). Três senhores, estrangeiros, trataram-nos com sobranceria, deram-nos ordens, ameaçaram-nos com o corte de ajudas se não fossemos meninos bem comportados. Só faltou a menina-dos-cinco-olhos e, por detrás deles, na parede, um crucifixo e o retrato de um seráfico Salazar que, na tumba de Santa Comba, deve estar a repetir, em jeito de ladainha e no seu timbre de prior cansado, aprés moi le déluge, aprés moi le déluge, aprés moi le déluge.

No meio disto tudo, era Sócrates quem devia ter mais vergonha na cara, pois foi durante a sua governação que estendemos a mão à caridade. Sócrates que finge que nada é com ele, que se vitimiza, que manipula a opinião pública, que encena autênticas peças de teatro onde é dramaturgo, cenógrafo, coreógrafo e actor, canastrão por tal sinal, um truão pouco credível. Sócrates que diz hoje isto e amanhã aquilo, sendo que isto e aquilo são tantas vezes contraditórios, outras tantas inconciliáveis, quase sempre antagónicos. Sócrates, o palhaço rico desse circo de pobres-diabos amestrados em que se transformou o Partido Socialista, que vai de mau a pior com o beneplácito, a cumplicidade de uma população, pelos vistos, dada ao masoquismo. 

Os portugueses vão votar a 5 de Junho. Por incrível que pareça, parece que vão votar nos mesmos, os que conduziram Portugal ao desemprego, à precariedade, ao novo-riquismo de alguns e à nova-pobreza de milhares ou, se isto não muda depressa, de milhões. Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti. Deve ser isso.

E nem a Presidência escapa neste lodaçal de mediocridade, de imbecilidade em que estamos atolados. Um primeiro-ministro com mandatos marcados por obras de fachada e auto-estradas quase inúteis, de desmantelamento de grande parte do nosso aparelho produtivo, é alcandorado, até hoje não percebi bem nem como nem porquê, porque mérito não lho reconheço e carisma não lho lobrigo, ao lugar cimeiro da nação onde a sua inutilidade é provada e comprovada a cada dia que passa. Um ou outro recado envenenado para os seus inimigos políticos, uma visita aqui, uma inauguração acolá, umas reuniões, e são estes os deveres de lealdade e mérito com que a criatura jurou cumprir, e fazer cumprir, a missão que lhe foi confiada.

O dia 5 de Junho devia ser proposto como o Dia do Castigo Nacional.  Mas também esse é um sonho. O mais certo é que vá ter outro pesadelo. 

06/05/11

salve-se quem puder!

Há dias assim, em que mais vale ficar no remanso do lar, no vale dos lençóis.

 
 

a golpada da história

O ataque cerrado das agências de rating e dos chamados mercados não é mais do que um golpe, palaciano, para impor a ditadura neo-liberal em todos os países. Primeiro foram a Grécia e a Irlanda, agora Portugal, mais tarde a Espanha e, sabe-se lá, a Itália, a França. A Europa está a ser dominada em sucessivos golpes de estado, tal como o foram muitos países da América Latina, da Ásia e de África, onde a fome e a miséria alastram cada vez mais. Quando acordarmos, já vai ser tarde?

É obrigatório ver este vídeo e difundi-lo.

arrematado! 78.000.000.000 € e é negócio fechado!

Portugal, vendido em leilão, rendeu 78.000.000.000 €. Perdemos a indústria, perdemos as pescas, perdemos a agricultura. Vamos agora perder o país. Vai uma aposta?


made in USA

uma medida de que o FMI não se lembrou

Pôr o país em liquidação total, já que se vão vender a TAP, os correios, parte da CGD e outras empresas a preços de saldo. Ou lembraram-se e vão atingir os objectivos por outros meios? Deve ser mais isso.

o último recurso

Se porventura for preso, será o primeiro político em muitos anos a cumprir pena. Mas o homem é um homem de recursos. Disso tenho a certeza.

vídeo para adultos

Cenas escaldantes entre o infatigável Unas e a voluptuosa ... Popota.

o FMI já pode ir embora, o trabalho está feito

viver num cemitério


Em Manila, cerca de 10.000 famílias amontoam-se num cemitério, onde cada uma conquistou o seu espaço para viver entre os mortos. À espera da sua vez, sobrevivem como podem.

pimba dos anos 60

Olha Quim Barreiros p'ra mim!

05/05/11

futre pede concentração para a vitória na eurovisão

sim, sr. primeiro-ministro



As semelhanças são mais do que coincidência. É comédia. Divina.

faço questão: vejam-me os dentes!


Do blogue Claro como Água:

À Troika; aos mercados financeiros e económicos; à banca; aos nossos representantes em lugares de poder que há décadas têm vindo a conduzir os destinos deste povo na direcção do mercado de escravos; aos responsáveis pela delapidação dos dinheiros, que até à data entraram no nosso País supostamente para fins estruturais, e como que por artes mágicas não foram chamados à justiça para devolverem todo esse dinheiro (decerto daria para pagar grande parte da dívida pública externa); aos grandes grupos económicos e financeiros; e afins; quero deixar aqui assente que eu, cidadã comum, sinto-me encurralada por V/Exas., a partir de agora o rebanho de escravos será controlado a 100%; chegámos aos ponto de rebuçado...

Por tudo isto e muito mais, faço questão que:
ME ANALISEM OS DENTES (à semelhança do tempo da escravatura)

é queimá-los! é queimá-los!


Eis os comentadores, os políticos, os economistas, todos em uníssono a insurgirem-se contra os partidos da esquerda radical (sic), o PCP e o Bloco de Esquerda, por estarem contra este acordo sem terem alternativas credíveis (sic) na manga.

Não falo pelos partidos, muito menos sou capaz de aprofundar ou adiantar quais as medidas que poderiam ser diferentes, a coisa é demasiado complexa para um opineiro de bancada que, de economia, sabe o mínimo para sustentar a família. Mas, a mim, parece-me claro como água que este acordo é de uma gritante injustiça social, que transforma em sacos de pancada ainda maiores, e sacos sem fundo, as classes baixa e média e deixa praticamente incólumes a classe alta, os evasores de impostos, os co-responsáveis por esta hecatombe económica e esta humilhação nacional.

Mas se os partidos da "maioria" e, a crer nas sondagens, a maioria dos votantes, estão de acordo com o acordo, quem sou eu para denegrir esta política de desastre que, até aí chego lá, se insere num plano mais vasto de ultra-liberalização à escala mundial. 

Globalização? Já era. Mudem o vocabulário. E mudem os nomes aos partidos da "maioria". Social-democracia? Socialismo? Não os metam na gaveta. Queimem-nos. Em auto-de-fé.

Já agora, atirem a esquerda radical (sic) para a fogueira também.

Essa cambada só incomóda. Desmancha-prazeres num dia de festa como hoje.

dívida sem dúvida?

 



Estas coisas a circular na net nem sempre são fidedignas. Alguém sabe, com 100% de certeza, se é esta a triste realidade?

um bálsamo para a dor da manhã

assalto à mão armada


Um deputado vai para o parlamento uns anitos, poucos, e reforma-se. Nós pagamos. O mesmo deputado salta para uma empresa pública e sai ao fim de uns anitos, poucos, com uma indemnização choruda. Nós pagamos. O Estado manda construir uma ponte, uma estrada, uma retrete, a preços escandalosos e em conluio com grandes construtoras onde, entretanto, se anicharam antigos governantes e cabecilhas partidários. Nós pagamos. Elegemos um presidente para a República que, quando acaba o seu mandato, se reforma com benesses vitalícias. Nós pagamos. Um município manda construir uma rotunda, uma creche, um chafariz que custa o dobro ou o triplo do que devia ter custado. Nós pagamos. Portugal tem das economias paralelas mais prósperas da Europa, com total isenção de impostos. Nós pagamos. Os gestores públicos, mesmo os de empresas deficitárias, ganham ordenados de nababos. Nós pagamos. Os automóveis e a gasolina são mais caros em Portugal do que na larguíssima maioria dos países da Europa. Nós pagamos. 

Entretanto, nem uma nota da troika, uma nota que seja, sobre isto e muito mais que falta aqui.

Não faz mal, nós pagamos.

A partir de agora, podemos ser despedidos com mais facilidade. Recebemos menos subsídio de desemprego e durante menos tempo. Os impostos vão aumentar. Vamos ter menos benefícios fiscais. A electricidade e o gás vão ficar mais caros. O salário mínimo não vai subir. 

Definitivamente, nós pagamos. Pela medida grande. O Al Capone não faria melhor.

silêncio! os 3 governadores do protectorado de portugal estão a falar ao país!

um palavrão chamado sócrates

Ainda vai votar neste homem?
Discute-se agora se as especulações vindas a lume antes da comunicação de Sócrates ao País, e que davam conta de medidas ainda mais gravosas para os portugueses do que as agora tomadas neste desastroso acordo, terão sido ou não "inspiradas" pelo próprio governo e pelos seus génios de contra-informação para o Primeiro-Ministro poder vir às televisões anunciar que, afinal de contas, conseguiu um bom acordo e que as coisas não eram tão más como foram anunciadas pelos seus inimigos.

Eu não tenho uma dúvida. Basta recordar as palavras do próprio Sócrates uns dias antes: "os portugueses ainda vão ter saudades do PEC IV".

Pela boca morre o peixe. 

portugal ajoelhado


O desacordo trocado por miúdos:

- Educação: mais de 400 escolas vão fechar
- Obras: TGV e novo aeroporto parados (ao menos uma boa notícia!)
- Trabalho: despedimento individual mais fácil e barato
- Segurança Social: cortes no subsídio de desemprego e pensões
- Descida da taxa social única com subida do IVA em aberto
- Bancos: troika quer privatizações e venda do BPN já este ano
- Redução do número de câmaras e juntas de freguesia
- Privatizações: Saúde, Educação e Transportes afectados
- Saúde: cortes de 10% nas horas extraordinárias nos hospitais
- Justiça: poupar 60 milhões
... e o mais que ainda se virá a esmiuçar.

Onde estão os cortes dos salários e bónus escandalosos dos gestores públicos? O fim das duplas e triplas reformas? O fim da evasão fiscal pelos mais ricos? O aumento de impostos de bens supérfluos e a concomitante descida nos bens essenciais à sobrevivência? 

casas mais caras, salários estagnam, impostos sobem, saúde e educação emagrecem, despedir será mais fácil

Subtítulo de uma notícia do DN de hoje. Ficou tudo dito.

Hieronymous Bosch

crónica de um desastre anunciado


Para melhor compreender as motivações e as consequências deste acordo entre o PS/PSD/CDS e a troika, que decidiram conduzir-nos alegremente ao desastre, passo a palavra ao Daniel Oliveira.

obama mata obama

i can't put a finger on uranus

Também é. A língua inglesa também é traiçoeira.

o regresso da múmia paralítica

para poupar, não faço compras pingo doce


Já enoja o argumento de que a culpa é dos portugueses, todos, por gastarem acima das suas possibilidades. A larga maioria passa pela vida sem passar da cepa torta. Mas, por via das dúvidas, comecemos já a poupar, não fazendo compras nas lojas ligadas ao grupo. Eis algumas: Pingo Doce, Recheio, Jeronymo, Hussel.

04/05/11

o boneco do dia

para aliviar a carga dos dias negros

sr. sócrates: vá-se encher de moscas!


Os fados cumpriram-se. O acordo troika/governo, a que o CDS e o PSD vão alegremente dar o seu aval, olá se vão, é um recuo de décadas no progresso civilizacional. É o princípio do fim do Estado Social. Cortam-se subsídios e salários a torto e a direito, aumentam-se impostos, privatizam-se empresas estratégicas, a história julgará os coveiros de um Portugal até agora minimamente solidário (porque, diga-se em abono da verdade, a generosidade dos nossos governantes sempre foi parca no que aos direitos de trabalhadores, desempregados ou reformados diz respeito, a não ser que os empregos e reformas sejam os deles e dos seus confrades de partido e parceiros de obscuras negociatas).

E, contudo, ainda que o tema tenha sido aflorado muito pela rama, nenhuma medida concreta é exigida para acabar com os ordenados milionários e demais prebendas e alcavalas dos senhores do costume. Nem uma palavra sobre como acabar com o regabofe de dinheiros públicos para proveito de privados, alguns. Isto só para dar dois exemplos. Qualquer português minimamente informado sabe do que a casa gasta. E gasta à tripa-forra. À fartazana. À larga. Obscenamente.

Mais uma vez, para não variar, vai ser o Zé Pagante a custear, sozinho, os erros dos governantes e a avidez dos muito ricos. Assim vai Portugal. E assim vai o mundo, conquistado pelos cavaleiros do apocalipse à custa do sangue, suor, lágrimas e vidas de milhões. Os ideólogos do neo-liberalismo, os arautos do pior capitalismo que o mundo alguma vez conheceu, estão felizes. Este foi mais um grande dia, abençoado seja o seu deus. In God We Trust.

Cabe a cada um de nós resistir, intervir, protestar. Como pudermos e soubermos. Em associações, partidos, movimentos cívicos. Participando em acções, seja de rua ou através da web. Assinando petições. Esclarecendo amigos e conhecidos. Partilhando o maior número de informação: sobre escândalos, casos de corrupção e, claro está, iniciativas meritórias também. E votando. Nulo. Branco. Preto. Às risquinhas. Às pintinhas. Às bolinhas. Mas usando o voto como um grito de protesto, de revolta, de raiva.

Neste blogue, na coluna da direita, encontrará uma lista com algumas das causas que poderá querer abraçar. Não fique de braços cruzados à espera da benevolência dos "mercados" ou do sentido de justiça dos governantes. Isso, é coisa que não existe. Já foi chão que deu uvas.

intoxicação informativa


Leia-se, em baixo, um excerto do editorial de hoje do Jornal de Negócios. Já se diz que foi o governo que pôs a circular tais especulações para ficar bem no retrato, ou seja, para Sócrates poder ter vindo ontem dizer que assinou um bom tratado, que as más notícias veiculadas pela imprensa não se verificaram, que, de joelhos, todos lhe devemos agradecer por mais este serviço prestado à pátria.

Custa a acreditar que assim seja. 

Ou sou eu que continuo a ser ingénuo. Nada a fazer quanto a isso. A não ser nunca votar Sócrates, como medida de segurança e de higiene mental.

Eis o excerto:

Todos os jornais cometem erros e são manipuláveis por fontes. O Negócios também já errou e errará. Mas houve desinformação gritante nos últimos dias, com exagero claro de medidas de austeridade, o que teve beneficiários. Como é verificável, o Negócios deu em primeira mão muitas medidas, incluindo o próprio pedido de ajuda. Não demos tudo o que agora se sabe. Mas não falhámos nada. À cumplicidade com as fontes preferimos a cumplicidade com os leitores. E assim não os enganámos

está farto de sócrates?


Eu estou. Das mentiras, das encenações, do gasto sem rumo dos dinheiros públicos, de tudo o que vem dele porque nada vem dele que se aproveite. Um dos últimos golpes de teatro, o da apresentação do suposto programa de governo, um programa requentado como se sabe, ultrapassou todos os limites do auto-elogio e da deturpação da realidade.

fernando nobre e PSD em contradição

O PSD vai apoiar as medidas propostas pela troika, por muito que vá disfarçar e lançar algumas farpas ao governo (mas não à troika); mas Fernando Nobre, seu candidato número 1 por Lisboa, e putativo aspirante a número 2 da República, não está de acordo. Das duas uma: ou Fernando Nobre leva um puxão de orelhas e amanhã vem dizer o contrário do que disse hoje ou, então, quem leva uns açoites é Passos Coelho por ter escolhido tal cabeça de lista numa desastrada estratégia eleitoralista de que não vai colher fruto algum. Por este andar, muito antes pelo contrário. 

Fernando Nobre diz que medidas do memorando representam um violento ataque ao Estado Social
Lusa

O cabeça de lista do PSD às legislativas por Lisboa, Fernando Nobre, afirmou hoje que as medidas do memorando de entendimento entre o Governo português e a troika representam um ataque violento ao Estado Social.

merdanqueira em festa!


Sua Excelência o Sr. Primeiro Ministro, acompanhado pelo Sr. Ministro das Obras Públicas e outras altas individualidades, visitarão amanhã a aldeia de Merdanqueira onde procederão à inauguração oficial da nova rede sanitária. A população regozija-se com esta visita, a primeira desde a última, há longos anos, efectuada por Américo Tomaz para inauguração do lavadouro da aldeia.

caídos de pára-quedas


O capitalismo selvagem inaugurou um belo costume: o do chamado "pára-quedas dourado". Um PDG que arruína a sua empresa é afastado, mas recebe à laia de consolação pela sua incompetência pagamentos consideráveis, tirados dos cofres da sociedade que acaba de arruinar. Trata-se de uma forma de roubo particularmente pitoresca, uma vez que ele se efectua em prejuízo directo de uma empresa que está de rastos e da qual um bom número de empregados é posto na rua - sem pára-quedas dourado, estes.

In Os Novos Senhores do Mundo e os Seus Opositores
Jean Ziegler

o desemprego aumenta, o povo aguenta

O mundo retrocede a cada dia que passa. Até quando?
Alguns dos presidentes mais ricamente pagos são, muito simplesmente, grandes e eméritos destruidores de empregos. O conselho de administração recompensa-os por terem licenciado milhares de empregados e terem assim reduzido as despesas de produção e feito explodir as cotações na bolsa da sociedade "arruinada".

In Os Novos Senhores do Mundo e os Seus Opositores
Jean Ziegler

cartão de cidadão


Para os que choram por Salazar, "que tanta falta nos faz, coitadinho", a oferta deste cartão de cidadão exemplar, um português como há poucos. A bem da nação.

morto a pontapé?

basta de alterne!


Há mais partidos em Portugal. Porque é que continuamos a pôr no poleiro ora o PS ora o PSD, com ou sem o CDS às cavalitas, se os resultados estão à vista? Informe-se sobre cada um deles. Esteja atento à campanha eleitoral. Vote branco. Vote nulo. Vote à direita ou à esquerda, de acordo com a sua consciência e as suas crenças. Vote, não se abstenha. Mas não vote nestes políticos de alterne, prostituídos pela corrupção, o clientelismo, a inépcia. Portugal tem que mudar.

uma troika em 6 mitos

por Daniel Oliveira


Antes de conhecermos, pela voz dos senhores da troika, a parte má do acordo assinado pelo governo (deixo a análise das medidas para quando as conhecermos em pormenor - há coisas que exigem tempo e ponderação), vale a pena desmistificar seis mitos sobre a intervenção externa: que ela só acontece porque o governo nos trouxe até aqui; que a troika está cá para nos ajudar; que, tendo governantes incompetentes, devemos aceitar que seja ela a governar-nos; que todos temos de nos sacrificar; que temos a obrigação de evitar a instabilidade social; e que o nosso grande problema é ter Estado a mais.

múmia paralítica


Alguns, mais velhos, lembrar-se-ão da múmia paralítica, um hilariante mordomo que, firme e hirto, se postava ao lado do amo numa série de humor brasileira. Foi quem me fez lembrar ontem o Teixeira dos Santos, forçado a fazer aquela triste figura para mostrar ao país que não está desavindo com o patrão. Sócrates tudo e todos sacrifica por uma boa operação de relações públicas.

os primeiros mandamentos

03/05/11

suave milagre

Cura as feridas da alma.

sempre temos liberdade


Sou um mal intencionado. Ando aqui há que tempos a vociferar contra a crescente falta de liberdade e eis que mentes sagazes me vêm iluminar a moleirinha: há liberdade. Não a que eu queria, mas há. Antes assim.

Liberdade, liberdade
por António Figueira, blogue 5 Dias

Por uns minutos, fiquei a ver um debate na RTP1, magnífico pelo seu pluralismo, sobre o discurso de Sócrates e o programa do FMI. A seguir a uma intervenção de João Marcelino, sobre a necessidade de reformar o Estado & rever as leis laborais, falou Paulo Ferreira, sobre a necessidade de rever as leis laborais & reformar o Estado; será necessário, disse este, fundir autarquias e suprimir serviços, mas nada disso produzirá efeitos, acrescentou, se não for possível “libertar” os funcionários que essas fusões e supressões tornarem excedentários. “Libertar” é uma bonita palavra, que eu gosto sempre de ouvir na voz dos bardos do regime, tipo Manuel Alegre: neste caso, não percebo é bem de que é que se libertam as infelizes vítimas da “liberdade”: da chatice de terem um emprego, e receberem um ordenado no fim do mês?

obama 1, osama 0

Os desenhadores não perderam tempo e os cartoons sobre a morte de Bin Laden sucedem-se.

despedimentos, às dúzias são mais baratos


As medidas até agora ventiladas pela comunicação social, e que supostamente serão as exigidas pela troika com a subserviência deste e do próximo governo português, seja ele qual for a não ser que haja um milagre eleitoral, apontam todas num único sentido: espremer as classes média e baixa até ao tutano. É esta a prática neo-liberal que tomou de assalto o mundo ocidental desde a queda do muro de Berlim mas, com especial ferocidade, desde o 11 de Setembro de 2001. 

Não sou dos que acreditam cegamente na teoria da conspiração que atribui ao governo norte-americano a responsabilidade pelo 11 de Setembro. Mas, que lhes deu jeito, lá isso deu.

Nunca o capitalismo se revelou tão selvagem, despótico e cruel. Nunca os países, como se vê por Portugal, foram tão vulneráveis a autênticos golpes de estado financeiros. Nunca tantos direitos sociais, adquiridos há dezenas de anos, estão a ser sonegados, as liberdades coarctadas, os governos transformados em simples mandaretes dos verdadeiros senhores do mundo.

Sim, deu-lhes jeito. Em vez de terem morto Bin Laden, deviam tê-lo condecorado.

sócrates: mandem-no p'ró carrilho


Carrilho é uma das poucas vozes que ainda ousa afrontar, dentro do PS, o querido líder. Os outros andam por exílios dourados ou converteram-se ao socratismo e à vergonha nacional. O artigo veio no DN.

e assim se esquece a crise em portugal

Osama monopoliza as atenções, incluindo a minha, como se pode ver aqui por baixo. Por um dia ou dois, a política portuguesa passa a segundo plano. Fado, Futebol, Fátima e Fatah.

última hora: comunicado de osama

morte sem pena

Vozes há que se ergueram contra a pena de morte no dia da morte de Bin Laden (se é que morreu de facto, a Casa Branca não lhe mostra o corpo e dá o corpo ao manifesto, ajudando a alimentar teorias da conspiração). Eu prefiro relembrar outros mortos. Em Nova Iorque, Madrid, Londres, Bali, Afeganistão, Iraque, Jerusalém. Na indústria da guerra, os biliões multiplicam-se. De Osama a Obama, ninguém é inocente. 



morre osama, viva obama

02/05/11

a prova final

A prova de que morreu é que já anda por aí o fantasma dele.

ao menos uma prova, uma só prova

Bastava uma polaroid assim e a gente acreditava ...

bin laden não morreu

golpe de estado iminente


O golpe de Estado dos assaltantes
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Lendo as informações avançadas este fim-de-semana pelo "Expresso" percebe-se que a troika prepara um autêntico golpe de Estado neste País. Não se limitará a exigir, em troca do empréstimo, condições que garantam o seu pagamento - a juros que estarão longe de ser justos. Em troca, determina mudanças políticas e económicas estruturais, muitas delas de constitucionalidade mais do que duvidosa. Entre algumas das que se prevêem estará, além de alterações em setores fundamentais para a soberania de qualquer País, a privatização de grande parte das empresas públicas. Objetivo? Dois: "menor intervenção do Estado na economia" e criação de um fundo para a recapitalização da banca privada nacional.

Esta será apenas uma das muitas medidas que aí vêm. Mas ela é um excelente exemplo do que está em causa.

Antes de mais, a imposição de uma agenda ideológica à margem da democracia. As correntes radicais impõem as suas receitas - as mesmas que levaram o mundo ocidental a uma enorme crise financeira - usando instituições sem a legitimidade do voto e torneando a democracia. Aqueles que aplaudem estas medidas nunca se devem esquecer disto mesmo: venceram contra a democracia. Poderão impôr o seu ponto de vista mas ele não tem a força moral da legitimidade democrática. O modelo social que garantiu meio século de paz, de prosperidade e de uma igualdade sem precedentes na Europa será destruído através da suspensão de todas as regras democráticas. Não é através do voto do povo que lá chegarão.

Esta medida, como outras, deixará claro o objetivo destas intervenções em países em crise: transferir recursos do Estado para um setor financeiro descapitalizado pelos seus próprios erros. Parte das receitas da privatização (em saldo) do património público terá como destinatária a banca privada nacional. Depois de obrigarem os contribuintes a salvar com dinheiros públicos bancos geridos por criminosos, depois de obrigarem os Estados a pagar juros usurários, a última parte do assalto será feita mais às claras e imposta por quem ninguém elegeu. 

Fica provado o que já se suspeitava: o capitalismo financeiro com rédea solta é incompatível com a democracia. A ganância sem limites derruba todos os obstáculos que encontra pela frente. E o último é este: o poder dos cidadãos e do seu voto.

Corremos muitos riscos se resistimos a este golpe de Estado e a este assalto? Sim. Mas o que está em causa é quase tudo o que realmente interessa: se estamos dispostos a entregar aos assaltantes tudo o que temos, incluindo a nossa democracia, ou se vamos, independentemente de todos os perigos, resistir.

é a minha opinião, pode haver outras

Anda por aí muita boa gente a condenar as comemorações, nos Estados Unidos, após a notícia da suposta morte de Bin Laden. Eu confesso que não. Embora não aprecie, nem de perto nem de longe, o patrioteirismo bacoco que motivou muitos dos que foram celebrar mais este feito "da grande nação americana", também eu teria ido para a rua festejar a morte de alguém responsável pelo massacre de milhares de compatriotas. Você não?

afinal a foto era falsa, afinal se calhar até nem está morto

Que bons tempos aqueles, quando se pendurava o corpo de Mussolini em plena praça pública, como uma boa peça de alcatra, e a gente tinha a certeza absoluta de que tinha esticado o pernil (naquela posição, aliás, não era só o pernil que esticava). Agora, com teorias da conspiração para aqui e desconfianças para ali, justificadas em relação a tudo o que cheire a serviço secreto americano, já se põe em dúvida se Bin Laden terá de facto morrido. Seja como for, a foto divulgada esta manhã, parece, é falsa. 

P.S.: aguardam-se mais explicações por parte do governo americano. Porque carga de água é que o corpo foi atirado ao mar, como se diz, desaparecendo assim a única prova de que o excremento deu o peido-mestre?