10/02/17

porco, sem desprimor


Trump, ó trampa:

Jurei que não havia de haver um dia, um só, em que te deixasse em paz. E não deixo. Infelizmente, não chego mais longe do que ao meu vizinho do lado, ao meu amigo virtual, aos meus incondicionais comparsas de facebook, uns porreiraços, digo-te eu que não minto ao contrário de ti, afamado autor de factos alternativos. Persisto. Insisto. Cantando até que a voz me doa. Jurando à fé de quem sou: és um idiota, Trump trampolineiro, tão risível como a minha prima Valquíria quando, coitadinha, lhe caíram as calcinhas de renda, no dia do casamento e diante do clérigo, pelas esquálidas perninhas de virgem quezilenta.

És um bluff monumental. Uma bosta fenomenal. Não tens ideologia, a não ser a que o dinheiro te inculcou, a do roubo e a do logro e a da fraude (eu sei isso, Trump da trampa, sei-o de ginjeira porque te topo à légua, até os Goldman, os Rockefeller, os Vanderbilt, os Hilton, os Koch, os Bush conseguem ser mais decentes do que tu, vê lá até onde desceste, baixo mais baixo não há nem pode haver, e olha que, tendo-me dado ao trabalho de ler a tua estória, dos teus estratagemas, esquemas, falcatruas só possíveis num país onde o dinheiro é lei e tu o rei, estou a ser de uma brandura digna de um São Tomás Aquino, um São Judas Tadeu). 

Pena tenho eu que existam portugueses, aleijadinhos de cérebro, entrevadinhos de meninges, que te preguem loas à toa.

Amanhã, vou voltar a ti. Vou voltar a ti todos os dias. Não vou longe, sei que não, chegarei aos amigos indefectos, indefesos porque sãos. Mas algum mal, mal tamanhinho mas ainda assim daninho, te hei-de fazer, raios te partam alma danada.

Porque, aprende que eu não duro para sempre nem na terra e muito menos nos céus, dos idiotas não reza a história. E dos filhos da puta, como tu és sem tirar nem pôr, ainda menos. És um porco no mais escatológico sentido que a palavra tem (os porcos, esses, não têm culpa que a palavra se te aplique como esterco em terra infértil e luva em cara bexigosa).

És um pulha, sempre o foste. As tuas negociatas de triliões, de dólares ou pesos ou rublos pouco te importa, sempre deram para o torto e tu sempre te safaste, nunca os pagaste. Juízes, banqueiros, políticos, investidores, autoridades "reguladoras" e desregulados a nadar em dinheiro têm-te dado os benefícios da dívida e da dúvida. Idolatrando-te esperteza e, oh corolário de uma vida!, virilidade.

O povo americano, parte dele, tem os olhos postos em ti como os pastorinhos na senhora da azinheira. Dois deles morreram novos. Tal como o povo americano decretou, nas urnas, o seu próprio martírio, talvez suicídio, talvez genocídio. E o nosso também, sem direito a voto nem voto na matéria.

09/02/17

o mundo nas mãos de um louco



















Abram alas para a nódoa, o grande fanfarrão. Que entrem as fanfarras, que estridulem as cimitarras, as guitarras, os banjos, os bandolins, as concertinas, as gaitas-de-foles, os fagotes, as tubas, as balalaicas e bandurras, os berimbaus e os timbales, pandeiretas, castanholas e matracas. E o matraquear das metralhadoras. Ei-lo! O bufão chegou impante! Ei-lo! A desfilar bunda, vaidade, a indecorosa postura, não formosa e insegura, por tuítes e telejornais, viva a publicidade à borla. O gabarola já era famoso. Agora, é-o mais, como sempre almejou. O bazófias já era rico. Agora, os seus mercados não têm fim, das roupichas da Ivanka à tranca da Melania tudo se compra e se vende, até a alma ao dianho. O bugalhão já era um escarro, um cagalhão imundo e grosso. Agora, tornou-se um perigo global, uma bomba atómica prestes a deflagrar. O mundo olha-o com espanto. E cala-se, tal como calou perante Hitler e Mussolini nos idos de 30.

Foi eleito, proclamam. Temos que ser democratas, aceitar a vontade do povo, admoestam-nos de dedinho em riste. 

E nós, os amodorrados, os aporrinhados, os porreirinhos, os bem-comportados, os civilizados, vemos a besta a ganhar forma, a engordar enxúndias, a alargar o bandulho, a encher a tripa-cagueira, inchar a boquinha de cu agoniado.

Ah, é a democracia e tal. 

Aguardemos as bombas e os cadáveres. Todos temos direito aos nossos blitzkireg, às nossas valas comuns, aos nossos Auschwitz. A eleger a morte.