12/01/13

paz à sua alma

Por Constança Cunha e Sá
http://www.ionline.pt

Para efeitos internos, o governo achou por bem esconder a sua decisão de cortar 4 mil milhões na despesa atrás de um estudo encomendado ao FMI – em que este apresenta um menu completo de medidas radicais de austeridade, que, a pretexto dos mais desfavorecidos, levam ao empobrecimento generalizado da sociedade, nomeadamente dos mais desfavorecidos. O estudo, feito em meia dúzia de dias e assente em dados desactualizados, foi saudado pelo primeiro-ministro com enlevo, que viu nele um ponto de partida “muito bem feito” para um debate, que não vai acontecer, sobre as funções do Estado.

Aparentemente, não ocorreu ao governo que a posição negocial do país teria tudo a ganhar se o tal ponto de partida surgisse de Portugal e não de um dos seus credores. Mas como se sabe o Dr. Passos Coelho não tem por hábito preocupar-se com pormenores desta natureza. A sua política externa traduz-se no silêncio e na subserviência e, não por acaso, o júbilo com que o governo aceitou esta espécie de relatório foi curiosamente travado por um alemão que preside ao Parlamento Europeu e pelo Sr. Juncker, que, na hora da despedida, defendeu que as condições aplicadas a Portugal deviam ser suavizadas. O interesse nacional mora onde menos se espera.

Não vale a pena perder tempo com a forma como o debate, defendido pelo governo, foi lançado, esta semana, à margem dos parceiros sociais, dos partidos da oposição e da própria Assembleia da República. A divulgação do menu do FMI serviu para dourar os cortes que se avizinham e para incutir medo: tenham medo, muito medo, porque tudo pode acontecer. Da redução das reformas aos despedimentos na função pública, à diminuição do subsídio de desemprego, ao corte dos vencimentos até às taxas da saúde e ao despedimento de 50 mil professores, não houve nada que escapasse à fúria do FMI. Nada não! Porque, no meio de todo aquele arrazoado, não há uma única palavra para o sector empresarial do Estado, nem para as autarquias ou para as empresas municipais. Para não falar das famigeradas PPP.

Entretanto, o dito debate sobre as funções do Estado, que a maioria dos analistas económicos tanto enaltece, tem o prazo de validade de três ou quatro semanas – já que a Comissão Europeia fez saber que em Fevereiro quer que as medidas essenciais estejam identificadas e quantificadas. Esta pequena imposição, que o primeiro-ministro, obviamente, desvaloriza, confirma uma evidência simples: o governo prepara-se, não para debater as funções do Estado, mas sim o corte, a torto e a direito, de 4 mil milhões de euros, acordado com a troika na sequência da quinta avaliação e da derrapagem orçamental de 2012. Pode perguntar-se porquê 4 mil milhões. Mas isso é um mistério insondável que o governo não se deu ao trabalho de esclarecer. Como o ridículo não mata, a maioria quer agora criar uma comissão eventual, na Assembleia da República, para debater o que não tem quaisquer condições de ser debatido. Paz à sua alma!

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

eu voto, contra os devotos da aberração

Há muita gente que diz não votar para não contribuir para a manutenção do sistema. Eu acho o contrário: que só votando, contra eles, se poderá minar o sistema por dentro. Só votando contra eles os poderemos enfraquecer. Vá pensando nisso, que as eleições estão perto.

mas temos passos



Os portugueses que trabalham na construção civil, em França, chegam a receber metade do salário mínimo do país. Não me admira que assim estejam também todos os jovens e menos jovens qualificados que Coelho aconselhou a emigrar, enfermeiros, médicos, professores, cientistas.  Por cá, já se sabe o que a casa gasta, ordenados cada vez mais baixos, impostos cada vez mais altos, direitos cada vez menores. Por lá, sabendo-nos aflitos, também se aproveitam. A culpa é da crise, dirão, ou pagamos salários de vergonha ou fechamos o estaminé.

Ainda dizem que Passos, Gaspar e demais parceiros de malfeitoria são canhestros, incompetentes, não sabem o que andam a fazer. Eu, pelo contrário, tiro-lhes o chapéu. Em menos de dois anos de governação, conseguiram os seus objectivos: transformar Portugal e os portugueses em rebotalho para consumo estrangeiro.

Marrocos está perto. Somos um acidente geográfico na Europa, a jangada de pedra que, por equívoco da Natureza, veio acostar aqui. Somos uma China, umas Filipinas, uma Índia de mercados de escravos à mão de semear, mais perto das sedes apátridas da exploração global.

Não valemos nada. O que nos estão a pagar ainda é muito, descerá mais e mais. Os bairros de barracas, a indigência, a sopa dos pobres, os saraus de caridade estão a regressar. Só Salazar não voltará. Mas temos Passos. Menos patriota do que o outro, mais deslumbrado com os corredores da alta finança internacional.

Mas temos Passos.

11/01/13

lisboa de outras eras

Do tempo em que Lisboa era, toda ela, um grande centro comercial a céu aberto. As galinhas e os perus vendiam-se vivos em plena via pública, o leite era retirado directamente de cabras e vacas à porta do freguês, os vendedores de peixe, hortaliça, rendas, jornais, todos eles passavam na rua e apregoavam, bem alto, os seus produtos. Não precisávamos de internet para comprar sem sair de casa.

Ardina


Amolador

gaspar e álvaro entre os mais gastadores


apetece andar numa cidade assim








omnipresentes, substituem deus

Fotografia: http://www.boredpanda.com

golpe publicitário totalmente vitorioso

Só se fala na Pepa. A Samsung ganhou. A Pepa está por todo o lado, só aqui já é a terceira vez que falo dela. Veja as fotografias mas prossiga para coisas mais sérias, que também têm a ver com a Samsung. Clique neste link:
http://www.bitaites.org/geekosfera/ola-eu-sou-o-mac-ola-eu-sou-a-pepa/



o futebol dos hereges

Fotografia: http://www.noticiasaominuto.com

depois da pepa, o pepito

Viu o vídeo da Pepa, ou Pipinha Xavier, aqui mais em baixo? Então agora veja este, do Pepito Coelho.

o FMI está a passar por aqui

O governo, o FMI, a Comissão Europeia, as agências de notação, os especuladores financeiros, as altíssimas individualidades do capitalismo desregulado que até o Papa já não poupa, benza-o Deus nem que seja só desta vez, afirmam-nos, mentirosamente, cansativamente, repetidamente, ad nauseam, que andámos a viver acima das nossas possibilidades, que o Estado não pode pagar a Saúde, a Educação, as Prestações Sociais. No entanto, ainda antes dos cortes que Passos, O Tresloucado, encomendou ao FMI, mesmo assim, comprovadamente, o Estado português gasta menos connosco do que se gasta em média na Europa para os mesmos fins e, indigne-se!, pasme se ainda puder!,  apesar de termos das cargas fiscais mais elevadas do continente.

Assim sendo, há que perguntar: para onde é que vai o nosso dinheiro? O FMI, tão lesto a fazer análises de gastos, no seu entender supérfluos, com o bem-estar e a vida de seres humanos, não quererá ir ao fundo da questão e recomendar, em relatório que eu próprio assinarei de cruz, que Passos, O Deslumbrado, corte nas gorduras do Estado dos amigalhaços, comparsas, corruptos, compadres, confrades, parceiros e demais seitas que, vindas dos partidos do arco de governação, andam a esmifrar e a espatifar o país desde há décadas?


Vá lá, façam isso. É pegar ou Lagarde.


Ler mais em:
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2987616

Fotografia: http://athens.cafebabel.com

quando a esperança parecia ter renascido

Em revista, um ano do movimento Occupy Wall Street.

10/01/13

obrigado coelho, crato, catroga, borges, relvas, ulrich, salgado, amorim e a grande, a imprescindível, a maravilhosa e benemérita isabel jonet



Não é a primeira vez que publico este vídeo. Para lembrar os carrascos e os cúmplices, as beatas falsas e os hipócritas, os predadores e os abutres de um povo já exangue. Temos carências sim. De justiça social.

a malita chanel da pipinha xavier, e assim

Não sei porque é que a Samsung se meteu nisto, mas adiante e passe a publicidade que os gajos não merecem a ponta de um corno. O país empobrece, o português esmorece, mas há sempre uma ou outra donzela - com o chique sotaque de Cascais que é um prazer ouvir porque nem sempre se ouve falar bom português - contente com a vidinha que leva, com os seus afazeres no mundo da moda, com as comprichas que faz, os sonhos que quer realizar em 2013. Um deles, no caso da Pipinha Xavier, é possuir uma malita Chanel como aquelas que a Lagarde exibe quando fala dos países pobres e os quer estrafegar em juros de agiota. Pois eu cá, vaidoso e fútil, nisso a Pipinha do vídeo não me leva a palma, nem as Pilitas, as Xaxões ou as Carochas de Cascais ou da Lapa, quero um fato Armani, uns sapatos Boss, um perfume Dior. Acho eu. Sei lá. Quero. Que isto de ir aos ciganos, à Zara quanto muito, é coisa de pindéricos, de borra-botas, dessa gentinha que não tem onde cair morta e que tão bem soube afundar o país, levá-lo à bancarrota por gastar à tripa-forra, acima das suas possibilidades. Valha-nos a caridade e as damas da caridade que, de Cascais e da Lapa, saberão socorrer os mais necessitados. De malinha Chanel na mão e tanto, tanto amor no coração. Sei lá.

reacções à instalação de câmaras de gás em Portugal da marca FMI

Por Viriato Soromenho-Marques

http://www.dn.pt

O relatório exploratório do FMI foi recebido por um inevitável coro de protestos. Ele sugere uma espécie de rasgar de ventre nacional, em nome da "eficiência" do Estado. Contudo, ele apenas confirma o rumo que tem levado 18 dos 27 países da UE a um agravamento do desemprego e de todos os outros indicadores sociais. Nem o FMI (e o resto da troika) nem o Governo português parecem perceber que há limites para a capacidade de um povo absorver mudanças radicais. Em 1790, o grande político e pensador irlandês Edmund Burke conde-nava a revolução francesa por ver nela a expressão de uma arrogância da razão. Ela implicaria a crença ingénua de que a sociedade é uma plasticina que se presta a todas as modelagens. Desde a criação de novas religiões, por decreto, até à reforma agrária feita na ponta das baionetas, como ocorreu na Ucrânia soviética, em 1930. Os jacobinos inauguraram "o assalto aos céus", que se estendeu, depois de muitas dezenas de milhões de vítimas, até à queda do Muro de Berlim. Burke é justamente considerado como o pai do pensamento político conservador democrático. Todavia, ele seria hoje o primeiro a erguer a sua voz contra a arrogância desta direita, voluntarista, que quer fazer regressar os europeus ao inferno da pobreza narrada por Charles Dickens. Os ditos "neoliberais" imitam hoje, na sua língua de trapos tecnocrática, a brutalidade arrogante dos engenheiros de almas do passado. Entregam a propriedade e a dignidade de povos inteiros ao confisco de uma incompetente elite de banqueiros e burocratas, em nome de "sociedades abertas". Com a mesma candura com que no passado se abriam gulags, em nome da "emancipação humana". Em ambos os casos, não é a vontade que triunfa, mas o terror nas suas múltiplas e horrendas máscaras.

já casaram?



Está marcada uma manifestação para Sábado. Eu vou. Nem que seja o único a estar lá. Esta gente tem que ser parada. A bem ou a mal.

https://www.facebook.com/events/529508760400805/

09/01/13

venda-se a democracia por 4 mil milhões


Por Luís Monteiro
http://expresso.sapo.pt

Baixar indiscriminadamente todas as reformas, despedir 50 mil na educação, aumentar as propinas, diminuir radicalmente o montante e a duração do subsídio de desemprego, baixar os salários de toda a função pública, aumentar ainda mais as taxas moderadoras, tudo isto e muito mais propõe o FMI para baixar a despesa pública em 4 mil milhões de euros.

O governo não se pronuncia, alegando cinicamente que esta é uma proposta do FMI e que ainda não reviu o relatório, mas Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade e da Segurança Social, vai balbuciando que o relatório "tem pressupostos errados", mesmo depois do FMI ter afirmado que foi muito útil ter estado reunido o ano passado com membros do governo e que "aprendeu muito".

Se este governo alinhar com isto, entregamos as chaves de Portugal aos salteadores, perderemos, de uma vez por todas, a (pouca) soberania que ainda nos resta.

Há que rechaçar este novo fascismo (não consigo encontrar epíteto mais apropriado) a que esta vil gentalha nos quer fazer vergar. 

Se não nos sublevarmos e se nada fizermos, quando aí chegarem os saqueadores para se apropriarem dos despojos, encontrarão apenas ossadas.

P.S.: Tenho de reconhecer, esta jogada de última hora do governo de divulgar o relatório do FMI foi muito bem esgalhada:- por um lado, sacodem a água do capote e dzem "vêem, vêem como nós não temos culpa e a culpa é toda do FMI?";
- por outro, se implementarem as medidas propostas no relatório podem sempre dizer que a malta já sabia toda do que se tratava e que não foi feito nada às escondidas de ninguém;
- finalmente, calaram a boca ao PS que tinha requerido na Assembleia da República que o Governo disponibilizasse o estudo.

Não há dúvida, estes governantezinhos são mesmo maquiavélicozinhos.
E ainda há quem diga que são incompetentes...

temos muito que fazer em 2013

Por José Vítor Malheiros
http://versaletes.blogspot.pt

Seguro para a rua. Passos Coelho para a rua. Esquerda a falar. Programa de esquerda. Eleições. Governo de esquerda. Bom 2013.


Vivemos 2012 com esta mistura de espanto e de indignação, de urgência e de impotência, de revolta e de desespero, de ódio e de vergonha. Sabemos que batemos no fundo em termos de bem-estar, de solidariedade social, de moralidade no Governo, de dignidade na política, de exercício da cidadania, de democracia, de confiança nas instituições, de confiança uns nos outros, de confiança no futuro, de dignidade. Sabemos que começamos a ter vergonha de nos olhar nos olhos na rua, que as costas estão mais curvadas, as roupas mais baças, as expressões mais carregadas. Sabemos também que este fundo em que caímos se vai afundar ainda mais e que novos abismos se vão abrir em 2013 porque a decência deste Governo é inexistente, porque os interesses inconfessáveis que serve não se encontram em nenhuma linha da Constituição.

Sabemos que as coisas podem sempre piorar e que, em 2013, as coisas vão mesmo piorar.
Mas sabemos também que as coisas não podem piorar ainda mais sob pena de ficarem piores para sempre e de condenarmos o país ao desalento e à miséria eterna.

O que fazer?

É evidente que é necessária uma alternativa a esta política e que isso passa por uma alternativa a este Governo. A alternativa a este Governo terá de passar, no quadro institucional, pela queda do Governo por falta de apoio parlamentar, pela demissão do primeiro-ministro ou pela sua exoneração pelo Presidente da República ou pela dissolução da Assembleia da República pelo PR.

Mas é pouco provável que o PR tome qualquer iniciativa sem ser a tal obrigado, conhecida como é a sua aversão a qualquer tipo de acção autónoma e a disposição placidamente contemplativa que adoptou nos últimos anos. E há outro problema: a situação narcotizada do Partido Socialista e o facto do seu secretário-geral se encontrar em estado de vida vegetativa não anima ninguém em seu juízo a tirar o Pedro de S. Bento para lá pôr o Tó Zé.

Há pois algo que o PS precisa de fazer urgentemente, a bem do país: encontrar uma nova liderança que dê aos portugueses a confiança suficiente para se lançarem de forma resoluta na exigência da demissão do Governo. Não tenho dúvidas de que a existência de António José Seguro é, neste momento, um dos grandes apoios do Governo e isto não apenas pela moleza da sua oposição: imaginar um Governo dirigido por António José Seguro é algo que faz um arrepio percorrer a espinha de muitos portugueses. Percebe-se bem. É que Seguro, para além da sua reduzida arte política, da sua tibieza, da sua falta de imaginação e de carisma, da sua verbosidade oca, daria uma terrível reputação à esquerda. Não porque Seguro fosse governar à esquerda, mas precisamente porque não o faria e porque a direita se aproveitaria do facto para repetir que a esquerda, afinal, não tem nada de novo para oferecer senão a mesma política da direita com retoques retóricos.

É fundamental o PS renovar a sua direcção (ou melhor: eleger uma) porque é evidente que, no actual quadro partidário, não é concebível uma alternativa de governo sem o PS, como todos sabem mas alguns se negam a admitir.

Substituir a direcção de António José Seguro é, portanto, a tarefa para 2013 que as pessoas responsáveis que estão no PS têm de levar a cabo. Não através de conspirações nocturnas, mas abertamente, às claras, assumindo responsabilidades, apresentando alternativas e correndo os riscos do combate político.

Também há trabalho a fazer para as pessoas honestas que estão no PSD e no CDS e que, à boca pequena, criticam o governo e se horrorizam com a falta de princípios de Relvas, com os tiques despóticos de Coelho, com o desaparecimento de Portas, com o financeirismo cego de Gaspar, com a falta de política, com o desemprego, com o empobrecimento, com a degradação da educação e da investigação, com a subserviência perante a Alemanha e a falta de política na Europa. Não haverá (além de Pacheco Pereira) mais algum social-democrata no PSD? Não haverá (além de Ribeiro e Castro) mais algum democrata-cristão no CDS?

Também há trabalho para o BE e para o PCP. Falar. Sem agenda. Entre si e também com o PS. Sem compromissos e sem medo. O verdadeiro pavor que a esquerda tem à esquerda, que não é apenas uma questão de escrúpulo ideológico mas que roça o pedantismo, é outro dos grandes apoios objectivos do actual governo. “Ao menos o PSD e o CDS conseguem entender-se. A esquerda é um saco de gatos. O que seria um Governo PS-BE-PCP!” diz a vox populi, mesmo quando as suas simpatias podiam estar à esquerda. A responsabilidade de encontrar alguns pontos comuns de acção pertence à esquerda e é uma tarefa à qual à esquerda tem continuado a fugir devido a pruridos maneiristas. Onde estão as medidas de esquerda que toda a esquerda defende colectivamente?

Também há votos e trabalho para os jornalistas: que em 2013 se dediquem a escalpelizar a actividade do Governo, do PSD, do CDS, das “empresas” e “empresários” que burlam o Estado (no BPN, por exemplo, mas não só) com o mesmo entusiasmo com que se entretiveram a escrutinar a vida de Artur Baptista da Silva. A função do jornalismo é fiscalizar os poderes. Bater no underdog é mais fácil, mas não é mais digno.

Temos muito trabalho para 2013. Bom ano.

Fotografia: Nuno Botelho/http://expresso.sapo.pt

viva! viva! grande homenagem a duarte lima!

haverá guerra


Novo aumento das taxas moderadoras na saúde ... eliminação definitiva da gratuitidade de alguns serviços médicos ... cortes nos pagamentos de horas extraordinárias para os profissionais de saúde ... despedimento de 50.000 professores ... mais roubos nas pensões e nos subsídios de férias e Natal ... subida da idade dae reforma ... são estas, e muitas outras igualmente tenebrosas, as medidas propostas pelo FMI para a refundação do Estado português. Não precisavam de ter contratado essa gente, paga a peso de ouro, para nos vir dizer isto. Qualquer bronco podia ter vindo dizer a mesma coisa. A custo zero.

Claro que Moedas, um dos serviçais do FMI, já veio declarar que o relatório está muito bem feito. E feitos estaremos nós se não formos para a rua ou seja lá para onde for vociferar contra o governo, o FMI e o raio que os parta a todos. E que os parta de vez.

Querem cortar 4 mil milhões? Façam-no nas verdadeiras gorduras do Estado: nas PPPs, nos estudos de custo milionário encomendados a grandes escritórios de advogados, na frota automóvel, nos gastos tantas vezes sumptuosos dos gabinetes ministeriais. É só escolher. Há aí mais, muito mais do que 4 mil milhões para poupar. Não precisam de cortar a já pouca qualidade de vida de quem menos tem, de atirarem milhões de portugueses para a pobreza. Deixem os trabalhadores, as empresas, os velhos, todos nós em paz. Ou haverá guerra.

Eis o relatório (em inglês):
http://www.portugal.gov.pt/media/816306/PRT_FAD_TA_Report_Expenditure_Policy_Reform_Options_January_2013.pdf

uma nação de sportinguistas

Por Luís Rainha
http://www.ionline.pt

Eduardo Catroga, um dos bonzos escolhidos pelos chineses para decorar os salões da EDP, redescobriu a teoria geral dos “entraves”: entre outros monos, a Constituição devia ser revista para facilitar a vida ao governo. Já tínhamos um banqueiro infeliz por alguém se ter lembrado de ilegalizar a escravatura, impedindo-o de arregimentar de- sempregados para trabalharem à borla no seu banco. Faltava-nos mesmo ver o testa- de-ferro de uma ditadura a explicar-nos que o nosso problema é ainda termos uma réstia de direitos e tribunais com a missão de os fazer cumprir.

Com efeito, os seus patrões é que sabem; embora a lei fundamental da RPC reze loas ao marxismo-leninismo e ao carácter “inviolável” da liberdade dos cidadãos, é sabido como estes são diariamente imolados no altar do crescimento económico enquanto os príncipes do maoismo espatifam Ferraris em Pequim.

Longa vida ao honorável camarada Catroga, pois. Relembrando o seu papel como figura decorativa no universo alternativo da bola – e procedendo a umas contas rápidas para se isentar de culpas – descobriu que “O Sporting e o país tiveram 15 anos de má gestão”. O paralelo faz sentido: presidentes inoperantes, resultados paupérrimos a apontar para o fundo de todas as classificações (até a mortalidade infantil regressa ao passado), descalabro crescente nas contas, uma equipa perdida. E o pior é que se despedirmos o “mister” Passos, estaremos condenados, como o SCP, a passar para a mão de parlapatões sem melhores credenciais.

Fotografia: http://pt.uefa.com

08/01/13

pagar como na suécia, viver como no burkina faso

Por Sérgio Lavos
http://arrastao.org/

É oficial: carga fiscal mais pesada do que nos países mais ricos da Europa, rendimento igual a um marroquino, direitos laborais próximos dos da China e um Estado Social a caminho do Burkina Faso. Pagamos muito mais impostos para ter pior educação, pior saúde, menos garantias e benefícios sociais, piores infraestruturas, pior funcionamento da Justiça, da polícia, das forças militares, das repartições públicas, de todos os serviços do estado. Daqui a uns anos, os rankings vão mostrar para onde estamos a cair. Num dos melhores indicadores de desenvolvimento de uma nação, a taxa de mortalidade infantil, já caímos para níveis de há dez anos, quando no último ranking estávamos entre os melhores do mundo, isto depois de uma evolução espantosa desde o 25 de Abril. Certamente que o mesmo vai acontecer no acesso a cuidados de saúde, na desigualdade social, na esperança média de vida, na pobreza, nas taxas de escolaridade, etc., etc. E com a meta do défice cada vez mais longínqua.

Por estarmos a contribuir, passiva ou activamente, para a destruição do país por parte de uma corja de criminosos sem emenda, estamos todos de parabéns. Continuemos alegremente entretidos a ver Secret Stories, eleições de Ronaldos e afins, sem qualquer noção de intervenção cívica nem preocupação pelo futuro, que um dia chegaremos lá, aos anos 50. É esse o caminho. Merecemos. Um povo que não se quer salvar não merece salvação.

por favor, não me agradeçam!

Quem paga, manda. Lembram-se desta frase de Manuela Ferreira Leite, referindo-se aos nossos credores? Por esta ordem de ideias, não devíamos ser nós, os saqueados contribuintes, a mandar? Vamos lá ver: pagamos os desfalques do BPN, pagamos os erros dos governos, pagamos as PPPs e outras negociatas do Estado. Pagamos os juros dos empréstimos, perdão, da ajuda que tão generosamente nos concederam. Nesse caso, quem manda não somos nós? Manuela Ferreira Leite tem razão. Amanhã, recebo o ministro das Finanças a despacho. Quero saber todos os seus passos e os do Passos. Conhecer as suas decisões. E vetar a maior parte delas. Ou despedi-los. Não, escusam de me agradecer.




jesus e jesualdo, heróis de segunda na segunda circular

Só falta um Homem Cristo ou um Moita de Deus a compor o ramalhete. Não há dinheiro, dizem eles, mas movimentam-se milhões no mundo do futebol, não me enganarei por muito se disser que devem milhões, e a tudo isto os adeptos dizem nada, a chamar nomes chamam-nos ao árbitro, o bombo da festa, o mau da fita. O futebol abre telejornais, açambarca audiências, monopoliza multidões. Mourinho e Ronaldo não ganharam ontem a Bota de Ouro ou lá o que é mas ganham, num dia, o que muitos portugueses não auferem em vários meses. A desilusão foi nacional, a derrota é colectiva. Pior do que perder a independência é perder um campeonato, uma taça, os louros e dinheiro que serve para ferraris, mansões, a boa vida de quem, tantas vezes, Mourinho será a excepção, honra lhe seja feita, não sabe somar dois e dois ou juntar duas palavras sem pontapés não na bola, mas na gramática. Custe o que custar (onde é que eu já ouvi isto?) aos aficionados do futebol, trata-se para mim de um negócio imoral. Com o qual convivem e com o qual são coniventes. O povinho precisa de distracções. Mais, precisa de alienações. Longe vão os tempos dos gladiadores em arena. Os heróis, agora, são outros. Génios com uma bola aos pés e, parece, o mundo nas mãos. Outros, esgaravatam no lixo a subsistência, mas isso agora não interessa nada.

carne: no palco 5%, no prato 23%


A justiça, pelos vistos, não é tão cega assim: tem olho para o erotismo. Não gosta de ver ricos na prisão, mas pela-se por mulheres e homens tal como vieram ao mundo, isso sim, isso é cultura, protuberâncias e afins em dançante exibição valem tanto como um concerto de Bach, uma peça de Pinter, um quadro de Manet ou de Monet. Num país, este, onde certos produtos de supermercado são considerados bens de luxo, com IVA a 23%, onde os impostos levam empresas e famílias à asfixia financeira, o fisco considera de "cariz artístico" os espectáculos eróticos, pelo que o IVA deve ser de apenas 5%. 

Se, num restaurante, pedirmos uma banana descascada, vamos pagar também 5% de IVA? E o frango assado, não vem nu para a mesa? E uma espetada, por ser carne em varão não devia ter um descontozinho no imposto? 

Ou há moral, ou comemos todos. E por falta de moral não me refiro à dos artistas desnudos, cada um ganha a vida como pode e quer, mas dos juízes ou lá de quem manda no Tribunal. Não sei onde estavam com a cabeça.

Mais em:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2981724

e o camarada passos nacionalizou o BANIF

Por Pedro Tadeu
http://www.dn.pt


O Estado vai reforçar o capital do Banif metendo lá 1.100 milhões de euros. Ficarão os contribuintes, através de um empréstimo da troika, detentores de 99,2% do banco. Se toda a gente envolvida nesta negociação se portar bem - coisa que a disputa da herança do antigo líder do banco, Horácio Roque, torna incerta - a percentagem de posse do Estado naquele banco diminuirá para 60.6%, situação que, no entanto, perdurará até 2017. Na melhor das hipóteses.

Apesar de responderem pela maior parte do dinheiro que capitalizará esse banco, os contribuintes não terão direito a controlar a administração do Banif, que continuará dominada pelos representantes de alegados "investidores privados" que se comprometem a lá pôr, na empresa que deixaram cair, apenas 250 milhões de euros.

Note-se que este banco, de 2000 a 2010, deu aos seus acionistas 216 milhões de euros em dividendos, 41% do total de lucros registados nesse período, dinheirinho que hoje daria muito jeito mas, pelos vistos, ninguém acha dever ser considerado nesta relação desigual entre o nosso proclamadamente falido Estado e os nossos pretensamente ricos capitalistas, cuspidores dessa mão que, afinal, lhes dá sempre de comer e cronicamente os salva dos apuros em que se metem.

O Governo mais falsamente liberal de todos os tempos cedeu, num discreto 31 de Dezembro, à pressão dos accionistas do Banif e, com o acordo do Banco de Portugal, triplicou-lhe o capital social para o salvar da falência, a troco da promessa de vir a ganhar 330 milhões de euros em juros. Será mais uma vã promessa? Talvez, mas daqui a quatro anos já ninguém se lembra, já não interessa nada.

Esta espécie de nacionalização é feita a um banco que, em 2011, encerrou 17 balcões e despediu 120 empregados e que anunciou, entretanto, tencionar despedir mais160 trabalhadores.

Se isto não fosse suficiente para tornar questionável este apoio, podemos pensar nos erros cometidos com o BPN, podemos pensar nos impostos que estão a ser cobrados, nos cortes para a saúde, para a educação. Podemos comparar com a escassez de dinheiro para financiar empresas, podemos denunciar o processo de fragilização da Caixa Geral de Depósitos, podemos protestar contra o saque de reformas. Podemos pensar que havia outras alternativas...

E podemos constatar: nestes acordos a oposição afeta ao regime (na circunstância o Partido Socialista), cala-se caladinha pois surge sempre um dos seus (no caso Luís Amado, ex-ministro de Sócrates e atual presidente do Banif), a tutelar este tipo de negócios.

07/01/13

ai aguenta, aguenta


Portugal tem a carga fiscal mais pesada da Europa, mesmo comparando-nos com os países mais ricos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha. Isto deve ser, digo eu que não sou de intrigas, por mor de termos andado a viver acima das nossas possibilidades. Nós resgatámos bancos, sustentámos proxenetas e larápios, alimentámos a corrupção, suportámos governos de imbecis, uns atrás dos outros, uns piores do que outros sendo este o pior de todos eles. Agora, há que pagar a factura, cêntimo por cêntimo. Há que liquidar a dívida  do nosso regabofe, da estúrdia a que nos andamos a dedicar há décadas. Comprou uma casita, que já pagou mas de que deve outro tanto? Pague. Comprou um calhambeque recorrendo ao crédito que os bancos lhe ofereciam de mão beijada? Tanto pior para si. Pague. Pague os ordenados dos banqueiros, pague os rombos e roubos do BPN, pague os negócios das PPPs e dos submarinos. Pague. Pague os assessores, os mercedes e os motoristas, os consultores jurídicos, as benesses, as alcavalas, as bonificações, as prebendas, os luxos dos lixos que mandam em nós e que, como lixos, ficarão na História. Pague e não bufe. Não seja calhordas. Nem forreta. Nem insubmisso. E muito menos insurrecto. Tudo a bem da nação. Deste país mal usado e abusado, violado. Custa-me a crer que Passos e Gaspar, o duo maravilha, esteja ainda no poder ao fim de ano e meio de facadas, rasteiras, assaltos, insultos, escarradelas nas nossas caras, nos nossos valores mais caros: a democracia, o Estado Social, a Solidariedade entre os seres humanos. Custa-me a crer que Cavaco ainda seja Presidente depois de ter demonstrado, à saciedade, que não é digno do cargo que ocupa nem dos que ocupou até hoje. Custa-me a crer que nada se faça contra o golpe de Estado que tem estado a repor o País de antes de Abril. Para quê tanto cravo, tanto herói, tanta esperança, tanta luta, tanto fervor? O tempo voltou para trás. Ao tempo de Marcelo e de Tomaz. Desde que aqui vim é a primeira vez que aqui venho, dizia um deles. Agora, feitos fantasmas, ele e a sua Natália e a sua Gertrudes voltaram uma última vez. Pela noite fora, vejo-os nos meus pesadelos. E oiço Gaspar. E oiço Relvas. E oiço Passos. Sobretudo, oiço Passos. Inquietantes. Tenebrosos.. Oiço-os e grito de pavor. Nunca pensei ver o que vejo, sentir o que sinto. O meu país está embruxado. Há que quebrar o enguiço. Corrê-los à vassourada.

pelo túnel iluminam-se os passos da salvação

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

até os seus aliados o governo despreza

Por Daniel Oliveira
http://expresso.sapo.pt

Não há praticamente nada que João Proença não aceite. Não há acordo, por pior que seja, que não esteja disponível para assinar. O secretário-geral da UGT transformou-se num dos poucos aliados deste governo. Mas nem ele é respeitado por Passos Coelho e Vítor Gaspar. Depois de ter acordado que não haveria mais alterações nas indemnizações por despedimento até entrar em vigor o novo fundo pago pelos trabalhadores, o governo decidiu, às escondidas, reduzir as indemnizações para 12 dias por ano. Tal proposta nunca foi apresentada em concertação social. Até os patrões, que concordam com a medida, confirmam a traição.

Não é defeito, é feitio. Passos Coelho e Vítor Gaspar, incapazes de compreender os mecanismos democráticos pelos quais nos regemos, dinamitam todas as possibilidades negociais para qualquer medida sua. Estes fanático à solta conseguiram, finalmente, deixar o governo irremediavelmente isolado: nem Cavaco, nem CDS, nem grande parte do PSD, nem UGT.

Pode dar-se o caso de estarmos, mais uma vez, a assistir à estratégia de avançar com a pior proposta para recuar depois, tornando aceitável o que à partida nem deveria merecer negociação. Mesmo que volte a resultar, ela vai minando a pouca credibilidade que reste a este governo.

As indemnizações por despedimento são a única forma que um trabalhador de 40 ou 50 anos com muitos anos numa única empresa tem para reconstruir a sua vida. Para tentar começar um negócio ou apenas sobreviver entre o fim do subsídio de desemprego e a reforma. São o que permite que o despedimento seja uma tragédia um pouco mais suportável e que evita o caos social. Uma redução tão drástica nos seus montantes terá efeitos brutais no futuro.

Mas esta medida é coerente com a estratégia do governo e da troika para o País: embaratecer o despedimento é enfraquecer o poder negocial do trabalhador, enfraquecer o poder negocial do trabalhador é criar as condições para reduzir o salário, reduzir o salário é a estratégia que este governo tem tornar Portugal competitivo. Uma estratégia sem qualquer futuro.

Há, em países de média dimensão, duas estratégias possíveis perante o despedimento. Uma, usada nos países que adoptaram a "flexisegurança": facilidade de despedimento, barato e rápido, com prestações sociais fortes e apoio público ao emprego. Há flexibilidade, mas a segurança está garantida. Há mobilidade no emprego mas há apoio aos desempregados e empenhamento do Estado na criação de emprego. A outra, mais tradicional: subsídios de desemprego moderados, pouco investimento público na reconversão dos trabalhadores e leis laborais que protegem o emprego criado. A primeira, que já foi vendida por aqui, só é possível em países com muitos recursos. É cara para o Estado. A segunda, é a que pode ser aplicada nos países com menos recursos.

O que o governo quer é o pior dos dois mundos: despedimento fácil e barato e redução de apoios públicos aos desempregados. É o que se pratica nos países subdesenvolvidos. Aqueles que são competitivos no trabalho desqualificado. Compreende-se, assim, que o governo despreze os parceiros sociais. Em países realmente pobres a concertação social é irrelevante. Funciona apenas a lei do mais forte.

Fotografia: http://thevoiceofateenager.wordpress.com

laranjas amargas


Li hoje uma notícia no "i" que me deixou estupefacto. Numa sondagem, o PSD e o CDS sobem nas intenções de voto. E eis que a expressão "quanto mais me bates, mais gosto de ti" se reforça e ganha alento. Os portugueses estão mais pobres, mais amargurados, mais desesperados, mas votam em quem lhes rouba o pão. Podem-lhes levar o salário, a casa, o carro e até os filhos, que emigram para se salvarem, mas querem continuar a votar nos seus verdugos. Têm o que merecem? Não vou por aí. Porque uma larga maioria, os que não votaram nem votam neles, os que votam noutros partidos e os que se abstêm, não merecem este governo nem este martírio. Paga o justo pelo pecador. 

Quanto ao PS, coitado, desce nas sondagens. Seguro não segura os seus eleitores nem cativa novos. A sua abstenção violenta, a sua oposição responsável, estão a dar os seus frutos: laranjas. Amarguem-nas.

06/01/13

setembro é quando um homem quiser e uma mulher também


venha de lá esse abraço!


ensaio sobre a cegueira


De Cavaco Silva a Freitas do Amaral, de Bagão Félix a Manuela Ferreira Leite, de Mota Amaral a tanta outra gente à qual não me ligam convicções nem convivências, todos batem nos ceguinhos que dão pelos nomes de Passos e Gaspar. Nunca houve tanta unanimidade, da direita à esquerda, em repudiar uma governação. Nunca houve, em democracia, um governo tão odiado em Portugal. Nunca se disseram tantas cobras e lagartos de governantes. Mentirosos, gatunos, assassinos, filhos desta e daquela, tudo lhes têm chamado e a tudo eles respondem com a indiferença das luminárias iluminadas, fadadas para um desígnio nacional, messias e salvadores de uma Pátria que não os quer, que os desdenha, os detesta. Seguem o seu caminho sem enganos nem dúvidas. Afundam a economia. Empobrecem os portugueses. Roubam salários. Provocam o encerramento de empresas. Facilitam os despedimentos. Deixámos de ser cidadãos. Somos contribuintes apenas. Não podemos ser doentes nem alunos nem velhos nem desempregados nem empresários nem consumidores. Apenas serventuários de um capital sem peias e muito menos coração. Estão cegos. O poder cegou-os. A ideologia que idolatram cegou-os. A arrogância, a prepotência, a irresponsabilidade, vão acabar por arredá-los. Mas, para nós, vai ser tarde demais. Não teremos um país decente nem futuro nem nada que se pareça com uma vida digna. Eles irão para o estrangeiro, onde os esperam cargos dourados e salários de fausto, vénias e honrarias. A nós, restar-nos-ão as sobras de uma orgia de desmandos, abusos, prepotências, injustiças. E a culpa é toda nossa. Estivemos, estamos calados há tempo demais. São eles quem mais ordena. E quem mais ordenha esta vaca de tetas exaustas que somos todos nós.