ai aguenta, aguenta


Portugal tem a carga fiscal mais pesada da Europa, mesmo comparando-nos com os países mais ricos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha. Isto deve ser, digo eu que não sou de intrigas, por mor de termos andado a viver acima das nossas possibilidades. Nós resgatámos bancos, sustentámos proxenetas e larápios, alimentámos a corrupção, suportámos governos de imbecis, uns atrás dos outros, uns piores do que outros sendo este o pior de todos eles. Agora, há que pagar a factura, cêntimo por cêntimo. Há que liquidar a dívida  do nosso regabofe, da estúrdia a que nos andamos a dedicar há décadas. Comprou uma casita, que já pagou mas de que deve outro tanto? Pague. Comprou um calhambeque recorrendo ao crédito que os bancos lhe ofereciam de mão beijada? Tanto pior para si. Pague. Pague os ordenados dos banqueiros, pague os rombos e roubos do BPN, pague os negócios das PPPs e dos submarinos. Pague. Pague os assessores, os mercedes e os motoristas, os consultores jurídicos, as benesses, as alcavalas, as bonificações, as prebendas, os luxos dos lixos que mandam em nós e que, como lixos, ficarão na História. Pague e não bufe. Não seja calhordas. Nem forreta. Nem insubmisso. E muito menos insurrecto. Tudo a bem da nação. Deste país mal usado e abusado, violado. Custa-me a crer que Passos e Gaspar, o duo maravilha, esteja ainda no poder ao fim de ano e meio de facadas, rasteiras, assaltos, insultos, escarradelas nas nossas caras, nos nossos valores mais caros: a democracia, o Estado Social, a Solidariedade entre os seres humanos. Custa-me a crer que Cavaco ainda seja Presidente depois de ter demonstrado, à saciedade, que não é digno do cargo que ocupa nem dos que ocupou até hoje. Custa-me a crer que nada se faça contra o golpe de Estado que tem estado a repor o País de antes de Abril. Para quê tanto cravo, tanto herói, tanta esperança, tanta luta, tanto fervor? O tempo voltou para trás. Ao tempo de Marcelo e de Tomaz. Desde que aqui vim é a primeira vez que aqui venho, dizia um deles. Agora, feitos fantasmas, ele e a sua Natália e a sua Gertrudes voltaram uma última vez. Pela noite fora, vejo-os nos meus pesadelos. E oiço Gaspar. E oiço Relvas. E oiço Passos. Sobretudo, oiço Passos. Inquietantes. Tenebrosos.. Oiço-os e grito de pavor. Nunca pensei ver o que vejo, sentir o que sinto. O meu país está embruxado. Há que quebrar o enguiço. Corrê-los à vassourada.

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