mas temos passos



Os portugueses que trabalham na construção civil, em França, chegam a receber metade do salário mínimo do país. Não me admira que assim estejam também todos os jovens e menos jovens qualificados que Coelho aconselhou a emigrar, enfermeiros, médicos, professores, cientistas.  Por cá, já se sabe o que a casa gasta, ordenados cada vez mais baixos, impostos cada vez mais altos, direitos cada vez menores. Por lá, sabendo-nos aflitos, também se aproveitam. A culpa é da crise, dirão, ou pagamos salários de vergonha ou fechamos o estaminé.

Ainda dizem que Passos, Gaspar e demais parceiros de malfeitoria são canhestros, incompetentes, não sabem o que andam a fazer. Eu, pelo contrário, tiro-lhes o chapéu. Em menos de dois anos de governação, conseguiram os seus objectivos: transformar Portugal e os portugueses em rebotalho para consumo estrangeiro.

Marrocos está perto. Somos um acidente geográfico na Europa, a jangada de pedra que, por equívoco da Natureza, veio acostar aqui. Somos uma China, umas Filipinas, uma Índia de mercados de escravos à mão de semear, mais perto das sedes apátridas da exploração global.

Não valemos nada. O que nos estão a pagar ainda é muito, descerá mais e mais. Os bairros de barracas, a indigência, a sopa dos pobres, os saraus de caridade estão a regressar. Só Salazar não voltará. Mas temos Passos. Menos patriota do que o outro, mais deslumbrado com os corredores da alta finança internacional.

Mas temos Passos.

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