ensaio sobre a cegueira


De Cavaco Silva a Freitas do Amaral, de Bagão Félix a Manuela Ferreira Leite, de Mota Amaral a tanta outra gente à qual não me ligam convicções nem convivências, todos batem nos ceguinhos que dão pelos nomes de Passos e Gaspar. Nunca houve tanta unanimidade, da direita à esquerda, em repudiar uma governação. Nunca houve, em democracia, um governo tão odiado em Portugal. Nunca se disseram tantas cobras e lagartos de governantes. Mentirosos, gatunos, assassinos, filhos desta e daquela, tudo lhes têm chamado e a tudo eles respondem com a indiferença das luminárias iluminadas, fadadas para um desígnio nacional, messias e salvadores de uma Pátria que não os quer, que os desdenha, os detesta. Seguem o seu caminho sem enganos nem dúvidas. Afundam a economia. Empobrecem os portugueses. Roubam salários. Provocam o encerramento de empresas. Facilitam os despedimentos. Deixámos de ser cidadãos. Somos contribuintes apenas. Não podemos ser doentes nem alunos nem velhos nem desempregados nem empresários nem consumidores. Apenas serventuários de um capital sem peias e muito menos coração. Estão cegos. O poder cegou-os. A ideologia que idolatram cegou-os. A arrogância, a prepotência, a irresponsabilidade, vão acabar por arredá-los. Mas, para nós, vai ser tarde demais. Não teremos um país decente nem futuro nem nada que se pareça com uma vida digna. Eles irão para o estrangeiro, onde os esperam cargos dourados e salários de fausto, vénias e honrarias. A nós, restar-nos-ão as sobras de uma orgia de desmandos, abusos, prepotências, injustiças. E a culpa é toda nossa. Estivemos, estamos calados há tempo demais. São eles quem mais ordena. E quem mais ordenha esta vaca de tetas exaustas que somos todos nós.

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