16/11/13

os porcos que falam dizem que ...

... Portugal só não é a Irlanda por causa do Tribunal Constitucional e do PS.
Frase atribuída a Jean de La Fontaine

ainda há almoços grátis

Vítor Gaspar foi nomeado por Durão Barroso para um alto cargo na Comissão Europeia. Não remunerado, tiveram o cuidado de acrescentar para evitar as insinuações de "paga pelo serviço prestado". Já Miguel Relvas tinha sido indigitado para um cargo igualmente não pago. Apesar disso, teve dinheiro para levar mais de 200 convidados, das mais altas instâncias e da fina-flor lusitana, ao casamento. 

Devem estar a meter no prego as últimas jóias da família. Se assim não for, de onde lhes virá o carcanhol, a Gaspar e Relvas? Jogam na lotaria e ganham sempre, dados os conhecimentos financeiros de um e o domínio da arte da marosca por parte do outro?

Vejam quantos mais génios em embrião germinaram e cresceram com este governo: Poiares Maduro, Pedro Lomba, Carlos Moedas, Maria Luís Albuquerque, Helder Rosalino, Luís Campos Ferreira, Sérgio Monteiro, Nuno Crato, tantos, tantos e tão bons que será pecado desperdiçá-los. Quando este governo der o último suspiro, a bem dizer o peido-mestre, vai ser difícil arranjar cargos para todos. Mesmo à borla.

Sugiro que emigrem. Há, lá por fora, um mar de oportunidades onde poderão afogar as mágoas e afagar o ego. Os portugueses deram novos mundos ao mundo. Está na hora de serem os portugueses a darem-se, também eles, ao mundo. A título gratuito.

Somos poucos. Mas bons.

os heróis de rilhafoles

Tiago Petinga/Lusa/http://www.ionline.pt
Loucas, loucas, loucas andam as galinhas. E os galos também. E os galarotes. E os galifões. E os garnizés.

Ainda se fazem lobotomias? Ainda se aplicam choques eléctricos? Pelo menos, internem-se. No Limoeiro ou em Rilhafoles, tanto se me dá como se me deu. O que é preciso é arredá-los dos centros de decisão. O que é preciso é que não façam mais mossa. A loucura tomou conta do mundo e a epidemia alastrou-se a Portugal com toda a força. Deve ser das carnes gordas, do açúcar, das manteigas finas, dos enchidos, dos fumados, dos charutos, do excesso de Sol na moleirinha, das manias de grandeza. A riqueza acumulada deu-lhes a volta à cabeça. Deu-lhes cabo das meninges ou apanharam meningite. Querem mais, querem sempre mais. Mais dinheiro, mais poder, mais submissão aos seus interesses, mais pobres como sustentáculo das suas fortunas. Querem a ignomínia, a mentira, a avidez, a crueldade, a indiferença e, ah!, a caridade, como poderiam esquecer a caridade que tanto apazigua as suas consciências de gente de bem?

Devem estar loucos. São loucos. Se não há lobotomias, se não podem ser tratados a choques eléctricos, isolem-nos em Rilhafoles.

É pedir muito?

porque rir é o melhor remédio, porque é preciso rir para não chorar, porque hoje é sábado, porque sim

http://raim.blogspot.pt

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trabalhadores do mundo

Renan Rosa - Carregadora de pedras, Leh, Ladakh, Índia
Renan Rosa - Soldador, Phnom Penh, Camboja
Renan Rosa - Vendedeira de peixe, ilha de Moçambique
Renan Rosa - Trabalhador da Construção Civil, Banguecoque, Tailândia
Renan Rosa - Carregadora de farinha, Pemba, Moçambique





empreendedorismo para totós

Por José Teófilo Duarte

Pires de Lima quer que os putos aprendam empreendedorismo logo no ensino obrigatório. Está certo. Nunca percebi a razão de não haver formação para astronautas no pré-escolar. E um curso para fazer ministros em horário pós-laboral? Isso é que era.

o coração dos dedos

Por Baptista-Bastos

Ela começa a tocar e percebemos que os dedos dela possuem coração. Isso mesmo: coração. Dez dedos cheios de corações que nos estreitam, cruzam-se, trocam-se, que passam da identidade pessoal, do primado da intimidade para entrarem em outros corações. Nos nossos corações. Ela fala das secretas dimensões do indivíduo, revela as ocultas emoções dos homens, e sabemos, então, que fomos convidados para a cerimónia do que é sentido.

Maria João Pires, o universo de Maria João Pires tenta apreender as histórias dos homens, as relações subtis que os homens possuem com a sua época. O coração dos dedos de Maria João Pires faz estremecer o coração daqueles que arrumaram, na caixa das recordações, a infância, a beleza dos dias luminosos, a grandeza das batalhas dos homens. Os dedos dela remetem para essa humanidade comum, a medida dos afectos, a fraternidade dos compromissos que são as exigências prévias de todos os diálogos.

Ninguém pode viver sem música. Lopes-Graça chamava "a nossa companheira música" para definir os laços que ela sugere e implica. Mais do que outro alguém, Maria João Pires ilustra e justifica esse contrato entre os homens e os sons, entre a inquietação e a harmonia, entre a estética e a ética de que falava o grande compositor.

Quando a ouço, sobretudo nas horas em que me invade uma nefasta melancolia, sou sobressaltado para novas fraternidades, afinal sempre as mesmas. Coisas do coração. Coisas que deixam de ser princípios e emoções exclusivos para se transformarem - como dizer? - num convívio em que os corações, outros corações, nos dizem que a família está viva.

Quando Maria João Pires toca, ela não toca: interpreta, faz-nos ler a construção do nosso próprio imaginário, diz-nos, no silêncio povoado de sons, que a pertença do mundo é nossa, mesmo que o mundo nos negue tudo. Os dedos dela recusam a distância física com o lugar marcado, tornam poderoso o estado de conjunto, combatem a morte dos elos sociais.

Dez dedos cheios de corações, é o que é.

palavras gastas


Muito se escreve por estes dias. Palavras já gastas de tão ditas. Que isto assim não pode ser. Que Passos é isto e Cavaco aquilo. Que é uma vergonha o que fazem. Um roubo. Um assalto aos trabalhadores. Mas nada acontece. O estouro não se dá. Os mercados, o séquito de Frau Merkel com o Senhor Durão à cabeça de cabeça vergada pelo peso da submissão, a por estes tempos menos lembrada Madame Lagarde com os seus Dior e Chanel e sorrisos de sacrista, o Monsieur Hollande, símbolo da nulidade, nem carne nem peixe, nem fode nem sai de cima, todos eles e tantos outros não querem, não permitem que isto rebente. Nós rebentaremos. De angústia, pela miséria, pela tristeza que dão as esperanças goradas, os anseios traídos, os sonhos espezinhados, pela saudade dos nossos que partem. Mas eles, esses, os pulhas e os cretinos, os larápios e os fraudulentos, os donos do mundo e os seus comissários, serventuários e escriturários do deve e do haver, esses resistirão sem estourar, mais ricos uns, mais pusilânimes outros, menos seres e menos humanos todos.

Digam-me que estou enganado.

política coxa, cidadania amputada

Ivo Margarido (https://www.facebook.com/ivo.margarido) foi constituído arguido - é assim que se diz, não é? -, devido às intervenções que tem tentado fazer  desde as galerias do parlamento.

Democracia musculada? Ditadura mascarada? Que venha o diabo e escolha.

O Ivo incomoda Coelhos e Esteves, Amorins e Montenegros, os príncipes da Nação, incólumes e altaneiros nos seus cargos sem encargos a não ser o de espoliar o que resta à maior parte dos portugueses, fácil missão para gente de vida fácil.

Já muitos o têm dito e eu repito: isto vai acabar mal, muito mal.



o preço da desilusão

http://danielagnew.org
Por André Macedo

A primeira vez que estive com Vítor Gaspar foi dias antes de ele apresentar o seu primeiro Orçamento do Estado completo, o de 2012. A reunião, fechada, não uma conferência de imprensa, durou 45 minutos sem grande história quase até ao fim, já que os factos eram aqueles: Portugal tinha sido chutado dos mercados de dívida e forçado a recorrer à disciplina externa. Sabia-se que o ano que vinha aí seria mau, mas a convicção geral, fundada em nada a não ser na mais pura ignorância, era de que íamos corrigir os erros, começar a desalavancar (palavra maldita, ela e o seu contrário) e em três anos estaríamos de pé.

O que fazer na economia já em 2012 para acelerar esse metabolismo era a pergunta central, mas Gaspar não avançou nada naquele encontro. Não adiantou uma medida que fosse do Orçamento. Limitou-se a descrever "os buracos colossais" e, quase no fim, perguntou o que achávamos do que aí vinha. Espantou-me o convite descarado para uma espécie de sessão de male bonding sem imperiais e futebol, em que Sócrates seria o bombo da festa e o Governo, ainda engomado, a governanta, a precetora que nos iria corrigir.

Perguntar a jornalistas o que acham é como oferecer margaridas a um enxame de abelhas. Baixei a cabeça como os alunos cábulas e esperei que outros avançassem. Porque o fiz? Por desconfiança. Tudo aquilo me pareceu incómodo. Gaspar não dissera nada sobre o Orçamento para 2012, por que raio queria vincular-nos ao nada? Os outros seguiram em frente, passaram um cheque em branco ao ministro que veio do frio. Pediram rigor, exigiram dureza, mesmo sem saber do que estavam a falar. Ajoelharam-se no altar da austeridade e pediram outra reguada.

E Gaspar deu-a - iria dar de qualquer maneira. Foi além da troika e do que seria imaginável fazer. Foi brutal, imprudente, arrogante. Há ainda quem o confunda com coragem. Assumiu todas as dívidas, mesmo as que estavam fora do perímetro do Estado e não tinham a garantia da República (esta conta surda está por fazer, embora a ser paga). No fim, antes de desertar para o bunker do Banco de Portugal, deixou o desemprego em 18% e o resto do País armadilhado e atado. Levaremos anos a sair deste nó cego que ele deu sobre o outro que Sócrates deixou. Quem chega ao mercado de trabalho com níveis de desemprego assim está condenado a uma década de penúria e desvantagem. O atraso e o medo colam-se à pele.

Hoje a economia dá alguns sinais de vida, suspiros de tísico, mas o pulso é fraquinho. Chegados aqui, quando é cada vez mais difícil pôr o espetáculo na rua - trabalhar, vender, produzir, escrever, acreditar -, lembro-me de um soneto de António Nobre: "Amigos/ Que desgraça nascer em Portugal." Logo eu que faço parte da geração que acreditou no contrário. Quanto nos custará esta desilusão? Estará dentro do budget?

bye irlanda

Por Fernanda Mestrinho

E aqui estamos “orgulhosamente sós”. A Grécia era a peste, a Irlanda o exemplo. A marabunta guinchante já berra que a Irlanda se entendeu partidariamente e não teve Tribunal Constitucional. Primários…

Esquecem-se que a Irlanda tinha uma situação social (salário mínimo de 1400 euros, ouviram?) para uma almofada de cortes racionais. Ignoram que a Irlanda teve sempre um governo defensor do seu povo. E fala inglês.

Aqui, por incompetência e cegueira ideológica de pacotilha, quiseram sempre ir além da troika com a maioria de salários miseráveis e reformas obscenas. Tiveram o apoio de bastantes iluminados nas televisões, que acicatavam sempre e sempre para mais destruição de tudo o que eram serviços públicos. Vejo, agora, que o economista Cantiga Esteves preside à privatização dos CTT ou Vasco Rato pode ir para a Fundação Luso-Americana.

Estão eufóricos com a saída da “recessão técnica” deste trimestre. Se o Tribunal Constitucional não der uma ajuda, o país afunda-se no charco, ainda mais, no próximo ano. Há ano e meio que falo do consumo interno para ajudar o crescimento económico. Reformar o Estado dá trabalho, destruí-lo é fácil. O papelucho, finalmente conhecido, aponta para isso mesmo. 

Nesta altura dá vontade de repetir Kennedy “Ich bin irisch” e não estar sujeita a esta liquidatária comissão governamental.

15/11/13

unidos por uma causa comum

Mais uma vez, Soares está na berlinda. Convocou para 21 de Novembro, na Aula Magna, uma sessão em defesa da Constituição e do Estado Social. Vão lá estar muitos e, felizmente, dos mais variados sectores políticos. Apesar das diferenças, une-os a vontade de varrer Passos do poder e salvar Portugal e os portugueses desta gente sem alma nem razão.

A lista de presenças e apoiantes é impressionante: Carlos do Carmo, Rúben Carvalho, Adriano Moreira, D. Januário Torgal Ferreira, Helena Roseta, José Pacheco Pereira, Diogo Freitas do Amaral, Frei Bento Domingues, Marisa Matias, Alfredo Bruto da Costa, António Capucho, Boaventura de Sousa Santos, Pilar del Rio, António Sampaio da Nóvoa e Manuel Alegre, entre outros.

A História vai passar por ali. Não é todos os dias que podemos ver e ouvir, de uma assentada, gente do CDS, do PSD, do PS, do PCP e do BE, da Igreja e das Forças Armadas, da vida sindical e da cultura.

lisboa nasceu, pertinho do céu

Tyler Westcott


www.mariotraarphotography.com


Tomeyk


Nuno Trindade


Crismatos
Aires Santos


Marco Nunes


Michael Abid
Aires Santos

o vómito e a coisa


Vem na Visão desta semana, tudo contado, tintim por tintim, por um dos protagonistas.

Passos Coelho, sob a batuta do omnipresente Miguel Relvas, aliciou uma série de bloggers para o ajudar na ascensão a líder do PSD e a denegrir os seus opositores, dentro e fora do partido.

Os pormenores são muitos e dão náuseas. Um exemplo: enquanto primeiro-ministro, José Sócrates foi convidado para um fórum da TSF. Em conluio, vários elementos do estado-maior da desinformação criado por Relvas intervieram no fórum para tecer rasgados elogios a Sócrates e depois, nas redes sociais, criticar o "endeusamento" do primeiro-ministro, o culto da personalidade que, insinuou-se até, teria sido encomendado pelo próprio José Sócrates. Lembra-se deste episódio? Eu lembro-me. E, devo dizê-lo, caí que nem um patinho porque me recordo de eu próprio, na altura, ter largado cobras e lagartos contra o chefe de governo.

O entrevistado não diz tudo mas conta o suficiente para fazer regurgitar o mais forte dos aparelhos digestivos: conta como Passos chegou à chefia do partido através da descredibilização sistemática dos que se lhe opunham. Conta como criavam perfis falsos no facebook e no twitter com o intuito de tornar virais certas atoardas, a maior parte delas inventadas, contra Sócrates, Rangel, Ferreira Leite e outros (no artigo não se diz mas, estou em crer, a partir daqui se terão criado, e extrapolado, casos como o do Freeport).

Estão lá todos os nomes. Dos blogues. Dos bloggers. Alguns continuam activos. Outros, muitos, foram convidados para o governo e afins. Para o gabinete de Relvas, a secretaria de Estado da Cultura, o parlamento, o Instituto Camões, o ministério dos Negócios Estrangeiros, a AICEP, a comissão de extinção das freguesias.

É ler, meus amigos, é ler. E, depois de o fazerem, perguntem-se: como é possível termos tal criatura como primeiro-ministro? Como foi possível parir tal coisa, politicamente falando?

Com licença. Vou mesmo, e transcrevendo o Priberam para que o dito me saia mais fino, "arrojar com esforço pela boca as matérias contidas no estômago". Assim. Sem tirar nem pôr.

A entrevista:
http://aventadores.files.wordpress.com/2013/11/visc3a3o_entrevista-fms.pdf

natal é quando os bancos quiserem


Aí está o que é! Já corre na net uma petição sob o título "Ajuda Humanitária aos Banqueiros que Vão Passar um Natal Complicado".

Ao contrário da outra Espírito Santo, Ricardo Salgado não brinca aos pobrezinhos. É pobrezinho. Embuídos do mais puro espírito natalício, ajudemos os maltrapilhos da banca, os deserdados da sorte.

Assine. Se quiser.

oração ao divino espírito santo


Ricardo Salgado, o senhor do BES das múltiplas investigações criminais que, vá-se lá saber porquê, nunca chegam ao fim, queixou-se de que "os banqueiros vão passar um Natal complicado".

Oh tormento! Oh martírio! Estará porventura periclitante a saúde dos nobres e queridos meninos que nós ajudamos a enricar?

Será estrangúria? Furúnculos? Bicos-de-papagaio? Psoríase? Cefaleias? Diarreia? Ejaculação precoce? Cálculos renais? Vermes intestinais? Artrite reumatóide? Hemorróidas? Fissura anal?

Cá para mim, que não sou médico mas tenho um dedo que adivinha, sofrem todos de parasitose, a sarna dos devoradores de lucros e vidas.

Façamos uma quermesse, uma colecta, uma vaquinha, um sarau de beneficência a fim de lhes angariar dinheiro para os remédios. E, pela sua saúde, a deles, a financeira e a outra, oremos bois. Perdão. Pois.

Encomendemos as suas almas ao Espírito Santo, ao Deus-Dinheiro Todo Poderoso, ao Criador do Céu e da Riqueza Terrena. Ámen.

cristiano ronaldo: "não troco de camisola com assassinos"

http://streettelevirtuelle.wordpress.com
Sempre me fizeram fornicoques os alardes milionários de Ronaldo, os carros de Ronaldo, as casas de Ronaldo, as namoradas de Ronaldo, as fatiotas e os brincos de diamante de Ronaldo, que considerei, e considero, insultos à pobreza que grassa por este mundo cada vez mais trágico. Mas, devo confessá-lo agora, embora tardiamente, e dar a mão à palmatória também, que Ronaldo não é, afinal de contas, destituído de consciência ou cérebro.

Já tinha ouvido uns zunzuns de que Ronaldo tem apoiado, discretamente, a causa palestiniana. Mas Ronaldo foi mais longe. No fim de um jogo com Israel, recusou-se a trocar a sua camisola com um dos jogadores israelitas.

"Não troco a minha camisola com assassinos", disse à imprensa.

A notícia não é de agora, data de Abril passado e não teve a repercussão que, na comunicação social, costumam ter os outros feitos de Ronaldo. Mas venho a tempo, espero, de reparar uma injustiça.

Mais em:

a morte assistida da união europeia

http://eeas.europa.eu
Por Ana Sá Lopes

A Europa passou meses em suspenso por causa das eleições alemãs. O sonho de que as "coisas" iriam mudar atravessou as fronteiras do Sul fustigado. Se calhar a senhora Merkel não se mexia porque tinha uma campanha eleitoral para ganhar - e um novo partido eurocéptico para enfrentar. Mas as "coisas" iam mudar, tinham de mudar. Afinal o SPD tinha feito metade da campanha a criticar o excesso de austeridade que Merkel tinha imposto ao Sul.

A "grande coligação" ainda não está fechada, mas os dois partidos já estão de acordo sobre a política europeia. E o que nos diz esse acordo? Que vai ficar tudo na mesma. O SPD reduziu-se à sua insignificância: voltará a apoiar a política da bastonada. Não há eurobonds para ninguém nem garantias da união bancária.

Depois da falência do socialismo francês - e do desaparecimento de François Hollande do cargo de combatente da austeridade para o qual foi eleito - é a vez dos sociais-democratas europeus de levarem com mais um tijolo na cabeça. O SPD, um dos primeiros partidos socialistas europeus a converter-se à terceira via, não irá dar qualquer contributo para a resolução dos problemas estruturais da Europa e da arquitectura do euro. O Sul continuará entregue aos bichos e à ditadura de uma união monetária concebida para os mais fortes.

Estamos a viver uma espécie de fim dos tempos - embora muita gente finja ainda não ter dado por isso. Os dois partidos fundadores da União Europeia - os sociais-democratas e os democratas-cristãos - foram capturados pelos interesses financeiros, pelos negócios, pela miséria ideológica do individualismo selvagem. Na prática, socialistas e democratas-cristãos morreram e o que vemos à nossa frente é um velório prolongado. Nenhum europeu teve ainda a coragem de lhes fazer o enterro, mas é urgente fazer esse funeral e o luto subsequente. Mais vale desligar a máquina que continuar neste estado comatoso a fingir que ainda existem partidos social-democratas, valores social-democratas ou democratas-cristãos.

O que sabemos que existe, neste momento, é uma extrema-direita a crescer e a organizar-se. Marine Le Pen deverá ganhar as eleições europeias em França e já prepara activamente uma aliança com os extremistas da Holanda, com a Liga Norte e com outras companhias do género. Estes senhores têm um programa, sociais-democratas e democratas-cristãos não têm nenhum. As coisas não vão correr bem.

14/11/13

ah, a cultura é para os estúpidos!



O povo precisa é de trabalhar, não de cultura. Sem instrução, sem cultura, qualquer um se deixa enganar facilmente, se manobra melhor. Este é o governo da nossa vergonha. O pior que Portugal já teve de 1974 até hoje. Quando cair, vou dançar pela noite fora.

conto exemplar: o coelho laranjinha

http://www.123rf.com
Era uma vez uma vaca e um burro que encontraram, no meio de um verdejante bosque, um lindo coelhinho cor de laranja. Estava perdido, o pobre, sem saber o que fazer da vida, tonto e tremeliques. A vaca e o burro decidiram adoptá-lo e deram-lhe o nome de Laranjinha. Alimentaram-no com as melhores cenouras. Mandaram-no para a escola, embora sem grandes resultados. Vestiram-lhe fatinhos de capa de revista. O Laranjinha ia ser alguém, oh se ia!

Consta porém que, ao crescer, o Laranjinha se tornou muito mau, tão mau, mas tão mau que comeu as papas na cabeça da vaca e, ao burro, mandou-o para o talho cortado às postas para ser vendido como cavalo. Caridoso, quis dar de comer aos pobrezinhos.

Entre truques e intrigas, algumas mentiras também, que nisso a rês é ás, o Coelho Laranjinha conseguiu ser alguém na vida. Ficou a mandar na pocilga, no curral e, o seu habitat natural, na coelheira.

Moral da história: nunca adoptes um coelho. Mata-o e come-o.

doença terminal

http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

tapem as vergonhas, vêm aí os iranianos!

Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

A fachada do Palácio das Nações Unidas, em Genebra, está decorada com um baixo-relevo representando a criação do Homem, uma obra do escultor britânico Eric Gill. Durante uma ronda de negociações para debater a questão nuclear, entre uma delegação iraniana e os membros permanentes do Conselho de Segurança, a fachada esteve coberta com um gigantesco lençol branco, não fosse os delegados iranianos ficarem chocados com aquilo que, presumivelmente, os elementos masculinos da delegação também possuirão caso não tenham sido, entretanto, capados em nome de Alá, Maomé ou lá o que é.

Por falar em verga: assim se verga o Ocidente, calando práticas, nomeadamente contra as mulheres, mais do que condenáveis. Abomináveis.

Se calhar os capados somos nós.

velhote e rabitezo

Nunca calcorreei as mesmas capelinhas do Dr. Mário Soares nem usei da mesma água-benta. Mas, devo dizer, e perdoe-me quem não pode com ele nem pintado, o homem é como o vinho do Porto, quanto mais velhote, melhor. Não sei se sofre da mesma síndroma que o Frei Tomás - façam o que ele diz e não o que ele faz - mas o que ele diz tem, bastas vezes, o meu acordo.

Vou mais longe: vitupera o governo, os governos da Europa, que apelida de extrema-direita, com mais vigor do que outros ditos mais à esquerda ou, se se quiser, da verdadeira esquerda.

Continue, Dr. Soares. É de si, assim velhote e rabitezo, que a gente gosta mais. De si e de homens que, sendo de direita, são gente de envergadura moral e intelectual, o que não acontece com a maioria dos seus correlegionários. Falo de homens como Adriano Moreira, Pacheco Pereira, António Capucho, cuja integridade não pode ser posta em causa. Não visitamos as mesmas capelinhas, já o disse, mas partilhamos todos de uma crença: com o senhor dos Passos, a procissão não sai do adro e a matança dos inocentes é mais do que certa.

Todos queremos que Passos vá para o inferno. Ou para casa do diabo mais velho.

13/11/13

brincar às revoluções

Isto só lá vai a tiro!

Esta é uma das expressões mais usadas pelos facebooks da desvairada modernidade que nos angustia os dias e depaupera a carteira. E quem o diz, que isto só lá vai com dois ou três balázios nos cornos de algum filho desta e daquela, também afirma que não alinha em manifestações ou greves, mero folclore da esquerda bem comportada, também estes filhos do sistema.

Se for para a pancadaria, se for para pôr isto direito de uma vez por todas, aí sim, contem comigo, publicitam eles com a bravura dos grandes heróis. Assim a modos como aqueles galifões que, em pleno arraial de porrada, prendem as mãos às saias da mulher e berram, sem sair do sítio, agarrem-me que eu vou-me a ele!

Por isso, salvo raras e honradíssimas excepções, ficam em casa durante as manifestações, de cu no sofá, bejeca nas mãos e olhos postos na carinha laroca da cantora pimba, no corpaço da vedeta fabricada por um qualquer big brother, nos golos dos génios da bola.

Revolucionários de feira: vai um tirinho? Ou estão a falar a sério? É que, se estão a falar a sério, já cá não está quem falou.

pernas para que te quero!

Gravosa heresia esta: Tina Turner deu de frosques, renunciou à cidadania norte-americana, naturalizou-se suíça. Os americanos devem estar fora de si. Como será possível alguém abdicar da melhor nacionalidade do mundo, da honra de pertencer ao país garante da democracia, da paz mundial, do progresso económico? 

A Tina não atina. Espero, ao menos, que continue flausina nos seus 70 e picos. 


no monturo, este em que vivemos, ainda há coisas boas (2)

Há uma exposição, na Gulbenkian, com obras de Amadeo de Souza-Cardoso (Centro de Arte Moderna). É ir lá, para lavar os olhos e esquecer, por largos minutos ou, se quiser, horas, as agruras que pairam sobre nós, má sorte e maldição. Não é de graça, mas vale todos os cêntimos da entrada.