retrato do grande líder

É um revolucionário. Tem o arrojo, a tenacidade, o voluntarismo dos grandes homens. Eleito, tal como Hitler, através de eleições ditas livres, julga-se um predestinado, o D. Sebastião reencontrado. Desconfia-se que os outros, Adolfo e Sebastião, não teriam os alqueires bem medidos. Deste, só o tempo o dirá, o tempo que quase tudo esclarece, mesmo os mais recônditos segredos. Subiu ao poder prenhe de ambição, a de mudar a face de Portugal, de reeducar os portugueses, torná-los mais produtivos, mais pobres e bem agradecidos. É um Salazar revisto e actualizado 83 anos depois do outro. É um pequeno tiranete que não consegue impor a ditadura por falta de aliados militares e por falta de apoio internacional, os golpes, agora, fazem-se sob uma hipócrita capa de pretensa democracia. Só por isso. Por vontade dele, domesticava-nos, transformava-nos no Homem Novo saído de um qualquer Mein Kampf lido e assimilado à pressa. Sonha entregar Portugal - e nós todos, os que por cá andamos em apagada e vil tristeza - ao capital estrangeiro, fazer de nós uma pequena China a fervilhar de pessoal barato, sem sindicatos, sem greves, sem revoltas. Sonha fazer do Rossio a sua Tiananmen. Sonha com uma revolução cultural que acabe com o teatro, o cinema, a música, a literatura do reviralho, palavra que volta a estar em voga. Sonha com um país novo, de ricos cada vez mais ricos e de uma longa marcha de pobres a caminho do trabalho de Sol a Sol por uns míseros tostões.

Longa vida ao grande líder. 

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