20/12/14

judite de sousa ao estilo moura guedes


Parecia a Manelita. Fez-me lembrar a célebre entrevista a Lorenzo Carvalho. As insinuações sucediam-se sabendo que João Araújo, o advogado de Sócrates, estava limitado na sua liberdade de expressão. Algumas vezes, nem sequer lhe dando tempo para responder, elas, as insinuações, ficaram a pairar no ar, qual fumaça envenenada a seguir o seu caminho. Judite de Sousa devia chamar a Manelita de volta à TVI. Iam dar-se bem, trouxa com trouxa, mau jornalismo ao serviço dos donos disto tudo, venham eles de Angola ou da China. Vassalos, lacaios, mordomos, sopeiras, criadas para todo o serviço e um motorista quiçá comprado. Pernas para que te quero, que este país está de fugir!

paulo portas com mandado de captura

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt/

Eu explico tintins por tintins, antes que 9 milhões de portugueses, para mais e não para menos, saiam para a rua a buzinar de incontida felicidade: um grupo chamado Round-Op Alpha publicou uma lista das 741 personalidades que, no seu entender, tentam estabelecer um governo mundial, ditatorial está bom de ver. Paulo Portas encontra-se na lista negra e sobre ele pende um "mandado de captura" sob a acusação de crimes contra a humanidade.

Cá para mim, já bastaria que fosse acusado - com outros, com muitos outros - de extorsão e roubo de pensões e salários. Com condenação a preceito, fominha de rabo seco durante 4 anos, tantos quantos, ao que parece e para mal dos nossos pecados, vai aguentar no governo. Quatro anos menos umas horas, tantas quantas durou a sua demissão irrevogável.

O "mandado de captura":
http://roundopalpha.files.wordpress.com/2014/04/portas-paulo-notice-of-arrest.pdf

A lista negra:
http://roundopalpha.wordpress.com/list-r-oa2014/

E um vídeo do grupo:



19/12/14

"numa democracia não deviam existir greves"


Frase ouvida hoje num dos programas televisivos de opinião pública, decerto por um adepto de um Estado novinho em folha, remoçado a tiro e bastonada.

a desenvolvida musculatura da democracia portuguesa

Continuo na minha e daqui não saio nem daqui alguém me tira: estamos na merda, desculpem lá o vocábulo mas poucos ou nenhuns se lhe comparam.

Estamos na merda. O governo, ao que tudo indica ilegalmente, decreta a requisição civil dos trabalhadores da TAP. Coelho, Lima e o magriço secretário de Estado dos Transportes, de quem não me lembra o nome nem isso interessa porque é criatura que não vai ficar na História, exibem os admiráveis músculos e os desenvolvidos peitorais perante um país de cócoras.

Estamos na merda. Nunca tantos casos de polícia, a grande maioria (repito: a grande maioria) ligados a gente do PSD, vieram a lume. Sentimos que fomos governados por bandidos e bandalhos e duvido muito que o fenómeno seja d'outrora.

Estamos na merda. Ontem o Sr. Perna, motorista de Sócrates, pediu para ser ouvido pelo douto juiz. Hoje, foi-lhe concedida prisão domiciliária em vez de preventiva. Que terá dito ou prometido dizer em tribunal para que a benevolência natalícia lhe tivesse calhado no sapatinho? Por outro lado, Sócrates está impedido de se defender publicamente e até o seu advogado se tornou numa sombra daquilo que era há coisa de dias, não diz nada, não pode dizer nada, ai o segredo de justiça, ai a Ordem que o mete na ordem, ai a democracia de merda, ai a merda desta "democracia".

18/12/14

submersos pela merdalha


Vamos lá ver se nos entendemos: o Correio da Manhã, de consabida manha, diz que Sócrates tentou escapar à prisão; o Público, por sua vez, afirma que a mesma pessoa, e não outro Sócrates, ou Aristóteles, ou Platão, terá pedido para ser ouvido muitas horas antes de ser preso.

Cada jornal diz o que quer, no dia seguinte à notícia do arquivamento do processo dos submarinos. E entretanto deixou de se ouvir falar na Tecnoforma, no BPN, nos Vistos Gold, em Duarte Lima, em Luís Filipe Meneses e em todos os outros enredos e personagens desta ópera-bufa que fede e nos lixa, aos mexilhões tão na moda.

Escapa o BES. Talvez porque se venha a descobrir, é a esperança que resta quando não restam pudor nem escrúpulos, que Ricardo Salgado namoriscava com Sócrates num recanto escuso ali à avenida da Liberdade, recebendo do governo de então encomendas e benesses. Ou por rancor à sagrada família por parte de quem nasceu remediado por terras coimbrãs. 

Depois não digam que já não há lutas de classes. Pelo menos das classes baixas, os multimilionários e os aspirantes ressabiados à fortuna, ao estrelato, ao peculato, há uma luta intestina que tresanda a merda e a merdalha. 

17/12/14

e assim vai morrendo Abril

Lusa
Salgueiro Maia. Melo Antunes. Vasco Gonçalves. Vítor Crespo. Há quem goste mais de uns do que de outros. Mas ninguém pode deixar de respeitá-los. A todos. Quanto mais não seja pela sua honradez, digna de nota num país a saque, assaltado por casos de Justiça mal resolvidos ou nunca resolvidos, tantos prescritos.

Hoje, morreu Vítor Crespo. Choro por ele, por Abril, por Portugal.

os proscritos prescritos


Vão abrir-se as Portas à impunidade, não sei se estão a ver onde quero chegar mas, agora que vivemos em fascismo requentado, todo o cuidado com as palavras é pouco e é aconselhável. Ao que parece, o caso dos submarinos vai prescrever. Se isto não o indigna, caro leitor ou leitora, saiba que está a pagar os milhões desviados em luvas, tal como está a pagar as fraudes no BPN e os demais cambalachos de que nunca se chegará a saber. A culpa em Portugal não morre solteira. Morre fornicada por todos os corruptos que andam à solta ou dão à sola.

Pobre e podre, prescreva-se o País também.

da troika com amor

Rodrigo Cabrita
Bruno Simões Castanheira

Pedro Neves
Bruno Simões Castanheira
Projecto Troika. Também em livro e numa exposição na Fábrica de Braço de Prata.

por um punhado de dólares

Alex Falco Chang/http://www.cartoonmovement.com/

a puta que os pariu

«(...) privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago, in Cadernos de Lanzarote – Diário III

matemo-nos uns aos outros

Mães paquistanesas choram os seus filhos.
Há uma guerra declarada entre o Putin russo e o Obama americano, o do Nobel da Paz para quem a União Europeia tem desempenhado o papel de fiel meretriz, "lambeculófila" num dizer castiço que ouvi há anos e não esqueci. Jeb Bush, irmão de outro Bush de triste memória, já se põe em bicos de pés para chegar a presidente, mais merda para o monturo que empesta o grande império. Os talibãs assassinaram hoje mais de 130 crianças no Paquistão, sem qualquer sentimento humano a guiá-los, a demovê-los. Há genocídios no Iraque, na Palestina, na Síria. O neoliberalismo expande-se e mata. "Esta economia mata", disse um homem que, por esta altura, deve ter a cabeça a prémio. Os mais ricos enriquecem milhões a cada dia que passa. Milhares de crianças morrem todos os dias à fome. Milhares de refugiados morrem a tentar escapar da miséria. Os bancos, os mercados, a altíssima e grandessíssima finança domina governos, dita leis, explora e espolia a seu bel-prazer.

Matamo-nos uns aos outros. Por dinheiro. Por petróleo. Pela religião. Por egoísmo. Por individualismo. Por ignorância. Por estupidez. Por cupidez. Por tudo e por nada. De nada valemos aos olhos dos senhores do mundo. Somos os novos escravos de um novo capitalismo, mais feroz, mais rapace, mais desprezível do que nunca.

Somos carne para canhão. E eles já se ouvem ao longe.

16/12/14

mr. pires de lima: try another plan


A greve da TAP. Vamos lá à greve da TAP. Se acho bem? Acho. Mais importante do que o Natal, o Ano Novo, a reunião das famílias, que respeito, está a defesa da última jóia da coroa. É falso dizer-se que esta greve vai dar cabo da reputação da TAP. Soube o que era a reputação da TAP desde que, há muitos anos, ouvi um amigo holandês dizer: T.A.P., TRY ANOTHER PLANE.

Devo dizer que não concordo. Gosto da TAP. Gosto de viajar na TAP, apesar dos constantes atrasos que me fizeram perder voos de ligação e pernoitar, deprimentemente, em hotéis de aeroporto à espera da próxima oportunidade de regresso a Lisboa. 

Mas também não concordo, verdade seja dita, com os senhores do governo e os seus apaniguados alojados, com carácter de permanência, na comunicação social. Muitas companhias aéreas fazem greve. Os trabalhadores da Lufthansa fizeram-na há bem pouco tempo. E não é por isso que deixa de ser uma companhia reputada.

Repito: salvar a TAP da ganância dos mercados e da cegueira governamental justifica (quase) todos os meios. Basta de brandos costumes. De nacional porreirismo.

e a peste negra, e a malária, e o tifo, e a tuberculose, e os bicos de papagaio, e a tosse convulsa, e as bexigas doidas


15/12/14

onde está pedro?

Diz-se que Pedro já não vive em Massamá, mas que também não terá levado a família para São Bento. Onde estará? Diga-nos, se souber. É do interesse público. Queremos saber até que ponto empobreceu.

 

como se ganham eleições em 10 lições





Os socialistas deixaram o país num estado lastimoso. Nós sim, vamos dar a volta a isto. Sem aumentar impostos, sem despedimentos, sem cortar na Educação ou na Saúde. Nós sim, sabemos governar. Nós sim, temos a confiança dos verdadeiros donos disto tudo, os que mandam no FMI ou na senhora Merkel que, por sua vez, mandam em nós. E nós, porque queremos voar mais alto, queremos mais que Durão Barroso na UE ou Vítor Gaspar no FMI, iremos mais longe do que a troika, espoliaremos os portugueses, faremos de Portugal um oásis para os investidores, venderemos retalhos do País a Angola e à China, tudo faremos para que este país de piegas entre nos eixos e seja, definitivamente, o sonho de qualquer capitalista, com mão-de-obra barata e despedimentos facilitados. Tenho 4 anos para fazer isto e é isto que vou fazer. Que se lixem as eleições. Que se lixe o mexilhão, a sardinha, a chaputa e o rodovalho, que vão todos para o trabalho. Para mim, venha a lagosta. Pouco suada.


voando sobre um ninho de cucos



Por Tomás Vasques
http://www.ionline.pt/

A nossa mais antiga instituição bancária - o BES -, que nasceu na Calçada do Combro, no século XIX, na mesma altura em que, ali, nas imediações, Antero de Quental se debruçava, no Casino Lisbonense, sobre as Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, morreu subitamente nos primeiros dias de Agosto deste ano. Apesar da provecta idade, até ao último dia poucos esperavam tal desfecho.

Como se lembram, dias antes, o senhor Presidente da República, nos confins do mundo, na Coreia do Sul, tranquilizou a família, os amigos e demais interessados. Com ar circunspecto, disse: "Os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa." Sublinho: "podem confiar, mesmo na situação mais adversa."

Também o senhor primeiro-ministro, na mesma altura, garantiu aos portugueses: "Não há nenhuma razão que aponte para que haja uma necessidade de intervenção do Estado num banco que tem capitais próprios sólidos, que apresenta uma margem confortável para fazer face a todas as contingências, mesmo que elas se revelem absolutamente adversas, o que não acontecerá com certeza."

Afinal, "o podem confiar" e "o que não acontecerá" aconteceu. Dias depois, facto insólito, Marques Mendes, o porta-voz disto tudo, anunciava que o BES se finara. No dia seguinte, o governador do Banco de Portugal confirmou oficialmente o óbito. Nessa noite, amortalharam o corpo do Espírito Santo num lençol branco, supostamente novo, debruado com borboletas, e cobriram as palavras dos mais altos dignatários da Nação de ridículo, senão mesmo com um "manto diáfano" de perversão.

Perante a morte inesperada, instalou-se a dúvida: uns dizem que o óbito foi consequência de doença prolongada, obra exclusiva do Espírito Santo, principalmente o Ricardo; outros, não negando a doença, dizem que BES teria salvação se não fosse a pressa do primeiro-ministro e do governador do Banco de Portugal em enforcarem o doente.

Para que a dúvida seja esclarecida, de modo a não dilatar a dor que nos sobrevier no momento em que tivermos de pagar o enterro, o parlamento decidiu constituir uma comissão de inquérito para "apurar a verdade". Despudoradamente intrometido, o primeiro-ministro indicou aos "seus" deputados o caminho para a "verdade". Disse: "Concentrem-se no Espírito Santo." Ora, este é exactamente o caminho oposto ao que devia ser seguido. O que está em causa é a avaliação do comportamento do poder político e do governador do Banco de Portugal neste processo desde meados de 2013 e, sobretudo, entre as declarações de Cavaco Silva e Passos Coelho e o anúncio da morte. Devia ser essa a competência de uma comissão de inquérito parlamentar. O resto, se for o caso, é assunto da competência dos tribunais.

Nesta missa do sétimo dia, mereceu inusitado destaque, a semana passada, a audição circense a Ricardo Salgado. Durante mais de dez horas, o antigo banqueiro-mor passeou-se entre as perguntas dos deputados, como faca em manteiga derretida. O esforço de alguns deputados não chega para desfazer a intenção da maioria: despachar o assunto com um relatório final cheio de conclusões que nada esclarecem quanto ao essencial.

As razões da morte súbita do BES, no tempo e nas circunstâncias que conhecemos, ficarão eternamente por esclarecer, na medida em que o que está por detrás das cortinas só pode ser esclarecido pelo governo de Angola, pelo primeiro-ministro e ministra das Finanças e por Durão Barroso. O resto não passa de tricas no seio da família Espírito Santo sobre boa e má gestão, as quais não deviam merecer a atenção do Parlamento.

um esforçado servidor da china

http://expresso.sapo.pt/
E quem diz da China, diz de Angola, da Rússia, da Guiné Equatorial, do Dubai, das grandes democracias que, gulosamente, nos contemplam. Com estes países fazemos negócio, vendemos empresas, estilhaçamos património. Se houver Justiça, e acredito que algum dia existirá alguma coisa digna desse nome, muitos terão que ser julgados por traição à Pátria.  Mas, enquanto o juízo final não chega, vamos sendo delapidados, trucidados por uma máquina devoradora e impiedosa, comandada pelas hostes deslumbradas do PSD e do CDS. Não foi para isto que se fez Abril.

marcelo apatetou?


Pois. Se Sócrates roubou, então roubou. Se Sócrates corrompeu, então corrompeu. Se Sócrates fugiu ao fisco, então fugiu ao fisco.

Foi mais ou menos assim que Marcelo se expressou hoje, no telejornal da TVI.

Atoleimou. Só pode.

14/12/14

a ingratidão é uma coisa muito feia

Os vereadores da Câmara de Lisboa afectos (infectos?) ao CDS votaram contra a entrega da chave de honra da cidade a Mário Soares.

Jesus, que ingratidão! Os vereadores do CDS, talvez de tenra idade ainda, não sabem nem nunca lhes foi dito que Mário Soares se opôs à "deriva comunista" dos idos de 74 e 75, para gáudio das gentes da direita que, lembro, acorreram em massa à Alameda para aclamar o grande obreiro da "democracia" em que, tontamente, vegetamos.

Tomara eu que Soares fosse mais novo e que, em vez de nos convocar para a Aula Magna, nos chamasse à Alameda para uma enchente que ajudasse a empurrar Passos da cadeira do poder. Então sim, Soares seria fixe!