22/09/12

digo olhos nos olhos: o nosso país não é corrupto, os nossos políticos não são corruptos, os nossos dirigentes não são corruptos


Os bons serviços pagam-se. Depois de afirmar, na Universidade de Verão do PSD, que em Portugal não existe corrupção, Cândida Almeida é a mais provável sucessora de Pinto Monteiro na Procuradoria-Geral da República. Perdeu-se a vergonha de vez. A corrupção também está nas mentalidades, nos esquemas, na troca de favorzinhos. Como tal, e espero que a novel Procuradora-Geral não me leve a mal, tenho que lhe dizer isto: há um foco de corrupção em si. Trate-se, antes que seja tarde. O povo português não merece mais provações. Chega!

vou onde for preciso

Estive na Praça de Espanha, estive em Belém, vou estar no Terreiro do Paço. Vou onde for preciso. Porque, se a TSU caiu - e será que caiu mesmo? - Passos, Gaspar e demais membros da quadrilha descobrirão outras formas de nos roubar. Eles já provaram que não têm escrúpulos nem vergonha. Que a sua rapacidade não tem limites. A sua desumanidade. Por isso, vou estar onde for preciso. Até que caiam. Até que a morte deste governo, que espero não seja leve, os leve desta para pior. Nós, por cá, ficaremos melhor. 

Vou, vou sim. E noutras estarei. Antes rouco que louco de angústia por um país à beira do precipício. Vou a todas. Vou onde for preciso. Porque não quero ser escravo nem ver nenhum escravo à minha volta. Pelo direito ao trabalho, à diversão, à cultura, à vida. Para que Passos, Gaspar e demais membros da quadrilha não sigam impunes, cantando e rindo, na sua missão de nos transformar num novo terceiro mundo. Uma colónia de mão-de-obra barata. Amedrontada. Faminta. Submissa. 

Sim, vou lá estar, vou estar em todas. Vou onde for preciso.


a esperança nunca morre

Não sei a idade destas senhoras. 80 e muitos? 90 anos? Não sei. Mas sei que estiveram ontem em Belém. Querem deixar um país melhor aos seus filhos, netos, se calhar bisnetos. Tudo aquilo a que não tiveram direito, elas que conheceram a ditadura, as privações, o medo do futuro. Sabem, melhor do que ninguém, que as privações e o medo estão a voltar. E sabem, a vida ensinou-as, que há muitas formas de ditadura. Têm, minhas senhoras, a minha gratidão. Voltem sempre.



à porta de portas, reconciliação fatal


os comentadores, tão engraçados, dizem mentiras com mil cuidados

Ontem, no rescaldo da manifestação em Belém, andei num zapping desenfreado pelos canais de notícias, onde os comentadores de serviço, e para todo o serviço, opinavam sobre os acontecimentos dentro e fora do palácio. Muitos deles, embora dizendo cobras e lagartos do governo - é preciso irmos para onde sopra o vento e o vento não sopra de feição aos rapazolas de Passos Coelho -, acrescentavam que todos os que criticam as políticas do governo não apresentam alternativas. Por outras palavras, subentendia-se, não há outro remédio a não ser o de levar com a austeridade na fronha. Pagar e não bufar. Mas há alternativas. Claro que há. Até Rajoy, Monti ou Samaras sabem que elas existem. E, que eu saiba, não são anarquistas façanhudos nem perigosos esquerdistas. O povo não pára de sugerir alternativas. Hollande já adoptou outras alternativas. Economistas aventam alternativas. Políticos adiantam alternativas. Mas para estes senhores comentadores, secundando os ditos por não ditos do governo e da sua pandilha parlamentar, repetem à saciedade que ninguém apresenta alternativas à sua genial governação. Uma mentira colossal a juntar a outra mentira colossal, a de que andámos a viver acima das nossas possibilidades. 


ontem em belém, imagens de inaudita violência

As guerras, os homicídios, a desgraça vendem jornais e conquistam audiências. Por isso, há que exibi-las como quem enche montras de doces coloridos para atrair a criançada. É por isso mais do que certo que são os desacatos, poucos, de ontem à noite em frente do palácio de Cavaco que vão ocupar as emissões, as primeiras páginas dos jornais. Como contraponto, deixo-vos aqui o outro lado da história. Esta sim representativa do sentir das gentes, serenas mas com a força que a razão lhes dá. E a indignação.


e eu não disse que a reunião do conselho de estado ia valer isto?


ai sim, amorim?








21/09/12

os dependentes do Estado

Mitt Romney, como Isabel Jonet por cá, e quem diz Isabel Jonet diz Passos Coelho, Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos, condenam os que vivem à conta do Estado, os desempregados, os pobres, os doentes, os reformados. À conta do Estado vivem os ricos, isso sim, através das parcerias ruinosas e outras negociatas de bastidores. Mas vamos ao que interessa, a este vídeo do sempre acutilante Jon Stewart. Que nunca lhe calem a voz.



The Daily Show with Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Chaos on Bulls**t Mountain - The Entitlement Society
www.thedailyshow.com
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o natal é quando um homem quiser

Hoje, vou para Belém. Não vou matar o peru nem atacar o presépio que dá guarida a vacas, burros, à Maria e ao seu ai-jesus, o menino dos seus olhos, o coelhinho que vai com o pai Natal ao circo, o circo da política reles, dos palhaços torpes, dos malabaristas de tribuna, dos mágicos de papelão, dos domadores de um povo que se assanha, esbraceja, riposta. Vou lá estar em família, com a minha família, os indignados, os insatisfeitos, os revoltados, os resistentes. Todos.




mas o álvaro não vai estar lá

tão ladrão é o que vai às hortas, como aquele que fica às portas

Ainda esta manhã, em plena Assembleia da República, se viu o afã, a veneração, o ardor com que os deputados do CDS defendiam Passos Coelho. A queda do país é da responsabilidade dos dois partidos, das facções de direita radical do PSD e de todo, todo o CDS. As divergências são fogo fátuo, uma tentativa de manter os resultados eleitorais e, se possível, conquistar votos ao PSD. Até acredito, piamente, que eleitores do CDS (lembremos Freitas do Amaral e Adriano Moreira) não esqueçam os seus princípios democrata-cristãos. Não é o caso de Portas e da sua camarilha. Os seus princípios são outros: poder e dinheiro. Os cristãos, esses, que sejam atirados aos leões.

a nossa maria antonieta


belém não vale um cavaco


Andam por aí a dizer que hoje é que é, que o Conselho de Estado vai destituir o governo e promover (e aqui as opiniões dividem-se) ou novas eleições ou um governo de iniciativa presidencial. Desenganem-se, que já são crescidinhos. Primeiro, porque o Conselho de Estado é constituído, na sua grande maioria, por gente do regime, agarrada aos seus tachos e prebendas. Depois, porque o presidente da República é quem decide, não o Conselho do Estado. E o Presidente da República já deu provas bastantes da sua inutilidade. É uma espécie de Portas. Pela frente, critica as medidas. Pelas costas, apoia-as. É desta opinião e da contrária se preciso for. Agarra-se ao poder como o náufrago se agarra ao bote de salvação. Mesmo que, para não ir ao fundo, tenha que empurrar outros para o mar, para os tubarões. O presidente da República é o que é. Nada. Ninguém. Um zero à esquerda e à direita. Uma figura que nem sequer decorativa é. Belém, o palácio, ficou mais feio.

Eu vou esta tarde para Belém. Ai pois vou. Mas não estou à espera de milagres. O mais que me pode acontecer é ver os conselheiros a passar nos seus carros de luxo. Enquanto o lixo, cá fora, protesta e desespera.

isto não vai ficar por aqui ou, como diria o primeiro, esta história não acaba assim


A TSU é má e vai ter que ser abandonada? Pois vai, mas esperem pela pancada. Fiquem muito atentos às carteiras, ao bolsos, ao dinheiro que têm no banco ou debaixo dos colchões, se é que ainda vos sobra algum. Se têm trabalho, olhem muito bem para os vossos recibos de ordenado, esmiúcem todas as parcelas, uma a uma. Analisem o valor de cada compra que façam, cada pagamento que efectuem ao Estado. Eles não se vão ficar por aqui. Seja em impostos, custos directos, salários, taxas, emolumentos, multas, pagamentos por conta, seja no que for, eles hão-de vir-nos buscar o seu rico dinheirinho, cêntimo por cêntimo, o dinheiro que lhes devemos, que é deles. 

passos e portas, o amor acabou


Por Tiago Mesquita

A relação entre Pedro e Paulo há muito que esfriou. O amor incondicional em torno de um objectivo comum, a salvação do reino, tornou-se numa relação de interesses que sustenta uma esfrangalhada coligação. De um lado Pedro, cada vez mais austero, intransponível, quase ditatorial, arrasando a necessidade de afirmação dos valores tradicionais que Paulo adora defender aos quatros ventos nas aldeias, feiras, tabernas e lagares cá do burgo.

Paulo adora a opinião própria para além da negociada, viajar, trajar bem e dar uma de patriota quando a coisa dá para o torto, mesmo que a culpa devesse ser partilhada e as "malfeitorias" sejam delineadas com o seu aval. Odeia ser ultrapassado, detesta que falem em nome dele (principalmente quando as noticias são más e lhe afectam a imagem imaculada) e não suporta a forma absorvente e obsessiva de Pedro em relação ao que os uniu (leia-se o PSD a aniquilar o CDS - que não é mais do que um apêndice hoje em dia). Pedro e Paulo são um para o outro uma espécie de mal necessário. Vivem sob o mesmo tecto mas dormem em quartos separados.

Mas a verdade é que no fundo dá um jeito tremendo a Paulo que seja sempre Pedro a fazer o papel de mau da fita, aliás consegue sair quase sempre ileso das relações, das quais se tenta desligar descaradamente. Pior, faz birra perante novas medidas anunciadas que afectem os cidadãos e reúne as tropas, deixando Pedro aos lobos. Qual primadonna, adora dramatizar e usar frases como "sentido de estado" e "atitude patriótica", sempre com o ar solene de quem está imbuído de um "espírito de missão" que ultrapassa meros interesses pessoais. Pedro sabe pouco e Paulo sabe muito.

Resumindo: esta coligação morreu como morrem muitas relações. Não vai lá com almoços à luz das velas, lanches, reuniões familiares ou partidárias. Sugiro aconselhamento matrimonial para o casal e em último caso o divórcio. Mas fica o aviso, tratem disso rápido, porque já a partir do próximo mês "os divórcios, que integram a partilha e registo de património conjugal, sobem para 625 euros, mais 75 euros do que anteriormente." Negócios Online

Agradeçam ao padrinho, o tio Gaspar. 

a coligação coordena-se


20/09/12

como os políticos enriquecem em portugal


Há um pequeno livro, chamado “COMO OS POLÍTICOS ENRIQUECEM EM PORTUGAL“, do jornalista António Sérgio Azenha, que, tal como apareceu nas livrarias, desapareceu em poucas semanas. Era bom que todos os portugueses lhe pudessem ter acesso. Neste livro fica bem patente (até porque os rendimentos dos antigos ministros e secretários de Estado são, por imposição legal, dados públicos registados no Tribunal Constitucional, não sendo portanto matéria passível de especulação ou manipulação), que os políticos vêem multiplicar, por vezes exponencialmente, os seus proventos, graças à sua passagem pelo governo. 

Refira-se, a título de exemplo, alguns casos paradigmáticos abordados ao longo do livro: 

- Manuel Dias Loureiro, ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva até Outubro de 1995, apenas tem quatro declarações de património e rendimentos registadas no Tribunal Constitucional. Ainda assim, é possível apurar que, enquanto os seus rendimentos eram de € 65.010 em 1994, esse valor passa para € 861.366 em 2001;

- Joaquim Pina Moura, ex-ministro das Finanças e da Economia de António Guterres, auferia anualmente, em 1994, 22.814 €. Passou pelo governo de 1995 a 2001 e, em 2006, esse mesmo rendimento ascendia aos 697.338 € anuais; 

- Jorge Coelho, ex-ministro do Estado e do Equipamento Social no tempo de António Guterres, permaneceu no governo entre 1996 e 2000 e o seu rendimento anual, que era de € 41.233 em 1994, subiu para € 702.758 em 2009;

- Armando Vara, ex-ministro da Juventude e do Desporto no governo de Guterres, cumpriu as suas funções oficiais entre 1996 e 2000. Em 1994, ganhava anualmente € 59.486 e, em 2010, os seus rendimentos atingiam os € 822.193;

- Finalmente, vejamos o caso de António Mexia, ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações no governo de Santana Lopes: com rendimentos anuais que já atingiam os 680.360 € em 2003, esteve no governo entre o Verão de 2004 e a Primavera de 2005 e, em 2009, os seus rendimentos ascendiam ao montante colossal de 3.103.448 € anuais, ou seja, após a sua breve passagem por um governo que durou escassos 8 meses  beneficia de uma multiplicação astronómica de rendimentos, sob uma base já de si extremamente elevada. 

Muitos governantes, chamados para cargos de liderança em empresas com interesses em parcerias, empreitadas ou outros serviços ou fornecimentos dependentes do beneplácito do Estado, são muitas vezes meros agentes, testas-de-ferro se se quiser, de negócios envolvendo lucros de larguíssimos milhões de euros, negócios que eles tornam possíveis devido aos seus contactos ao mais alto nível, aos seus conhecimentos dos meandros do poder e, tantas vezes, como paga dos caminhos que eles próprios desbravaram, a favor dessas empresas, enquanto membros do governo.

E os portugueses comuns, que nunca foram ricos, que nunca viveram acima das suas possibilidades, ao contrário do que nos repetem numa campanha de intoxicação infame, sofrem agora, com o desemprego, com a fome, com privações sem fim e sem fim à vista, os resultados destas práticas predadoras.

Será que se vai continuar a votar neles, a dar-lhes o mando e, ao dar-lhes o mando, a proporcionar-lhes a acumulação de fortunas em negociatas que, se não são ilícitas, são pelo menos imorais e descredibilizadoras da vida política? Espero que não. Que recebam, nas urnas, a punição com que a Justiça sempre lhes faltou.

o paraíso na terra, enfim

Na América, há gente que morre por não ter dinheiro para pagar médicos e remédios. Nos Estados Unidos, um pobre não pode mandar os filhos para a Universidade. Nos Estados Unidos, um desempregado é largado ao seu destino. Mas, nos mesmos Estados Unidos, um fumador é quase criminoso e as medidas de protecção dos cidadãos ultrapassam, em muito, as raias do ridículo. Como neste caso: uma mãe foi presa por ter deixado os seus filhos a brincar na rua, numa zona tranquila de La Porte, Texas. 

cantos de lisboa




o take-away dos pobres e o ministro da caridade

a piada do ano: "portugal não é um país corrupto"

Por Tiago Mesquita

A procuradora Cândida Almeida de vez em quando dá uns ares da sua graça. E desta feita até teria graça, não fosse o assunto sério. A última espécie de declaração que a senhora proferiu foi em plena Universidade de Verão do PSD (apropriado, nos tempos que correm). Afirmou peremptoriamente que "o nosso país não é um país corrupto , os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto."

Ora bem, a primeira coisa a fazer é procurar num índice de países atualizado se existe por aí mais algum Portugal que não este que habitamos, tirando obviamente a senhora procuradora, que vive claramente noutro território, bem mais recomendável do que o nosso. Não existindo outro país de nome Portugal que possa justificar estas declarações efusivas temos de procurar outra explicação lógica para a coisa.

Quanto a mim, a única forma de entender um discurso deste género, para além do que me parece óbvio - a senhora procuradora estar a fazer-se ao cargo de Procurador Geral da República deixado a arrefecer recentemente por Pinto Monteiro - é concluir que de facto a senhora tem toda a razão. Toda. E nós, os tolos que achamos que a corrupção está enraizada em quase todos os sectores da sociedade, seja na banca, justiça, autarquias, alta finança, política, desporto, empresas, parcerias do Estado com privados e em quase tudo onde existam interesses e dinheiro, estamos todos enganados e somos uns perfeitos idiotas. Aliás Portugal deve ser um caso isolado no mundo contemporâneo, pelo menos aos olhos da senhora procuradora. A corrupção chega ali a Badajoz e dá meia volta para trás, com medo.

Realmente num país onde os sobreiros se suicidam, onde submarinos comprados pelo Estado são envolvidos num aparente esquema de corrupção que leva a que pessoas envolvidas no negócio sejam presas no estrangeiro mas que por cá nada se passe, no país do Freeport, das parcerias escandalosas do Estado com empresas privadas, das licenciaturas fantasma, do BPN, do BPP, onde ninguém vai preso (a não ser que roube meia dúzia de iogurtes no supermercado da esquina) mas principalmente num país onde temos procuradoras envolvidas em processos ( alguns a decorrer) que têm este tipo de discurso "português suave", pessoas que deveriam ser a face visível do combate à corrupção e que afirmam que esta pura e simplesmente não existe, ou "é residual". A pergunta que se impõe é apenas esta: para que precisamos nós de uma pessoa como Cândida Almeida ao serviço da nossa justiça? Para nada. Mas este nada deve dar imenso jeito a quem é corrupto, pois é igualmente invisível. Mas esperem lá, se ninguém é corrupto, de que raio estou para aqui a falar?

acordai!

porque um curriculum já não basta



Este vídeo foi criado com um propósito exclusivo. Após a apresentação do mesmo, partilho agora com os interessados e os não interessados.

Além de um apelo, é também um tributo a todas as pessoas activas e com vontade de produzir. A todos aqueles que já perceberam que apenas um Curriculum Vitae já não basta. A todos os que ainda não desistiram dos seus sonhos e que lutam todos os dias por conseguir deitar isso cá para fora. 

Sara Rica Gonçalves

encrespadamente falando ...

Por Margarida Davim

A forma como Mário Crespo acaba os noticiários da SIC Notícias, afirmando que a cada dia que passa a RTP custa mais um milhão de euros, continua a causar polémica. Depois da reacção da Comissão de Trabalhadores da televisão pública, é a vez do jornalista Carlos Daniel usar o Facebook para chamar «mentiroso» a Crespo.

«A RTP não custa um milhão de euros por dia como Mário Crespo tem repetido diariamente. Mas há um dinheiro que não gasta, felizmente: o do salário desse mentiroso, por muitas cunhas que já tenha metido para voltar a viver à nossa custa, talvez à grande de novo nos States, e sem fazer nada».

O jornalista da RTP acusa mesmo Crespo de ter sido «um dos piores correspondentes da história da RTP», afirmando que «gastava rios de dinheiro em Washington e não trabalhava nada, mas nada mesmo».

Carlos Daniel recorda que, nos últimos anos, o colega da SIC já «se ofereceu duas vezes em anos recentes» para ser corresponde do canal público nos Estados Unidos, apesar de ser funcionário do grupo liderado por Balsemão.

De resto, Carlos Daniel critica a forma como Crespo se relaciona com o poder político, dizendo que «ou faz dos ministros seus comentadores residentes (quando quer ser adido de embaixada ou correspondente da RTP) ou os diaboliza».

Mas Carlos Daniel não está sozinho na resposta ao pivô da SIC Notícias e faz questão de frisar isso mesmo. «Não fui só eu que expressei o que considero ser o direito à indignação. Vários outros jornalistas da RTP fizeram o mesmo. Muita gente escreveu e comentou».

António Esteves e Hélder Silva foram outros profissionais da RTP que usaram a rede social para expressar indignação com o que consideram ser um ataque alimentado por «ódios pessoais» e sustentado em números de «um Excel manhoso».

E Nuno Santos, director de informação da RTP também já repudiou o comportamento de Mário Crespo, em declarações ao DN, frisando que o pivô da SIC Notícias «fez um percurso profissional que escusaria de estar a ser manchado por esta situação» e lembrando que para desmentir o que tem sido dito sobre os custos da televisão do Estado «basta olhar para os números».

Ao SOL, Carlos Daniel sublinha que as suas palavras tiveram como objectivo «a defesa da empresa» onde há muitos anos trabalha. E garante não pretender entrar em polémicas com Mário Crespo, mas antes repor a verdade em relação à estação de serviço público. «Não vou voltar a falar sobre esse assunto».

a última ceia em belém


O PSD e o CDS parece que se aquietam. Pelo poder, tudo. O presidente da República cala-se. Pelo poder, tudo. Amanhã, há reunião do Conselho de Estado. Eu vou estar pelos jardins em frente do palácio, como muita gente. Mas não espero grandes resultados. Passos e Gaspar já estarão a preparar uma nova versão da TSU que os conselheiros (e não o presidente, esse aceita o que os conselheiros decidirem) se apressarão a, tal como Paulo Portas, aceitar por dever patriótico nesta fase tão difícil da vida da nação e porque torna e porque deixa e por mais isto e mais aquilo. Aposto.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

a crespo o que é de crespo

Em Janeiro, Mário Crespo pediu à Administração da RTP o cargo de correspondente nos Estados Unidos. Não lhe foi concedido. Oito meses depois, na SIC, faz campanha contra a televisão pública, chegando ao ponto de responder à Comissão de Trabalhadores da RTP através do telejornal que apresenta todas as noites, ocupando tempo de antena em proveito próprio. 

A carta abaixo reproduzida foi publicada pelo DN. 


grécia, islândia, portugal, a nossa venda é internacional!

Grímsstadir á Fjöllum, Islândia
Depois da Grécia, a Islândia também vende parte do território. Em Portugal, só não sugiro que se venda a Madeira por uma questão de patriotismo (livra, agora fiz lembrar o Paulo Portas!). Mas, se aceitarem políticos, e dos que eles gostam, temos muitos e bons: Passos, Cavaco, Gaspar, Álvaro, Portas ... a fonte é inesgotável. Vamos ficar ricos!

Islândia aceita finalmente vender 300km2 da ilha a magnata chinês


Interesse chinês é desenvolver o ecoturismo na Islândia 

O Governo da Islândia aprovou a venda de terras a um milionário e ex-ministro chinês, Huang Nubo, que ali pretende construir um grande empreendimento turístico. A luz verde ao negócio foi dada ao fim de um ano de negociações e polémicas.

Nubo tinha chegado a acordo com os donos das terras, mas faltava a aprovação governamental, tendo em conta que o país detém parte do terreno, conhecido como Grímsstadir á Fjöllum. O terreno localiza-se perto de um porto de águas profundas e de um dos maiores rios de águas glaciares da Islândia. Tem uma dimensão invulgar (as ilhas da Madeira e Porto Santo têm cerca de 800 kms2) e corresponde a 0,3 por cento do total da área da ilha.

O interesse foi tornado público nos últimos meses de 2011 e o investimento foi calculado na altura em 100 milhões de dólares (cerca de 77 milhões de dólares ao câmbio actual). Previa-se a construção de um complexo dedicado ao ecoturismo, com campo de golfe incluído. Porém, a iniciativa foi encarada com desconfiança e o que parecia ser um bom negócio para um país que tinha acabado de mergulhar na bancarrota ficou num impasse.

Huang Nubo é presidente do Zhongkun Group, uma empresa dos ramos imobiliário e turístico, sediada em Pequim, e antigo ministro da Construção. Chegou a queixar-se de preconceito político por parte do executivo islandês, sugerindo que não estava a ser bem recebido pela ligação que teve ao aparelho estatal da China. 

Nas primeiras semanas, a notícia do interesse chinês em 300km2 da Islândia correu mundo, e alguns críticos contestaram o negócio, alegando que o projecto se destina a proteger os interesses geopolíticos de Pequim no Atlântico Norte. A Islândia é membro da NATO e ocupa uma posição estratégica importante entre a Europa e a América do Norte. Por isso é apontada como um potencial ponto de passagem para os navios asiáticos caso as alterações climáticas abram, no futuro, as águas do oceano Ártico à navegação.

Quase 12 meses depois, com intensas negociações pelo meio, Governo e empresário chegaram finalmente a um acordo que foi divulgado nesta quinta-feira pela agência de notícias estatal Xinhua, da China. A mesma agência refere também que este caso evidencia uma nova tendência: a saída de empresas chinesas rumo ao estrangeiro. Huang Nubo também estará interessado em negócios semelhantes na Noruega, Finlândia e Suécia, refere a mesma fonte.

para este peditório já dei


Pela infância que me foi dado viver, e se calhar por feitio, nunca acreditei em contos de fadas. Talvez por isso, não acredito em peditórios ou saraus de beneficência onde as damas da minha infância se compraziam a exibir-se em sociedade (eram os eventos do jet set da época), para amainar as suas consciências cristãs. Não sou defensor da caridade. Sou apologista de que um governo que seja governo deve batalhar, até ao limite das suas forças, para que nem um dos seus concidadãos precise de esmolas (e, ao contrário do que a drª Isabel Jonet quer fazer crer, é mais digno receber um subsídio de desemprego do que uma lata de feijão ou um pacote de arroz, sei do que falo porque já recebi ambos. E até porque, ao contrário da esmola, o subsídio de desemprego é um direito para o qual os desempregados contribuíram, e bem, enquanto trabalharam).

Nunca fui à bola com Isabel Jonet. Intuição? Desconfiança? Má vontade? Seja pelo que for, o tempo deu-me razão. Isabel Jonet não presta, não vale os cargos - agora internacionais - a que se alcandorou com a sua fama de boa alma à frente do Banco Alimentar. Para este peditório já dei. Leiam-se, no artigo que se segue, algumas declarações de Isabel Jonet à TSF onde, erro meu, má fortuna, até parecia que estava a ouvir Mitt Romney, o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos que despreza a população que não paga impostos. A linha de pensamento é igual. O neoconservadorismo feroz é uma "marca de confiança" comum a ambos. Há os que vivem à conta do Estado. E há os que vivem à conta da caridadezinha. E não me refiro aos pobres, está claro. Esses não deviam existir. Só existem porque existem pessoas como Isabel Jonet.

Caiu-lhe a máscara, drª isabel jonet?

Por Nuno Serra

«As pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. E portanto muitas vezes - isso verificou-se nos últimos anos - preferem até ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago. Porque sabem que vão ter essa prestação no final do mês: ou o rendimento social de inserção ou o subsídio de desemprego. Ora, isso veio trazer alguma perversidade neste tipo de fórmulas, que são fórmulas de emergência e que deviam ser reduzidas ao máximo. Mas sobretudo para fazer com que este montante que é afectado a estas prestações sociais não atingisse níveis incomportáveis e insustentáveis para o Estado. (...) [o Estado] mete-se demais em coisas em que não deve». (daentrevista da TSF e do Diário de Notícias a Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome).

Num momento em que há cada vez mais famílias a viver em situação dramática; em que a economia colapsa e o desemprego dispara; em que as iniquidades se aprofundam (num país que é o terceiro mais desigual da OCDE); e em que salários e prestações sociais (já de si dos mais baixos na Europa) sofrem cortes brutais, Isabel Jonet decide juntar-se à miséria moral e ao populismo demagógico que grassa em certos meios conservadores e que marcará, de forma inapagável, a governação da actual maioria PSD/PP.

O Banco Alimentar é uma instituição que, de um modo geral, os portugueses consideram. Muitas famílias beneficiam dos bens distribuídos, tornando possível minorar o sofrimento, a angústia e a falta de horizonte em que um número cada vez maior de pessoas se encontra. Dir-se-ia até que o Banco Alimentar conhece, como poucos, os contornos mais precisos que a carência económica assume em Portugal. E é por isso impensável que a presidente do Banco Alimentar desconheça que a taxa de risco de pobreza seria de 43% no nosso país, caso as transferências sociais não a restringissem a 18% (isto é, a menos de metade). Ou seja, se o Estado não «se metesse demais em coisas que não deve» - como defende Isabel Jonet - cerca de 4 em cada 10 portugueses encontravam-se em risco de pobreza (e não 2 em cada 10, como as estatísticas demonstram).

Não se tratando portanto de ignorância em relação à profunda crise social e económica que o país atravessa, nem em relação aos traços estruturais da pobreza em Portugal, as declarações da presidente do Banco Alimentar só podem ser interpretadas de duas formas: ou Isabel Jonet decidiu surfar, de forma obscena e repugnante, a onda de populismo e miséria moral que se instalou; ou a economista que preside ao Banco Alimentar está apenas a tratar da sua vidinha e dos seus negócios. Isto é, a mostrar sinais de interesse em contratualizar com o Estado uma qualquer parceria público-privada no «sector» da pobreza (que se encontra em vertiginosa expansão), criando simultaneamente condições que favoreçam (ainda mais) o aumento da «procura» (pela redução, «ao máximo», das tais «fórmulas de emergência»: RSI e Subsídio de Desemprego). E não é de excluir, obviamente, que estas duas interpretações se complementem.

sempre lutei contra a ajuda externa ...

seguro e olívia, a mesma luta



Ontem houve sondagens, que dão a vitória a uma maioria de esquerda. Quer-se dizer, isto se considerarmos o PS de esquerda mas, qual Olívia, uns dias é costureira, noutros dias é patroa, fala à esquerda e age à direita. Ah! Já me esquecia, que injustiça a minha: porque é esquerda "responsável", pertence ao arco do poder, tem pretensões a governar nesta espécie de alterne, ora agora entras tu, ora agora entro eu, que transformou Portugal numa casa de putas onde uns quantos senhores, também os do PS, está claro, vão molhar o bico fazendo dos ministérios a catapulta para outras cambalhotas mais bem pagas, que isto há que ser puta, mas puta fina.

Dizia eu que ontem houve sondagens onde o PSD saiu derrotado, o que não admira: finalmente, os portugueses compreenderam que Coelho não era o Messias que nos ia salvar da falência e governar com transparência, com sensibilidade e bom senso. Saiu-lhes, aos que nele votaram, o tiro pela culatra. O homenzinho era, afinal de contas, contas que pagamos com língua de palmo, um impreparado, um arrogante, um ignorante e, isso o povo não perdoa, tão amigo do seu amigo como o foram os seus anteriores homólogos, exigindo sacrifícios ao mesmo tempo que o bodo aos ricos, o clientelismo, o amiguismo, o tachismo se agravou. Sacrifícios? Faça-os o povo, que assim como assim está habituado a sofrer!

Mas, e o PS, senhores? Ficou a ganhar com o terramoto do PSD? Qual quê! Não sobe nem sai de cima. Ganha porque o PSD perde. Seguro, do alto da sua pesporrência, agarrado ao cliché "eu bem disse", "Hollande fez o que eu ando a aconselhar há um ano", "o que o BCE está a fazer já eu há muito propunha" e outras gabarolices do género, não convence. É isso: não sobe nem sai de cima. Mas, enquanto o pau vai e vem, levamos nós a bordoada.

conhece-os, dr. passos coelho?


Manuela Ferreira Leite, Mira Amaral, Alberto João Jardim, Ângelo Correia, Freitas do Amaral, Filipe de Botton, Belmiro de Azevedo, Marcelo Rebelo de Sousa, António Capucho. Já ouviu falar de alguns destes nomes? Se calhar, não. Esclareço-o: é gente do seu partido ou que anda por lá próximo. Nenhum deles é conhecido por ser um perigoso esquerdista. Todos eles estão contra as medidas que anunciou, de aumento da taxa de TSU para os trabalhadores e de descida para as empresas. Muitos são empresários, sabem do que falam e não me parece que andem a embirrar consigo, até preferem o PSD e o CDS no poder do que o PS ou, vade retro, um dos partidos "do protesto", como eles gostam de dizer. Nesse caso, se são amigos do seu partido, se estão do mesmo lado da barricada, porque é que se lhe oporão? Estarão todos errados e o senhor, qual messias iluminado, é que está certo, mantendo-se irredutível na linha traçada, custe-lhe o que custar? Eu, pessoalmente, agradeço-lhe por ter ido à televisão amedrontar os portugueses e, depois, ter ido exibir a sua belíssima voz de barítono num teatro qualquer. Nesse dia, cavou a sua própria sepultura. Paz à sua alma.

quero lá saber se é com hífen ou sem hífen, o que eu quero é que ele o faça!

19/09/12

portugal 0 - islândia 10

no ano da (des)graça de 2012


abril em setembro




autópsia de um crime


Já aqui falei de uma das notícias principais do dia: que o buraco dos hospitais diminuiu 100 milhões de euros num mês. Começo a ler agora os rasgados elogios que os jornais "da situação" fazem a Paulo Macedo, realçando-lhe o feito. Por mim, agradeço aos portugueses - médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde e doentes -, que têm sofrido pior qualidade de serviços e afrontas por parte do ministro e do seu séquito. Tal como o acerto de contas nas empresas de transportes públicos, igualmente noticiado com pompa e circunstância, se deve a todos nós, passageiros, que pagamos mais por piores serviços. 

"já me desvinculei do PSD, de que já não sou militante"


Uma carta de Pedro Dias, director da Biblioteca Nacional (os sublinhados são meus):

Exmo. Senhor Doutor Rui Pereira 
Muito Ilustre Chefe de Gabinete do 
Secretário de Estado da Cultura 

Venho, por este meio, manifestar a V. Exa. o meu desconforto pela situação que me foi criada, com os sucessivos adiamentos da minha saída da direcção da Biblioteca Nacional. Ficou claro, quando do surpreendente convite que me foi feito, que só o aceitaria, pelo período necessário que decorresse até à reabertura ao público da Biblioteca Nacional de Portugal. Acaba de passar um ano sobre essa data, em que, todo o espólio da instituição, fisicamente ou através de meios informáticos, voltou a estar disponível. Apesar dos meus apelos, e da minha renúncia formal, em 28 de Dezembro passado, não fui dispensado, acrescendo que, desde 1 de Abril último, por motivo da entrada em vigor da nova Lei Orgânica, me encontro em gestão corrente. 

Os prejuízos pessoais e familiares para mim são grandes, e do ponto de vista de saúde ainda pior. Mais ainda, não só não me revejo na politica do Senhor Primeiro Ministro, como estou completamente contra ela e não reconheço legitimidade ao Governo para se manter em funções, por ter renegado todas as promessas feitas ao eleitorado, e que constituem a base da sua legitimidade democrática. É assim absolutamente inaceitável ser cúmplice destas acções, enquanto Director-Geral, participando na delapidação de Portugal e dos seus recursos, em benefícios de grupos económicos, com o esmagamento das classes trabalhadoras e do domínio, no campo politico, da Maçonaria, entidade que sempre combati. Já me desvinculei do PSD, de que já não sou militante, e não desejo voltar a ter qualquer colaboração com esta instituição, que nada tem a ver com a que, a partir de Maio de 1974, ajudei a desenvolver e a afirmar-se

Dado que não consigo falar com Senhor Secretário de Estado, com quem só me avistei duas vezes, desde 1 de Julho de 2011, recorro a V. Exa., para que lhe seja transmitido o teor desta carta. Os problemas que o Governo tem com a substituição dos Directores-Gerais são fruto da sua própria politica, da sua descredibilização e da sua inépcia, pelo que não me devo sujeitar aos resultados das suas acções e omissões, quando sou clara e frontalmente oposição ao mesmo. Enquanto Director-Geral, não boicoto a sua actividade nem deixo de cumprir as minhas obrigações, fazendo tudo o melhor que consigo e sei, mas contrariado. Com os roubos sucessivos de que tenho sido alvo, nada me move para auxiliar aqueles que, paulatinamente, arruínam Portugal

Peço pois, uma vez mais, para ser libertado deste fardo que é demasiadamente pesado para mim e que não mereço suportar; é castigo por crime que não cometi. 

Apresento a V. Exa. os meus mais respeitosos cumprimentos 

Coimbra, 11 de Setembro de 2012.

pela liberdade de expressão


«Se nos começarmos a questionar se temos ou não o direito de desenhar Maomé a questão seguinte vai ser se podemos representar os muçulmanos num jornal. E depois talvez nos questionemos se podemos representar seres humanos, etc. No final, não poderemos representar nada. E um bando de radicais que se mobilizaram pelo mundo e em França terão ganho», disse, hoje, o director do jornal Charlie Hebdo à RTL.

Entretanto, as embaixadas de França estão a receber instruções para reforçarem a sua segurança e muitas instituições francesas, em países muçulmanos, estão a ser encerradas. O site do jornal (www.charliehebdo.fr) encontra-se bloqueado, alegadamente devido a um ataque informático.

Mais aqui:
http://ouropel.blogspot.pt/2012/09/o-papa-e-o-papao-islamico.html

ou cai a bem ou cai a mal

Mas, primeiro, venha o divórcio.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

eleições, uma comédia de enganos


Por mérito próprio, ou industriado, Passos Coelho fez uma campanha eleitoral maquiavelicamente inteligente (para além de mentirosa, mas isso não vem ao caso) e ganhou as eleições com a promessa de que, qual Messias, iria pôr o país em ordem, garantir o fim dos privilégios imerecidos, do compadrio que tem minado o país de lés a lés, das gorduras do Estado que consistiam, levava ele a crer, nas PPP's, Fundações, organismos públicos criados para servir amigos, etc. Com isso, ganhou as eleições. Mas Passos Coelho, ou quem o aconselhou, não percebeu isso, ou não tirou daí as devidas lições: que o povo, mesmo o povo que vota à direita, quer uma mudança, quer seriedade, quer limpidez. Não percebeu sequer o que se passou no Sábado. Já li por aí alguns comentadores a dizer que se Lisboa encheu como encheu foi porque as pessoas foram, por puro egoísmo, protestar contra a perda dos seus "privilégios" perdidos. Estão enganados. A grande parte foi às manifestações, em Lisboa e noutras cidades, para dizer basta, para afirmar que está farta destas políticas e destes políticos. Gente que não acredita nos partidos mais à esquerda, mas que não quer votar nesta direita. Daí a abstenção que sobe assustadoramente. E, os que vão votar, vão votar iludidos. Até um dia.

cada regime tem o goebbels que merece


Quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Ontem, nos noticiários, aparecia o secretário de Estado dos transportes a afirmar, com o orgulho da missão cumprida, que as empresas de transporte público tinham deixado de dar prejuízo. Hoje, é o Público que, na capa, noticia que o buraco financeiro dos hospitais reduziu 100 milhões de euros apenas num mês. Vocês não acham fartura a mais? Eu ando muito desconfiado, confesso. Ter um primeiro-ministro que mente aos portugueses não me tranquiliza. É por isso que, cá no meu entender, mas posso estar enganado, todos estes anúncios súbitos mais me parecem uma acção concertada de propaganda, agora que o governo está em aflições de moribundo. Digo eu.

a consciência da rua

Por Baptista-Bastos

As imponentes manifestações que chamaram, às ruas de quarenta cidades portuguesas, um milhão de pessoas, possuem um significado que se não exprime, apenas, pela grandeza dos números. Elas são um despertar da consciência cívica nacional e um rebate contra os perigos que este Governo corporiza. Não foi, somente, como alguns pretendem fazer crer, um desagrado ante a anunciada taxa social única. Essa propositada intenção pretende minimizar a extensão do protesto. Os que foram para as ruas demonstraram a sua repulsa por Pedro Passos Coelho e pela inexcedível incompetência maléfica da ideologia que representa. O homem empurra o País para o abismo, e é urgente impedi-lo de o fazer.

António Capucho veio a terreiro advertir-nos. Habitualmente reservado e cuidadoso, as circunstâncias levaram-no, na televisão e no jornal I, a propor a necessidade de "um Governo de salvação nacional, mas sem Passos Coelho". Classificando os propósitos do primeiro-ministro de "ultraneoliberais", afirma: "O Governo não está com falta de apoio das pessoas; o Governo está com o ódio das pessoas."

Capucho é a ponta do icebergue de descontentamento e fúria que lavram e alastram no PSD, onde numerosos dirigentes e outros se interrogam sobre a legitimidade dos actos governamentais. A aplicação deste sistema de domínio, sem regras e sem limites morais, requer um método de respostas de que a natureza dos protestos de 15 de Setembro foi, unicamente, uma expressão serena. Porém, não deixou de ser a exposição de um outro poder, o popular, enfrentando e contestando o outro, por injusto e agressivo.

É preciso não esquecer de que, por vezes, a legalidade, ao exceder- -se, se inscreve na ordem de uma violência que a coloca fora da lei. É o que tem acontecido. Um preopinante anunciou, enfaticamente, ter Passos Coelho perdido o País. Não se perde o que se não tem, e se houvesse dúvidas acerca da impossibilidade de qualquer Governo deter a afeição de um país, as manifestações que chamaram às ruas um milhão de portugueses dariam que reflectir.

Como escrevi, nesta coluna, na última quarta-feira, o ciclo fechou-se sobre Passos e a sua obstinada soberba. E ainda não se registara a explosão ética de cidadania. Depois, surgiram as declarações de Paulo Portas. As características de uma coligação já trémula na essência assinalaram a proximidade da ruptura. Portas é uma personalidade cuja dualidade se conhece. As exigências de uma generalidade governamental não lhe calham bem. E Passos Coelho é suficientemente sobranceiro e autoritário para ceder a vez e desaproveitar a voz. Os dados estão lançados. Mas a alternativa é inexistente. A não ser que a consciência cívica se erga, de novo, e exija que esta nefasta indigência entre o PS e o PSD seja substituída por outras possibilidades. Que as há.

a nova austeridade para 2013 - e agora, que fazer?

Por Carlos Moreno
Juiz-conselheiro jubilado do Tribunal de Contas

O novo pacote de austeridade anunciado para 2013 domina todas as atenções. Neste artigo de opinião resumo reflexões e propostas sobre a taxa social única (TSU), os cortes nos rendimentos dos trabalhadores e pensionistas e o respeito pelo acórdão do Tribunal Constitucional (TC). Defendo o cumprimento do acordo com a troika, se necessário renegociado, o relançamento do crescimento da economia, o combate ao desemprego, o respeito pela Constituição e pelo acórdão do TC e a ultrapassagem da crise em que o país mergulhou, sem necessidade de eleições. É nestas ocasiões que a sociedade civil, mesmo com riscos e incómodos, deve fazer ouvir a sua voz tranquila.

O anúncio inesperado, sem preparação técnica aparente nem diálogo político e social, da modificação da TSU uniu o país na sua rejeição: trabalhadores e patrões, sindicatos e confederações empresariais, partidos políticos, especialistas em economia, finanças públicas e ciências sociais disseram não às propostas relativas à TSU. Três gerações de portugueses confirmaram-no na rua, de modo pacífico, e a coligação governamental ruiu do ponto de vista substancial. O Presidente da República, que publicamente e em devido tempo alertou para a necessidade de as novas medidas de austeridade serem repartidas pelos que ainda as não tinham sofrido, convocou o Conselho de Estado, após o que fará uma comunicação ao país, na próxima 6ª feira.

A subida da TSU em 7 pontos percentuais para os rendimentos do trabalho configura, na prática, mais um imposto, à custa da transferência da riqueza gerada pelo trabalho para o capital. A medida revela fortes indícios de inconstitucionalidade, conduz a uma aventura desnecessária, sem impacto nas contas públicas e que compromete a coesão social e acarreta riscos suplementares para os nossos credores externos.

Os brutais cortes propostos para o rendimento disponível dos trabalhadores e dos pensionistas são cegos (não têm em conta o rendimento per capita), injustos e não equitativos e, tal como foram apresentados, geram expectativas fortemente negativas para a actividade económica, estiolam o consumo e o investimento privados, matam a maioria das PME e das microempresas (sem sequer beneficiar as exportadoras), aumentam o desemprego, estimulam a insatisfação e desmotivação dos trabalhadores, conduzindo à diminuição da competitividade por via da redução da produtividade, aprofundam a espiral recessiva, a baixa das receitas fiscais, o crescimento das despesas sociais e o aumento imprevisível da economia paralela.

No caso dos pensionistas, com cortes ainda maiores, a medida parece afrontar o acórdão do TC e não toma em conta a vida real, na qual a maioria dos reformados está a dar tecto e comida a filhos desempregados e ajuda financeira aos sub-remunerados para comprarem bens essenciais, pagarem dívidas por compra de casa, estudos de netos, etc.

As medidas a implementar neste domínio têm de ser profundamente revistas e explicadas para não suscitarem dúvidas de constitucionalidade e de desrespeito pelo acórdão do TC, e provarem a equidade no âmbito dos rendimentos do trabalho e em comparação com os sacrifícios impostos à vertente do capital.

Medidas de corte na despesa pública com as rendas excessivas das PPP e das empresas produtoras de energia, bem como com consultoria externa, fundações, institutos públicos, empresas dos sectores públicos e entidades sentadas à mesa do OE, mas sem utilidade social prioritária, bem como as destinadas à participação do capital no esforço de equilibrar as contas públicas, devem ser imediatamente quantificadas e impostas simultaneamente com as que precedem.

O exemplo das PPP fala por si. Os encargos líquidos com PPP para 2013 ascendem a cerca de 1200 milhões de euros, atingindo o seu pico financeiro em 2015, com encargos líquidos superiores a 1400 milhões de euros. Isto sem ter em conta encargos com prováveis processos de reequilíbrio financeiro. A estratégia, até hoje seguida, de reduzir estes encargos apenas com contrapartidas para as concessionárias, como seja a redução das suas responsabilidades em matéria de investimento e manutenção, garantindo ou aumentando as expectativas iniciais de remuneração dos respectivos accionistas, tem de ter fim imediato. Em nome da equidade na distribuição de sacrifícios, estas rendas excessivas devem ser reduzidas em pelo menos 30% durante o período de ajustamento.

A austeridade tem de ser para todos, e justa e equitativa.

maria teresa horta reconsidera

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

à sombra de relvas


Ontem vi um bocado do telejornal da SIC Notícias, aquele que é conduzido por Mário Crespo. Qual não foi o meu espanto quando, encrespado, Crespo termina o telejornal em jeito de tempo de antena dele próprio: durante vários minutos, atacou a Comissão de Trabalhadores da RTP que, quanto a mim muito bem, contestou em comunicado o ataque que, diariamente, Crespo tem vindo a fazer, no SEU telejornal, contra a RTP e os seus custos. Digo eu, que não sou de intrigas, que alguém lhe encomendou o sermão. Quem viu Crespo a jantar com Relvas ultimamente, nalgum restaurante de primeira ou lupanar de luxo? E quem pensa o Sr. Crespo que é, para utilizar um telejornal como tribuna das suas próprias opiniões? Pergunto eu, que não sou de intrigas.

não desistir

O governo prepara-se para pintalgar a medida referente à TSU com cosméticos baratos, de certeza comprados nas lojas dos chineses, para disfarçar a injustiça e calar os portugueses. Não nos iludamos. E, sobretudo, não caiamos mais uma vez no conto do vigário. Este medida tem que ser exterminada, como uma praga, uma doença maligna. De vez. Em seu lugar, terão que sair novas medidas que privilegiem a equidade, a justiça social, o humanismo de que a Europa se orgulha e que deve continuar a defender com unhas e dentes sob pena de soçobrar, de ir parar ao caixote de lixo da História. Peçam sacrifícios a quem mais tem e mais pode. Peçam sacrifícios aos governantes e políticos, acabem com as suas mordomias, cortem definitivamente as gorduras do Estado, que não são nem a Saúde nem a Educação, mas os negócios obscuros, os favores, as alcavalas, as frotas automóveis onde ministros e secretários de Estado se pavoneiam como se estivéssemos num país rico, num emirato a transbordar de petróleo. Aliviem a carga, a canga dos trabalhadores, dos que já são pobres e dos que para lá caminham. Só assim baixaremos os braços. Só assim nos poremos ao lado do governo, este ou outro, pela reconstrução de Portugal. Esta não é uma luta de direita ou de esquerda, é uma luta moral. Pela sobrevivência. Tão simples quanto isto.

o papa e o papão islâmico

Redacção do jornal Charlie Hebdo, Novembro de 2011
Quantas vezes tenho gozado com Suas Santidades, as várias que se têm sentado no trono que um dia foi de S. Pedro. E, também o tenho confessado sem rebuços nem receio de excomungação, abomino a padralhada, aqueles e só aqueles padrecas que têm contribuído para o atraso congénito de Portugal e dos portugueses, os que defendem o mal em vez do bem, a extorsão em vez da dádiva, a ganância em vez da solidariedade. Já tenho dito muitas vezes, e esse deve ser o sacrilégio máximo para as almas mais apostólicas, que Jesus Cristo, a ter existido, foi o primeiro a propagar ideias que, muitos séculos mais tarde, seriam retomadas pelos comunistas (que, no entanto, não tendo morrido cedo como Jesus, depressa malbarataram as suas prédicas com práticas nem sempre sãs, nem sempre santas). Homens. Que estragam tudo onde metem as mãos, sejam os ideais de Cristo sejam os de Marx ou de Lenine. Contudo, apesar das minhas muitas heresias, nunca ninguém se zangou comigo, pelo menos ao ponto de me atirarem para a fogueira sem apelo nem agravo ou de me incendiarem a casa num moderníssimo auto-de-fé. Não se passa o mesmo no mundo árabe. Alguém na América fez um filme, ao que parece a parodiar Maomé, desencadeando uma onda de violência que culminou com o assassinato de um embaixador e a destruição de embaixadas e consulados dos Estados Unidos, isto se a coisa se ficar por aqui. E o mundo ocidental amedronta-se, condena a realização do filme, asfixia a liberdade de expressão em nome de um deus menor (como o são todos, pelo menos para mim, ateu com muita honra, descrente com muita crença). Em França, a redacção do jornal humorístico Charlie Hebdo foi incendiada em Novembro de 2011 por ter satirizado Maomé. O jornal saiu hoje mesmo com nova edição onde o fundamentalismo islâmico não é poupado. Não sei se o jornal é de direita ou de esquerda, de extrema-direita ou extrema-esquerda. Nem isso me interessa agora. O que sei é que tem todo o direito de publicar as caricaturas que muito bem entender. E o Estado francês de defender o jornal e os seus trabalhadores e proprietários. Ainda para mais no seu próprio país, respeitando as suas próprias leis. A Humanidade está a perder a cabeça. Os conflitos sucedem-se. Mas baixar a cabeça, contemporizar com actos de barbárie, não vai amainar os ânimos, vai antes deitar mais achas para a fogueira. Que nos consumirá um dia destes.

em belém é que se está bem

Dia 21 é sexta-feira. Já esta. Já está! Estou lá.

insolvência

Tudo é negócio. Os povos, a água, a educação, a saúde. Tudo serve para comprar e vender. Só falta fazer a Portugal o que se faz às empresas que não dão lucro. Fecha-se e despedem-se os portugueses. Era capaz de ser a nossa sorte.