04/10/12

"o ódio de classe é hoje dos ricos contra os pobres": quem disse isto?


Diogo Freitas do Amaral, num artigo publicado na Visão de hoje, 4 de Outubro de 2012.

nas bocas do mundo, pelas piores razões



de pinochet a passos ou os crimes do neoliberalismo

Chile, Setembro de 1973
Um bando de fanáticos apoderou-se do poder. Loucos  à solta. Gente perigosa que tem um único objectivo em mente, destruir o país em proveito da alta finança. Baixam-se os salários, aumentam-se os impostos, provoca-se desemprego, privatiza-se tudo (agora, diz-se, até os centros de saúde se querem passar para privados). O plano está bem urdido mas, tão sagazes que são, esqueceram-se que crimes desta gravidade só são possíveis em regimes sanguinários, como no Chile de Pinochet. Por cá, só têm duas alternativas: ou restauram a ditadura ou terão que se defrontar com a ira do povo, todo um povo, de esquerda, do centro, da direita. Poucos já são os que estão com eles. E esses poucos viverão com a vergonha dos os ter defendido até ao fim. Até ao estrebuchar. Nosso ou deles. Não há terceira opção.

novos pobres

Gaspar disse ontem que a taxa de IRS seria gradualmente agravada para quem ganha mais. Alguém já sabe quem é que Gaspar considera rico neste país? Quem ganha mais de 700 euros? 1000 euros? 1500? 

 Fotografia: http://www.jn.pt

o pandeiretas


são contas, senhor, são contos

Por Miguel Januário
http://ministeriodacontrapropaganda.wordpress.com

São contas, são contos, são fábulas.
São os planos, a agenda, o estipulado.
É o mecanismo, o sistema, a finança.
O engano, a ilusão, a desgraça.
O lucro, o óbvio, a falta de esperança.

São garras, são tentáculos, são manápulas.
São os mesmos, de sempre, os crápulas.
É a imposição, a lei, a designação.
O crime, o furto, a continuação.
O ser demais, o dizer basta, o fim da resignação.

o inferno de gaspar

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt

precisamos de um novo general sem medo

depois do terramoto fiscal, terramoto eleitoral

É o que se exige do bom povo português. Castigo. Exemplar.


quando roubar é legal e o gatuno se chama governo




pela boca morre o peixe (e a ferreira leite também)

pela boca morre o peixe (e o rebelo de sousa também)

03/10/12

pela boca morre o peixe (e o mota soares também)

pela boca morre o peixe (e o portas também)



«Queria fazer-vos uma declaração em relação às medidas anunciadas hoje. (...) Vão aumentar as taxas do IRS, em termos práticos, mais 10 ou 15%, face ao que as pessoas pagam todos os meses. O aumento é duplo: chamo à atenção que agora sobem as taxas e há um mês tinham anunciado o corte nas deduções. O que significa que se vai pagar mais ao Estado todos os meses e que se pode deduzir menos, muito menos, em educação e saúde. (...) E, embora o primeiro-ministro não o tenha clarificado, temo que não sejam apenas os trabalhadores que estão no activo, mas também os pensionistas, que vejam o seu IRS agravado. (...) Isto é um bombardeamento fiscal que é negativo para a nossa economia. (...) Eu mantenho a palavra que dei ao eleitorado: o caminho é fazer uma compressão da despesa. É reduzir a despesa que pode ser reduzida. E não é ir pelo aumento de impostos, por aumentos de impostos sucessivos. (...) Eu dei a minha palavra ao eleitorado e mantenho-a: pedi confiança às pessoas para outro modelo fiscal. Não me deram confiança para estar a votar aumento de impostos. (...) Lamento profundamente que os portugueses cheguem cada vez mais à conclusão que o governo não tem palavra, relativamente à questão fiscal, como a muitas outras matérias.»   (clique aqui para ver o vídeo desta declaração)

Paulo Portas
13 de Maio de 2010

pela boca morre o peixe (e o coelho também)



«Ao longo dos últimos meses, o governo [PS] adoptou, em diversos momentos, medidas gravosas, visando a redução do défice orçamental, que tiveram e têm consequências directas sobre o rendimento das pessoas e das famílias, sobre a actividade das empresas e sobre o desempenho da economia portuguesa como um todo. Sempre que tal aconteceu, o governo garantiu, pela voz dos seus mais altos responsáveis nesta matéria - o primeiro-ministro e o ministro das finanças - que as medidas em causa eram as adequadas e suficientes para a realização dos objectivos pretendidos em matéria de finanças públicas. Impor agora novos aumentos de impostos, cortes nas pensões, no Serviço Nacional de Saúde ou na rede escolar, confirma a estratégia do governo de transformar medidas de emergência - que pelos sacrifícios que impõem aos cidadãos - apenas devem ser assumidas em situações extraordinárias e de modo conjuntural. (...) Ao agir dessa forma, o governo está também a evidenciar, perante o país inteiro, quer a sua incapacidade para cumprir adequadamente aquela que é a sua responsabilidade, quer o seu despudor em transferir para os portugueses o custo dos seus sucessivos erros. Se estas medidas adicionais são necessárias, é porque o governo não soube, ou não quis fazer, aquilo que a ele - e só a ele - lhe compete.»

Pedro Passos Coelho
11 de Março de 2011

Visto em: http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt

o empada falou


nascer e crescer na palestina






a chatice da democracia



Por José Vítor Malheiros

1. António Borges considera-se extremamente inteligente. Como nunca ninguém lhe explicou que as qualidades próprias não se declaram, decidiu lembrar os portugueses do facto, dizendo-o alto e bom som numa conferência para empresários com cobertura televisiva. Claro que não o fez directamente, porque António Borges tem uma ténue consciência do ridículo, e decidiu lisonjear se com o máximo de discrição de que é capaz fazendo o elogio da sua proposta da TSU.

A medida é “extremamente inteligente”, disse, e os empresários que não gostaram dela só não gostaram dela porque “são completamente ignorantes “ e, se fossem seus alunos, “não passariam do primeiro ano” do seu curso na faculdade.

A declaração não é preocupante por nos revelar que António Borges é aquilo que no Reino Unido se chama em linguagem técnica um pompous ass. Também não é preocupante pelo paternalismo deslocado do chumbo virtual no primeiro ano de gestão com que brindou os seus críticos. Nem sequer por revelar este nojo de Portugal e dos portugueses que com tanta frequência assalta o seu discurso e o enche de tiques nervosos. E também não é preocupante pela ausência de argumentação com que decidiu defender a sua medida, nem por ter preferido um insulto fácil em vez do debate racional que a posição de professor que tanto gosta de invocar aconselharia. Nem sequer pela irritação que demonstrou e que contraria tão frontalmente o que deve ser a fleuma de um consultor do Governo. Nem sequer pela indelicadeza de decidir insultar os empresários quando se dirige a uma assembleia de empresários. Nem pela insensatez de provocar os empresários quando, como responsável pelas privatizações - ninguém sabe bem o que António Borges é de facto, nem qual o seu grau de responsabilidade, se recebe ordens de Passos Coelho ou se lhas dá, mas é algo parecido com isto - lhe compete tentar atraí-los para a mesa das negociações. Nada disso. A declaração é preocupante porque revela quão pouco António Borges sabe sobre as pessoas, como despreza os seus sentimentos e a sua vontade e como menospreza a política.

Acredito que António Borges saiba fazer contas e acredito que conheça alguma coisa (ou muito, é irrelevante) sobre teoria económica e finanças públicas. E é um facto que o homem já ocupou cargos de grande relevância - como fazia notar, com uma reverência um tudo-nada deslumbrada, Alexandre Soares dos Santos, que o contratou para a administração daJerónimo Martins. Acredito ainda que António Borges possua uma invulgar capacidade para gerir o seu tempo - o que explicaria como a gestão das privatizações, as renegociações das PPP, a reestruturação do Sector Empresarial do Estado e a monitorização da situação da banca, responsabilidades que Pedro Passos Coelho lhe atribuiu, lhe tenham deixado tempo livre para poder acumular com a administração da Jerónimo Martins.

Mas o que António Borges não concebe é como a vontade dos cidadãos, dos trabalhadores, dos patrões, possa ser incluída na equação quando se trata de tomar uma decisão política. O que António Borges não percebe é aquela coisa chamada democracia. O que António Borges não percebe é que a aritmética da medida da TSU talvez estivesse certa, mas a bondade de uma medida política não se pode avaliar pela aritmética porque ela deve, antes de mais, ter em consideração a vontade das pessoas que vai afectar. O que António Borges não aceita é que os trabalhadores recusem a política de emprobrecimento que ele, António Borges, defende como inevitável. Chateia-o. Tal como a Pinheiro de Azevedo o chateava ser sequestrado, a António Borges chateia-o que os trabalhadores tenham a veleidade de ter opiniões e de querer melhorar a sua vida. O que António Borges não aceita é que os patrões tenham ficado preocupados com a redução do consumo interno e com a conflitualidade e queda de produtividade que a medida provocaria em vez de ver a big picture a longo prazo, de um proletariado reduzido à submissão.

António Borges lamenta que haja quem pense que é preciso ter em consideração a vontade dos cidadãos. De pessoas mal-vestidas, com hipotecas, se calhar comunistas. António Borges acha que essa chatice só vem complicar a aritmética. Resta-nos esperar que a sua desilusão com o povo e com os empresários portugueses seja tão grande que se resigne a ir iluminar outros países com os seus conselhos.

2. Um sinal na grande manifestação da CGTP de dia 29: a quantidade de gente com cartazes caseiros com ataques “aos políticos”. Não apenas à direita, ao PSD e ao CDS, ao capital e à troika, mas “aos políticos”. Cartazes não oficiais e slogans não autorizados, como é evidente, mas a quantidade de pessoas que adopta um discurso anti-política, anti-políticos e anti-partidos cresce a olhos vistos, em todas as manifestações. É significativo que eles surjam até na da CGTP.

O governo de Pedro Passos Coelho está a dar mau nome à democracia. E o PSD, o CDS e o PS estão a dar mau nome aos partidos. Vamos reparar só quando for tarde demais? 

até já, gasparzinho

Foram duas dúzias, dizem os media. Mas falaram por muitos mais, milhões mais. Estiveram à porta do Ministério das Finanças esta tarde enquanto Gaspar, sorumbático e mesureiro, prometia roubar equitativamente. Nas ruas, calaremos Gaspar. Vamos onde for preciso. Faremos o que for preciso. Até já, Gasparzinho.

Fotografias: http://www.tvi24.iol.pt

por acaso, o nosso lobo é um coelho


o doutor gaspar manda-nos calar

Gaspar manda-nos calar, não fazer ondas, não comprometer o prestígio de Portugal junto dos investidores. Esta é e vai continuar a ser a nossa resposta. Ou me engano muito ou com mais veemência ainda.

e ainda a procissão vai no adro


quanto mais te agachas ...


Gaspar começou a falar. Tudo está excelente, o país está no bom caminho, ganhámos a credibilidade internacional. Mas aqui fica um aviso, cambada: não protestem, não se manifestem, comam e calem, não comprometam o nosso prestígio além-fronteiras, não deitem tudo a perder. De joelhos!

revolta no vaticano

Um manifestante subiu à cúpula da basílica de S. Pedro e aí se mantém desde ontem, em protesto contra a austeridade, a ignomínia económica que está a destruir a Itália, e a Europa.

extremos desabafos


Acendo o televisor. Que vejo? Vejo o João Proença, coitadinho, a dizer porque não adere à greve geral convocada pela "extrema" esquerda (agora, tudo o que não é PS é extrema-esquerda ou esquerda radical). Vejo o Seguro e os seus fiéis acólitos a explicar porque não vão votar a favor das moções de censura propostas pela "extrema" esquerda. Vejo um acólito do PSD a debitar, na Assembleia da República, as conclusões mais partidárias, mais patifórias que imaginar se possa sobre o caso BPN. Mas o pior está para vir. Já tomei um ansiolítico. Vem aí o Gaspar. Falta meia-hora. Meia-hora para respirar, arfar, suar, desejar que a "extrema" esquerda tome conta disto, tome conta de nós. Quanto mais estes gajos falam, mais extremo eu me torno. Ouviram, senhores do SIS e acólitos do Relvas doutor? Tomem nota. Não me percam de vista.

cá se fazem, cá se pagam

O PS, com a direita, na Fonte Luminosa em 1975
O PS recusa votar favoravelmente as moções de censura contra o governo propostas pelo PCP e pelo BE. Estão no seu direito, cada um trata da vidinha como pode e sabe e, como se sabe, os dirigentes do PS sempre foram exímios a tratar dos seus cargos e prebendas, da vidinha. Mas não me venham dizer que não votam a favor porque o PS é uma referência de estabilidade. Estabilidade para quê? Para roubar os trabalhadores? Para depauperar o país? Destruir o Estado Social? A economia?

O momento é grave demais para Seguro se manter na reserva, a jogar pelo seguro, à espera que Passos caia de maduro para, aleluia!, subir ele ao poleiro para prolongar a tradição dos maus governos. Porque o Seguro, pelo menos à frente do PS, não vai morrer de velho. Até os seus mais acérrimos simpatizantes vão entender que é uma personagem fraca, de pose ridícula e falas mansas, que não serve para os defender, mesmo dentro dos princípios que o PS apregoa, os da esquerda moderada, seja lá o que isso for.

Onde está o PS aguerrido que encheu a Fonte Luminosa nos idos de 70 para, diziam eles, defender a democracia? E agora? A democracia não está em perigo? 

Cá se fazem, cá se pagam. É o que vos digo.

crianças de um país indigno



 Fotografias: https://www.facebook.com/indio.nelson

escondam as pratas, vêm aí os cómicos!

Imagem de Gui Castro Felgas
http://ministeriodacontrapropaganda.wordpress.com

contra a barbárie

Estão, desde ontem, em vigília junto da Assembleia da República. São pessoas com deficiência, em luta pelos apoios que o governo lhes cortou. Porque o governo não gosta deles, tal como não gosta de desempregados, de velhos, de gente doente, de grávidas, de estudantes, seres menores que não rendem, que custam dinheiro. O que é preciso é um "homem novo". Com bons dentes, bons músculos, bons ossos, e, sobretudo, de fraca cabeça, que tudo aceite como uma fatalidade do destino. Um país de servos ao serviço dos novos senhores medievais. 

a bom porto









que raio de gente esta!

Por Baptista-Bastos

Aprendi, há muitos anos, que os homens se dividem em sólidos, líquidos e gasosos. Ensinou-me o meu pai estas definições, que o rodar do tempo confirmou serem adequadas e justas. Já ultrapassei a idade com que o meu pai morreu e sinto-me desconfortavelmente adaptado às dores do corpo. Que remédio! Às da alma, é que não. São dores pungentes porque tocam nas coisas da esperança e do sonho desunidos. Poucos homens sólidos há, hoje. A época tem sido fértil em amolecer caracteres e em estimular e premiar a velhacaria e a malandrice. Gosto muito da palavra "sólido". Tenho vivido e respirado palavras, não passo de um vago senhor português, com a tineta de que as palavras podem modificar o destino de milhões de homens, e a palavra "sólido" ainda hoje me surge como um significado de dignidade.

Conheço, agora, muitos mais homens líquidos e gasosos de que antes. Não quero dizer que os não houvesse; mas, hoje, estão mais expostos à própria malignidade do tempo. Vêmo-los e assistimos ao que dizem, mentirosos sem remissão; infalíveis tratantes; uma congregação de gente moldada ignora-se como, de quê e por quê. O nivelamento por baixo atingiu todos os sectores da sociedade. A indolência, de ordem cívica, é a pior de todas as afrontas éticas. E, de repente, ficámos aturdidos com um milhão de pessoas nas ruas, sem saber o significado mais profundo dessas razões. Sem saber o que fazer desta e com esta multidão. Pessoas sólidas, inesperadamente tornadas indefectíveis aos valores e aos princípios, e, até, às ideias, que calculávamos soterrados.

É verdade que uma comoção alegre nos atingiu. Porém, estamos tão desavindos, tão mortiços, tão perdidos, ignorância de pobres e de cegos, que perguntamos, tontos e incrédulos: e agora?

Os homens líquidos e os homens gasosos continuam nessa desfilada indecente. Fala-se, agora, em "impreparação" de quem dirige o País. Oculta-se o projecto ideológico que lhe subjaz, e no tripudiar dos conceitos morais. Esta casta não é nova: procede, directamente, do oportunismo nascido das sociedades em ruptura, e que pratica uma constante "transacção" de interesses. A manifestação de 15 de Setembro representou a repulsa por esta gente. Mas, também, pelos que se lhe não opõem.

Temos assistido a episódios deploráveis, como aquele, na segunda-feira, no qual António José Seguro ficou perplexo por desconhecer que a substituição da taxa social única fora aprovada em Bruxelas, sem que o Governo o tivesse consultado. A humilhação fez espelho nas televisões. O pobre homem, um pouco espavorido, balbuciou uma módica frase de tristíssima indignação. Não serve de nada: Passos despreza-o e despreza-nos. No decálogo ensinado pelo Velho Bastos, em que categoria colocaríamos o secretário-geral do PS: líquido ou gasoso?; sólido, certamente, não.

02/10/12

lá vem TSUnami!


O super-ministro Gaspar vai amanhã anunciar novas medidas de austeridade. Preparem-se porque, com TSU ou sem TSU, vem aí outro tsunami. Escondam as carteiras, cosam os bolsos, fechem-se em casa a sete chaves, assobiem para o ar, finjam-se mortos, acorram às repartições de finanças com certidões de óbito falsas em riste, cancelem os contratos de gás, luz, telefone, mudem de distrito, região, País. Façam qualquer coisa, mas façam. Ele, todo-poderoso, não perdoa. A sua ira recairá sobre nós.

a crise, quando nasce, é para os tansos

Ouvido nos noticiários desta manhã: a venda de carros de luxo aumenta em Portugal; o governo está a estudar a privatização dos Centros de Saúde; o desemprego atinge novos níveis históricos; os portugueses estão a consumir cada vez mais papas em substituição de refeições. A afronta aos portugueses não tem limites. Enquanto esta gente não for corrida - com a violência das palavras, e queiram os deuses que se fique por aí - somos, seremos tansos. Entretanto, Passos soma e segue, sem contemplações e com tiques de um estado novo que se queria morto e enterrado. Não está.


já estivemos mais longe


ou há democracia ou reprovam todos


Durão (sim, esse que anda lá fora a lutar pela vida, lembra-se?) diz que Bruxelas já aprovou as novas medidas de austeridade que lhe foram transmitidas pelo governo português.

Teve conhecimento delas antes de serem enviadas para Bruxelas? E os partidos da oposição? E o presidente da República? E os membros da concertação social? E será que Portas sabe? Será que Portas sabe e concorda, mesmo que tenha dito que nunca aprovaria?


E nós? Se a gente desaprovar as medidas será que Bruxelas aprovará que não aprovemos o que acabou de aprovar nas nossas costas?


Não é preciso ser bruxo para adivinhar o que vem por aí. Estou-me nas tintas que Bruxelas tenha aprovado, mais o FMI, mais o BCE, mais o Papa e a Putin que em má hora os pariu. Eu não aprovo. Ou há democracia ou reprovam todos.

the goldman sucks

01/10/12

cuidado mandela, o crato está a ouvir-te!...


a europa em greve


A CGTP adianta a possibilidade de uma greve geral no país. Se me permitem a ousadia, lá na CGTP, alvitro uma greve geral sim, mas em toda a Europa, ou pelo menos na Europa sacrificada pelas medidas torpes da austeridade e do neoliberal-fascismo. Eles, lá na CGTP, que falem com os seus homólogos em Espanha, Itália, Grécia, Irlanda, França. Sei dos perigos, gigantescos, para a economia. Sei sim. Mas nós corremos perigos também e, em tempo de guerra, não se limpam armas. Ou vai ou racha. 

economia sem coração

Por Viriato Soromenho-Marques

Há pessoas assim. O mundo pode perecer, desde que o seu ego gigantesco não sofra qualquer dano. Fortunato Frederico, um dos mais notáveis empresários apoucados por António Borges (AB), guru económico do primeiro-ministro (PM), comentou que a baixa da TSU "era uma medida sem pés nem cabeça, sem coração". Para AB, isso não passa de "ignorância", merecendo reprovação no exame da cadeira que ensina numa universidade. AB ficou com uma ferida narcísica, pois foi ele quem ditou ao PM o repulsivo discurso de 7 de setembro. Mas o mais importante é perceber que economia ensina AB nas suas aulas. Recentemente, Luigi Zingales, professor na Universidade de Chicago, onde se celebrizou um dos profetas do ultraliberalismo económico, Milton Friedman, assinalava a miséria ética de grande parte dos cursos de Economia e Gestão. O título do seu artigo fala por si: "Será que as Escolas de Negócios são incubadoras de Criminosos?" Na verdade, nos últimos 30 anos, muitos círculos académicos têm-se concentrado na primeira parte do lema de Friedman - "a primeira e única responsabilidade da empresa é aumentar os seus lucros" -, esquecendo-se do resto da frase - "na medida em que se respeitem as regras do jogo, de uma competição aberta, livre, sem engano nem fraude". A economia foi fundada em 1776 por Adam Smith, um dos mais importantes escritores morais de sempre. Nessa altura, chamava-se "política". A economia não fazia abstração das pessoas, nem das suas relações e valores. Hoje, o que falta em pensamento amplo sobra no malabarismo dos modelos, manejados por aprendizes de feiticeiro. Analfabetos éticos que têm semeado, com impunidade, a ruína pelo mundo. Do subprime ao escândalo da Libor. Ensinando uma opinião arrogante, disfarçada de ciência. Uma economia sem "coração", nem economia chega a ser. Já "chumbou" no exame da Vida.

o inteligente borges


Por Daniel Oliveira

O inteligente Borges inventou um estratagema para pôr os trabalhadores, já na penúria, a financiarem as empresas através do aumento dos descontos para a segurança social e a redução da TSU. A ideia "extremamente inteligente", não fosse ela do muitíssimo inteligente Borges, nunca tinha sido experimentada em lugar algum. Os empresários, como todo o resto do País, foram contra. Não por uma questão de solidariedade, mas porque acham que trabalhadores falidos são consumidores falidos. Pensam que não há exportações que nos salvem da destruição do mercado interno. Os ignorantes tiraram assim ao espantosamente inteligente Borges o Nobel que lhe estava reservado.

O tremendamente inteligente Borges é demasiado grande para este País. Tem de lidar com gente ignorante que não passaria no primeiro ano do seu curso, disse ao lado do genial ministro que fez de uma assentada um curso inteiro. Porque voltou o barbaramente inteligente Borges para a piolheira? Porque também o mundo é demasiado pequeno para ele. O FMI despediu-o por ser inteligentemente incompetente. Ninguém sabe o que fez, durante dois anos, como vice-presidente da Goldman Sachs (um entre centenas), o grupo financeiro que ajudou o governo grego a enganar a Europa e que mais responsabilidades tem na crise financeira internacional. Terão sido, com toda a certeza, coisas inteligentes.

Como Chairman da Hedge Fund Standards Board, deu uma entrevista à BBC. No Hard Talk, o estrondosamente inteligente Borges tentou explicar a Stephen Sackur os seus inteligentes pontos de vista sobre ética e a utilidade para a economia das suas funções. Perante olhos mais ignorantes, a prestação foi desastrosa e esclarecedora. Como acontece por vezes aos intelectualmente mais dotados, dava a ideia de estarmos perante um pateta que deixava clara a obscuridade imoral do seu ofício.

Incompreendido lá fora, porque o avassaladoramente inteligente Borges vive à frente do seu tempo, regressou ao cantinho que o viu nascer. Passos Coelho contratou-o para tratar das privatizações. Que não têm, como se está a ver na TAP, corrido muito bem. É o problema de lidar com investidores externos não menos ignorantes que os empresários domésticos.

Desde que chegou, o tragicamente inteligente Borges tem dado inteligentes opiniões. Que os salários dos portugueses têm de baixar e que quem acha que os portugueses não têm de apertar o cinto está um bocadinho a dormir. Palavras do deprimentemente inteligente Borges, que saca, todos os meses, 25 mil euros aos contribuintes. Que a RTP devia ser concessionada, ficando as despesas para o Estado e o lucro para quem agarrar a mesada, propôs o pateticamente inteligente Borges. Que as despesas com os funcionários públicos correspondiam a 80% dos custos do Estado, um número assim um bocadinho para o exagerado, mas natural em alguém que, absorto no seu próprio brilho intelectual, não perde tempo com minudências. De cada vez que o incontinentemente inteligente Borges abre a boca cria um drama no governo. Diria Tchekhov: "que sorte possuir uma grande inteligência, nunca lhe faltam asneiras para dizer".

Nunca duvidei, como por estas linhas fica claro, da incomparável genialidade do inteligente Borges. O problema são os políticos, os empresários, os trabalhadores, os portugueses, o FMI, os mercados, os jornalistas, a BBC, Portugal e o Mundo. Neste País, António Borges foi, em tempos, vendido como um homem de autoridade técnica incomparável. Exposto o produto na montra pública dos media, percebe-se finalmente o seu valor. Aquilo é areia demais para a nossa camioneta. Areia que nos sai cara.

democracia com molho à espanhola


o que nunca foi feito


A lista que se segue - e muito mais haveria a acrescentar - já corre na net desde os tempos de Sócrates. Desde então, e apesar das múltiplas promessas de Passos de que iria "limpar" o país, que progressos foram dados a não ser, claro está, o de espremer os trabalhadores até à asfixia? Confira, faça contas e verá que nada se passou, nada do que queríamos, nada do que se queria que Passos fizesse, aconteceu. Muito antes pelo contrário.

· Se faça um controlo rigoroso dos gastos na despesa pública, através de uma melhor racionalização e gestão dos recursos humanos, produtos e equipamentos. Nunca através do corte cego nas despesas, com prejuízo evidente na qualidade de vida das populações, como tem sido levado a cabo nos últimos anos, mas sim através de uma melhor utilização desses recursos e da eliminação de despesas supérfluas ou inspiradas em interesses obscuros;