22/12/12

tome lá, porque é natal (8)

Fotografia: https://www.facebook.com/internationalriot

tome lá, porque é natal (7)

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

retrato de um país acossado



Fotografias: Paulete Matos

tome lá, porque é natal (6)


Desta vez foi no Algarve, junto à casa de férias de Cavaco Silva, não sei quê da Coelha, que entre coelhos e coelhas este país é uma coelheira, ou não procriassem as criaturas como coelhos e sabem de que criaturas falo, para bom entendedor meia queca basta. Pois é. Os representantes do Pai Natal na Terra, abençoados sejam, resolveram ir protestar contra as portagens na Via do Infante. No sapatinho de Cavaco, deixaram vários presentes sob a forma de mensagens, tais como “Cavaco Silva demite o Passos e demite-te” ou “Valor da casa da Coelha – segredo de Estado”. Toma. Embrulha!

os fados que nos fadam, as siglas que nos f....

Ilustração de Gui Castro Felga

aos felizardos que moram em bom porto

Cartaz de Gui Castro Felga
Mais informações em: http://www.maushabitos.com/

não tenham paciência!


Por Carvalho da Silva
http://www.jn.pt

"Tenha paciência" era o que diziam as almas caridosas aos "mendigos" quando lhes faltavam trocos na carteira, ou vontade para dar qualquer coisa. "Tenham paciência" é o que o governo PSD/CDS nos vai dizendo quando fala da "dívida" e das suas receitas para a pagar, que além de nos colocarem coletivamente pobres, nos exigem a desistência da dignidade durante décadas.

Não tenhamos paciência! Sejamos calmos e ponderados, mas determinados contra estes apelos à resignação e ao retrocesso.

Não condescendamos com os "perigos" de os protestos contra as políticas deste governo poderem gerar instabilidade política. A pior das instabilidades é a que está instalada em S. Bento e em Belém. O que está em causa é a venda ao desbarato do país, ou a entrega a interesses particulares, das suas melhores empresas, dos seus sistemas públicos de saúde, de educação, de pensões. Se deixarmos este governo à solta, nem as estradas ficarão como legado.

O que este governo está a fazer equivale a transformar o próprio Estado, a Administração Central e Local, o país, numa gigantesca parceria público-privada, onde para dar um passo é preciso pagar uma portagem. Portagem na autoestrada, portagem no hospital, portagem na escola, barreiras inultrapassáveis no acesso ao subsídio de desemprego, a reformas dignas, ao rendimento mínimo, a condições de vida dignas. Sabe-se lá se até portagem para descansar umas horas na praia ou no jardim. E, em cima de tudo isto, impostos para subsidiar "o serviço público" prestado pela finança.

Não tenhamos paciência perante os discursos que invocam a justiça e a igualdade, exatamente para as liquidar. Não toleremos que digam que "os ricos" devem pagar a saúde e o ensino, quando o verdadeiro objetivo das "reformas" em curso é tornar competitivos os negócios privados de saúde e de educação para ricos, deixando para "os pobres" hospitais e escolas de serviços minimalistas. Não toleremos a propaganda de que é preciso cortar nas pensões "milionárias", quando toda essa treta não passa de uma cortina de fumo que visa manter os verdadeiros privilegiados à margem de qualquer sacrifício, empurrar "os ricos" para planos de poupança reforma, deixando aos "pobres" um sistema de pensões subfinanciado.

O Primeiro-ministro foi a uma assembleia da JSD mobilizar os jovens contra os grisalhos, porque o seu objetivo é retirar aos jovens toda a segurança no futuro, colocá-los a morder as suas próprias pernas e destroçar laços de solidariedade entre gerações.

Não aceitemos a demagogia dos "pobres" contra os "ricos" quando o que o governo está a fazer é empobrecer todos, menos a minoria que detém o controlo acionista da gigantesca PPP em que querem transformar o Estado e o país.

Instabilidade é deixar que isto vá andando. Prudência é pôr fim a esta agonia antes que seja tarde.

A democracia é a alternativa. Democracia em que todos contribuem na proporção das suas possibilidades e todos beneficiam dos serviços públicos. Onde não tenha que pagar "o rico", porque já pagou impostos, nem tenha que pagar "o pobre". Aquilo a que cada um está a ter acesso é um direito que a sociedade pode e deve garantir a todos, por serem seres humanos, na base de políticas de distribuição e redistribuição justas da riqueza. Democracia em que ninguém tenha de despir-se da dignidade para ter trabalho e salário. Democracia em que todos tenham condições para ter voz, e ninguém seja perseguido por exprimir pontos de vista discordantes ou por protestar.

Instabilidade é a ameaça que impende sobre a democracia quando nos dizem, devagarinho, "não-há-dinheiro" para cumprir os direitos laborais, sociais, culturais e políticos. Há dinheiro sim. Dinheiro que foge para paraísos fiscais. Dinheiro que se suja em transações de coisas que deviam estar fora do mercado, como é o caso das decisões políticas. Dinheiro pago em dividendos a acionistas de empresas que estão a despedir. Dinheiro não investido produtivamente, mas que circula na especulação financeira.

Chega de silêncios e condescendências.

que miséria!

Por Constança Cunha e Sá
http://www.ionline.pt

Já se sabia que este governo é pródigo nos alvos a abater. De uma forma geral, os portugueses são “piegas” e preguiçosos, sempre a queixar-se de tudo e mais alguma coisa e invariavelmente à cata de feriados e de férias a que não têm obviamente direito. Para o primeiro-ministro e os seus acólitos, vivemos um tempo de ajustamento não só financeiro como principalmente moral. Com eles chegou a altura de um povo perdulário que sempre gastou “acima das suas possibilidades” perceber, de uma vez por todas, que não passa de um conjunto de pelintras que tem de se “ajustar” aos novos tempos através do desemprego, da quebra de rendimentos e dos cortes nas prestações sociais. O caminho, dizem-nos, é o empobrecimento para níveis insuportáveis, de forma a compensar a irresponsabilidade lusa das últimas décadas.

Como se compreende, dentro desta lógica, os chamados “direitos adquiridos” são um resquício de outros tempos e a Constituição transformou-se num empecilho que tolhe o “ajustamento” que tanto galvaniza o dr. Passos Coelho. O que interessa a inconstitucionalidade de um Orçamento perante os altos desígnios do governo? Para algumas luminárias, nada: o Estado de direito é uma pura irrelevância, que se deve submeter às erráticas medidas de um primeiro-ministro que mostra diariamente que não tem qualquer plano estratégico para o país. Por paradoxal que isso possa parecer, o governo português, que nutre um especial respeito pelo Tribunal Constitucional alemão, despreza intrinsecamente os juízes nacionais que lhe caíram em sorte. Azar nosso!

Se no ano de 2012 as inconstitucionalidades caíram em cima dos funcionários públicos, percebe-se pelo andar da carruagem que em 2013 o lugar foi tomado pelos contribuintes e pelos reformados – dois grupos de privilegiados que têm a obrigação de dar um contributo maior – mesmo que acima das suas possibilidades – aos cofres públicos das Finanças.

No caso dos reformados, o combate ganhou proporções épicas, com um primeiro-ministro, desesperado a tentar justificar a constitucionalidade de uma taxa extraordinária que abrange todos os que recebem mais de 1350 euros de pensão. Misturando alhos com bugalhos, Pedro Passos Coelho atirou-se violentamente a todos os que recebiam pensões milionárias para as quais não tinham contribuído. Esqueceu-se obviamente de referir que os descontos sempre foram estabelecidos pelo Estado e que as pessoas se limitaram a cumprir o que lhes foi unilateralmente imposto. Numa manobra manhosa que visava lançar os novos contra os velhos, o primeiro-ministro, ao juntar tudo no mesmo saco, acabou por reconhecer que um pensionista que receba mais de mil euros por mês é um privilegiado que tem o dever de pagar, além de tudo o resto, uma taxa de solidariedade que lhe diminui o alto rendimento que aufere. A boa notícia para o dr. Passos Coelho é que 90 por cento dos pensionistas não serão atingidos por esta taxa. Porquê? Porque recebem menos de 600 euros por mês. Este, sim, um valor apropriado ao plano de empobrecimento em curso. Que miséria!

Fotografia: Rodrigo Cabrita/Global Imagens (http://www.jn.pt)

tome lá, porque é natal (5)






É um Pai Natal de Austin, no Texas. Activista do Movimento Occupy, foi preso durante uma acção de apelo à paz promovida com crianças. A acusação, suponho eu, não será a de porte de arma, mas de giz.

Fotografias: http://www.austinchronicle.com

o novo menino guerreiro


O marechal, o nosso marechal Pétain, decidiu hoje animar as hostes. Comparou-nos a soldados e a crise à guerra do Ultramar. Isso, do Ultramar, foi como ele disse. Pois, senhor marechal, fique a saber que consigo não marcho nem dou dois Passos. Para si, sou objector de consciência, desertor, refractário, o que quiser. Não estou ao seu lado nessa luta. Não sou filho da dita.

Fotografia: http://noticias.sapo.pt

se não acabou a culpa não é nossa, tudo fizemos para que tivesse acontecido

2012 num minuto.

tome lá, porque é natal (4)

Numa manifestação de estudantes ontem, no Chile.


tome lá, porque é natal (3)

O tiozinho passou-se! Christopher Lee, aos 90 anos, grava duas canções ao estilo do heavy metal. Isso mesmo, aquela música, se é que aquilo é música, que deixa qualquer um mouco e louco, à beira de um ataque de tremuras e cefaleias. Mas não são uns temas quaisquer, são canções de Natal. Nem mais: "The Little Drummer Boy" e "Silent Night". Quanto tiver a idade dele, se algum dia vier a ter a idade dele, quero ser assim. Melhor, quero cantar rap, hip-hop ou essas coisas que os idosos cantam.

21/12/12

tome lá, porque é natal (2)

fim do mundo, não foi hoje mas um dia será ...

as damas da caridade no jogo da miséria

Por João Vilela

Os telejornais, dia sim dia sim, têm andado a apresentar, em tom laudatório e vagamente baboso, as iniciativas "da sociedade civil" (essa belíssima invenção) para combater a pobreza neste período de dificuldades. Não há sopa dos pobres, distribuição de cobertores aos velhinhos, entrega de brinquedos aos putos, venda de Natal para ajudar os pobrezinhos, que não receba aplausos e elogios pela sua natureza solidária, fofinha, amiguinha dos mais necessitados. Isto não é simplesmente desresponsabilização de quem tem de combater a pobreza, a exclusão, e a miséria humana. Isto não é só escamotear que estas são as consequências do pacto de agressão e da destruição premeditada e sistemática da economia nacional. Isto é um projecto de sociedade, pautado pelo fim das políticas sociais e sua substituição pela filantropia dos ricos e pela perpetuação da dependência dos pobres.

a 2 de março façamos estardalhaço, a rebelião faz a força e eles precisam de um cagaço


Somos todos precisos. Todos e todas: funcionários públicos e do privado, efectivos, contratados, precários, reformados, pensionistas, estudantes e desempregados. O Orçamento do Estado para 2013 vai ser posto em prática contra nós. Cortes, penhoras, despejos, despedimentos, dispensas são uma realidade diária, imposta à força, no país em que vivemos. Custe o que custar, dizem. Doa a quem doer, dizem. Mas sabemos que custa sempre aos mesmos, que dói sempre aos mesmos. E que os mesmos somos sempre nós.

2013 ainda não começou e já sabemos bem demais o que aí vem, porque a fome já se faz sentir em muitas casas, em muitas ruas, em muitas escolas. A doença e a miséria já matam, aqui e nos outros países reféns da Troika, esse governo não-eleito que continua a decidir o nosso futuro, que continua a condenar-nos os sonhos à morte, o futuro ao medo, a vida à sobrevivência. Gente que ninguém elegeu e que fala já de medidas de contingência para este mesmo Orçamento, que passarão, dizem, por novas baixas nos salários. Pela miséria nossa que lhes traz lucro a eles.

Depois de durante quase dois meses sentirmos na pele os efeitos deste Orçamento criminoso e imoral, a Troika regressará ao nosso país a 25 de fevereiro, para a 7ª avaliação do assalto financeiro a que este governo, ajoelhado e sem legitimidade, insiste em chamar “de resgate". Sabemos já de cor o teor das mentiras que dirão: que estamos a cumprir, que vamos no bom caminho, que tudo está como deveria estar. Mas esse caminho, o "bom" caminho no qual estamos e (se deixarmos) estaremos, será, como é hoje, o caminho para o cadafalso, o caminho da fome, da miséria, da destruição total da Constituição da República que este Governo e esta Presidência juraram defender, mas que violam constantemente, sem qualquer dúvida ou arrependimento. Já não fazem nada sequer próximo daquilo para que foram eleitos.

Mas nós somos cada vez mais. Somos já muita gente que se recusa a continuar calada. Já mostrámos a força da nossa voz e do nosso protesto. Em Portugal e noutros países, saímos à rua pacificamente, para dizer Basta. E o mundo inteiro ouviu e viu a nossa força. Sabíamos que essas enormes demonstrações de vontade, apesar da sua dimensão, não seriam suficientes, que a luta seria dura e longa e que teria de continuar. A força dos que nos oprimem é cega e obedece a uma rede internacional, para a qual somos apenas um nó insignificante. Mas esse nó é constituído por milhões de pessoas. Pessoas que sentem, pessoas que sofrem, mas que não deixam por isso de pensar, não deixam por isso de saber que têm de agir. Não vamos deixar que se repita a história e que acabemos entregues a regimes totalitários, reféns do ódio, da miséria, da guerra.

Por isso, a 2 de Março, unidos como nunca antes, com a força da revolta na voz e a solidariedade nos braços que entrelaçamos, sairemos de novo à rua, todos e todas, para dizer NÃO.

Apelamos a todos os cidadãos e a todas as cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, para que se juntem a nós. Como apelamos às organizações, aos movimentos cívicos, aos sindicatos, aos partidos políticos, às colectividades, aos grupos informais, de norte a sul, nas ilhas, no estrangeiro, para que saiam à rua e digam BASTA. Faremos de cada cidade, de cada aldeia, de cada povoação, um mar de força e gente, exigindo o fim definitivo da austeridade desumana, a queda do governo e o lançamento das bases para um novo pacto social. Sem troikas, sem políticas recessivas, sem inevitabilidades, sem despedimentos, sem sacrifícios irracionais que já todos percebemos aonde levam: à miséria total, ao fim de toda e qualquer esperança de uma vida digna, ao fim do Estado Social.

Usemos o tempo que nos separa desta data para construirmos um caminho, para alertarmos este, para esclarecermos aquela, sem perdermos de vista os nossos objectivos: o derrube total e inequívoco deste governo, o derrube da austeridade enquanto política que, ao contrário do que nos dizem, não funciona. Porque apenas funciona contra nós, contra o povo, contra os povos, quem quer que seja o seu intérprete - troika ou troikistas.

Concentremos energias e forças numa mobilização sem precedentes, sabendo que só juntos venceremos.
É preciso união.
Somos precisos - todos e todas nós.

Vamos manifestar-nos na tarde de 2 de Março!
A troika e o governo vão ouvir-nos gritar:
O POVO É QUEM MAIS ORDENA!

Álvaro Faria, Ana Nicolau, Bruno Cabral, Carlos Mendes, José Gema, Luisa Ortigoso, Myriam Zaluar, Sofia Nicholson

Adira a esta iniciativa em:
https://www.facebook.com/events/401049333302904/

agora, falo eu!




Um homem, vestido de escocês, vá-se lá saber porquê, gritou "Agora, falo eu!" hoje, na Assembleia da República, quando Passos Coelho se preparava para discursar. Foi corrido pela polícia, não sem antes amachucar o seu Cartão de Cidadão e atirá-lo lá para baixo, para as bancadas dos parlamentares.

Fazem-nos falta mais destes incidentes, que acordem os cidadãos amodorrados. Manifestações? Fazem falta. Greves? Fazem falta. Mas fazem também falta outras acções, radicalmente criativas, que proclamem, bem alto, que a democracia em que vivemos é uma aldrabice, que o que se pede ao povo é que, levado ao engano e no engodo de promessas vãs, vote de quatro em quatro anos.

A democracia pode, deve, tem que ser mais do que isso. Passos Coelho não recebeu carta branca para destruir o Estado, vender-nos ao desbarato, desmantelar a Saúde e a Escola públicas, até porque o desmentiu durante toda a campanha eleitoral e anunciou exactamente o seu contrário, sob uma aura de probidade a que, nem de perto nem de longe, tem correspondido.

Fotografia: http://sol.sapo.pt

um conto de natal pelo pai gaspar

lembra-se dela?

É Aesha Mohammadzai, uma afegã desfigurada pelo marido e cuja foto (em baixo) correu mundo e valeu ao seu autor o prémio World Press Photo. Prometida pelo pai a um guerreiro talibã quando tinha apenas 12 anos, Aesha tentou fugir do marido, que a castigou cortando-lhe o nariz e as orelhas. Aesha encontra-se refugiada nos Estados Unidos, onde foi submetida a operações para reconstituição do nariz, agora artificial, e cirurgia plástica.

Fotografias: http://www.sabado.pt

o presidente que queria ser rei


Um monarca não vota nem veta. Um monarca corta fitas, sorri à plebe, acena à multidão embevecida. Um monarca tem a vidinha assegurada, a sua e a dos seus. Um monarca é-o para toda a vida. Um monarca nada decide, nada faz, nada diz. Um monarca não decora a Constituição, decora a Pátria, atrai turistas, inspira os fabricantes de souvenirs. Um monarca pratica esqui em Chamonix, caça elefantes no Quénia, joga golfe em Saint Tropez. Um monarca não vive ao lado de um museu de coches, faz-se transportar neles. Um monarca usa coroa de ouro, manto de arminho, ceptro de marfim. Um monarca não se maça com papelada, não estuda dossiers, é feliz.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

tome lá, porque é natal









20/12/12

manifestações rigorosamente vigiadas

Espanha inventou uma nova variante do Big Brother. Os capacetes da polícia de choque são o último grito high tech, com câmaras incorporadas. Os polícias são pagos para desancar nos manifestantes e, ao mesmo tempo, filmá-los. Esta fotografia foi obtida hoje, em Madrid, durante uma manifestação contra as privatizações na Saúde planeadas pelo governo Rajoy. O melhor reality show de todos os tempos está a chegar. Sem sexo, mas com muito sangue e pancadaria ao gosto dos fãs de porrada e filmes de acção. Brevemente, também em Portugal. Não somos menos do que os espanhóis, joder!


Fotografia: https://www.facebook.com/internationalriot

a derrota de relvas


O amigo Efromovich foi-se. Relvas perdeu. Tal como com a TSU, a indignação ia alta e o governo recuou. Uma prova de que, quando as vozes se erguem e se unem, a arrogância governamental fraqueja e o governo foge com o rabinho entre as pernas, como qualquer puto reguila armado ao pingarelho, o gandulo do bairro, o fortalhaço da treta.

Foi o fim de Efromovich. Relvas caiu em desgraça. Já não era sem tempo.

responda-me quem souber

Há partes do globo onde já é dia 21. Digam-me: o mundo, por lá, já acabou?


saudades do meu porto de abrigo

esta é a voz: miguel relvas, tem um minuto para abandonar o governo


Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

O ministro Relvas é como o totoloto: anda à roda todas as semanas. É rara a semana em que não vemos o seu nome envolvido em nova polémica. Todos elas, no mínimo, duvidosas e mal esclarecidas. Curiosamente, nunca sai ( o totoloto - entenda-se). Nunca me saiu a mim, provavelmente nunca lhe saiu a si, e nunca saiu do governo o senhor ministro. Por muitas voltas que dê na tômbola das suspeitas, mantem-se no cargo. Uma espécie de Godinho Lopes da política. A saída do ministro Relvas do governo já se tornou numa espécie de chacota, motivo de todo o tipo de ironias e gozo. Um mito urbano, de estilo um bocadinho provinciano, a roçar o bacoco, da política nacional.

"O gabinete do primeiro-ministro considerou "lamentáveis e totalmente infundadas" as suspeitas levantadas pelo PS em relação ao envolvimento do ministro Miguel Relvas no processo de privatização da TAP...". Tudo isto por causa de uma notícia publicada pelo jornal "Público", que dava conta de um "alegado envolvimento de Miguel Relvas e do ex-chefe da Casa Civil de Lula da Silva, José Dirceu - condenado a mais de dez anos de prisão no caso "Mensalão" - no processo de privatização da TAP". Expresso

Sinceramente, nem vou comentar. Acho que verdadeiramente "lamentável" é termos de continuar a levar com o ministro Relvas. A necessidade de desmentidos semanais para limpar a honra do senhor ministro, enxovalham não só o débil governo, como o país e todos os portugueses. "Lamentável" é o ministro não perceber que há muito tempo que ninguém o leva a sério e que este facto prejudica não só a sua atuação como descredibiliza o governo, enfraquece a democracia e desacredita, ainda mais, a triste e decrépita política nacional.

Lamentável é, caso após caso, polémica atrás de polémica, não vislumbrar na figura do senhor ministro uma réstia de vergonha, recato e bom senso que o leve a considerar sequer a hipótese ( já nem vou falar de 'académica' - para não melindrar ainda mais o senhor ministro) de abandono do cargo. Teimar, não aceitar a fragilidade em que se encontra é ridículo. É uma atitude bizarra e insustentável. A presença no governo tornou-se num exercício patético de masoquismo político. Viver cilindrado pelas dúvidas permanentes da maioria dos portugueses é, todavia, um facto que parece não incomodar muito o senhor ministro.

Há políticos que não entendem que os cargos não se sobrepõem aos valores que devem pautar a sua atuação e que responsabilidades há que estão muito para além das funções que lhe são atribuídas, ou das agendas pessoais. O ministro Miguel Relvas, com mais ou menos privatizações, passa, Portugal fica. Para sempre. E Portugal não se vai esquecer de Relvas.

Se a voz da sua consciência nada lhe disser, acredite pelo menos nisto: a maioria dos portugueses não parece confiar em si. Faça um favor a si mesmo, senhor ministro, e a todos nós: demita-se.

o ai-jesus de belém

Nunca tanto, como este ano, encaminhei os meus passos (Passos??!) para Belém. Fui lá com os conselheiros de Estado, fui lá com a Merkel, andei por lá aos gritos, a rezar a todos os santinhos para que o rendeiro do palácio, perdão, do presépio, me ouvisse, ele e a sua Maria. Em vão. Ei-los juntos adorando o seu menino, o seu ai-jesus. Feliz Natal.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com

do abominável césar das neves

"Esta crise é uma oportunidade de bondade, de caridade e de solidariedade. Bendita crise que nos trouxe o essencial".

In Visão, 20/3/2012

a bem da nação

Por Fernando Dacosta
http://www.ionline.pt

Vários idosos estão a receber convocatórias para se dirigirem à sede do Ministério da Segurança Social a fim de levantarem uma manta de lã, uma bilha de água e um pão de mistura. De seguida devem descer a Santa Apolónia, onde tomarão lugar num comboio especial que os levará, em vagões fechados, à serra da Estrela. Aí imobilizar-se-ão na cordilheira central, a aguardar, em boa ordem, o passamento. Este será sereno, pois o frio actua rapidamente provocando sono e desfalecimento sem dor.

A decisão, aprovada pela parelha PSD/CDS no seguimento de directrizes da senhora Merkel, vai ser promulgada nas festividades natalícias pelo Presidente da República, entrando em vigor a 1 de Janeiro de 2013.

Dando um salto civilizacional em frente, o governo português aceita assim – com grande espírito cristão – promover o ensaio da medida que (se a experiência der, como se espera, bom resultado, basta ser controlada por Vítor Gaspar) a troika aplicará seguidamente à Grécia, à Irlanda, a Espanha, a Itália, a França e a todos os países com montanhas suficientemente frígidas para gelar, em fornadas sucessivas, os periclitantes velhotes. O método do tio Adolfo de gazear judeus não se revela hoje aconselhável – a neve é muito mais limpa.

Os primeiros a despachar são os detentores de pensões milionárias, para as quais não fizeram descontos condizentes. A seguir irão os de pensões mais baixas e assim sucessivamente até que o problema da sustentabilidade da Segurança Social caseira fique resolvido – sem encargos para os contribuintes no activo.

Fotografia: http://www.pablovicente.com

um pão nos cornos da populaça

Cristina Andrés, uma empresária de Vigo, vai atirar pão ao populacho resgatando, ao que parece, uma tradição do século XVII. São 3.000 os pães que a esmoler senhora arrojará das varandas da luxuosa sede da sua empresa para a mole humana que, lá em baixo, de mão estendida, tentará arrebanhar o maná vindo dos céus.

Querem saber o que é que eu acho? Que os maias tinham razão. Que amanhã se acaba o pesadelo e que este processo de retrocesso, salvo seja, irá ser interrompido à força de vendavais, ciclones, dilúvios e sei lá que mais, talvez tornados, talvez erupções vulcânicas, talvez bolas de fogo a caírem-nos na moleirinha.

Se tal não acontecer, se os maias nos tiverem enfiado o barrete, então que sejamos nós a pôr fim a este fim do mundo. Que se tome a Bastilha, que se guilhotinem as Antonietas deste vale de lágrimas onde vogamos ao sabor dos caprichos e desmandos dos novos senhores medievais.




ai que rico cheirinho a igreja!...


Valha-me Santo Eucarário, eis o regresso da Velha Senhora em toda a sua glória, de crepes negros, vestido negro, véu negro, chapelito negro no alto do cocuruto e punhetes de renda negra nas mãos cavernosas. A cheirar a naftalina e, claro, a incenso, que o ouro mirra cada vez mais à pala do Gaspar. Ai que rico cheirinho a igreja, está-me a dar cá uma filoxera de ir à dos Mártires em pranto pelos portugueses todos!

Todo este aranzel vem à colação de uma nova que li hoje, que lá para as bandas de Braga, a Roma de Portugal onde convivem santos e arcanjos numa eterna ceia de cardeais, bispos e arcebispos, um funcionário do Santander impediu a entrada de um cliente na dependência por estar ... mal vestido.

Agora me lembro, há muito que não vejo aquela plaquita que tanto me envergonhava em piqueno (reparem como escrevo piqueno, que isto de reencontrar a Velha Senhora tem destas finesses), de tão mal vestido que andava, a roupa pingona, os sapatos cambados: RESERVADO O DIREITO DE ADMISSÃO.

Proponho que o Totta, Santander em segundas e auspiciosas núpcias, a coloque à porta dos seus estabelecimentos. Assim, já não há quiproquós. Toda a gente sabe, e quem não sabe devia saber, que os bancos são para os ricos alaparem os traseiros onde não há almorróida que se não cure. É lá que encontram juros baratos (juros altos só para os pobres, o risco de incumprimento é elevado). Os pobres pagam despesas de manutenção, porque as somas que lá têm só dão incómodos e chatices. Os ricos não. Os pobres pagam a crise. Os ricos não. Os ricos comem. Os pobres comem pela medida grande. Os banqueiros têm que ser ajudados pelo Estado. Os pobres não. Os banqueiros vivem da rapacidade. Os pobres da caridade, essa imaculada prática que regressou com o regresso da Velha Senhora, abençoada seja que tanta falta nos fez de setenta e quatro para cá.

Oremos, irmãos. A igreja está toda iluminada. Deve ser Natal. 

Imagem: http://www.stockvault.net/

a caridade é linda, a caridade é linda!


nomes falsos não são o mesmo que nomes de código?...



não peço a demissão de relvas

Não, não peço a demissão de Relvas. Já não chega. Peço, exijo as demissões de Coelho, Gaspar, Santos Pereira, Teixeira da Cruz, os Macedos, Mota Soares, Portas, Cristas, Moedas, Aguiar-Branco, Crato, Marques Guedes, Barreto Xavier, Morais Sarmento, Maria Luís Albuquerque, Manuel Rodrigues, Núncio, Rosalino, Morais Leitão, Brites Pereira, Cesário, Dias da Silva, Silva Peneda, Lobo d'Ávila, Santo, Barreiras Duarte, Teresa Morais, Simões Júlio, Mestre, Almeida Henriques, Silva Martins, Silva Monteiro, Nuno Oliveira, Trindade, Meireles, Diogo Albuquerque, Campelo, Pinto de Abreu, Afonso de Paulo, Leal da Costa, Ferreira Teixeira, Queiró, Parreira, Casanova de Almeida, Grancho, Marco António Costa. Fora com todos eles! O país está a ser destruído perante a complacência de alguns, a indiferença de muitos, a raiva de uns quantos que, nas ruas, nada têm conseguido. É preciso ir mais longe. É preciso que esta gente desapareça da cena política para nunca mais voltar. Fora! Rua! Basta de barbárie, de depauperação dos portugueses, de derrocada económica e de tanta trapalhice, tanta trafulhice, tanta aldrabice, tanta vigarice.

A troika não justifica tudo, não desculpa nada. É preciso que a gente de bem, de esquerda, de direita, ao centro, numa altura destas tanto me faz porque é o regime democrático e vidas que estão em causa, se ergam contra esta situação aviltante em que nos colocaram a inépcia dos maus políticos, a ganância dos corruptos, a avidez dos mercados, a estupidez de muitos e a cobardia de tantos.

Nada espero de Cavaco. Mas espero-o de muitas outras personalidades do País, todas unidas, sem excepção, pela demissão do governo. É urgente. São as nossas vidas, as de dez milhões de pessoas, que estão em causa. 

Não me venham com as tretas do costume: que foram eleitos, que seria anti-democrático correr com eles. Anti-democrático é governar contra o povo, anti-democrático é empobrecê-lo à força e por gosto, anti-democrático é desmantelar o País e vender bocados a preços de saldo a gente mais do que suspeita, anti-democrático é destruir o Estado Social, anti-democrático é comprometer o futuro, anti-democrático é obrigar milhares de portugueses a emigrar, anti-democrático é mentir, é insultar, é dividir para reinar, é assistir, com total indiferença, impávidos e serenos, aos dramas que se sucedem e se multiplicam de Norte a Sul.

Estou farto de Relvas. Farto de Coelho. Farto de Gaspar. Farto de Santos Pereira. Farto de Teixeira da Cruz. Farto dos Macedos. Farto de  Mota Soares. Farto de  Portas. Farto de  Cristas. Farto de  Moedas. Farto de Aguiar-Branco. Farto de Crato. Farto de Marques Guedes. Farto de Barreto Xavier. Farto de Morais Sarmento. Farto de Maria Luís Albuquerque. Farto de Manuel Rodrigues. Farto de Núncio. Farto de Rosalino. Farto de Morais Leitão. Farto de Brites Pereira. Farto de Cesário. Farto de Dias da Silva. Farto de Silva Peneda. Farto de Lobo d'Ávila. Farto de Santo. Farto de Barreiras Duarte. Farto de Teresa Morais. Farto de Simões Júlio. Farto de Mestre. Farto de Almeida Henriques. Farto de Silva Martins. Farto de Silva Monteiro. Farto de Nuno Oliveira. Farto de Trindade. Farto de Meireles. Farto de Diogo Albuquerque. Farto de Campelo. Farto de Pinto de Abreu. Farto de Afonso de Paulo. Farto de Leal da Costa. Farto de Ferreira Teixeira. Farto de Queiró. Farto de Parreira. Farto de Casanova de Almeida. Farto de Grancho. Farto de Marco António Costa. 

19/12/12

antes que o mundo acabe ...

... o governo anuncia amanhã a venda da TAP. Efromovich, sabe-se, viaja logo a seguir, antes da meia-noite, para Marte. Levará Relvas consigo. Quer fazer dele o touro de cobrição que vai repovoar a Terra. Excelentes genes que farão do mundo um lugar melhor.




território angolano no estoril

O artigo surge num site angolano contra a corrupção. O famoso edifício "Tetris" que veio substituir o Hotel Estoril Sol é, quase todo, pertença de angolanos, incluindo o homem de quem tanto se fala, Sílvio Alves Madaleno, administrador da Newshold, candidata à privatização da RTP. Transcrevo o artigo na íntegra:

O PRÉDIO DOS ANGOLANOS NO ESTORIL SOL

Por Rafael Marques Morais
http://makaangola.org

Nos últimos anos, o novo-riquismo angolano tornou-se lendário em Portugal. Dirigentes angolanos, suas famílias e associados de negócios têm estado a adquirir, nesta parte da península ibérica, alguns dos principais símbolos da opulência local.

Caso paradigmático é o do complexo residencial de luxo Estoril Sol Residence, que comporta três edifícios de uma arquitectura singular e controversa, em Estoril, na orla marítima de Lisboa. O complexo tem dos apartamentos mais caros de Portugal, que variam do milhão a cerca de cinco milhões de euros por unidade. O complexo é bem conhecido como o “prédio dos angolanos”, por serem estes os principais clientes do referido projecto imobiliário, inaugurado há dois anos, com a titularidade de perto de 30 apartamentos.

Numa breve investigação, Maka Angola apurou quem são os ricos angolanos com propriedades no Estoril Sol Residence.

O actual ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, António Domingos Pitra Costa Neto, é dono de cinco apartamentos na Torre Baía, no 3º, 5º, 7º, 9º e 14º andares, estando os primeiros quatro em nome da sua filha Katila Pitra da Costa, estudante. Pitra Neto deverá ser o próximo presidente da Assembleia Nacional, depois das eleições de 31 de Agosto próximo, conforme cogitações emanadas da presidência de José Eduardo dos Santos.

Tanto no 9º como no 14º andar, o ministro Pitra Neto tem como vizinhos o casal Kopelipa. Fátima Geovetty, a esposa do ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, adquiriu dois apartamentos. O fiel escudeiro do general Kopelipa nos seus negócios privados, Domingos Manuel Inglês, fica a meio, no 12º andar. Na torre ao lado, Cascais, o principal gestor de negócios um tanto obscuros do general, o português Ismênio Coelho Macedo, desfruta da grande vista para o mar, com um apartamento no 4º andar.

Outro comprador extraordinário é o ex-ministro das Finanças, José Pedro de Morais, com quatro apartamentos, também na Torre Baía, no 1º, 2º, 4º e 5º pisos.

Por sua vez, o brasileiro Valdomiro Minoro Dondo, também portador de nacionalidade angolana, tem um apartamento no 11º andar da Torre Estoril. Valdomiro Minoro Dondo tem cruzado negócios com o general Kopelipa, José Pedro de Morais, Pitra Neto, a família presidencial e outros influentes membros do regime. A sua formidável capacidade para o tráfico de influências conferiu-lhe o interessante título de “estrangeiro mais rico de Angola”. Por sua vez, outro brasileiro, associado a Minoro Dondo e a dirigentes angolanos, Gerson António de Sousa Nascimento é dono de um duplex, na Torre Estoril, no 6º e 7º andares.

O sócio e representante legal de alguns negócios de Welwitchia “Tchizé” dos Santos, Walter Virgínio Rodrigues, demonstrou que os negócios lhe têm corrido de feição e comprou um apartmento no 8º andar da Torre Estoril. Como celebração do contrato multimilionário realizado entre o Ministério da Comunicação Social e a empresa Westside Investments para a gestão privada do Canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA), a sócia maioritária, “Tchizé” dos Santos, agraciou-o com um bónus de US $500 mil, enquanto a filha do presidente atribuiu-se, a si própria, com fundos do erário público, um prémio de um milhão e meio de dólares.

Outro angolano que faz parte do selecto grupo de proprietários do Estoril Sol Residence é o antigo director da Endiama, Noé Baltazar.

Apesar dos preços, os angolanos, regra geral, compram vários apartamentos, de forma ostensiva. Algumas das aquisições levantaram suspeitas junto das autoridades judiciais portuguesas que, para o efeito, abriram inquéritos. Um dos inquiridos, por suspeita de branqueamento de capitais, foi o presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Álvaro Sobrinho. A 2 de Setembro de 2010, Álvaro Sobrinho adquiriu seis apartamentos no referido complexo tendo inicialmente pago o valor de 9.5 milhões de euros, segundo investigações do Diário de Notícias. Os seus irmãos Sílvio e Emanuel Madaleno também são detentores de mais três apartamentos no Estoril Sol.

Há ainda os angolanos que optaram por usar testas de ferro mais discretos na aquisição de propriedades.

Entre o investimento legítimo e o branqueamento de capitais, Portugal continua a ser o destino preferido dos ricos angolanos e a sua melhor lavandaria financeira.









Fotografias: http://www.estorilsolresidence.com