memórias do cárcere

Publicado, aqui, em 2 de Janeiro deste ano. Nada mudou desde então:



Não. Não sei o que andamos para aqui a fazer. Em blogues, nas redes sociais. Falamos, dissertamos, maldizemos, amaldiçoamos. Cada qual puxando a brasa à sua sardinha. Cada um cuidando da sua quintinha. A ver quem tem mais verduras, mais tomates, mais criaturas inscritas, mais cliques. Entretanto os neofascistas, depois de ganharem as eleições, ganham terreno todos os dias e todos os dias nos vão às trombas, nos espoliam, nos tratam como bestas de carga, animais de cobrição dispostos a trazer outros escravos à Terra. O PS é o que é, ou seja, não é, não existe como esquerda. O PCP e o BE também terão defeitos, ai pois terão. Mas esta raiva anti-partidos, todos, começa a cansar-me. Eu também sou contra o sistema. Eu também sou pela democracia real. Mas gostava de ter todos os de esquerda, seja qual for a sua sensibilidade ou partido, até no PS os haverá sinceros, unidos numa mesma causa: escorraçar a canalha. Não vejo isso. Antes pelo contrário, vejo os neofascistas a ganharem terreno a cada dia que passa. Tal como as crianças, testam-nos, medem-nos, a ver até onde podem ir no roubo descarado e no crime organizado de que não são os padrinhos, mas apenas pequenos, irrelevantes gangsters de pistola em punho. Prontos a matar por dois dinheiros.

E nós, divididos, irredutíveis, do alto da nossa sapiência e orgulho, entregamos o corpo às balas. De consciência tranquila, porque a razão é nossa. Só nossa e de mais ninguém.

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