23/03/13

cores de lisboa





Site do autor: http://hugoaugusto.500px.com



Fotografias recolhidas em:
https://www.facebook.com/LisboaVistaPorTi

bolsas em alta, vidas em baixa

apedrejado até à morte

Chamava-se Mohamed Ali Baashi. Era somali. Foi condenado, por um tribunal, a morrer apedrejado. O seu crime? Ser gay.


borradinhos de medo


E que me dizem de Seguro? Não está feito um homenzinho, ameaçador, fortalhaço, temeroso mesmo? Não estão todos borradinhos com medo?

Haverá alguém que acredite, que genuinamente acredite, que o PS será a solução para o descalabro em que o País está mergulhado?

Não percebo os políticos à esquerda do PS que pedem eleições sabendo, de ginjeira, quais vão ser os resultados. Não percebo os portugueses que, loucos ou suicidas, teimam em eleger os partidos de alterne e em catapultar as alternadeiras para os boudoirs do poder.

Mas, enquanto Seguro sobe e não sobe ao poleiro dos galarotes de feira, tremamos com a sua voz forte e grossa, a sua capacidade de decisão, a sua violenta oposição a Passos e à sua quadriga. Temos homem!

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

21/03/13

o verdadeiro significado de "tomar no cu"


há por aí um abaixo-assinado para correr com coelho? Se houver, assino


Os abaixo-assinados são vistos como coisa corriqueira, de tal forma que os senhores do poder não lhes ligam peva, parecendo ignorar que essa é a única maneira que o cidadão comum tem, tantas vezes, de se fazer ouvir. Mas não assinei o abaixo-assinado contra a presença de Sócrates num espaço de comentário da RTP. Em primeiro lugar, porque não assino seja o que for ao lado de personalidades do CDS ou do PSD. Os interesses dessa gente não são os meus, se me movem ressentimentos contra Sócrates não serão pelas mesmas razões desses cavalheiros, que mais não pretendem do que passar uma esponja pelas culpas que cabem aos seus partidos e, em última análise, ao capitalismo mundial que nos lançou neste desastre pavoroso onde estarrecemos e empobrecemos a cada dia que passa. Mas, em segundo lugar, pelos motivos invocados: sendo Sócrates o grande responsável pela situação a que chegámos, alegam, não deveria botar faladura nem na RTP nem em parte nenhuma. Se esse argumento fosse válido, muitos outros políticos deveriam ser impedidos de falar em público. A começar por Passos Coelho. Se Sócrates abriu a cova, Coelho enterra-nos alegremente.

Quanto ao facto de sermos nós a pagar a RTP e, como tal, termos o direito de vetar a presença de Sócrates ou de outro qualquer na estação pública, que tal agir com o mesmo afinco, e pela mesma ordem de razões, exigindo que a RTP não seja privatizada, que Nuno Santos volte para a RTP, que Alberto da Ponte seja despedido? E se somos nós que pagamos aos governantes, que tal correr com Passos, Gaspar, Relvas e demais algozes da nação? Isso sim, é que era assinar direito por linhas tortas.

judeus somos todos nós

Dizem por aí que a maioria do povo alemão está com Merkel. Acredito. Foi esse mesmo povo que, se não colaborou, fechou os olhos à perseguição e ao massacre dos judeus. Ignoravam, disseram depois. E agora, há desculpa? Também ignoram o que se passa na Grécia, em Espanha, no Chipre, em Portugal, do sofrimento imposto pelo governo alemão aos povos desses países? Não sabem da fome, do desemprego, dos suicídios, dos sem-abrigo que desaguam nas ruas como última tábua de salvação antes do naufrágio iminente? Vamos ser claros. Uma boa parte dos alemães, tal como de outros povos do norte da Europa, acham os do Sul calaceiros e vigaristas. Merecemos qualquer castigo que nos queiram impor. Temos que entrar nos eixos.

E enquanto, noutros tempos, ficaram com as casas dos judeus, os bens dos judeus, os óculos, os dentes, o cabelo, a pele dos judeus, hoje arredondam as suas fortunas à conta da crise financeira de outros povos igualmente párias, igualmente indignos.

Com a aviltante submissão dos marechais Pétain dos países sob ocupação e em fase de saque generalizado.





valeu a pena ser mordomo nas lajes


a bom porto






20/03/13

os pobrezinhos

Por António Lobo Antunes

Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeo

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis.

antigamente, em lisboa

Chiado, 1901
Av. da Liberdade, 1909
Calçada do Combro, 1913
Lisboa, 1931
Restauradores, 1931
Restauradores, anos 40
Imagens recolhidas em: http://lisboaantiga.blogs.sapo.pt/

19/03/13

a estrela das nossas serras









cromos para a troika

Se fossem cómicos, escondiam-se as pratas (quem ainda as conserva) e pronto, caso arrumado. Contudo, eles não dão vontade de rir, são párias, são abutres, são a escória do mundo. Precisamos de esconder mais do que pratas. Precisamos de esconder o nosso pão, as nossas vidas, as résteas da nossa esperança.




Imagens: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

as bacoradas do velho traste


O venerando Belmiro, mais discreto do que Soares dos Santos, o outro merceeiro da Nação, resolveu agora dar um ar da sua desgraça com a afirmação de que "sem mão de obra barata não há emprego".

Um dos homens mais ricos do País, que acumula riqueza à custa dos produtores e do seu pessoal, é mais um a mandar achas para a fogueira, a aumentar a clivagem entre os que sofrem com a crise e os que a atravessam como se nada fosse, aumentando a fortuna, surgindo na lista Forbes dos bandalhos mundiais e augurando, para Portugal, um destino de terceiro-mundo, com uma oligarquia rica e poderosa e uma multidão de escravos ao seu serviço, mal pagos mas agradecendo-lhes as migalhas.

O venerando Belmiro também se encarniçou contra "esse carnaval mais ou menos permanente de manifestações". Diz isto quem se esqueceu dos tempos em que andou mascarado de UDP.  O venerando Belmiro não precisa de máscaras. É o que é. Um vampiro. Que a terra lhe seja pesada quando chegar a sua hora porque, foi Jesus quem o disse, não será dele o reino dos Céus. E São Pedro não aceita luvas.

Fotografia: Nelson Garrido (http://www.publico.pt)

abolição das PPP


Por Paulo Morais
http://www.cmjornal.xl.pt

As PPP representam um compromisso anual de vários milhares de milhões de euros, um verdadeiro cancro para as finanças públicas da atual e das próximas gerações. Em primeiro lugar, geram para os concessionários, em particular das PPP rodoviárias, rentabilidades anuais obscenas, da ordem dos 17%, ou até mais. O rendimento é garantido. Cada troço de autoestrada obriga o Estado a um pagamento diário… independentemente de lá passar um único carro. Por outro lado, o Estado ainda paga prémios pela diminuição da sinistralidade, que representam largos milhões para cada autoestrada. É certo que também há penalização pelo acréscimo de acidentes, mas as multas são incomparavelmente mais baixas do que os prémios, pelo que os privados ficam (como sempre) beneficiados. Favorecidos numa relação de um para cem ou até mais! Por último, os governos têm negociado, ao longo de anos, ruinosos acordos de "reposição de reequilíbrio financeiro". Já no início do século, na Ponte Vasco da Gama, a primeira das PPP, o Estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte, para a compensar por um aumento de taxas de juro, mas nunca a concessionária pagou quando as taxas diminuíam. Estas práticas reiteradas transferiram milhares de milhões para os concessionários. Em 2011, só nas PPP rodoviárias, para despesas correntes de cerca de oitocentos milhões de euros, os pedidos de reequilíbrio financeiro foram de… novecentos milhões. Só há agora uma forma de nos libertarmos deste jugo: abolir o negócio das PPP. Pela via da renegociação dos contratos, reconversão do modelo em concessão ou, pura e simplesmente, expropriação dos equipamentos e infraestruturas. E sem sequer consagrar direitos adquiridos aos concessionários. Em primeiro lugar, porque os contratos são leoninos, os direitos foram obtidos ilegitimamente. Mas sobretudo porque quando se libertam servos, como quando se procedeu à abolição da escravatura, não se podem, nem devem, manter intactos os direitos dos esclavagistas.

e se um dia a gazprom comprasse portugal?

Por Pedro Tadeu
http://www.dn.pt

Então chegámos ao ponto em que uma empresa se propõe comprar um país da União Europeia. Não se trata de comprar uma ilha das Caraíbas pintalgada por palhotas folclóricas. Trata-se da aquisição, a preço de saldo, de um pequeno Estado, é certo, mas que é membro da, ó mito, poderosa Zona Euro... É revolucionário!

A russa Gazprom (onde, discretos, florescem seis por cento de capitais alemães) aceita ficar com a dívida de Chipre se, em troca, lhe concederem o direito de explorar livremente o gás natural da região. O negócio pode fazer-se por dez mil milhões de euros, o que, admite-se, para as contas da 15.ª maior companhia do mundo será pouco mais do que uma bagatela.

A intenção surge na sequência da decisão dos ministros das Finanças do euro de cobrar uma taxa sobre o dinheiro que está depositado nos bancos de Chipre. Segundo li em vários jornais económicos, nada suspeitos de simpatias coletivistas ou de tendências esquerdistas, "este ato de terrorismo de Estado" (sic) é já candidato a medida política mais estúpida do século.

Esta gente é mesmo capaz de nos roubar! Esta gente vende-nos, a nós, povos, como vende qualquer mercadoria. Com esta gente nada podemos dar como certo, nem sequer a segurança do dinheiro que depositamos nos bancos - um dos pilares da arquitetura da economia capitalista.

Cito: "Todas as pessoas têm o direito de fruir da propriedade dos seus bens legalmente adquiridos, de os utilizar, de dispor deles e de os transmitir em vida ou por morte. Ninguém pode ser privado da sua propriedade, exceto por razões de utilidade pública, nos casos e condições previstos por lei e mediante justa indemnização pela respetiva perda, em tempo útil. A utilização dos bens pode ser regulamentada por lei na medida do necessário ao interesse geral." Este é o artigo 17.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Para esta gente, que governa o euro, este texto não existe ou, então, o seu conceito de "interesse geral" é coisa muito, muito particular...

Esta medida desumana sobre o povo de Chipre - votada favoravelmente, sem surpresa, sem vergonha, pelo ministro português Vítor Gaspar - tem um mérito: revela, em toda a sua crueza, do que esta gente é capaz; faz-nos cair, brutalmente, na pura realidade; dá-nos consciência da montanha que temos de derrubar se um dia quisermos viver numa sociedade com uma governação decente; lembra--nos que corremos mesmo o risco de deixarmos de viver numa democracia, para passarmos a ser geridos, 24 horas por dia, como nos piores romances futuristas, por uma gigantesca companhia.

esta corrente não vai querer quebrar


Não me venham dizer que os blogues só servem para o parlapié sem consequências. Estamos organizados - e em corrente inquebrantável - pela demissão de Pedrito Coelho e seus amigos.

Recebi esta corrente do http://donatien52.blogspot.pt e passo-a a:
http://arrastao.org
http://aventar.eu
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