há por aí um abaixo-assinado para correr com coelho? Se houver, assino


Os abaixo-assinados são vistos como coisa corriqueira, de tal forma que os senhores do poder não lhes ligam peva, parecendo ignorar que essa é a única maneira que o cidadão comum tem, tantas vezes, de se fazer ouvir. Mas não assinei o abaixo-assinado contra a presença de Sócrates num espaço de comentário da RTP. Em primeiro lugar, porque não assino seja o que for ao lado de personalidades do CDS ou do PSD. Os interesses dessa gente não são os meus, se me movem ressentimentos contra Sócrates não serão pelas mesmas razões desses cavalheiros, que mais não pretendem do que passar uma esponja pelas culpas que cabem aos seus partidos e, em última análise, ao capitalismo mundial que nos lançou neste desastre pavoroso onde estarrecemos e empobrecemos a cada dia que passa. Mas, em segundo lugar, pelos motivos invocados: sendo Sócrates o grande responsável pela situação a que chegámos, alegam, não deveria botar faladura nem na RTP nem em parte nenhuma. Se esse argumento fosse válido, muitos outros políticos deveriam ser impedidos de falar em público. A começar por Passos Coelho. Se Sócrates abriu a cova, Coelho enterra-nos alegremente.

Quanto ao facto de sermos nós a pagar a RTP e, como tal, termos o direito de vetar a presença de Sócrates ou de outro qualquer na estação pública, que tal agir com o mesmo afinco, e pela mesma ordem de razões, exigindo que a RTP não seja privatizada, que Nuno Santos volte para a RTP, que Alberto da Ponte seja despedido? E se somos nós que pagamos aos governantes, que tal correr com Passos, Gaspar, Relvas e demais algozes da nação? Isso sim, é que era assinar direito por linhas tortas.

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