16/11/12

os ventos devem estar loucos

Não acontece só aos outros. Um tornado atingiu hoje o Algarve, no triângulo Carvoeiro, Silves, Albufeira, com os resultados que estão à vista. Há feridos em estado grave.



Fotogaleria: http://expresso.sapo.pt

o mundo está irado

Hoje, em Palermo, confrontos entre estudantes e a polícia.






contra israel

Manifestação em Londres, hoje.

Fotografia obtida em:
https://www.facebook.com/pages/COLECTIVO-DIGNIDAD/201067729933307

hoje há porco para o almoço


Também José Miguel Júdice veio hoje a terreiro para arrotar as suas postas de pescada, deve-lhe ter caído mal o banquete de anteontem. Disse ele: "Os portugueses têm de abdicar de direitos adquiridos, trabalhar e poupar mais". 

Porque será que, quem assim fala, é sempre gente bem instalada na vida, graças à política ou aos proventos que lhes cai em bandeja de prata graças às suas ligações políticas, passadas e presentes?

E porque será que esses mesmos senhores, no meio da indigência em que o País se está a atolar, continuam a viver à grande e à antiga portuguesa enquanto mandam os portugueses trabalhar mais e viver pior, quais escravos condenados às galés?

Aqui está a receita de porco para o menu da fome:
http://www.noticiasaominuto.com/politica/21307/portugueses-t%C3%AAm-de-abdicar-de-direitos-trabalhar-e-poupar-mais#.UKYofeTtSSo

o sangue já escorre, portugal já arde








pinochetadas na populaça

De vez em quando, lembro-me dele. E não são saudades, que não são. Deve ser por associação de ideias. Sei lá eu.




a quem de direito

Torpes biltres pulhas salafrários bandidos bandalhos miseráveis facínoras trapaceiros assaltantes desprezíveis bisbórrias embusteiros fraudulentos reles escória ignóbeis ladrões canalhas intrujões malandros bigorrilhas mentirosos gatunos corja trastes tratantes malfeitores safardanas infames celerados burlões patifes aldrabões abjectos velhacos salteadores delinquentes escumalha vergonhosos bandoleiros impostores safados gentalha sem pátria, sem nome, sem coração, sem alma. Desculpem. Hoje deu-me para aqui.

os párias a sul do sol da terra

Uma qualquer individualidade alemã afirmou que 1.000 trabalhadores alemães valiam tanto quanto 3.000 trabalhadores helénicos. O vídeo mostra a reacção dos gregos. Não os condeno.

merkel mente, portugal está na bancarrota

abaixo de cão















Hoje, li de tudo no facebook, mas há um denominador comum a muitos comentários: o ódio. Ódio por quem se manifesta (tanto como a quem atira pedras), ódio por quem condena a actuação desconforme da polícia, ódio contra gente tão pacífica que chega a interpor-se entre os desordeiros e a polícia para fazer parar os actos de vandalismo (fotografias 2, 3 e 4).

O ódio, tanto quanto a austeridade, está a corroer a sociedade portuguesa. Sei a quem culpar quando a violência, violência a sério e não mero divertimento de selvagens, ficar descontrolada.

Fotografias de Vítor Cid
http://www.vitorcid.com/


15/11/12

de olhos bem abertos



Intervenções, hoje, num forum público da SIC. As pessoas não estão parvas, os olhos já lhes estão abertos há muito.

De um post do Daniel Oliveira no http://arrastao.org/

a frontalidade de cavaco silva

E se o senhor presidente fosse tão lesto a repudiar o governo com o é a condenar os "desordeiros profissionais"?

É porque, senhor presidente, se uns dão cabo de algum património, os outros, os do governo do seu partido, destroem Portugal inteiro. É assim ou não é?

O senhor presidente, perdoe-me o abuso da comparação, está-me a parecer como aqueles galifões que, escondendo-se atrás das saias das mãezinhas, gritam de longe: agarrem-me que eu vou-me a ele!

Bater em putos (idiotas, é certo, mas putos) é muito fácil. Difícil é fazer o que tem que ser feito: exercer o seu cargo na íntegra e com todas as consequências.

Mas a História, e o povo, saberão julgá-lo.

amnistia internacional condena a actuação da polícia



A Amnistia Internacional condena uso excessivo e desproporcional de força contra manifestantes que protestavam pacificamente em Lisboa e pede inquérito ao Governo

A Amnistia Internacional Portugal condena o uso excessivo da força por parte da Polícia de Segurança Pública (PSP) contra manifestantes que pacificamente exerciam o seu legítimo direito de protesto, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, no decurso da greve geral de ontem contra as políticas de austeridade. 

Com base em testemunhos recolhidos pela Amnistia Internacional Portugal e informação obtida junto de meios de comunicação social e através das redes sociais, a Amnistia Internacional considera que elementos do corpo de intervenção da PSP atuaram de forma desproporcional, recorrendo indiscriminadamente ao bastão não só para dispersar mas também para perseguir manifestantes que protestavam pacificamente, tendo atingido várias pessoas com violência, sobretudo na cabeça, no pescoço e nas costas. 

A Amnistia Internacional Portugal não deixa, porém, de assinalar a ocorrência, reprovável, de comportamentos violentos por parte de um pequenos grupo de manifestantes, como o arremesso de pedras e de petardos contra elementos das forças policiais. 

Não obstante, a Amnistia Internacional pede ao Ministro da Administração Interna que ordene a abertura de um inquérito às circunstâncias em que decorreu a atuação das forças de segurança, bem como os termos em que foram efetuadas detenções, nomeadamente, se foram observados todos os direitos constitucionalmente garantidos dos detidos, como o esclarecimento sobre os motivos da detenção e o acesso imediato a um representante legal.



Fotografias: http://expresso.sapo.pt

grande profissionalismo o da polícia



Reportagem fotográfica do Expresso. Foi tudo a eito, até mulheres, decerto façanhudas, decerto autênticas padeiras made in Aljubarrota. Entre os perigosos subversivos, crianças.

miguel macedo e a CGTP, uma simpatia que não entendo

Sou dos que pugnam por uma união de esquerda. Que se adiem diferendos e diferenças, que se lute em uníssono pelo derrube do governo e pela salvação do País. Custa-me, por isso, trazer à colação esta questão, mas ficaria mal com a minha consciência se o não fizesse:

- Porque carga-d'água é que Miguel Macedo foi tão lesto e tão firme a ilibar a CGTP de qualquer envolvimento nos actos de selvajaria ontem em São Bento? Esta gente não dá ponto sem nó, Macedo não terá qualquer vantagem política em defender a CGTP com tanto afinco e não o terá feito por seriedade, mas por outra razão que não lobrigo.

- Porque é que Arménio Carlos se recusou a comentar os acontecimentos, dizendo apenas que os lamentava profundamente. Lamenta o quê? A actuação dos arruaceiros ou a da polícia que, bem vistas as coisas, não se comportou da melhor maneira, agindo às cegas e de forma ilegal, como o comprovam as prisões efectuadas a quilómetros, no Cais do Sodré, de gente que nem sequer esteve nas manifestações, fazendo lembrar outros gorilas de má memória?

Cavaco Silva, Passos Coelho, Miguel Macedo, todos elogiaram o profissionalismo da polícia. Eu não iria tão longe, apesar de considerar que, até anteontem, a polícia portuguesa soube agir de forma bastante mais digna do que as suas congéneres gregas, italianas ou espanholas. Atitude que é preciso manter, apesar das pequenas benesses com que Macedo lhes tentou, um dia antes, lamber as botas.




façamos, de toda a europa, uma gigantesca praça syntagma

Atenas, 14 de Novembro de 2012
 Fotografia: http://rt.com

descubra as diferenças ... (2)

Benito em 1945.

Pedrito em 2012.

o jeito que a violência deu ao governo!

Não quero tecer aqui considerações sobre o que não sei. Mas sei que a violência de ontem deu muito jeito ao governo. A partir de agora, pessoas pacíficas e cordatas hesitarão em participar em manifestações. Por mim, lá estarei. Em todas. Convocadas seja por quem for desde que seja contra o governo, a austeridade, a violência da fome e da miséria que nenhumas eleições autorizam, nem ninguém assina de cruz a sua própria desgraça.

Ontem foi assim, antes da selvajaria de alguns e da brutalidade de outros:




o que a violência não pode esconder

Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

Já várias vezes escrevi sobre este assunto: na política, como no resto, a violência tem o poder de se impor, de forma despótica, sobre todos os argumentos e sobre todas as outras formas de luta. Ela impõe-se pela sua irracionalidade e pelo seu poder mediático. Ela impõe-se porque replica, na contestação, os códigos do poder do mais forte.

Depois de ter participado numa manifestação pacifica, passei o fim de tarde de ontem, em São Bento, a gritar com os poucos (e eram mesmo poucos) que arremessavam objetos contra a polícia. Tentando explicar-lhes, sem sucesso, que esse era o favor que faziam a quem julgavam que estavam a combater. Fi-lo, desesperado com o que via, porque sabia duas coisas: que aqueles gestos dariam ao governo a desculpa que faltava para reprimir a contestação e que ofuscariam uma excelente greve geral, que deixou claro o isolamento em que o governo se encontra. Mas, acima de tudo, por uma razão: tenho, em relação à violência, uma objeção de princípio. Considero-me um pacifista no sentido mais radical do termo.

Quando, às 17.30, me apercebi que nada pararia uma minoria de idiotas, abandonei o local. Muitos decidiram ficar, mantendo a devida distância dos desordeiros, sem que, como vimos mais tarde, isso os livrasse de ser vítimas da violência policial.Era certa a injustiça: a enorme coragem que tantos trabalhadores portugueses mostraram, ao correr o risco de fazer greve (muitos deles precários e em risco de perderem o emprego) e ao perder um dia de salário que tanta falta lhes faria, seria esmagada pelas imagens de violência que sempre têm a preferência dos media.

Dito isto, há que deixar claras uma contradição e uma mentira do ministro da Administração Interna.

Disse o ministro que as provocações - que existiram - eram obra de "meia dúzia de profissionais da desordem". Se eram meia dúzia (facilmente identificável depois de uma hora e meia de tensão), porque assistimos a uma carga policial indiscriminada, que varreu, com uma violência inusitada e arbitrária, tudo o que estava à frente? Porque foram agredidos centenas de manifestantes pacíficos, só porque estavam no caminho, naquilo que, segundo a Associação Sindical da PSP foi a "maior carga policial desde 1990"? Conheço várias pessoas que, como a esmagadora maioria dos que ali estavam, não participaram em qualquer desacato. Não tendo sequer resistido a qualquer ordem policial foram, segundo os seus próprios relatos, espancadas pelas forças que deveriam garantir a sua segurança. Como é possível que tenham sido detidas dezenas de pessoas no Cais do Sodré e noutros locais da cidade, sem que nada tivessem feito a não ser fugir de uma horda de polícias em fúria e aparentemente com rédea solta para bater em tudo o que mexesse? Entre os detidos e os agredidos estava muita gente que, estando tão longe de São Bento, nem sequer tinha estado na manifestação ou sabia o que se passava. Como é possível quedezenas e dezenas de pessoas tenham sido detidas em Monsanto e na Boa Hora sem sequer lhes tenha sido permitido qualquer contacto com advogados, como se o País estivesse em Estado de Sítio e a lei da República tivesse sido abolida?

Quando a polícia espancou gente pacifica em vários locais da cidade, estava a garantir a ordem pública ou a contribuir para a desordem? Estava a garantir a integridade física dos cidadãos ou a pô-la em causa? Estava a garantir o cumprimento da lei ou a violá-la? Estava a reprimir os "profissionais da desordem" ou a espalhar a desordem pela cidade? O comportamento inaceitável de meia dúzia pode justificar um comportamento arbitrário das forças de segurança, que não poupa ninguém a quilómetros de distância da própria manifestação?

Não, o comportamento de alguns desordeiros não pode, num Estado de Direito, permitir que a polícia se comporte, ela própria, como desordeira. O crime de uns não permite um comportamento criminoso das forças policiais.

O ministro da Administração Interna garantiu que, ao contrário do que foi escrito em vários órgãos de informação, não havia agentes infiltrados na manifestação, a promover os desacatos para excitar os mais excitáveis e justificar esta intervenção. Fico-me por aqui: sei o que vi antes de me vir embora. E os agentes infiltrados começam a ser cada vez mais fáceis de identificar. Já uma vez o ministro desmentiu uma notícia semelhante que depois ficou provada. Espero que outros tenham conseguido recolher imagens que mostrem alguns dos que, no meio da multidão, vão semeando a confusão.

No dia 15 de Setembro elogiei o comportamento das forças policiais. Quando querem evitar o confronto sabem bem como o fazer. Isolando os provocadores e garantindo o direito à manifestação da maioria pacifica. Quando as ordens parecem ser diferentes é fácil contribuir para a violência. Foi o que aconteceu ontem. Uns tantos idiotas de cara tapada e as ordens certas vindas de cima chegam para garantir que uma greve geral com mais adesão do que o esperado pelo governo morra nos telejornais.

Escrito tudo isto, volto ao que é importante: a greve geral de ontem foi uma das maiores da nossa história. E nem os que procuram nas manifestações a excitação que outros encontram nas claques de futebol conseguem esconder isso. E nem a violência indiscriminada que o ministro da Administração Interna mandou espalhar por meia cidade de Lisboa o pode fazer ignorar. Na televisões, foi a brutalidade de uns e de outros que ganhou. Mas o dia de ontem foi bem mais do que isso: foi uma prova de coragem. Os portugueses estão de parabéns.




portugal de bandeja


Merkel esteve cá na segunda-feira. Atrás dela, todo um séquito de empresários, a nata alemã do dinheiro, os verdadeiros detentores do poder. Alguns dias depois, aparece-nos o presidente da Colômbia acompanhado, entre outros, por Efromovitch (sim, esse, o que nos quer comprar a TAP ao desbarato).

Quais são os senhores e senhoras que se seguem? O presidente de Angola? A sua filha Isabel dos Santos? Um dos seus muitos generais? O presidente da China? Um qualquer ditador dos muitos que por aí há? É aproveitar. Saldos! Saldos! Saldos!

Mas, para que Portugal se torne suficientemente atractivo - e a liquidação total uma realidade -, é preciso reduzir ainda mais os salários, empobrecer os portugueses. Porque ainda há fábricas que se estão a "deslocalizar" para a Tunísia, a China, Marrocos, países onde a escravidão é ainda mais assumida do que cá. Tanto faz que seja indústria poluente, o Estado português vai dar uma ajuda, apoios fiscais, leis laborais dignas do terceiro mundo, ordenados de miséria. Para isso, é preciso despedir mais e mais portugueses, sufocá-los em dívidas, condená-los à fome, levá-los a recorrer à mendicidade, à sopa dos pobres, à Isabel Jonet e associados, sob os auspícios de Pedro Mota Soares. Para que por fim aceitem, como um maná caído dos céus, sem um protesto, um pio, qualquer emprego, a qualquer preço, em quaisquer condições.

Para os mais distraídos, para os adormecidos, para os votantes nos partidos do poleiro, os airosamente chamados partidos do arco de governação, conviria talvez ler um livro, basta um. Sugiro o "No Logo", de Naomi Klein. Para ficarem a saber o que vos espera.


Imagem: http://www.dreamstime.com

quando o passos coelho diz que 2013 vai ser o ano da viragem económica

Ideia roubada ao http://trespassaopassos.tumblr.com/

perigosa radical?


Uma vítima da sanha policial ontem junto da Assembleia da República.

Fotografias de André Ricardo
https://www.facebook.com/aricardophoto

portugal ferido de morte

Não defendo quem atire pedras e petardos contra a polícia, num gesto de provocação gratuita. Mas não posso aceitar a violência às cegas, contra inocentes (muitos) e culpados (poucos). Há que saber interpretar o que dizem os repórteres televisivos, a polícia e, claro, Miguel Macedo. O que quero dizer com isto é que as aparências, tantas vezes, iludem. Já li relatos e comentários para todos os gostos e apetites de sangue e repressão. Não caio nessa.

Por coincidência, Miguel Macedo anunciou ontem aos quatro ventos os aumentos e outras benesses para as polícias.

Precisa de um explicador, ou já entendeu a tragédia grega em que estamos metidos?

14/11/12

o menino de tarragona


O vídeo da agressão a este rapaz de 13 anos, cuja fotografia correu mundo. 

angela merkel num momento de sinceridade

a coragem segundo coelho


Passos Coelho elogiou hoje a coragem de quem foi trabalhar em dia de greve geral. Coragem para quê? Para não irritar o patrão? Coragem tiveram os que, correndo riscos e perdendo um dia de salário, fizeram greve. Mas Coelho é mestre na distorção de factos. Já sabíamos. Para quê indignar-nos com coisa de somenos, se há outras bem mais graves que ele faz e diz? 

vejam lá se se entendem, ou como mais depressa se apanha um coelho do que um coxo

Ontem, nos telejornais, Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, afirmou que a queda das exportações se devia, na sua maior parte, à situação económica difícil sentida em toda a Europa. Hoje, Passos Coelho, o subalterno regente da nova possessão alemã, veio dizer que não, não senhor, a quebra nas exportações deve-se, largamente, à greve dos estivadores.

Está-se mesmo a ver no que é que isto vai dar, não está?...


o sabujo



Por Baptista-Bastos
http://www.dn.pt

O discurso de Passos Coelho, pretendidamente de boas-vindas a Angela Merkel, ultrapassou a indispensável cortesia para se transformar numa inqualificável sabujice. A alemã esteve seis horas em Lisboa apenas para apoiar e aplaudir a política do primeiro-ministro português. Afinal, a sua política. E aquele perdeu completamente o mais escasso decoro e o mais esmaecido pudor. Qualquer compatriota bem formado sentiu um estremecimento de vergonha ante o comportamento de um homem, esquecido ou indiferente à circunstância de, mal ou bem, ali representar um país e um povo.

A submissão a Angela Merkel e ao sistema de poder que ela representa atingiram o máximo da abjecção quando Passos estabeleceu paralelismos comparativos entre trabalhadores alemães e portugueses, minimizando estes últimos, e classificando aqueles de exemplares. A verdade, porém, é que as coisas não se passam rigorosamente como ele disse. Os portugueses trabalham mais horas, recebem muito menos salário, descansam menos tempo, dispõem de menores regalias e de cada vez mais reduzida segurança.

O sistema de poder que Angela Merkel representa e simboliza, imitado por Pedro Passos Coelho, fornece a imagem e a prova de um clamoroso défice político. Além de ser uma dissolução ética. A associação entre a alemã e dirigentes portugueses não é de agora: José Sócrates (apesar de tudo recatado na subserviência) caracterizava-se por uma fórmula intermédia, que queria resistir à fragmentação da identidade. Quero dizer: demonstrava um outro carácter.

Nem mais tempo, nem mais dinheiro, disse a chanceler à jornalista Isabel Silva Costa, na RTP. O estilo peremptório não suscita dúvidas. Pode Passos Coelho proceder a todo o tipo de reverências e de abandonos da decência que ela não dissimula o facto de mandar, e de impor uma política, uma doutrina e uma ideologia. Aliás, dominantes na Europa. A passagem por Lisboa constituiu uma distanciação do povo: cancelas, baias, dispositivo policial invulgar, um corredor absurdo que, no fundo, implicam a ausência ou a fraqueza de mecanismos institucionais.

Há qualquer coisa de inanidade nesta encenação que aparta governantes de governados. O receio de haver algo de grave contra a visita é a extensão do medo que envolve os membros do Governo. Todos eles sabem os riscos que correm de ser insultados, logo-assim põem pé na rua. A dualização da sociedade está, também, a dar cabo da identidade colectiva. A simbiose do Estado e do povo foi dissolvida. Há dois Portugais em Portugal, assim como há duas Europas na Europa. Merkel e Passos representam uma delas, certamente a mais ameaçadora. Na outra, estamos nós, os ameaçados. A contra-conduta, a dissidência não são, somente, actos políticos; sobretudo, representam urgentes condutas morais.

Tudo isto é sinal de grande infelicidade.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

o heroísmo da polícia grega

banca, crédito zero