no ano da ressurreição de augusto pinochet

Pinochet pode estar morto, mas o seu legado permanece vivo. Vivo e bem vivo. E a augusta criatura deve estar lá na tumba às voltas, não por revoltas póstumas mas de contentamento, a sua obra tem seguidores, dos fiéis, dos ferrenhos. Se não, vejamos: após o derrube de Allende, Pinochet convocou Milton Friedman y sus muchachos, os boys de Chicago, para Santiago, onde puseram em prática medidas de austeridade, aumentos de impostos, desemprego massivo, a derrocada da economia e, helas!, cortes em sectores vitais do Estado - "menos Estado, melhor Estado", lembram-se? - excepção feita, que soem os clarins!, que rufem os tambores!, nas despesas do exército e das polícias, que bem precisos são para desancar nos desavindos. Ontem, Miguel Macedo anunciou o aumento do orçamento da Administração Interna, atirando migalhas aos polícias para que se calem ou, melhor, para que se contentem com despojos e se aticem contra todo e qualquer malandrim que, por aí, ande a manifestar a sua raiva ou descontentamento.

Pinochet, lá das profundezas do inferno onde teria descido se eu acreditasse em diabos, deuses ou justiça divina, está feliz, muito feliz. Não vive, mas a sua glória sobrevive. Pode descansar em paz.

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