24/08/12

puxe-se o autoclismo que esta merda já cheira mal


Bolas! Lá estou eu a dar razão ao Saraiva do Sol, a empregar linguagem soez, a escrever mal e porcamente! Mas o "boneco" do meu genial amigo do We Have Kaos in the Garden estava mesmo a pedir que se falasse do monturo, da esterqueira, do caneiro em que transformaram este país. 

Bolas! Os perigosos comunistas, os facínoras do bloco, a gente que é gente, de esquerda e até de direita, gente de bem, há muito que avisa que a austeridade apenas faria enfraquecer a economia, encerrar empresas, provocar despedimentos. Mas os senhores lá do poleiro, como essa verdadeira luminária com tantos créditos e credenciais, o fantasminha Gaspar, teimaram. E com Gaspar teimou Passos e a maralha inteira. Era preciso empobrecer para reconstruir um país abalado por anos perdulários de Estado Social, do regabofe dos pobrezinhos.

Aqui está o resultado: as receitas do Estado estão a descer, as despesas a subir, a austeridade deu com os burros na água e os burros meteram água.

Agora, o que nos espera? Mais austeridade? Mais meses a nadar numa cloaca de águas podres mas paradas, sempre mansas, como mansos somos nós, matéria escrava de que se faz uma nação?

A ver vamos. Ainda tenho esperança de que isto dê uma volta. E, se tal acontecer, faço desde já um pedido: deixem-me ser eu a puxar o autoclismo. Muito agradecido.

um canhão pelo cu

Por Juan José Millas

Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

o mundo também se abate

 

Trabalhadores, desempregados, estudantes, reformados, pobres, remediados, imigrantes, todos somos párias, seres incómodos, meros pagadores de impostos, lixo, refugo da sociedade à mercê de governos sujos, sabujos, servos de um deus maior, o dinheiro. Foram precisos tantos séculos, tantas lutas, tantas mortes, tanta "civilização", para chegarmos aqui, a isto, à miséria extrema, material e moral, em que o mundo  se abate, nos abate, nos empobrece, nos angustia, nos suga a alegria de viver.

Há os que defendem esta política letal, movidos pela ignorância, pelo conservadorismo, pela estupidez, pela ganância, pela corrupção de costumes e de valores. Coitados. Quando acordarem será tarde demais. Não terão nada. Nem os bens de que são tão ciosos. Nem emprego. Nem razão. Muito menos a razão.

sangue e arena

 Por Sergei Tunin
http://www.cartoonmovement.com

no ano da (des)graça de 2012

 Por Julio Carrión Cueva
http://www.cartoonmovement.com

libertação

uma medida higiénica

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

governar a infâmia


23/08/12

doces férias

Por António
Postais de Verão VI - O Turismo
http://expresso.sapo.pt

falemos de corrupção

Por Sérgio Lavos

Pedro Passos Coelho quis, no dia 5 de Abri de 2011:
«deixar claro que os membros do Governo não podem recrutar ilimitadamente uma espécie de administração paralela nos seus gabinetes». «Um membro do Governo tem direito a escolher um chefe de gabinete, uma ou duas secretárias de confiança, um ou dois adjuntos. Acabou. O resto que tiver que recrutar tem que recrutar na administração»

Claro que, quando o PSD e o CDS se alçaram ao poder, aconteceu precisamente o contrário: foram recrutadas centenas de assessores, adjuntos e especialistas, a maioria ao sector privado, muitos deles jornalistas e/ou bloggers e bastantes membros das juventudes partidárias sem qualquer experiência profissional relevante. Mais: como revela hoje o DN, todos estes boys vindos do privado receberam subsídio de férias este ano. Um primeiro-ministro sério, honesto, rigoroso, diferente dos anteriores. Um exemplo. Estamos todos de parabéns.

“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.

mais um vómito do rei-sol


José António Saraiva escreveu mais um dos seus famosos artigos no jornal onde põe e dispõe, o Sol (prova de que, quando este nasce, não é para todos). Pois cá eu, oh José António, sou sim, às vezes sou mal educado, quando me falta a paciência, quando me sobra a indignação, mas não sou invejoso. Não invejo a vida vazia de quem vive para ganhar dinheiro tantas vezes mal ganho, para laurear a pevide pelos restaurantes e discotecas da moda, para exibir a casuncha, os móveis, as obras de arte pelas revistas do coração debitando lugares comuns, enfim, prefiro a minha vida recatada, poupada, vivida. Não, José António, engana-se: não é inveja o que nos move, eu e muitos outros que se fazem ouvir por blogues e  redes sociais, mas sim o sentido de justiça social, de humanismo, de solidariedade para com os que mais sofrem. Coisas que o José António, conviva de casa e pucarinho dos alegadamente invejados, desconhece.

E cá vai o vómito, preparem os estômagos:

galeria de horrores (12)

os ricos que nos paguem a crise!



Este vídeo, da TED, foi censurado no seu site. Mas está, pelo menos por enquanto, disponível no You Tube. Vale a pena ver. E reflectir.

a polícia deve estar louca!

Há dias, dei conta aqui da execução em massa de vários mineiros em greve na África do Sul. Assassinados pela polícia, as forças de segurança que, desta feita nos Estados Unidos, dispararam 40 tiros contra um único cidadão, Milton Hall, um sem-abrigo que não terá cometido crime algum para além do de padecer de doença mental. Mas a insanidade afectou outros, a polícia, os políticos, os exércitos, os povos que mais parecem empenhados em destruir-se uns aos outros neste trágico ano de 2012.

um bandido americano


Mais de nove milhões de euros. É este o valor das vacinas contra a gripe A que agora vão para o lixo em Portugal. Se toda a gente se lembra - ah, mas as muitas e desvairadas gentes têm tanta falta de memória! - não foi só o nosso país a comprar a vacina. Milhões e milhões de dólares entraram nos cofres da farmacêutica que, solícita e de bondade sem fim, acedeu a salvar o mundo do flagelo da gripe A que, dizia-se, iria ceifar as vidas de um bom quinhão da humanidade. Viu-se. Os governos gastaram fortunas colossais sem que nenhum holocausto tivesse acontecido e o mundo assistiu, impávido e sereno como é seu costume, à fraude do século. Donald Rumsfeld - sim, esse que fazia parte do gang altamente perigoso do George Bush filho - ficou mais rico, muito mais rico. E a rir-se de todos nós, pobres estúpidos, seres inferiores, carne para canhão e lucro.

22/08/12

os nossos velhos

Por Baptista Bastos

Querem ausentá-los mas eles não se ausentam. A sociedade coloca-os nos jardins, por inúteis, mas não o são; e recordam-se e fazem correr os rosários das memórias, e martirizam-se com as dores no corpo e as dores na alma, estas as piores de todas elas; são deixados, mesmo que, aparentemente, os não deixem; por vezes desorientam-se e perdem-se nas ruas. Os nossos velhos foram tipógrafos, estradeiros, carpinteiros, construíram prédios e barragens, navios e pontes; as suas mãos tornearam a madeira e furaram as montanhas e montaram os carris e fizeram as vindimas e afagaram-nos e tiveram-nos ao colo, protegem-nos, vigiam-nos, nossos pais, nossos avós. Os nossos velhos.

responso a santo antónio para encontrar os documentos perdidos


Se milagres desejais
Contra males e o demónio
Recorrei a Santo António
E não falhareis jamais.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro e a morte
Quem é fraco fica forte
Mesmo o enfermo fica são .

Rompem-se as mais vis prisões
Recupera-se o perdido
Cede o mar embravecido
No maior dos furacões.

Penas mil e humanos ais
Se moderam, se retiram:
Isto digam os que viram,
Os paduanos e outros mais.

o santinho do caldas, um jesus malcriado e o abençoado milagre

Até agora, diáfono como convém, desaparecido sabe-se lá se por Berlim ou Pequim em negócios com estrangeiros, não se tem dignado esclarecer quem quer que seja sobre os documentos desaparecidos, um milagre tão oportuno, um fenómeno tão conveniente. Seguirá incólume, qual santinho de pau carunchoso, sem uma beliscadura, um arranhão, uma nódoa no cadastro. 

Para o Paulinho do Caldas, um boneco das Caldas. Sem segundos sentidos. A coincidência de topónimos é que é do cara ... ças. E esta imagem de Jesus salvou-me de descarregar, aqui e agora, uma outra do monge e do seu badalo, talvez culpa do Bordalo. Livrei-me de boa. Quanto ao Paulinho, que esclareça as suspeitas que sobre ele pairam há muito. Ou terá que aceitar o veredicto popular, o julgamento em praça pública.



21/08/12

o fotógrafo estava lá





Image Credits: andyfoulds.co.uk



Image Credits: strangecosmos



Image Credits: REUTERS/Luke MacGregor



Image Credits: Marko Popadic

o aborto

É apoiado pelo movimento Tea Party, da direita radical norte-americana, e candidato republicano ao Senado pelo Missouri. Mas o que é certo é que Todd Akin é também uma besta a quem a falta de chá é o menor dos seus erros. Peca pela mais absoluta insensibilidade e, claro, por um estúpido conservadorismo. A criatura, animal pouco racional, defende a proibição do aborto seja em que circunstância for, mesmo violação. Disse ele, santa alma, que o violador é que tem de sofrer, não o bebé. E mais disse, munido das mais recentes conclusões científicas, que as mulheres violadas raramente engravidam. "Se for um verdadeiro estupro, o corpo da mulher tenta por todos os meios bloquear isso".

Um aborto, enfim.



ora toma e vai-te curar!...

putina gay


Na Rússia quem se manifeste contra o Putin, (filho da Putina), pode ter quase a certeza que acaba preso, com a cabeça partida ou as duas coisas. Quem lhe seja oposição não está livre de desaparecer ou aparecer assassinado. É assim que funciona este regime a quem também dão o nome de democracia (tem as costas muito largas, a democracia).

Chegam agora mais duas noticias do país dos czares, a condenação à prisão do grupo punk anti-Putin “Pussy Riots” por terem cantado numa igreja e a proibição do Tribunal de Moscovo da celebração do orgulho gay durante os próximos 100 anos. Finalmente, pode o Ocidente ficar feliz pois tem agora a democracia e os direitos humanos por que tanto berraram na altura em que a Rússia ainda era chamada de União Soviética.

20/08/12

os cheira-cus

Enquanto primeiro-ministro, Sócrates não foi flor que se cheirasse. Mas o seu sucessor não cheira melhor, antes pelo contrário. Ele, que se vangloriou (oh vã glória de mandar, oh vã cobiça!), em tempos de campanha eleitoral, de ser o mais africano dos candidatos ao cargo de primeiro-ministro, é assim uma espécie de Hydnora Africana, a flor parasita que, diz quem sabe, exala um cheiro nauseabundo, a fezes e a carne em putrefacção. É o homem providencial, o homem certo no tempo certo, numa altura em que os ditadores do dinheiro mais precisam de um testa-de-ferro em Portugal que lhes faça o jeitinho de mudar, de empobrecer Portugal em nome de um capitalismo cada vez mais selvagem, cada vez mais criminoso. Há décadas que o mundo não estava tão mal, à beira de uma catástrofe. Mas, entretanto, os pivetes encardidos, criados para todo o serviço, continuam a fazer parte de governos servis, servos de senhores que, esses sim, mandam. E que fedem mais do que quaisquer outros. A miséria. A fome. A morte. É esta a tragédia do nosso tempo. O terceiro mundo alastra para as costas da Europa. A pobreza propaga-se. As vítimas multiplicam-se. Gregos, portugueses, irlandeses, espanhóis, italianos, somos todos rezes para abate nos mercados do lucro. Carne em saldo. Em liquidação total.

A solução final.

Hydnora Africana

os ricos ficam mais ricos ... os pobres ficam mais pobres ... os burros ficam mais burros

Burros somos todos nós. Estamos perante uma contra-revolução internacional liderada pelos "mercados", esse bicho-papão que esconde o verdadeiro nome, e calamo-nos. Levam-nos trabalho, dinheiro, bem-estar, segurança, e deixamos. Sim, somos burros. Porque falamos, falamos, falamos (eu sou um deles) mas não nos sabemos organizar, envoltos na nossa preguiça e pequenas rivalidades. Aos burros resta a estrebaria. E um fardo de palha.


em dia de quadrilhice no império do czar putin

Alina Kabaeva é atleta olímpica na modalidade de ginástica rítmica. E, dizem as más línguas, é amante de Putin de quem terá tido agora um filho, o filho de Putin. E Alina? Se se casar com Putin passa a ser Putina? Ou Putinova?

amor


salvar as aparências


por mais que tente, não consigo levá-lo a sério

Vá-se lá saber porquê. O homem até se abstém violentamente, é contra a austeridade e, melhor ainda, é contra o PPD/CDS (ou será PSD/PP?). Que mais se pode querer? Sou um ingrato, é o que é.


19/08/12

o continente mártir


Ando a ler um livro de Yasmina Khadra, "Cada Dia É um Milagre", que me está a dar a conhecer África como nenhum outro até hoje, nem livro, nem reportagem, nem filme. A dor imensa de um continente entregue a ditadores corruptos, sanguinários, genocidas tantas vezes. A provação insuportável de povos devastados pela fome, a miséria, a violência extrema a que são sujeitos por bandidos e pelos seus próprios governantes num continente onde "os deuses já não têm pele de tanto lavarem as mãos". Um choque com uma realidade que nos faz descrer nos homens e num mundo que, por este andar, caminha para o fim. Porque um mundo onde se morre assim não merece existir. 

galeria de horrores (11)

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/