09/02/13

é carnaval e levo a mal


O Coelho anda mascarado de democrata. O Portas de democrata-cristão. O Gaspar de perito financeiro. O Aníbal de presidente. O Relvas de doutor. O Amorim, o Ulrich, o Ricciardi, os Espíritos Santos, de salvadores da Pátria. Com tantos mascarados, tanta folia entre os senhores do dinheiro, para que é preciso Carnaval? Preparemo-nos antes para uma longa quaresma de jejuns, flagelações, privações. E deixemos à choldra o direito de gozar os seus dias dourados, de tortura e espoliação. De gozar à tripa-forra um pagode que cala e consente, cada vez mais triste, abandonado à sua triste sorte.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

a infelicidade de fernando ulrich

Fonte: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o aborto das ratas de sacristia


A gente sabe, já os topa à légua, que o que estes querem é dar cabo da democracia ou ter, quanto muito, uma democracia lá muito deles, só para eles. Veja-se como, agora, e depois de tanta marosca e filha-da-putice (isso mesmo, está mal escrito mas sabe bem escrever tal qual assim, filha-da-putice) se querem acabar com os acordos colectivos de trabalho. O retrocesso económico e democrático é óbvio, salta à vista de todos perante o marasmo de quase todos. Mas, agora, quer-se que o retrocesso seja também social. As beatas negras, comandadas por nomes como os do abominável César das Neves e por Bagão Félix, estão a circular um abaixo-assinado para fazer com que, na Assembleia da República, se alterem leis como as do casamento gay e do aborto. Ou seja, os abortos não querem, não gostam de concorrência. Estão no seu direito. Já agora, que estão com a mão na massa, e com os dedinhos na cruz, peçam que legislem também contra a mini-saia, o sexo antes do casamento, por mais heterossexual que seja o truca-truca, o divórcio, a liberdade dos escravos, a mobilidade social, o progresso. Tudo em nome da família. E da santa madre igreja.

08/02/13

em que mundo vive passos coelho?


Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt

Há qualquer coisa de grotesco e de safadeza de espírito nas declarações de Pedro Passos Coelho ao encerrar uma estranha conferência sobre a reforma do Estado. O optimismo, claramente demencial, com que o primeiro-ministro vê e comenta a situação do País contrasta com o movimento geral de protesto popular, com as críticas veementes de políticos, ex-Presidentes da República, ex-ministros, intelectuais, antigos resistentes e, de um modo geral, de quem pensa Portugal. A lista de protestatários aumenta, consoante as decisões atrabiliárias do Executivo. Há dias, Freitas do Amaral, numa entrevista a Judite Sousa, na TVI, desmoronou o edifício no qual se apoia Passos Coelho, chamando a atenção do Presidente da República para os perigos iminentes que pairam sobre a pátria, acaso a situação se deteriore. O dr. Cavaco, como se sabe, nada deve à coragem política e, com alegre desenvoltura, assobiou para o lado e promulgou a lei do esquartejamento territorial, que põe o País numa tensão de guerra.

Dirigido por economistas, cada vez mais notoriamente incompetentes, e ausente de acção política, Portugal anda numa deriva assustadora. Entre a inaptidão e a leviandade venha o diabo e escolha. Passos não percebe nada do País, por ausência de estudo e de análise, e, sobretudo, por carência de hábitos de trabalho. É um produto típico (como, aliás, António José Seguro) da produção em massa de ociosos com a marca das "jotas."

Passos passou, com extrema celeridade, pela organização juvenil do PCP. Percebeu logo que aquela instituição não dava futuro e muito menos empregos: só chatices e exclusões. Mudou de rumo, com rapidez inaudita, e foi imediatamente "patrocinado" por Ângelo Correia, homem de grandes avisos e densos entendimentos, que colocou o moço como "gestor" de uma das numerosas empresas de que era, e é, administrador. Acedeu, logo a seguir, o simpático rapaz, ao mundo empresarial, com numerosos benefícios e prebendas que lhe permitiram uma vida sossegada.

"É um jovem muito prendado e com ideias", acentuava Ângelo Correia, indicando sempre o seu pupilo para cargos directivos. Trabalhar, trabalhar, no sentido comum do termo, com rigorosas horas de entrada e de saída, isso, nunca Pedro Passos Coelho sofreu nos lombos. Carece, pois, de experiência de vida; ignora as dificuldades habituais àqueles a que se designa de trabalhadores; não sabe o que é viver com duzentos ou seiscentos euros de rendimento mensal; não está, nem nunca estará, com preocupações sobre os estudos e o futuro dos filhos; já acumulou o suficiente para garantir uma velhice serena.

É este homem, é esta gente tirada a papel químico, a que o prof. Medina Carreira, e não só ele, chama de "rapaziada". Ouve-se aquela tropa fandanga e não se acredita. Ele é o Moedas, o Moreira, o próprio Relvas, que está cadáver e não dá por isso, uma lista desenfreada de desenfreados medíocres, que surgem nas televisões e nos jornais que lhes dão guarida a dar bocas e a soltar bitaites, já marcados pelo sinal dos "negócios", pela aventura das aldrabices, pela impunidade de que estão revestidos.

Confesso estar cansado de ter de zurzir nesta trupe. Mas são os imperativos de ordem moral, e as canalhices sorridentes a que assisto, assistimos, os motivadores das minhas críticas. Nada de pessoal. Tudo compelido pelo tom geral da pulhice.

A nossa condição é tão grave, tão grave que a alternativa que se vislumbra não vai resolver coisa nenhuma. Como assinalou Freitas do Amaral, o actual PS, de António José Seguro, não é solução estável. É verdade que estamos a assistir ao levantar da feira; há um cheiro a eleições que começa a fazer movimentar a rapaziada do costume; mas, creio, nada será tão mau como o Governo que aí continua. Nos bastidores molda-se a ideia de um Governo de emergência nacional, que reuna gente qualificada e honesta, recrutada entre o que de melhor temos, que restitua ao viver português os padrões éticos e as virtudes políticas de que necessitamos com urgência. Até lá, insisto: não há luta sem sofrimento, nem batalha que não tenha fim.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/

no jogo da vida, os eternos perdedores

na grécia, o desespero por comida fixado numa fotografia

Mãos estendidas para um saco de laranjas. É esta a imagem que está correr sites e redes sociais. Mas depois fazemos zoom out para perceber a cena. Mãos estendidas, as laranjas, e caras apanhadas em expressões que parecem pedir. Um homem sai com um sorriso e um saco de legumes ao ombro. As imagens mostraram, sublinharam, condensaram uma coisa: o desespero de muitos gregos por comida.

Foi em Atenas, em frente ao Ministério da Agricultura, que agricultores, protestando contra o aumento dos custos de produção, distribuíram fruta e vegetais de graça.

Não foi a primeira acção destas em Atenas. Mas o caos que se seguiu mostrou o ponto a que chegou a carência na Grécia, onde a taxa de desemprego é de 26% (superada na zona euro apenas pelos 26,6% de Espanha) e onde um em cada três gregos vive abaixo do limiar de pobreza, com novos 400 mil pobres entre 2010 e 2011, segundo o Instituto de Estatística da Grécia.

A acção dos agricultores de quarta-feira tinha começado pacífica, mas quando as pessoas se aperceberam que a fruta e vegetais estavam a acabar, lançaram-se para o único camião que ainda tinha alguma coisa. Velhos, mulheres com crianças, todos aos gritos e empurrões para ver quem conseguia chegar primeiro aos mantimentos. A dada altura, um dos agricultores faz gestos como que a enxotar as pessoas, pendido-lhes para se afastarem. Entre a multidão destaca-se uma criança num plano mais alto, está às cavalitas de alguém.

Uma pessoa acabou por ser levada para o hospital com problemas respiratórios.

Estas pessoas tinham uma vida normal

"Estas imagens deixam-me zangado", disse Kostas Barkas, deputado do partido de oposição Syriza. "Zangado por um país que não tem comida para comer, que não tem dinheiro para se manter quente, que não consegue chegar ao fim do mês", disse. Muitas famílias não têm dinheiro para o combustível de aquecimento, essencial no Inverno, muito rigoroso em algumas zonas da Grécia, e têm queimado madeira ou mobília em lareiras ou salamandras, no que provocou um problema de poluição em Atenas, e já foi letal, com a morte de três crianças num incêndio em Mesoropi, perto de Salónica.

O site grego Newsit, que mostrou vídeos da agitação na entrega dos vegetais, comentou: "Estas pessoas não são pedintes. São vítimas de uma crise económica que como um furacão passou e deixou por terra famílias inteiras. São vizinhos que até ontem tinham empregos e uma vida normal. Hoje estas pessoas, engolindo o seu orgulho e dignidade, vão onde quer que seja preciso para encontrar um pouco de comida gratuita, como fizeram aqui".

No final, fica outra imagem: uma mulher com uma pequena criança aproxima-se da banca e inspecciona o que sobrou, restos de tomates rebentados, pequenas cenouras, uma laranja. Pega num tomate, testando a firmeza. Ainda haverá algo para levar?

http://www.publico.pt

tão mansos, os mansos

Primeiro, vieram as vacas loucas e roubaram-lhes a comida. Os mansos, de olhar bovino, ruminaram pragas em surdina e nada fizeram. Depois, foram escorraçados dos seus estábulos. Mais uma vez, os mansos mugiram uns tímidos queixumes mas não ofereceram resistência às investidas dos touros bravos, nem dos bois de cobrição que, todos os dias, os roubam e sodomizam. Vêem partir os seus vitelos para longe, para não soçobrarem como eles à fome e à indigência, mas, mansamente, os mansos calam-se. À espera dos magarefes. A carne, agora, está mais barata.

até quando vão os banqueiros gozar connosco?

Por Tiago Mesquita
http://expresso.sapo.pt

Os banqueiros da nossa praça aparecem incessantemente na televisão a carpir mágoas. Fernando Ulrich chega a dizer que "aquela situação (sem-abrigo) eu também posso vir a passar ou a minha família". A crise é, para estes senhores, uma espécie de febre dos fenos, um vírus para o qual não contribuiriam em nada em termos de propagação e, como bons doutores que são, limitam-se a dar sugestões e orientações ao governo de possíveis tratamentos. Sempre a bem do país - obviamente. Nada por eles, tudo pela Nação.

Já os governos, são o mordomo acéfalo que obedece cegamente aos senhores da banca. Marionetas financeiras. Ricardo Salgado, o verdadeiro primeiro-ministro, Ulrich, entre outros banqueiros da praça, 'fazem' e 'desfazem' sucessivos executivos, conforme as conveniências. Independentemente das orientações políticas, fazem destes o que bem entendem. E obtêm, sempre e sem exceção, o que pretendem.

É preciso salvar o BPN ou morremos todos à fome. Nacionalize-se. Resultado? Sete mil milhões de euros dos contribuintes para pagar as avarias de meia dúzia de criminosos. CORRUPTOS. O BPN deveria ter falido, ponto final. É preciso salvar o Banif? Mais 1,100 milhões euros. Recapitalizar o BPI e a CGD? Tomem lá 3 mil milhões e dividam. Para estes senhores há sempre dinheiro. Com ou sem crise. Com boa ou miserável gestão, estão sempre safos.

"O Santander, presidido por António Vieira Monteiro, registou de 2011 para 2012 um aumento superior a 200% de 63,9 milhões para 250 milhões de euros."

"O BPI registou lucros consolidados de 249,1 milhões de euros em 2012, em comparação com prejuízos de 284,9 milhões no ano anterior"

"O BES atingiu no total de 2012 um lucro de 96,1 milhões de euros, invertendo os prejuízos de 108,8 milhões de euros de 2011."

Tendo em conta o cenário económico dantesco de recessão que atravessamos, com níveis de desemprego e de falência absolutamente recordes, expliquem-me como é possível apresentarem estes resultados e, não satisfeitos, ainda terem o desplante de falar em "austeridade necessária"?

São estas pessoas, que despedem centenas de funcionários no mesmo ano em que pedem dinheiro ao ESTADO e apresentam lucros milionários, no pior ano de austeridade de que há memória, que nos dão lições de moral? Até quando vão estes senhores continuar a gozar connosco?

Fotografia: http://sol.sapo.pt

franquelim alves esqueceu-se que afinal era um herói

Por Daniel Oliveira
http://expresso.sapo.pt

E, de um dia para o outro, o spin governamental tentou transformar Franquelim Alves num herói. Afinal, foi este administrador da SLN que desmascarou a fraude a que ali se assistia, diz o governo que tem como principal conselheiro oficioso Dias Loureiro.

Posso ter estado distraído. É possível que o incómodo de Nuno Melo, que foi, com João Semedo e Honório Novo, um dos mais ativos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, com esta nomeação, também resulte de alguma distração. Mas lembro-me, lembram-se todos, que foi o mesmo Franquelim Alves que disse, nas mesmíssima comissão, que não denunciou gravíssimos factos, que constituíam crime, às autoridades competentes. E que estava arrependido da sua omissão cúmplice.

O ministro Álvaro veio informar, depois de ter passado a mesma informação para os jornais, que Franquelim Alves enviou uma carta ao Banco de Portugal, a 2 de Junho de 2008, em que denunciava a existência do Banco Insular. "Quando se começaram a detectar irregularidades, Franquelim Alves foi das pessoas que dentro da SLN ajudaram a desmascarar a fraude", disse o ministro da Economia, acrescentando: "Se não fossem pessoas como Franquelim Alves, que estavam dentro da SLN, não seria possível ter identificado de uma forma tão eficaz aquilo que se passou".

Estranhamente, tal a sua humildade e espirítio de sacrfício, não lhe ocorreu gabar-se disso na comissão de inquérito. Mas, afinal, tal carta foi enviada por Abdul Vakil. E não passava de uma resposta tardia ao Banco de Portugal. Ou seja, Franquelim Alves tinha razão quando confessou no Parlamento que não tinha denunciado coisa nenhuma.

O desnorte do governo e o desespero por o País ainda não estar completamente a dormir, levaram a esta coisa extraordinária: inventar o herói, atribuir-lhe uma coragem que não teve, não hesitando mesmo em inventar factos e neles desmentir o próprio visado. O governo entrou na fase terminal da sua mitomania.

Fotomontagem: http://www.esquerda.net

ulrich a banhos na caparica

Banhos de lixo, é o que os habitantes da Charneca da Caparica têm gentilmente ofertado a Fernando Ulrich e ao seu BPI. Um exemplo a seguir. O lixo quer lixo e Ulrich que se lixe.

Almas caridosas vieram alertar-me: isto é uma fotomontagem. Infelizmente. E eu a pensar que o povo tinha acordado da modorra de que padece há tanto.

qual austeridade, qual aumento de impostos, qual desemprego...

Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

Bagão Félix, Gentil Martins e João César das Neves assinaram um documento que defende a revisão das leis do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a despenalização do aborto, a nova lei do divórcio e a reprodução medicamente assistida. Segundo os signatários, as alterações legislativas, levadas a cabo nos últimos seis anos, contribuem para a atual crise económica e social, uma vez que destroem os "pilares estruturantes da sociedade".

Aqui:
http://expresso.sapo.pt/bagao-e-cesar-das-neves-assinam-peticao-contra-o-casamento-igayi-e-aborto=f785400

Imagem: http://www.forbes.com

07/02/13

a fraude do século (2)

Os dois primeiros episódios da grande reportagem que a SIC está a transmitir sobre o BPN. Apesar de nem todos os nomes nem todos os factos terem sido ainda apontados (aguardemos porém os próximos episódios), e apesar de uma montagem pós-modernaça que em nada ajuda à captação de toda a informação, antes distrai, isto sim, é serviço público.

a fraude do século


Tudo sobre o BPN e a canalhada do costume. Aqui:
http://www.esquerda.net/topics/BPN%3A%20A%20fraude%20do%20s%C3%A9culo

as coisas que não entram na cabeça do senhor ulrich

Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

Quando um deputado apelou a Fernando Ulrich para que pedisse desculpas pelas suas frases sobre a austeridade e os sem-abrigo, o banqueiro respondeu: "Não sei porque alguém se choca, quando falei dos sem-abrigo. Não é uma falta de respeito, pelo contrário, na minha cabeça era um sinal de respeito pelas pessoas que já viveram nessa situação tão dramática." E acrescentou: "Aquela situação eu também posso vir a passar ou a minha família." E não pediu desculpas, porque não recebe "lições de sensibilidade social de ninguém".

Não vou desenvolver sobre as várias pérolas com que este senhor nos tem oferecido. Acho que toda a gente com o mínimo de equipamento cerebral percebe a bestialidade das coisas que o senhor vai dizendo - ainda me lembro quando propôs que os desempregados trabalhassem à borla para o seu banco. E, pela reincidência, fica claro que é isso mesmo que falta a este senhor: capacidades cognitivas medianas.

Também não faço questão nenhuma que peça desculpa a ninguém. Fernando Ulrich não foi eleito por ninguém, não representa ninguém, não deve desculpas a ninguém. É apenas um banqueiro. O que ele diz e pensa é para mim absolutamente irrelevante. Nunca me sentaria à mesa com este senhor para saber as suas opiniões. Nunca leria uma entrevista sua para saber o que acha da situação do País. Nunca me deslocaria a uma conferência para saber das suas reflexões sobre política e economia. Infelizmente, a comunicação social e o País transformaram estes analfabetos políticos em oráculos da Nação. E dá nisto.

O que me interessa, nesta matéria, é apenas uma certa curiosidade antropológica. É mais ou menos como analisar o comportamento dos concorrentes da Casa dos Segredos. Porque será que, quando vê um sem-abrigo, a cabeça pouco sofisticada do senhor Ulrich pensa que um dia ele também pode vir a estar assim? Pensará o banqueiro que todos, sem exceção, estão expostos da mesma forma à austeridade e a todos ela pode atingir com a mesma violência? Não é provável que, no fundo do que reste da sua alma, acredite que, daqui a dois ou três anos, ele pode mesmo estar a dormir debaixo das arcadas do Terreiro do Paço. Não é provável que não saiba, até por experiência própria, que quem nasce no privilégio e vive do privilégio está defendido das desventuras da vida. Mas, teoricamente, Ulrich acredita que todos somos mesmo iguais. O que quer dizer que acredita que os sem-abrigo ou tiveram menos talento ou tiveram apenas mais azar do que ele. Porque acredita que o que teve e tem na vida não resulta de um privilégio mas de um direito por ele conquistado.

Nada vou explicar ao senhor Ulrich, até porque duvido que o compreenda. A insensibilidade social crónica não é uma questão de classe. Há gente rica e com consciência do seu privilégio, há gente pobre que se enriquecesse seria igual ao senhor Ulrich. É uma questão cultural. Quem não tem mundo não sabe dos outros. E é muito mais ignorante do que um analfabeto. E se alfabetização nunca vem tarde, tentar explicar o óbvio a quem numa vida inteira não o percebeu é uma perda de tempo.

Mas, pelo menos para nós, vale a pena recordar que enquanto o Rendimento Social de Inserção e o subsídio de desemprego eram cortados, o Estado pediu 12 mil milhões emprestados à Europa para o injetar em vários bancos. E, entre eles, o banco do senhor Ulrich. Que, com esse dinheiro que os contribuintes lhe arranjaram, o senhor Ulrich compra dívida pública portuguesa. E que isso lhe permite apresentar excelentes resultados num banco que estava em estado comatoso. Ou seja, os lucros do senhor Ulrich são o que falta aos sem-abrigo. Não resultam do seu talento mas da sua capacidade (e dos restantes banqueiros portugueses e europeus) chantagearem os Estados e manobrarem os decisores políticos. Isto, depois de terem levado a Europa e o mundo Ocidental, pela sua ganância irresponsável, ao colapso.

A diferença entre o senhor Ulrich e um sem-abrigo, entre o senhor Ulrich e qualquer pessoa que viva realmente do seu trabalho, entre o senhor Ulrich e o cidadão comum, é que ele tem esta capacidade de pôr o Estado a trabalhar para si enquanto os restantes são abandonados à sua sorte.

Mas há uma diferença mais profunda. E dessa o senhor Ulrich não tem culpa. Vivemos numa sociedade desigual. E a desigualdade começa no berço. Conheço ricos e pobres descerebrados. Conheço ricos e pobres irresponsáveis. Conheço ricos e pobres sem qualquer talento. Os ricos com todas estas características conseguem, regra geral, acabar um curso, arranjar um emprego por via duma boa rede social a apetrechar-se do mínimo de instrumentos para não serem indigentes. E mesmo que não consigam, uma mesada familiar ou um emprego conseguido por favor resolve o problema. Um rico próximo de atrasado mental sai-se, regra geral, melhor do que um pobre muitíssimo capaz.

Não me fico pela riqueza, para não me deixar de fora. Nasci numa família sem cheta mas culturalmente privilegiada. E isso deu-me instrumentos iniciais melhores do que outros tiveram. Logo, menos merecedor de qualquer coisa que tenha conseguido na vida. E isso dá-me, e tendo não o esquecer, obrigações éticas acrescidas perante os outros.

Porque, e agora sei que até o senhor Ulrich será capaz de me acompanhar, não nascemos todos iguais em deveres e direitos. Nem todos temos de provar, da mesma forma, o que valemos, nem todos temos de pagar o preço dos nossos erros. Não estou, note-se, a pessoalizar neste banqueiro. Não sei nem tenho interesse em saber grande coisa sobre ele. Sei que Ulrich provém de uma família abastada pelo menos desde o século XVIII que se juntou a outra família abastada, na pequena rede empresarial que orbitou em volta da ditadura. Sei que antes de se dedicar aos negócios fez umas perninhas no jornalismo e na política. Sei que foi um dos promotores do Compromisso Portugal, um grupo de gestores que defendia menos Estado para nós e que acabou a pedir mais Estado para eles. E sei que o seu antecessor no BPI se chamava Artur Santos Silva e que, sendo uma pessoa de quem geralmente discordo, reconheço haver entre os dois um abismo cultural e intelectual.

Estou a falar de uma coisa mais geral: o privilégio. O privilégio que vem do berço e que deveria dar a quem não o mereceu responsabilidades sociais acrescidas. Mesmo em alguns países com uma organização social e económica distante da que eu defendo existe esta ideia: a de que quem é privilegiado tem o dever de devolver parte do que tem à sociedade. Em Portugal, devolvem conselhos, arrogância e este género de parvoeiras.

E é esse privilégio que livrará sempre o senhor Ulrich de viver debaixo da ponte. Não apenas o privilégio de ser rico. Mas um mais insidioso do que esse: o privilégio de mandar no Estado que manda em nós. O privilégio que lhe permitepôr os contribuintes a pagar juros à troika para lhe emprestarem dinheiro a para ele nos emprestar a nós e nós lhe pagarmos juros a ele. O privilégio que permitiu a um dos seus ramos familiares, de quem herdou parte da sua fortuna, ter a proteção do Estado Novo e prosperar mais um pouco com o condicionalismo industrial. O privilégio de, em ditadura ou em democracia, ter a proteção que o Estado, nos momentos difíceis, nos nega a todos nós. Um privilégio que torna estas frases especialmente insuportáveis.

Não, não quero nenhum pedido de desculpas do senhor Ulrich. Quero apenas de volta, já e depressa, os 1500 milhões de euros que o Estado pediu emprestado à troika para pôr no seu banco. São nossos e chegavam e sobravam para tirar os sem-abrigo da rua. Devolva-os e pode continuar a dizer os disparates que entender.

Imagem: http://polaroidjournal.wordpress.com/

o carnaval dos animais








Imagens: https://www.facebook.com/anterozoide

o grande cavaco, que está contra e a favor seja do que preciso for


Foi hoje publicado em Diário da República o diploma que extingue o Acordo Colectivo de Trabalho (ACT) que abrange os trabalhadores bancários do IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas). A promulgação de Cavaco Silva abre portas à extinção por decreto de qualquer ACT, pelo que a deputada socialista Isabel Moreira está a ponderar pedir a apreciação do diploma na Assembleia da República. (Sol).

Fotografia: http://fama.sapo.pt

é acordar ou morrer no sono

Por Luís Rainha
http://www.ionline.pt

Nestes dias, cada sondagem parece mais um diagnóstico da apatia, para não lhe chamar coma, do bom povo português. Por mais escândalos que venham à tona da latrina, com histórias de blindados, submarinos, bancos amparados pelo Estado e dirigidos por cínicos desbocados ou amnésicos fiscais, continuamos decididos a votar no centrão que para este buraco nos arrastou.

Portugal não é a Grécia – infelizmente. Ali os eleitores por pouco não deram vida a um governo radicalmente diverso. Mérito do Syriza, do empolgante tribuno que é Alexis Tsipras, ou um qualquer gene colectivo de clarividência que nos falta?

Por cá, o poder de sempre a tudo parece impune; e não serão os jogos palacianos do PS a galvanizar o país. O entrincheirado PCP e o exangue Bloco de vez em quando lá enchem avenidas, mas sobretudo com os seus, os que há muito abriram os olhos para a necessidade urgente de mudança. Os demais continuam resignados, marchando para o matadouro do “custe o que custar”, julgando saber que “eles são todos iguais” ou receosos do incerto.

Falta-nos uma Rosa Parks (que já era uma activista empenhada aquando da sua histórica insubmissão, note-se) para nos indignar e despertar? Mas onde estão os Martin Luther Kings capazes de acalentar essa chama, de a atear depois na alma das multidões?

À míngua de homens providenciais, cada um de nós terá de ser Parks e King. Começando já no próximo dia 2 de Março: vamos tentar de novo, vamos para a rua gritar, vamos incomodar quem manda e acordar quem dorme.

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho



Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Melhores cartazes das Manifestações de 15 de Setembro de 2012 contra a austeridade de Passos Coelho

Fotografias recolhidas em:
http://www.roletadasanedotas.com

fascismo electrónico

Por Fernando Dacosta
http://www.ionline.pt

A perseguição aos idosos pobres continua florescente entre nós. Explorá-los, humilhá-los, tornou-se afã insaciável dos que julgam hoje governar o país.

Última malfeitoria: obrigar os que recebem pensões acima de 293 euros mensais a fazer declarações de IRS – de que estavam dispensados.

Sendo, como se sabe, o preenchimento do seu formulário um mimo de simplicidade e a sua entrega (por internet) um doce, a medida vai tornar-se passatempo de delícias para os velhotes que, como se sabe, são barras em informática.

Desde que os preços dos computadores e das mensalidades da net passaram a ser ninharias em rendimentos como os referidos, os pensionistas portugueses não mais largaram o primeiro lugar do rating europeu de utilizadores de PC, MAC e quejandos.

A decisão é ainda excelente por permitir aos funcionários públicos da área combaterem a pasmaceira em que caíram quando o simplex entrou, pela sua eficácia, de dispensar o dinamismo da máquina do Estado. Complicar tudo sempre foi apanágio das boas administrações.

A bondade da iniciativa é, por outro lado, insuspeita, pois não se destina, desta vez, a sacar dinheiro aos visados, mas a colher informações para combater fugas ao fisco – sendo entre eles que essas fugas maiores valores atingem. A seu lado, a cratera do BPN não passa, com efeito, de covinha de crianças.

Exagerados são assim os que insinuam ser a medida mais uma devassa controleira (não bastavam as pidescas escutas telefónicas?), mais um fascismo electrónico da bela república caseira.

Que valentes democratas tem a nossa democracia!

Fotografia: http://jeffpicard.com

06/02/13

isto sim, isto é corrupção!


O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), liderado por Maria José Morgado, está a investigar o apoio da Câmara de Lisboa à festa do Avante!, através da cedência de, pelo menos, um quiosque e o respectivo transporte para a Quinta da Atalaia, no Seixal, onde se realiza todos os anos a rentrée política do PCP (jornal Sol).

Qual BCP qual quê! Quais submarinos! Qual Monte Branco! Isto sim, isto é que é corrupção e da grossa: um quiosque emprestado ao Avante com transporte e tudo? Escândalo! Investigue-se e deixem-se em paz os Dias Loureiros, os Relvas, os Coelhos, os Portas, os Duartes Limas deste país virginalmente impoluto! Digam-me: o que é um reles submarino ao lado de um couraçado Potemkin disfarçado de quiosque? Prendam-se o Costa, o Jerónimo, a Roseta, quem quer que seja que tenha estado metido no imbróglio.

Fotografia: http://www.avante.pt

05/02/13

um gesto que abalou o mundo

Por Nuno Ramos de Almeida
http://www.ionline.pt

Parecia um dia como outro qualquer, 1 de Dezembro de 1955. Uma costureira de 42 anos sentou-se no autocarro nos lugares disponíveis para “gente de cor”. Na cidade de Montgomery, no estado do Alabama, a lei dizia explicitamente que quando os brancos não tivessem lugares sentados podiam obrigar os negros a levantar-se, e se o veículo estivesse muito cheio os negros podiam ser despejados para a rua.

Nesse dia vários brancos entraram no autocarro e muitos negros levantaram--se dos seus lugares. Mas não todos. Rosa Parks recusou fazê-lo. “Estou cansada de ser tratada como uma pessoa de segunda classe”, disse ao condutor.

O funcionário chamou a polícia. A mulher foi presa por não aceitar ser tratada como escrava.

Nesse mesmo dia, os habitantes negros da cidade de Montgomery deixaram de andar de autocarro. São os pobres que viajam nos transportes públicos. São os pobres que trabalham por salários de miséria. São eles que criam a riqueza de cidades como Montgomery. E aí, no estado do Alabama, os pobres são quase todos negros. O boicote durou 381 dias. 75% dos passageiros dos autocarros, os negros, não cederam. No fim do seu protesto, o Supremo Tribunal dos EUA considerou ilegais as leis racistas do estado do Alabama que discriminavam os negros nos espaços públicos. No dia 21 de Dezembro de 1956, o Reverendo Martin Luther King e outros activistas dos direitos cívicos foram os primeiros negros a viajar, como cidadãos iguais de direito, num autocarro da cidade de Montgomery.

Um acto que mudou a história. Rosa recusou-se a levantar-se do banco do autocarro para dar lugar aos brancos. Foi presa, mas a sua recusa atiçou a revolta pelos direitos iguais. As coisas nunca mais foram as mesmas. Um só gesto fez toda a diferença.

Vivemos hoje em Portugal em condições cada vez piores para a maioria da população.

Ao contrário dos contos de fadas ou dos filmes em que se come pipocas, nada obriga a que depois de uma tragédia haja um final feliz. Mas na nossa liberdade está inscrita a possibilidade de mudar as coisas. Por vezes basta um gesto corajoso.

Porque temos de viver num país em que em tempos de vacas gordas os banqueiros distribuem dividendos à conta dos nossos depósitos e em tempo de vacas magras esses mesmos banqueiros distribuem dividendos à conta dos nossos impostos?

Porque somos obrigados a aturar os governos do grande centrão que foram cúmplices das negociatas do BPN e das parcerias público-privadas?

Porque estamos condenados a aceitar um país que vai ao fundo enquanto os do costume enriquecem?

Numa das tragédias clássicas do teatro grego, “Antígona” opõe-se às leis da cidade que a impedem de enterrar o irmão. Para ela as leis da cidade não estão acima do dever. O seu sofrimento vai derrubar a tirania. Há milhares de anos, como agora, a liberdade vale mais que os repressores de turno. Basta um gesto para o perceber.

Precisamos de gente fiel à luta contra aquilo que está mal, necessitamos da singularidade de um acto, como o de Rosa Parks. Um acto de contágio que sirva para inocular a recusa de qualquer submissão.

Fotografia: http://photographyblog.dallasnews.com

tempos de decadência

Por Tomás Vasques
http://www.ionline.pt

Vivemos um tempo acelerado de decadência de valores; um tempo em que os “senhores do dinheiro” se sobrepõem, como querem e lhes apetece, ao poder soberano do Estados e dos povos; um tempo em que o poder – um governo eleito – está subordinado à “lógica” financeira e, temerário, evoca o “interesse público” para espoliar um povo exausto e entregar os despojos do saque a essa seita que controla este “novo mundo”. Por isso, quase já não espanta quando um banqueiro, que para a sobrevivência do seu negócio precisa de usar parte do produto do saque feito aos contribuintes, se dá ao desaforo de exigir ao governo que prossiga o saque, porque a “escumalha” aguenta muito mais e ainda tem um caminho a percorrer até ficar sem salário, sem subsídio de desemprego, sem assistência social e sem casa. Mas, apesar dos tempos que vivemos, ainda causa espanto que o primeiro-ministro de um governo eleito, se recuse a condenar as declarações do dito banqueiro e que, de cócoras, sem vergonha, apenas responda que não é banqueiro, nem tem acções ou participações no banco que o dinheiro dos contribuintes recapitalizou. Na mesma linha de decadência de valores, de ética e de vergonha de quem nos governa, se insere a ida para o governo de um dos “homens” do BPN – a maior vigarice financeira de que há memória em Portugal, depois da falsificação de Alves dos Reis, em 1925. As opções deste governo, que tem como missão transformar a maioria dos portugueses em miseráveis, são claras, inequívocas. Nada disto acontece por acaso. Primeiro foi António Borges a “abrir caminho” para o corte significativo dos salários; agora é o banqueiro Fernando Ulrich a anunciar o futuro da maioria dos portugueses: gente sem eira, nem beira, humilhada e sem abrigo, enquanto a “cúpula” da grande fraude chamada BPN chega ao governo.

As consequências das opções deste governo estão à vista, apesar da momentânea euforia pelo “regresso aos mercados” e outros “êxitos” inscritos nas folhas de cálculo do ministro das Finanças. No entanto, a realidade mostra que a economia definha e o desemprego dispara, inevitavelmente. A taxa de desemprego no final de 2012 – 16,5% - já é superior às melhores previsões do governo para o final de 2013. E as consequências da aplicação do orçamento de “guerra” para este ano ainda não começaram a produzir os seus efeitos a que soma, mais cedo ou mais tarde, o corte de 4 mil milhões de euros nas despesas do Estado. Até ao final deste ano, é de prever o pior.

O tempo que vivemos exige do maior partido da oposição mais do que aquilo que, neste ano e meio, tem mostrado ser capaz de dar; exige alternativa ideológica e política à degradação em curso. O tempo que corre exige ousadias, rupturas e clarificação política. Não basta esperar que o poder lhe caia nas mãos, como fruto maduro. No fundo, exige tudo aquilo que não aconteceu na reunião da comissão política do PS, na semana passada, depois dos deputados Silva Pereira e Vieira da Silva terem tirado a cavilha da granada, e a enviarem para as mãos de António Costa. O actual secretário- geral do PS fez o que era seu dever fazer: não se atemorizou, o que surpreendeu os seus adversários internos, e disse muito claramente: querem um congresso imediatamente, vamos a ele o mais rapidamente possível.

O maior partido da oposição precisa mais de clarificar as suas opções programáticas alternativas às do actual governo do que discutir sobre personalidades e egos. Até 10 de Fevereiro, dia da reunião da comissão nacional que irá decidir sobre a data do congresso e das eleições internas, caso António Costa não encontre divergências políticas que sustentem a sua candidatura a secretário-geral do PS, ao menos que José Lello, Vieira da Silva, Jorge Lacão, Silva Pereira ou Augusto Santos Siva se disponibilizem para avançar com a candidatura ao cargo. Neste momento, o pior que pode acontecer ao PS é navegar nas meias-tintas. A questão não tem a ver com personalidades, tem a ver com a sobrevivência do regime e da democracia. Ninguém aguenta mais enganos.

ao lixo o que é do lixo


"A agência de notação financeira Standard & Poor’s anunciou hoje que foi visada num processo judicial do Governo dos EUA, por a empresa de ‘rating’ ter subavaliado os riscos de ativos imobiliários, causando a crise financeira atual." (jornal i)

Contudo, na Europa, aguentamos tudo, todo o tipo de golpadas, de chantagens, de especulações, para que os povos empobreçam como convém aos mais ricos entre os ricos. E, em Portugal, continuamos a beijar a mão à Lagarde, o rabo à Merkel e o mais que houver para beijar aos durões do mundo. E não, não mandamos quase ninguém para a cadeia por crimes económicos, só um ou outro bode expiatório para disfarçar. Os capos, os verdadeiros, andam cá por fora. Um deles foi visto, ultimamente, pelo Rio de Janeiro. Ao lado de Relvas.

03/02/13

condes e barões

Segundo a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Ulrich), a Srª D. Isabel Diana, filha do Conde de Galveias, é a esposa do Sr. Aguenta Aguenta. Como se pode ler em Diário da República, tanto o Sr. Aguenta Aguenta como a família mais chegada não têm problemas em aguentar: não vivem nas ruas, não estão no desemprego, ganham bem, estão bem relacionados entre a melhor nata da sociedade - dos condes da família aos barões do partido, haverá sempre alguém que lhes dê uma mãozinha, um tacho, uma malga de sopa, um apetitoso naco de qualquer coisa rendosa. Aguentam. Ah pois aguentam.


portugueses no centro de emprego

Imagem roubada ao: http://trespassaopassos.tumblr.com/