27/12/14

momento fútil


Não gosto da obra de Joana. E, fiquei a saber assim que deparei com esta fotografia, não gosto, definitivamente, das más companhias de Joana. E não gosto do gosto de Joana para se vestir. Estará mascarada de quê? Madeirense, em homenagem a Alberto João? De Rainha da Chita? De mulher de soba? Que sobra mulher, disso não há dúvida. Joana, qualquer dia, não cabe nas portas. Joana cresce à medida do seu ego. Nisso, no ego e não nos chumaços carnais, é igual ao acompanhante que, de artes e manhas, sabe da poda como poucos e poda é dizer pouco. O sapatinho à mete-nojo, a farfalheira a brotar-lhe da camisa, o casaco a marcar-lhe a anquinha estreita, a cuidadosa conjugação de cores, tudo, tudo denota classe, bom gosto, bon genre, um chiquê que nem eu, nem quando me quero armo ao pingarelho, consigo imitar. 

25/12/14

lixo tóxico


Disseram agora na SIC Notícias - e se disseram na televisão é porque é a mais pura das verdades - que mais e mais portugueses estão a escolher hotéis de luxo para celebrar a consoada ou para almoçar no dia de Natal.

Vou comprar já a minha viagem para as Maldivas, o meu Porsche, a minha mansão na Quinta da Marinha, o meu caviar, o meu fatinho Armani para ir à missa.

É que estava cheio de guita e não sabia. Estamos ricos mas andamos sempre a queixar-nos de falta de cheta. Piegas e madraços, é o que somos!

23/12/14

colonizados e mal pagos


O governo de Portugal, o presidente da desacreditada República, as púdicas instituições públicas têm tratado Angola nas palminhas. São os negócios, estúpidos! É preciso atrair capital, dizem eles. Mesmo que seja dinheiro roubado ao povo angolano, ganho de forma obscura, com benção e beneplácito do Edú presidente, dos seus acólitos e da filha, filha que já é dona de um bom bocado disto tudo. A oligarquia angolana vem a Portugal às compras, e tanto compram perfumes e jóias na avenida da Liberdade como andares de luxo em Cascais, empresas, almas e consciências.

O DN, o JN, o "i", o Sol, o Correio da Manhã, o CMTV já são propriedade de Álvaro Sobrinho (esse mesmo, o do BES Angola) e de quejandos. A informação é rigorosamente controlada, manipulada a favor de políticos e políticas que os saibam acolher no nosso seio, nesta mama de vaca parideira em que se transformou Portugal. Vaca que dá de mamar a uns quantos portugueses, poucos, e a angolanos, chineses, americanos, brasileiros, árabes, russos, todos os que lhe saibam apertar as tetas com as mãos sujas do sangue, do suor e das lágrimas dos seus povos.

Angola já não é nossa. Nem Portugal.

22/12/14

a cores engana melhor


no lombo do lomba


Pedro Lomba, colunista, advogado, secretário de Estado e um dia senador da Nação, diz que Portugal deve seleccionar melhor os seus imigrantes, apostando na atracção de estrangeiros empreendedores. Por portas-travessas, para que a máscara não lhe caia de vez, Lomba tem uma atitude semelhante à dos elementos de extrema-direita que se têm manifestado por essa Europa fora contra a imigração. 

Mandemos Lomba alombar para a estiva, trabalhar nas obras, fazer as tarefas duras e mal pagas que os imigrantes pobres aceitam por uma questão de sobrevivência. Ou coloquemos, no lombo de Lomba, 5.000 exemplares do Mein Kampf. 

Tanto me faz, desde que Lomba alombe.

e os fantasmas regressam

Portugal em tempos de troika e passos.




Todas as fotografias de Mário Cruz
http://www.mario-cruz.com/

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Manos Symeonakis
Doaa Eladl
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Amorim

21/12/14

a lenda do ratinho à tona


Há um ratinho, de nome Luís, de sobrenomes Marques e Mendes, que adivinha o perigo, salta de todos os navios, e eles são muitos, segundos antes de afundarem. De nada o podem acusar. Está limpo. Ratoneiro, nunca. Ratazana, jamais que nem para isso tem estatura e estatuto. É isto que o ratinho diz na TV, defendendo-se com os dentes e garrinhas que deus ou o diabo lhe deram. O ratinho é inatingível, inimputável, impoluto, tudo menos indefeso. Artolas é o outro, que não se pode defender enquanto ratas e ratões, ratazanas e ratolas fazem aparecer nos jornais e nas televisões todas as acusações, todas as insinuações, ninguém sabe, ninguém pode saber se verdadeiras, se falsas. A justiça deixou de ser cega. Agora é puta, vende-se a qualquer um e barato. A qualquer rato. Seja Mendes. Seja Mentes.

é tão bom o natalinho!

Imaginechina/Rex

No Natal, os estafermos de todo o ano tornam-se tão bons como São Francisco de Assis ou Santo António de Lisboa. Oferecem farnel aos pobrezinhos, ou uma camisa que já não lhes sirva, ou um par de sapatos nas últimas. Vão à missa. Juntam a família em abundante repasto. Na paz do Senhor.

Enquanto isso lá longe, na China, existe uma cidade, Yiwu, onde 600 fábricas produzem 60% das decorações natalícias do mundo inteiro. Os seus operários trabalham 12 horas por dia num ambiente, no mínimo, muito pouco saudável e, claro, ganham salários de miséria.

Para que o nosso Natal seja muito, muito feliz!

Imaginechina/Rex
China Daily/Reuters

o tea party em são bento

Por Mário Vieira de Carvalho
http://www.publico.pt/

Finalmente, Passos desatou a língua e começou a proclamar, sem eufemismos, o seu programa. Não aquele programa social-democrata escrutinado nas eleições, mas sim o programa fundado nas suas crenças pessoais, jamais escrutinado pelo seu próprio partido e muito menos pelo povo português. Fá-lo com uma euforia inaudita, qual cabo de guerra já derrotado e acossado no seu Bunker que, de súbito, lesse nos astros um sinal da divina Providência. Cercado dos escombros e ruínas da “destruição criativa”, partilha agora connosco, diariamente, em voz alta, o sonho duma radiosa vitória final: a promessa duma revolução milenar, que trará a redenção a Portugal, à Europa e a toda a humanidade.

Ficou a saber-se que, para Passos, tudo tem de ser um negócio lucrativo: a começar pela Saúde e a continuar por aí fora: na Segurança Social, na Educação, na Ciência, na Cultura, nos transportes públicos, redes viárias etc., etc. De tudo isso o Estado deverá retirar-se para dar lugar aos privados. Só lhe falta explicitar se o princípio se aplica também à Administração Pública e aos órgãos de soberania, mas é de esperar que venha a fazê-lo em breve. Passos não deixará escapar esse precioso detalhe do seu programa de “capitalismo utópico”!

Com a privatização integral das funções do Estado, o governo, o parlamento e os demais órgãos de soberania tornar-se-ão supérfluos. Serão substituídos por uma ou mais empresas de multisserviços, que desempenharão eficientemente as tarefas requeridas, pagas caso a caso pelos indivíduos que delas careçam. Cada um por si. Nunca mais haverá “todos a pagar para o benefício de alguns...”

Nesses amanhãs de sonho, em que os males do “socialismo” – diz ele – serão esconjurados, mas que já entrevemos pela pequena amostra dos seus três anos de governação, Portugal baterá todos os records: será o país com as mais elevadas taxas de exclusão e discriminação sociais, desemprego, desemprego jovem, capital humano não qualificado, pobreza, pobreza infantil, trabalhadores no ativo que só sobrevivem graças ao apoio dos bancos alimentares, destruição da capacidade produtiva, criminalidade violenta, delinquência juvenil, suicídios, depressões, enfermos sem assistência, envelhecimento demográfico, desertificação, etc. Uma vez alcançado o primeiro lugar em todos esses rankings, acontecerá o milagre e cada qual viverá feliz para sempre, pois não terá de contribuir com um pataco para o bem comum.

Liquidar o Estado – e não: melhorar o Estado – é o seu programa. Por isso, recusa liminarmente as virtudes da despesa pública, mesmo que seja investimento estratégico com efeito reprodutivo. Daí que não tenha feito a reforma do Estado e se contente com cortes cegos. E daí a sua hostilidade aos programas PRACE e SIMPLEX dos governos de José Sócrates, que constituíram uma verdadeira reforma do Estado e que cumpriram inteiramente os seus objetivos: melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos, reduzindo os custos de suporte. Isso não interessa a Passos, empenhado como está na sua cruzada contra o “socialismo”, isto é, contra tudo o que se pareça, de longe ou de perto, com o modelo social europeu.

Uma tal cruzada surpreende pela sua retórica extremista, pois rompe necessariamente com ambas as bandeiras da sua família política – não só a “social”, mas também a “democrata”. Não esqueçamos a matriz fascista do primeiro “laboratório” do neoliberalismo (o Chile de Pinochet), onde o Estado instaurou uma ditadura terrorista para impor a privatização integral da economia. 

Tão levianamente radical como o discurso de Passos, nos dias de hoje, só mesmo o do tea party nos EUA. Este ainda não chegou à Casa Branca, mas já se instalou em S. Bento.

eu também não irei ao funeral deles, calha bem!