25/07/13

lisboa antes dos patos-bravos

Av. 5 de Outubro



Av. 24 de Julho




Av. Conde Valbom

Imagens: http://restosdecoleccao.blogspot.pt

fumo branco, sinal vermelho


tiro de misericórdia

Por Fernando Dacosta

No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) "terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".

Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.

Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes - "o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer", comenta, a propósito, Nicolau Santos no "Expresso".

Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.

Após ter semidestruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental. Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia - entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.

o cadáver que estrebucha



Por Baptista-Bastos

Para aonde vamos agora? A peregrina ideia do dr. Cavaco em criar o Compromisso de Salvação Nacional, expressão tão absurda quanto jerica, deu no que se esperava. E o resultado traduziu um modo de ver as coisas e de entender o mundo: imóvel, estático e extático. Sustentado por Belém, o dr. Passos Coelho, em Santa Maria da Feira, prometeu dias piores. Continuamos a não nos entender sobre o significado de expressões como História, movimento das ideias, conceitos de vida, de honra e de trabalho. O dr. Cavaco parecia aguardar que a tão falada ambiguidade de Seguro se traduzisse em pusilanimidade, numa espécie de fim sem fim que fizesse convergir duas ideologias, afinal não tão distantes uma da outra. Como se nada se questionasse, limitando tanto as doutrinas que todos concordassem com o tal "compromisso", carregando-o de um peso salvífico, que se opunha ao "pecado" no qual nos encontrávamos.

Não acredito na genuinidade nem na candura do dr. Cavaco. Admito mais a sua manha assaloiada, tantas vezes demonstrada e tantas vezes denunciada pelos factos. Em condições normais de cultura e de conhecimento ele nunca teria trepado a funções tão importantes na vida pública. Ou teria sido apeado logo-assim fossem reveladas as suas debilidades estruturais. É pior Presidente do que o foi Américo Thomaz.

Ao encenar este enternecedor "compromisso" sabia a soma: quais fossem as consequências, o Governo que aprova sairia do imbróglio, recauchutado ou não. Aceitaria Paulo Portas como este teria de aprovar Maria Luís Albuquerque e outros engulhos. A questão do carácter já se não coloca num Governo em que todos se olham de soslaio e rangem os dentes de raiva incontida.

Seguro foi empurrado para uma solução, não direi radical, mas concordante com aquilo que vinha a dizer há semanas. Pessoalmente, talvez estivesse mais atinente a outros balbucios, mas alguém o avisou de que poderia ser o coveiro definitivo do PS. Manuel Alegre divulgou, no jornal I, que Seguro lhe garantira não assinar o acordo; Mário Soares advertiu-o de que fraccionaria o partido; e José Sócrates, na RTP, insistiu na "verticalidade" do sucessor. Além de que o actual secretário-geral do PS é um homem do "sistema", claramente moderado e discretamente conservador. Na entrevista à SIC prometeu o indevido, questionado pela excelente Ana Lourenço, cuja doçura esconde a astúcia de grande perguntadora. O homem parece estar já inebriado pelos perfumes do poder e não conseguiu acautelar as palavras, que o acorrentam a responsabilidades insanas. Porque não é preciso ser a pitonisa de Delfos para se adivinhar que Pedro Passos Coelho e os seus são cadáveres sem disso se aperceber, e estrebucham, causando mais pena do que repulsa.

Continuo a perguntar e com perdão da enunciação feita: será António José Seguro o homem exacto para esta hora dramática da vida portuguesa?

23/07/13

a cada um, o seu entretém


a culpa é nossa, a culpa é nossa, a culpa é nossa

Título e imagem do: http://aventar.eu

portas abertas ao crime


Tem sido notícia a quantidade de chineses (e angolanos, e colombianos, e brasileiros) que se tem candidatado ao Golden Visa criado pelo douto Portas para quem invista umas parcas maçarocas ou compre casa em Portugal.

Fez bem, o douto Portas. O que não acho bem é que o SEF, mais papista do que o Papa, já tenha bloqueado dois processos de atribuição de tão precioso visto, o último dos quais a um grupo da máfia chinesa que, assim, teria porta aberta (ou deverei dizer portas abertas?) para operar, à vontade, no espaço europeu.

Eu, se fosse o douto Portas, não me ficava. Tinha uma reunião com Miguel Macedo, se é que é Miguel que manda na coisa e não Paulo, e ordenava-o que despedisse os gajos do SEF, substituindo-os, é claro, por gajos e gajas da sua confiança, angariados pelo Caldas ou por outros lugares mais recônditos da capital.

A notícia, toda, aqui:
http://portugueseindependentnews.com/sef-bloqueia-processo-de-visto-dourado-pela-segunda-vez/?fb_source=pubv1

o telejornal passo a passos



Passos mostra-se satisfeito com a forma como os mercados reagiram positivamente à decisão de Cavaco Silva de manter o actual governo em funções, seja ele remodelado, recauchutado ou disfarçado de coesão plena. 

Bolço. Primeiro round.

Passos informa o que o Sr. Presidente vai fazer a seguir, depois do seu discurso dominical. Depreendendo-se que seguindo as ordens de Passos.

Regurgito. Segundo round.

Passos apela à união de todos os portugueses, insiste no diálogo interpartidário, revela total abertura para consensos alargados.

Vomito. Terceiro round.

A dívida portuguesa volta a aumentar face ao PIB. Passos diz que a culpa é da recessão e só da recessão.

Baldeio. Quarto e último round

22/07/13

notícias do fim do mundo

mais e más novas da gloriosa pátria do capitalismo socialista

Estas imagens foram obtidas numa fábrica de Jiaxing. Mas poderiam ter sido tiradas noutro sítio qualquer da China. Os pais trabalham 10 horas por dia por um salário que mal lhes permite sobreviver, quanto mais ter os seus filhos em creches. Por isso os levam para as fábricas onde trabalham. Para os manter sossegados, acorrentam-nos a uma parede. Ou era isso ou a fome, para eles e para as crianças. E tudo isto se passa diante dos nossos olhos, enquanto compramos cada vez mais produtos chineses e realocamos, bonita palavra esta, as nossas fábricas nesses paraísos empresariais. Não será por muito tempo. Prepara-se, para Portugal, a sua conversão na China da Europa. Munamo-nos de correntes, trelas e, se não for pedir muito, açaimos. Estes, para nós próprios.





Imagens: http://www.secretsofthefed.com

se não os podes vencer, junta-te a eles!

Estamos no auge da política pimba. Foleira. Pacóvia. Tacanha. Tão provinciana como era a de Salazar.

Acho que vou aderir. Quem sabe se não serei recompensado com um lugar de deputado ou de ministro ou até de presidente, lugares, hoje em dia, ao alcance de qualquer um. Basta uma inscrição no partido certo, no momento certo, com o padrinho certo. Vá, não custa nada, libertemo-nos de escrúpulos e juntemo-nos a eles. 

Comece, comigo, a ensaiar as palavras mágicas: paz, pão, povo e liberdade. Não se esqueça, porém, do manguito enquanto canta.

tudo na mesma como a lesma

Como diriam os nossos "aliados" ingleses: disgusting!
O porta-voz do governo em exercício, Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva, mestre em cagarras e afins, afirmou ontem, na sua extensa e felizmente inodora comunicação ao País, que o governo em exercício iria submeter uma moção de confiança aos deputados da Assembleia da República. Esta foi a única novidade da comunicação do porta-voz do governo em exercício, Prof, Dr. Anível Cavaco Silva, mestre em cagarras e afins.

O resto, já se sabia. Há 3 semanas.

quando uma imagem vale mais do que mil palavras de cavaco

Imagem: Gui Castro Felga

a cerviz dos servos



Desconfio que este vídeo foi posto a circular pelos serviços de AgiProp dos partidos do governo. Pode ser que esteja enganado. Se resolvi, mesmo assim, divulgá-lo é porque ele serve de alerta para os que não gostam de ser aldrabados: ou me engano muito ou, tal como Coelho e tantos outros antes dele, Seguro jogará pelo seguro e prometerá mundos e fundos para ganhar eleições. Depois, lá no poleiro etéreo onde subir, servil, de grimpa e cerviz descaídas, abanará a cabecinha em sinal de aquiescência às exigências da troika, às maroscas dos mercados, à ganância dos credores, às ordens de dona Merkel, a pouco angélica Führer da Europa. Estou cá para ver.

oh diabo!!


Por maldade ou acidente, o título da revista TIME desta semana faz com que o Papa apareça na capa com os apetrechos do chifrudo, o Belzebú em pessoa. Ou os americanos não gostam do novo Papa ou os editores andam distraídos. 

o ataque das almas-negras


Com a devida vénia e a genuflexão que se impõe diante de um qualquer soberano, tenho que agradecer à presidencial criatura que tanto lustre dá à Nação e que tanto tem feito para que os portugueses, todos, os da situação e os do reviralho, nutram total respeito pelas instituições. É que, dantes, não entendia nada de ornitologia. Mal conseguia distinguir uma andorinha de um pardal, uma galinha de um pato, um pombo de um peru. Agora, sei o que é uma cagarra. Sei, copiei-o da sempre mui prestável Wikipédia, que cagarra é o nome comum, e passo a citar, das aves procelariformes do género Calonectris. Os seus únicos contactos com a Terra têm por objectivo a reprodução. Nisso não diferem do gentil homem que as deu a conhecer ao seus súbditos. Esse, dos poucos contactos que tem com a Terra, é sempre para nos quilhar. Mas há uma diferença e é grande: o ninho das cagarras é uma espécie de toca, o do tal é uma mansão de muitas assoalhadas, muitos móveis de estilo, muita assessoria, muita secretária, muito motorista, muita criadagem. Os parentes mais próximos das cagarras são as pardelas. Que, por sua vez, são parentes da alma-negra. Chegado aqui, interrompi a pesquisa. Estava explicada a negrura. Da criatura.