o ataque das almas-negras


Com a devida vénia e a genuflexão que se impõe diante de um qualquer soberano, tenho que agradecer à presidencial criatura que tanto lustre dá à Nação e que tanto tem feito para que os portugueses, todos, os da situação e os do reviralho, nutram total respeito pelas instituições. É que, dantes, não entendia nada de ornitologia. Mal conseguia distinguir uma andorinha de um pardal, uma galinha de um pato, um pombo de um peru. Agora, sei o que é uma cagarra. Sei, copiei-o da sempre mui prestável Wikipédia, que cagarra é o nome comum, e passo a citar, das aves procelariformes do género Calonectris. Os seus únicos contactos com a Terra têm por objectivo a reprodução. Nisso não diferem do gentil homem que as deu a conhecer ao seus súbditos. Esse, dos poucos contactos que tem com a Terra, é sempre para nos quilhar. Mas há uma diferença e é grande: o ninho das cagarras é uma espécie de toca, o do tal é uma mansão de muitas assoalhadas, muitos móveis de estilo, muita assessoria, muita secretária, muito motorista, muita criadagem. Os parentes mais próximos das cagarras são as pardelas. Que, por sua vez, são parentes da alma-negra. Chegado aqui, interrompi a pesquisa. Estava explicada a negrura. Da criatura.

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