19/05/12

santa zita

Depois de passar pelo PCP, onde entre outras causas lutou pela liberalização do aborto que hoje condena com tantos credos como os que tem na boca, Santa Zita saltou para o PSD e vem agora dizer-se grande admiradora de Josemaria Escrivá e da Opus Dei. Por este andar, e nem será preciso caminhar muito, ainda a iremos ver em peregrinação não a Fátima, mas a Santa Comba Dão que é lá perto. Até pode ser que Deus, sempre pronto a castigar, lhe perdoe. Eu não.


o mesmo digo eu sempre que vejo governantes a palrar na televisão

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grande campanha de carne no pingo doce


a europa é isto?

Um punhado de políticos medíocres, entre os quais brilha nas alturas um Durão Barroso de papelão, não mais do que um patético mordomo dos grandes do mundo. Forças ocultas, ou nem tanto, que usam o seu poder económico para mandar, sacrificar, roubar para aumentar ainda mais a sua imensa riqueza. Vozes que se erguem para exercer a mais obscena das chantagens sobre um país em período eleitoral de forma a virar o resultado a seu favor. É isto a Europa. A Europa humanista de outras eras, que deu exemplos ao mundo. Uma espinha cravada na garganta dos grandes grupos económicos, finalmente regenerada, finalmente mais próxima de uma América onde os pobres não têm direito a cuidados de saúde, onde há cada vez mais gente a viver nas ruas, onde a mancha de pobreza é tão gigantesca como gigantescas são as grandes fortunas do país. Vamos de mal a pior e a coisa não vai ficar por aqui. Estamos em guerra. Pela salvação da Europa e da humanidade.


18/05/12

em qualquer outro país, já estava no olho da rua!

O Conselho de Redacção do "Público" denuncia em comunicado as pressões exercidas por Miguel Relvas para que o jornal não publicasse uma notícia, que não lhe seria favorável, sobre os seus depoimentos contraditórios no caso das secretas. Pior ainda, porque com esta gente é sempre possível pior, ameaçou divulgar na internet factos da vida privada da jornalista responsável pelo artigo.

Depois disto tudo, pergunta-se: manterá Passos a sua confiança em Relvas? Se assim for, estamos conversados. Somos governados por seres pouco recomendáveis. E poupo-me a demais adjectivos, não vá eles esmiuçarem-me a vida privada.




retratos de família

Rebentou mais um escândalo que tem Duarte Lima como um dos protagonistas. E eu pergunto, e perguntarei muito bem: mas no parlamento, no PSD, até no PS, bastando-lhe olhar para a pinta, ninguém desconfiou do meco e dos seus sinais exteriores de riqueza súbita?  Cá eu, que sou ingénuo, anjinho mesmo, nunca engalinhei com a fronha da criatura, sempre me cheirou a aldrabice. Mas, pelos vistos, quem se quer bem sempre se encontra. Deus os fez. Deus os juntou. Ámen.






se damos de frosques é porque damos de frosques ...


Aqui há uns tempos, nem tantos quanto isso, Coelho e outros governantes encorajavam, calorosamente, os portugueses a emigrar. Hoje, um dos responsáveis por esse encorajamento, vem dizer-se muito preocupado com a emigração jovem.

Vejam lá se se entendem, para que a gente os possa entender também. Pegamos na trouxa e zarpamos ou aguentamos os cavalos? É só para saber.

o presente é risonho, a gente é que ainda não deu por isso


dr. passos coelho: não seria o desemprego uma oportunidade para si?


Por Tiago Mesquita

Ao contrário do que a maioria defende, acho que Primeiro-Ministro esteve bem nas declarações sobre o desemprego. Esqueceu-se, porém, de algumas coisas que importa destacar. A primeira é que é o Primeiro-ministro, mas isso já ninguém leva a mal. É recorrente.

Apelou ainda aos portugueses para que adotem uma "cultura de risco" ". Ora aqui tenho de discordar. O que é eleger para primeiro ministro alguém com sua experiência se não cultivar uma verdadeira cultura de risco? Risco extremo. Os portugueses estão para a política como a escalada está para os desportos radicais. E a reeleição de Sócrates? Pior só tirar um curso de filosofia em França sem arranhar uma ponta de francês.

Considerou ainda vexa que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser "uma oportunidade para mudar de vida". Ora isto é relativo. Se eu for um "jotinha" encartado que foi empurrado da Galp onde ganhava 2500€ mês para entrar pela porta do cavalo na REN a ganhar 3000€, provavelmente sentar-me-ia na mesa do café a dizer: "porra foi a melhor coisinha que me aconteceu, se continuar assim ainda chego a primeiro-ministro sem fazer a ponta de um corno".

Agora temos outro cenário ( para si meramente académico). Imaginemos que trabalhei 25 anos numa empresa que o Estado levou à falência porque pagava a 3 anos em vez de o fazer a 3 meses. Tenho 50 anos e nada mais sei fazer na vida do que aquilo que sempre fiz. Não será justo que após ouvir o seu discurso, me apeteça esfregar-lhe um pano encharcado na cara?

Referiu ainda que "estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo". Pois claro que não. Aliás até já há quem faça festas de recém-desempregado. Com muitos balões a dizer "estou fod... mas estou feliz".

"Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade". Pois não tem de ser um estigma. Acho até que o Dr. Passos daria um excelente 2ª voz num qualquer Rancho Folclórico. Estigma é mesmo ter um primeiro-ministro como o senhor. Faça-nos um favor a si próprio e despeça-se. Vai ver que é uma excelente "oportunidade" para si e para todos nós.

é com estas e com outras que a gente desopila


Ainda agora foi eleito e já François Hollande está a provocar incidentes diplomáticos. E tudo isto porque o primeiro-ministro que nomeou, Jean-Marc Ayrault, tem um apelido que soa, em árabe, ao órgão reprodutor masculino.

Seja como for, o Sr. Pénis começou por mostrar que tem tomates, ao reduzir em 30% o salário de todos os membros do seu governo. Esperemos que não murchem e que venham mais medidas que dêem o exemplo aos lambe-culófilos de Frau Merkel, incluindo o seu kaninchen de estimação, o coelho do nosso descontentamento.

e não se pode incriminá-lo?


Pelo mal que tem feito ao país, pela economia que soçobra, pelos portugueses que passam fome, pelos desempregados em busca de oportunidades de salvar os seus da indigência, pelos sectores estratégicos privatizados por tuta-e-meia, pelas promessas não cumpridas, pelas mentiras sucessivas, pela submissão a interesses estrangeiros, quantos deles inconfessáveis. E tudo isto sem sinais de remorso, de comiseração pelo sofrimento que provoca.

Por muito menos, há tantos na prisão.

catastroika

Por Daniel Oliveira

O processo global de privatizações, que começou nos anos 80, ganhou, com a crise e com a intervenção de burocratas não eleitos nas políticas dos países, um novo impulso. Dos correios aos caminhos de ferro, os resultados são conhecidos por essa Europa fora: a qualidade não melhorou, os preços ao consumidor aumentaram e os contribuintes acabaram sempre por pagar a factura dos erros cometidos. A menina dos olhos dos saqueadores são os monopólios naturais. Sobretudo a energia e água. Percebe-se porquê. Portugal prepara-se para privatizar quase tudo: aeroportos, água, correios. A conduzir este processo estará o antigo vice da Goldman Sachs, António Borges. Mas estamos longe de estar sozinhos neste saque generalizado. Por isso, e não perdendo mais tempo com palavras que serão redundantes com o documentário que aqui vos deixo: "Catastroika". Realizado pela mesma equipa grega que fez o "Dividocracia". Legendado pela Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida (http://auditoriacidada.info/). Muito pedagógico.

17/05/12

tanta oportunidade perdida!

os coveiros da democracia


Enchem a boca de democracia, chamam anti-democratas aos que se lhes opõem. Está-se mesmo a ver. Depois da pressão grotesca de Durão e Lagarde, durante o dia de ontem, hoje foi a vez do FMI revelar que se recusa a quaisquer contactos com os gregos até às eleições e do BCE interromper a maior parte dos financiamentos aos bancos helénicos.

Entretanto, o partido até agora favorito nas sondagens começa a descer nas intenções de voto.

A chantagem faz milagres. E os democratas de pacotilha, de Merkel a Durão, de Draghi a Coelho, jamais se livrarão deste episódio vergonhoso com que ficarão registados na História. Ao lado de ditadores e genocidas. Nem mais, nem menos.

o êxito do cinema português


os gatos-pingados


16/05/12

em louvor de passos e da sua estratégia para a nação


Ontem, a imprensa embandeirou em arco, os índices económicos foram-nos mais favoráveis do que se esperava. Hoje, anuncia-se que, num estudo levado a cabo por uma organização internacional, o país está a descer no ranking de cuidados de saúde pública, apenas um nadinha acima dos piores da Europa. Hoje, soube-se que o desemprego continua a aumentar. Portanto, está-me cá a parecer que o mar de rosas tem espinhos. Muitos.

Mas não desesperemos: toda a gente sabe que um desempregado é um empreendedor, que um mundo de oportunidades se rasga diante de si, que a fortuna o persegue, o dinheiro o assedia, os invejosos lhe querem roubar o privilégio de não ter trabalho; e toda a gente sabe que piores cuidados de saúde provocarão mortes, principalmente dos mais fracos, os mais velhos, os inúteis afinal, restando-nos assim mais dinheiro e oportunidades acrescidas.

Bendito seja Passos que tanto zela por nós.

a mais vil das chantagens


O Senhor Barroso, Madame Lagarde, a Frau Merkel, banqueiros, políticos, os mercados de carne para abate no matadouro do capitalismo, todos, todos vêm fazer a mais vil das chantagens sobre o povo grego: ou vocês atinam, vejam lá em quem vão votar, ou sofrerão as consequências. Assim. Sem disfarces. A democracia morreu. A não ser que o povo grego não ceda, revele dignidade e coragem. A Grécia foi o berço da democracia. Seria trágico que acolhesse o seu caixão também.

stress pós-traumático

15/05/12

sermão de passos coelho aos desempregados


"Parece-me que Passos Coelho vive equivocado em relação às suas funções. Os amigos dão-nos conselhos. Os políticos criam condições para que as pessoas possam fazer escolhas nas suas vidas. Passos Coelho até poderia ter razão, e não tem nenhuma, no que disse. Mas a sua razão seria irrelevante. O seu papel é outro: criar condições de emprego para que as pessoas possam aproveitar "a oportunidade" de não o terem. Assim, Passos Coelho limita-se a exibir a sua inutilidade como político. Para receber conselhos não precisamos de eleger ninguém. Temos a família e os amigos a quem não damos os nossos impostos."

Daniel Oliveira
Leia o artigo completo aqui.

manifesto "para uma esquerda livre"

Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.

As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.

Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.

Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.

É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.

É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.

É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.

A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.

Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.

É a nós todos que cabe construir:

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.

UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.

UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.

Alguns dos primeiros nomes a assinar o manifesto: Alexandra Lucas Coelho (jornalista), Alfredo Barroso (ensaísta, comentador), Ana Benavente (professora universitária), Ana Gomes (diplomata, eurodeputada), André Barata (professor universitário), António Mega Ferreira (escritor), Carlos Nô (artista plástico), Daniel Oliveira (jornalista), Fernando Vendrell (realizador), Francisco Belard (jornalista), Hélder Costa (dramaturgo e encenador), Irene Pimentel (historiadora), Ivan Nunes (doutorando em estudos de cinema), Jorge Bateira (economista), José Reis (economista), José Vítor Malheiros (consultor), Manuel Frias Martins (professor universitário), Mário Barroso (realizador de cinema), Mário de Carvalho (escritor), Miguel Real (escritor, ensaísta), Miguel Vale de Almeida (antropólogo, professor universitário), Nelson de Matos (editor), Nuno Artur Silva (autor, produtor), Olga Pombo (professora universitária), Paula Gil (precária), Raquel Freire (cineasta), Rui Cardoso Martins (escritor), Rui Tavares (historiador, eurodeputado) e Rui Zink (escritor).

Para assinar o Manifesto, clique aqui.

submarinos ao fundo


Já não bastava termos comprado, e andarmos a pagá-los a duras penas, uns submarinozitos que ninguém sabe para o que servem e cujos contornos do negócio continuam e continuarão por esclarecer pois ínvios são, até mais ver, os caminhos desses senhores que nos governam e se governam. Sabe-se agora que os ditos submarinos, cuja utilidade já era à partida questionável (invadidos já nós fomos desde o ano passado sem um tiro de canhão, o disparo de uma bazuca, o protesto de um almirante), deixaram de ir ao mar porque o combustível ... está caro.

A este propósito, tenho uma ou duas sugestões.

A primeira, acostar os submarinos no Parque das Nações e abrir as portas (de notar que eu não escrevi Portas, longe de mim insinuações torpes) às gentes que, curiosas, não deixarão de acorrer aos magotes para ver como são por dentro, afinal de contas estão no seu pleno direito, cada parafuso, cada porca, cada periscópio foi pago com o seu dinheiro.

A segunda é que, para evitar males maiores à nação, os conselhos de ministros se transformem em torneios de batalha naval. Submarinos ao fundo. Porta-aviões. Corvetas. Tudo menos o país. Chega de tormentas, chega de naufrágios. Chega.


incompetência ou fraude?

Por Manuel António Pina

A notícia ontem conhecida segundo a qual as remunerações dos gestores das principais empresas cotadas subiram 5,3% em 2011 enquanto o salário médio dos trabalhadores (dos privilegiados que ainda têm trabalho e salário) baixou quase 11%, apenas confirma - se isso precisasse de confirmação - a quem está o Governo a cobrar os custos da "crise" e contra quem é dirigida a política de "empobrecimento" de que fala o primeiro-ministro.

Cresceu igualmente o fosso da desigualdade entre salários de topo e de base: em 2010, os executivos recebiam 37 vezes mais do que os trabalhadores; em 2011, com a propalada "austeridade para todos", essa diferença aumentou... para 44 vezes.

Tudo isto nos deveria levar a cotejar "as propostas (...) para levar a cabo e as medidas que (...) são para cumprir", do programa eleitoral do PSD com o que o PSD fez mal chegou ao poder.

Se tudo o que o PSD prometeu sob "compromisso de honra" a que "não faltaremos em circunstância alguma", foi, como assegura o programa, "estudado, testado e ponderado", é de temer que notícias como a referida (ou como os catastróficos números do desemprego e da pobreza) sejam resultado, não apenas de incompetência e pusilânime servilismo ante as forças financeiras de (não tenhamos medo da palava) ocupação, mas de fraude premeditada.

14/05/12

fia-te na virgem e não corras com o passos


Diz-se para aí que, este ano, Fátima teve uma das suas maiores enchentes. Em tempos de crise, os fiéis foram lá pedir empregos, se calhar dinheiro para os medicamentos, se calhar a esmola de umas sopas na mesa. E deixaram lá, muitos, o pouco que lhes restava para sobreviver. A cera está cara. 

Agora falta a procissão ao Senhor dos Passos. É preciso ter fé.


as novas oportunidades


no portugal dos pequeninos

De propósito, como faço de quando em vez por uma questão de higiene da mente, e porque a sanidade da dita sofre, todos os dias, fortes abalos, andei este fim de semana arredado da web. Mas quero hoje, três dias depois, voltar à vaca fria, ou seja, a Pedro Passos Coelho e às suas declarações sobre a felicidade, sobre a luz que se acende, radiosa, ao fundo do túnel de quem é despedido. Disse ele que ser despedido é uma oportunidade para mudar de vida. Numa palavra, é uma benção.

Depois do "piegas", do "emigrem" e de tantos dislates de que já perdi a conta, Coelho mostra mais uma vez a sua total insensibilidade perante o sofrimento daqueles que diz governar. É, e aqui repito a expressão feliz de Daniel Oliveira, hoje no Expresso online, um mero rapazola que chega aos 47 anos sem saber nada da vida, que teve tudo de mão beijada, que fez carreira profissional, curta, à sombra da política e chega a primeiro-ministro por obra e graça da mentira e da infinita ingenuidade, para não lhe chamar outra coisa, dos que votam continuadamente contra os seus interesses e, diria mais, contra a moral e os bons costumes, não no sentido salazarista ou beato do termo mas no sentido de transparência, verdade, solidariedade, humanismo.

Passos desconhece a realidade, a vida, as dificuldades da vida. E não percebe nada de economia, menos do que eu que nada sei de tal coisa. Imagine-se Portugal, que dizem à beira da bancarrota, com mais um milhão de empreendedores, ex-desempregados e felizes donos de mini-micro-microscópicas empresas de uma pessoa só. 

Parece que já os estou a ver. Sem fazer nada, porque nada se pode fazer sem dinheiro a não ser, quanto muito, alugar os seus préstimos, a título precário e por tuta-e-meia, a empresas a quem, glosando o slogan do Pingo Doce, "sabe bem pagar tão pouco".

E, além da falta de lógica e de sentido das realidades, Passos Coelho fala-nos como se estivesse a dar-nos um raspanete, um puxão de orelhas, num tom de mestre-escola prepotente a quem só falta uma menina-de-cinco-olhos a assomar na mãozinha bem tratada. No seu entender, os portugueses são uma cambada de medrosos, merdosos, pouco empreendedores e, claro, sempre madraços.

Sim, é um rapazola a quem deram um novo brinquedo que se entretém a desmanchar para ver como é por dentro. Um brinquedo que se chama Portugal.

o milagre de fátima


Passos insulta os portugueses. Passos vai ao bolso dos portugueses. Passos é vaiado pelos portugueses. Mas, segundo a revista Sábado, as sondagens continuam a ser-lhe favoráveis. Das duas, uma: ou a Sábado está noutro país que, por acaso, também se chama Portugal, ou então os portugueses merecem Passos e Passos merece os portugueses. Ai Deus os fez, ai Deus os juntou. Só por milagre será apeado tão cedo. Espero estar enganado.