25/04/15

sem cravo falou aos cravas


Sua excelência verrinou sem cravo mas com os cravas a aplaudi-lo de pé. Sua excelência, coitadinho, veio queixar-se da agressividade verbal e da falta de consensos. Sua excelência não sabe, nunca soube nem quer saber o que é a democracia, sinónimo de debate de ideias, defesa de princípios, discussão acesa e também, claro, diálogo. Sua excelência, sensível e bom como é, não gosta de conflitos, de insultos. Deveria estar a referir-se aos de que ele tem sido alvo, tantos com razão de ser. Mas sua excelência veio, ele próprio, a propósito da corrupção, insultar Sócrates ao dizer, parafraseando a ministra Cruz, que ninguém está acima da lei. Pois não, não deveriam. Nem ele, nem Oliveira e Costa, nem Duarte Lima, nem Dias Loureiro, nem Miguel Macedo, nem Passos Coelho, nem Miguel Relvas, nem Paulo Portas e tantos outros que odeiam cravos mas adoram cravas. 

Ai, desculpem, agora sou eu que descambei para o insulto, fugiu-me a boca para a verdade. Não devia. Hoje é 25 de Abril, dia de festa. Eu festejo o Abril dos cravos. Outros, os cravas, festejam o Abril de hoje que tantas portas lhes abriu, tantos coelhos pariu.

Façamos o que sua excelência recomenda. Um país de tolos. Pacificado. Ordeiro. Obediente. Sem arruaças, crispações, vitupérios,  Sem cravos, mas povoado por escravos e cravas. Todos amiguinhos, aos beijinhos, abracinhos, sorrisinhos e facadas nas costas, roubos de vidas, de pão.

Não façamos greves mas antes convívios entre ricos e pobres, espoliados e exploradores. Não apupemos mas cantemos antes hinos de amor. Façamos de Portugal  um gigantesco templo de paz entre os homens e de oração entre as almas desavindas.

Corações ao alto, meus irmãos. Amemo-nos uns aos outros mesmo quando os cravas nos roubam nos salários, nas pensões, nos impostos, em tudo onde possam botar as manápulas imundas de sangue e dinheiro sujo. Ou isso ou terão que sofrer, os escravos e não os cravas. Cavaco assim o disse: o Estado tem que endurecer para impedir o terrorismo, o de fora mas o de dentro também, dissidências, violências, motins, frenesins de gente destrambelhada. 

Por amor ao próximo, prepare-se a polícia de choque!

24/04/15

uma descarga de diamantes, outra de bosta


Andou por aí uma polémica com alguns arautos de direita desdizendo a esquerda quando esta defende que os números do desemprego são muito maiores do que aqueles que o governo, e os seus panfleteiros de serviço, anunciam nas desvairadas acções de propaganda a que se entregaram, com mais demência e desusada veemência nos últimos meses na esperança, que pode não ser vã, de ainda conseguirem ser eleitos para um segundo, fatal mandato.

Pois bem. Quem forneceu estes números - que demonstram sem margem para dúvidas que os desempregados ultrapassam largamente o milhão - não foi o PCP, nem o BE, nem Carvalho da Silva, nem qualquer jornalista rasca perdido de amores pela esquerda.

Foram o INE e o IEFP.

Mas as evidências não calarão as vozes dos que dizem que nunca foram criados tantos empregos e melhores empregos como durante o consulado coelhífero. Pois se o próprio artista em pessoa afirma que vamos entrar numa era de prosperidade nunca antes vista em Portugal, porque carga-d'água é que os seus vassalos e comparsas não hão-de prometer a Ilha do Tesouro, o Eldorado, uma descarga de diamantes em cima de cada português, uma caixa-forte para cada um onde cada um possa nadar em dinheiro e na mais nojenta bosteridade nunca vista em Portugal em tempos de democracia.

Arre!

a imunidade não safa famas nem impede burburinhos

A Comissão de Ética da Assembleia da República, representada por todos os partidos, recusou o pedido de Miguel Macedo para lhe ser retirada a imunidade parlamentar para poder prestar esclarecimentos à Justiça sobre o caso Vistos Gold. Não vou pensar, como os populistas e justiceiros que pululam e poluem a praça, que eles são todos iguais, que se protegem uns aos outros. Nem pensar!

23/04/15

publicidade enganosa


Nunca deve ter visto este senhor mais gordo. E magro ainda menos. Vou apresentar-lho. Chama-se Octávio de Oliveira, nasceu em 1960 e é secretário de Estado do Emprego. Foi ele, em mais um acto de propaganda eleitoral, que afirmou alto e bom som, para quem o quis e não quis ouvir, que "hoje, temos uma situação de mais emprego, melhor emprego e menos desemprego" do que em 2011,

Sob a óptica dos patrões, deve ser verdade. Os salários estão substancialmente mais baixos, pode-se recorrer a estagiários pagos pelo Estado, os despedimentos nunca foram tão fáceis, nem no tempo do velho senhor onde estes seres foram colher inspiração.

Não há uma lei contra a publicidade enganosa?

sermão às ovelhas que se querem tresmalhar


Mal o PS adiantou algumas possíveis potenciais desejáveis e ainda por confirmar medidas para a próxima década e eis que os senhores que nos desgovernam logo vieram carregar no botão "play" e desbobinar a velha cassete de sempre, ameaçando com nova bancarrota, com o regresso da troika, com o apocalipse, o juízo final. Agora que tudo estava tão bem, que Portugal ia entrar numa era de prosperidade nunca vista, é que o povo se prepara para lhes dar uma nega nas urnas, para os meter numa urna e enterrá-los bem fundo, impedindo-os de ressuscitar seja na Páscoa ou no dia de finados. É muita ingratidão por parte de uma gente que tanto ficou a ganhar nos últimos anos: desemprego, precariedade, má saúde, má educação, alta de impostos, baixa de salários, perseguições abusivas por parte do fisco e da Segurança Social, escárnio e escarros cuspidos por uma seita de iluminados.

Ponderem, eleitores, pensem bem no que vos pode acontecer: o regresso de Sócrates disfarçado de Costa, mais gordinho e de tagarelar grosso, uma melhoria ainda que ligeira das vossas condições económicas e, enfim, algum oxigénio depois de anos de asfixia, de envenenamento, num ininterrupto bacanal de marmanjos dados à violação de direitos, dignidade e os mais elementares princípios de justiça social.

Claro que a procissão ainda agora vai no adro. Com ladainhas e novenas entremeadas de mentiras, promessas vãs e não se sabe quantas outras patifarias mais, os santinhos ainda são capazes de levar a deles avante. 

Avante camarada Passos, a vitória é difícil mas ainda pode ser tua. Mais uns trinta e tal anos e baterás o recorde agora na posse de Salazar. Pede um milagre ao teu deus menor, uma nova detenção lá para as bandas da oposição.

Costa terá também um amigo pródigo? É investigar!

22/04/15

calhau em papel de seda

A pedra que o PS nos quer atirar é a mesma com que Passos e pandilha nos têm agredido ao longo dos últimos anos. Só que os do Rato são mais meigos: antes de no-la arremessar envolvem-na em papel de seda com a esperança de que magoe menos.

Por outras palavras, as medidas ontem anunciadas por António Costa são um prolongamento da austeridade decretada por Passos e seita, mas mais fofinha, suavizada quanto mais não seja nesta altura, a das promessas.

E, por outro lado, há aspectos em que Costa segue Passos e quadrilha, pelo menos no que diz respeito aos despedimentos, que o PS quer ver ainda mais liberalizados, e das privatizações, que quer aprofundar.

rilhafoles com ele!

Disse há dias Pedro que Portugal vai entrar numa era de prosperidade nunca vista.

Pedro já nos insultou, ameaçou, mentiu, mas nunca tinha ido tão longe no delírio. Será delirium tremens? O homem precisa de ser internado com urgência. 

21/04/15

o que eles querem é mama!


Quase todos os dias ouvimos e vemos autênticas aberrações, quase piores do que a mulher barbuda num acto de strip-tease em plena Avenida da Liberdade. Não falo dos pensionistas que no entender de Passos são ricos ou muito ricos, ou nos trabalhadores que são calões, ou nos contribuintes que são caloteiros, ou nos desempregados que são párias, ou nos portugueses todos que são piegas e desprezíveis, gente que não merece viver a vida em pleno, antes nas galés a dar no duro para saber o que custam as migalhas de pão que os donos de roças e de escravos, generosamente, nos arremessam de longe. Não, não é de nenhuma destas aberrações que falo, mas antes da moda das recém-mamãs terem que provar que estão a amamentar através de um aperto das glândulas mamárias. Se a moda pega, vamos ter o patrão a espreitar-nos por um sítio que eu cá sei para ver se sim, se faltámos ao emprego por razão palpável e visível, por desinteria ou almorróidas, nunca por mera caganeira, Ou a mirar-nos para uma coisa que eu cá sei mas não digo para ver se sim, se a estrangúria realmente nos anda a apoquentar pelo que temos de nos escapulir para ir ao médico.

O que eles querem é mama. Por enquanto têm vaca mas a sorte esgota-se. E os cornos aleijam.

o grande império da china

Sabia que os chineses da Fosun, metidos na compra do Cirque du Soleil e que já adquiriram o Clube Mediterranée e a Thomas Cook, são os mesmos que, em Portugal, já paparam a Espírito Santo Saúde e a Fidelidade e estão entre os interessados no Novo Banco em saldo?

Entre Angola e a China, essas duas grandes democracias, vão sendo repartidos os despojos de um país que, em tempos, se chamou Portugal.

paga e não bufes!

Há uns tempos, aspirava por um governo que, com firmeza, pusesse todos os portugueses a pagar impostos. Entretanto, veio Passos e pôs de facto mais portugueses a pagar impostos. Mas não todos. As grandes empresas continuam com sede na Holanda ou no Luxemburgo, onde a carga fiscal é mais branda. Muitos ricos continuam a fugir aos seus encargos, ou porque não declaram todos os rendimentos ou porque escapam com as suas fortunas para paraísos fiscais. Aos clubes de futebol, que pagam principescamente aos seus astros, são-lhes perdoados calotes. A Fundações oferecem-se benefícios fiscais, assim como a Fundos Imobiliários ou à Igreja, só para citar alguns casos mais conhecidos.

Passos, o Grande Disciplinador, fez com que a cabeleireira, o biscateiro, o mecânico, o dono da tasca da esquina entreguem ao Estado uma boa parte dos seus proventos. Mas fez mais, Passos. Fez com que os "devedores", não os mais ricos repete-se, sejam perseguidos como bandidos altamente perigosos para a segurança e o bem-estar da Nação. Por 500 euros ou coisa assim, penhoram-se contas bancárias, casas, automóveis e até bolos que eles não são tolos, nem Passos nem a Autoridade Tributária. E será que os "devedores" devem realmente? Não se sabe e nem eles, os "devedores", têm meios para enfrentar a máquina estatal. Assim sendo, ou perdem as casas, os automóveis, os bolos, ou pagam e não bufam, até ao último cêntimo, com juros de mora dignos do mais ganancioso dos agiotas.

E assim procede a Brisa, por intermédio do Fisco, cobrando milhares por dívidas de dezenas. E assim procede a Segurança Social, exigindo num dia o pagamento de uma dívida em falta e, noutro dia mais adiante, outra dívida de outro período qualquer e assim sucessivamente. E não vale a pena ripostar. As respostas às reclamações são lacónicas, aumentam a confusão já instalada, e no meio de tudo isto o pobre cidadão não se entende, não sabe o que tem que pagar e, pior, não sabe quantas mais dívidas as criaturas encontrarão nos seus canhenhos para vir, mais tarde, exigir a sua liquidação com juros de mora e penhoras e uma desfaçatez e uma falta de respeito que, em qualquer país decente, tinha resultado em tamanho escândalo que já o Governo tinha caído e os SS dos impostos e da SS despedidos por indecente e má figura.

Mas estamos em Portugal, onde o exemplo de prepotência e de falta de honestidade vem de cima e onde os de baixo, quase todos nós, nos resignamos calados e tementes a Deus, à Pátria, à Autoridade. Salazar foi azar, agora em reprise com Passos. Somos tratados como luxo na hora de votar e como lixo na hora de pagar.

E não é que, colectivamente falando, merecemos o fardo deste fado?

20/04/15

em frente, para o abismo!


Os portugueses cada vez ganham pior. Pagam-se 500 ou 600 euros a jovens licenciados para fazerem o trabalho de outros que, no passado, receberiam quatro ou cinco vezes mais mas que, com a desculpa da crise a graças às novas políticas laborais fabricadas com o conluio da UGT, foram despedidos por "redundância". Era este o plano de Passos, é este o estrondoso sucesso de Passos, conseguido com a conivência, a indiferença, a cobardia de milhões de portugueses. E os empresários de vão de escada, os que a única coisa que querem é acumular dinheiro para as suas casas de férias, os seus Mercedes, as suas viagens para resorts de luxo, esfregam as mãos de contentes, Passos é o seu herói, uma benção dos céus, uma lenda viva, um semideus enfim.

Enganam-se todos eles, Passos, os que votaram em Passos e os que idolatram Passos por Passos os proteger, lhes baixar impostos, lhes proporcionar mão-de-obra tão barata que nem na China conseguiam um maná assim. Enganam-se porque os trabalhadores mal ganham para se sustentarem a si próprios, muitos deles hesitam em casar, em constituir família, e outros emigram para nunca mais voltarem. Ou seja, uns não têm rendimentos para pagar impostos que se vejam, outros irão pagar impostos no estrangeiro, e todos eles contribuirão para a baixa natalidade em Portugal. Por outro lado, sendo as exportações uma fuga que não chegará para todos, sempre quero ver como é que os empresários, tão agradecidos a Passos, vão escoar os seus produtos num mercado interno constituído por gente sem um tostão para uma refeição fora de casa, uma ida ao cinema, uma peça de roupa nova, um mimo para si ou para os seus.

O abismo está à vista de todos. Mas muito poucos o querem ver.

a democracia ainda existe?

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Um grupo de 900 cidadãos holandeses decidiu processar o governo por este não proteger a população das poluições. O facto não é novo naquele país e, esmagadoramente, os protestos são sempre ganhadores. O prestígio da democracia desaparece quando o desrespeito e a incúria ganham terreno. E o voto continua a ter, nas sociedades civilizadas, um poder punitivo e dissuasor. Na Islândia, o primeiro-ministro foi preso, assim como outros governantes, por indignidade nacional: corrupção, nepotismo e negligência. Na Itália de Berlusconi, este foi escorraçado por indecoro. O exemplo clássico é o de Richard Nixon: mentiu à nação e foi enxotado. Valeu-lhe, depois, o perdão de Ford, que o reabilitou com extrema decência.

Há dias, nos documentos que faz publicar a Associação 25 de Abril, o meu amigo Vasco Lourenço, herói da Revolução, em resposta a um correspondente, dizia não sentir o mínimo rebuço em apoiar um processo-crime contra o Governo pelas malfeitorias por este cometidas. Assino por baixo.

O voto não valida nem permite tudo, e este Executivo tem cometido crimes inomináveis, como o de tripudiar sobre os testamentos sagrados, as promessas feitas e o estendal de misérias com que enlameou a pátria desde que trepou ao poder, com a afectuosa colaboração do dr. Cavaco.

Impeço-me de repetir o que Passos Coelho e os seus fizeram de monstruoso à população. Mas não me impeço de afirmar o que há de afrontoso num Governo que age em conformidade com o que pensam a execrável Angela Merkel e o seu horroroso ministro das Finanças.

Só os atropelos à Constituição, o desprendimento e o desapego com que actuam bastariam para um grupo de justos lhes mover um processo de indignidade. Eles desprezam-nos, são autocratas e continuam impunes, como se a imunidade fosse um dado adquirido. Não é. Ao que julgo saber, por consultas a advogados amigos, os cidadãos podem constituir-se em grupos de indignados com os destinos do País, e impedir, através da Justiça, que as coisas piorem.

As democracias só existem, como tal e enquanto tal, se forem exercidas por democratas. Estes senhores sê-lo-ão? Tenho sérias dúvidas. E só um valente sacolejão nesta mentalidade de serventuários de uma ideologia que está a destruir nações, poderá, acaso, alterar as coisas.